Esta rubrica tem como objectivo destacar os jogadores mais promissores nascidos em 2001. Os parâmetros de selecção são os feitos até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.
A Escócia tem tido dificuldades em encontrar referências futebolísticas nos últimos anos. Andy Robertson é mesmo o jogador mais cotado da seleção e, atualmente, um dos melhores laterais esquerdos do mundo. Porém, o futebol britânico tem sofrido uma evolução incrível na formação de talentos para a modalidade. Inglaterra é, indiscutivelmente, uma potência nas camadas jovens (quer a nível de clubes quer seleções). País de Gales chegou às meias finais do último Europeu e, atualmente, até tem uma seleção mais forte que em 2016 graças aos jovens que têm aparecido. A Escócia parte logo atrás, mas ainda longe dos referidos. Desta forma, o médio Billy Gilmour é um nome que tem despontado na Premier League ao ponto de já ser idolatrado no seu país onde muitos depositam vastas esperanças na sua afirmação como sénior.
Recrutado pelo Chelsea (dos clubes mais fortes na formação em todo o mundo) ao Rangers com apenas 16 anos, o jovem escocês estreou-se na época passada realizando 11 partidas. Surpreendeu muita gente pela sua simplicidade e personalidade, deixando meio mundo em suspense para projetar como poderia ser o seu desempenho na atual temporada. No entanto, uma lesão complicada no joelho afastou o jovem médio do início de época e até ao momento apenas regista 3 jogos.
Gilmour é o oposto de protótipo de tradicional jogador britânico. De apenas 170 cm de altura, franzino, tímido no confronto físico e com pouca disponibilidade para galgar metros, é um médio centro de trato de bola acima da média. Tecnicamente super evoluído, raramente falha um passe ou erra uma tomada de decisão, esconde a bola dos adversários, roda sobre si para procurar sempre a melhor solução na jogada, denotando uma visão de jogo ao nível de poucos. A jovem promessa escocesa impressiona pela simplicidade nos processos, mas ao mesmo tempo pela classe em cada toque na bola e velocidade de raciocínio. Não é um jogador para jogar a 6, a 8 ou a 10. Nenhuma posição tradicional do meio campo o define, porque não é criativo como um 10, não é intenso e rápido como um 8 e também não tem o perfil físico desejado para atuar à frente da defesa. No entanto, é uma mais valia para qualquer meio campo que queira fazer dano no adversário através da posse e da busca do jogo interior e apoiado.
Internacional sub-21 pelo seu país, só a lesão o impediu de ser chamado à seleção A e ser já aos 19 anos uma figura de destaque. Frank Lampard já demonstrou que é grande apreciador das suas qualidades e não terá problemas em voltar a apostar nele, mal esteja totalmente recuperado. Na verdade, Gilmour pode não impressionar pela ‘capa’, mas o seu futebol simples e perfumado aliado à sua maturidade dentro de campo anteveem um futuro brilhante para o jovem promissor oriundo da Escócia.
VM Scouting: Hugo Moura


3 Comentários
Antonio Clismo
Mais outro jovem promissor britânico a ir parar à Bundesliga para finalizar o se desenvolvimento no melhor das condições possíveis?
Goncalo Silva
A verdade é que cada vez mais aparecem jogadores britânicos com toque de jogador latino, o que é muito bom para o futebol inglês. Gilmour é mais um a juntar a jogadores como Foden ou Mount que não têm nada de britânico no seu jogo (ou pelo menos de antigamente). Gilmour não é tanto um 10 mas sim um construtor de jogo recuado na linha de Frenkie de Jong ou Pjanic, e por isso pode muito bem ocupar um lugar no plantel principal do Chelsea ao lado de Kanté e/ou Kovacic. Que vendam Jorginho, Barkley, Kepa, Alonso, etc para ganhar cash para craques mundiais como Donnaruma, Upamecano ou Haaland!
Tiago Silva
Já foi apelidado do Xavi escocês, gostei bastante do que vi dele até agora, no entanto ainda acho que não está pronto para jogar com regularidade no Chelsea. Um empréstimo poderia fazer-lhe muito bem, a um clube do Championship ganhava competitividade e minutos, poderia ser muito bom para a evolução dele. Ou então fica na equipa e joga alguns jogos, treinar com os melhores também lhe pode fazer bem e se Jorginho sair como se tem falado, haverá mais espaço para ele na equipa e poderá agarrar a oportunidade.