Esta rubrica tem como objectivo destacar os jogadores mais promissores nascidos em 2001. Os parâmetros de selecção são os feitos até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.
Tido por muitos como o sucessor de Neymar no Santos, fez as delícias dos adeptos do Peixe quando saltou para a equipa principal em 2018. Com apenas 18 anos realizados em janeiro, Rodrygo espalhou magia nessa época de estreia, colocando os tubarões europeus em alerta com o talento da jovem estrela brasileira. Registou 12 golos em 56 partidas e uma enormidade de lances de levantar os estádios e de correr a internet, levando os clubes europeus a adensarem o desejo da sua contratação. Na época seguinte, em julho de 2019, o Real Madrid decide novamente abrir os cordões à bolsa (tinha contratado no ano anterior Vinicius Jr precisamente em julho) e compra Rodrygo por 45 milhões de euros (exatamente o mesmo valor que gastou com o brasileiro ex-Flamengo).
Inicialmente, Rodrygo rodou na equipa secundária, mas os seus 2 golos em 3 partidas aliado ao espetáculo que já dava nessa altura, fez com que Zidane o estreasse rapidamente na equipa principal dos merengues. Em 2019/20, registou 27 jogos e 7 golos (fez mais que Vinicius Jr em menos partidas) e inclusive brilhando na Liga dos Campeões a espaços. Na presente temporada, Rodrygo tem sido assolado por uma lesão importante (problemas musculares numa coxa com tendão do bíceps femoral afetado), mantendo-o afastado há praticamente 20 jogos. Recorde-se que este é o seu 1º ano de sénior, contabilizando apenas 1 golo em 17 partidas disputadas, o que tem atrasado a sua afirmação.
Rodrygo é um driblador puro. Fantasista a enfrentar os adversários, assume simulações de corpo e fintas com uma facilidade tremenda, juntando a essa capacidade desequilíbrio uma veia goleadora assinalável. Pode atuar nos dois flancos com a mesma confiança, sendo um jogador que baseia a sua zona de conforto em duelos de 1×1. Com critério a soltar e a definir (Vinicius Jr, por exemplo, já tem mais dificuldades nesse aspeto), Rodrygo tanto assume preponderância na fase de desequilíbrio/criação como na fase de definição/finalização. De 174 cm de altura, mas resistente ao contacto físico (é mais compacto fisicamente que Neymar ou Vinicius Jr.) também explora situações de verticalidade em que tem de colocar velocidade e explosão na jogada. Joga bem co ambos os pés, oferecendo um longo manancial técnico nas soluções de cada lance. Ao nível do remate, é um jogador evoluído e assertivo, refletindo-se numa interessante capacidade de finalização (tem alguma frieza e confiança nas execuções perto da baliza). Como pontos a melhorar, talvez a sua ainda baixa intensidade dentro de campo e pouca regularidade exibicional. Tem dificuldades em, no próprio jogo, manter o mesmo ritmo durante 80/90 minutos.
Tem apenas 20
anos, e como tal, ainda não se adaptou totalmente ao futebol europeu e aos requisitos para atuar num dos maiores clubes da História do futebol. A presença de brasileiros no plantel dos blancos pode ajudar no processo e as lesões nunca serão bem vindas, muito menos num jovem a precisar de se afirmar, com toda a pressão natural de jovem estrela que acarreta. Já se estreou pela seleção principal do Brasil, pelas mãos de Tite, mas ultimamente tinha sido convocado para a seleção olímpica. Para o Brasil, seria uma lufada de ar fresco se aparecessem com mais frequência jogadores com este talento e deste calibre, algo que nos últimos anos tem escasseado (aparecem jogadores habilidosos em quantidade, mas de menor valia e protagonismo).
VM Scouting: Hugo Moura


9 Comentários
Muska
O Rodrygo é um jogador super entusiasmante, excepcional tecnicamente e com um sentido de objetividade incomum na sua idade, pelo que só mesmo as lesões podem impedi-lo de ser figura no Real durante muitos anos. Por outro lado, este 2.º lugar do brasileiro, deve significar que o 1.º lugar vai para Greenwood, o que me deixa bastante satisfeito, pois o que mostrou na temporada passada foi algo digno de um prodígio, de um jogador dito ‘geracional’, mas tem sido algo desvalorizado ultimamente pela época menos conseguida.
BrunoAlves16
Concordo com o VM, na minha opinião o Rodrygo é bem superior ao Vinícius, menos vertical mas mais fantasista, o que não impediu até de ter melhores stats de golos por jogo. Não fosse a lesão e creio que nesta altura certeza no onze titular. Na próxima época caso esteja debelada poderá explodir definitivamente.
Af2711
Só uma correção do ótimo texto do VM, o Rodrygo já estava contratado pelo Real Madrid em sua época de estreia. Ele faz um hattrick na Libertadores aos 17 anos e durante o Mundial 18 é contratado, para rumar ao clube na época seguinte.
Antonio Clismo
Rodrygo, vinicius jr, david neres, antony, filipe coutinho, paquetá, óscar, bruno guimarães, everton, pedrinho, reinier, felipe anderson, etc
O que têm todos em comum?
Completamente sobrevalorizados tendo em conta o futebol europeu.
Kacal
Não colocaria Oscar e Coutinho aí. São jogadores que chegaram a brilhar no Chelsea e Liverpool, respectivamente. Os outros sim, embora o Felipe Anderson na Lazio tenha tido boas épocas.
Jan the Man
Não concordo, e acho que meter esses jogadores todos no mesmo saco não faz sentido. A ver:
– Philippe Coutinho já integrou o 11 do ano da Premier League, foi importante em Itália e Inglaterra e, mesmo não mantendo o nível em Espanha e na Alemanha, foi conquistando títulos, algo que até então pouco tinha feito. Está estagnado mas nota-se que tem uma qualidade muito acima da média, na conjuntura certa é dos melhores jogadores do mundo.
– Óscar e F. Anderson já demonstraram em épocas anteriores um nível bem acima da média, tiveram foi uma gestão de carreira miserável.
– Nos restantes, se alguns até se pode concordar que não conseguem render o que se estava à espera (Everton, Paquetá), outros são ainda demasiado novos para isso (o Reinier só tem 19 anos, já feitos este ano) ou a qualquer momento podem explodir e subir de patamar, quer a nível de clube ou de tempo jogado.
Veremos o que as próximas épocas dirão, mas não acho que a maioria deles esteja assim tão sobrevalorizado neste momento.
Antonio Clismo
O Coutinho era tão bom que quando ele estava no Liverpool não passavam do 6º lugar e no exacto momento que ele deixou o Liverpool começaram a ganhar Champions e Premier Leagues com regularidade.
Fantantonio
Bons, bons eram o André Carvalhas e o Diogo Rosado
Mantorras
Ou muito me engano ou este vai ser craque. Tem um nivel tecnico diferente.