Esta rubrica tem como objectivo destacar os jogadores mais promissores nascidos em 2002. Os parâmetros de selecção são os feitos até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.
O Borussia Dortmund tem sido um dos principais viveiros de talento futebolístico nos últimos anos. A política dos Schwarzgelben é muito apelativa para qualquer jovem craque com vontade de se afirmar ao mais alto nível e proporciona uma transição suave para o futebol sénior, juntando um equilíbrio ideal entre competitividade e pressão, e Giovanni Reyna é só mais um dos exemplos da gestão exemplar dos aurinegros. No entanto, nem todos os dias vemos craques provenientes do continente norte-americano, que já há vários anos desespera por um craque mundial que suba finalmente o nível da USMNT.
Filho de Claudio Reyna, ex-capitão da seleção norte-americana e com presença em 4 mundiais consecutivos, e de Danielle Reyna, também ex-internacional pelos Estados Unidos, pode-se dizer que Gio já nasceu com o futebol a correr-lhe nas veias. Fez formação no New York City FC, clube onde o pai é diretor desportivo, deu nas vistas e foi captado pelo Dortmund, para onde se mudou com 16 anos… com ajuda portuguesa. É que Reyna, apesar de ter nascido em Inglaterra (durante a estadia do pai em Sunderland) e de ter crescido nos Estados Unidos, tem ainda passaporte português e argentino, proveniente dos avós paternos, o que se revelou fundamental para a mudança para a Europa.
Nos alemães, começou por ser integrado na equipa de sub-19, mas demorou somente meia época a ser chamado por Lucien Favre aos trabalhos da equipa principal. Estreou-se na Bundesliga com apenas 17 anos e 66 dias, seguindo as pisadas do seu compatriota Christian Pulisic, com o qual ainda partilhou balneário. Recentemente, tornou-se ainda no mais jovem de sempre a chegar às 50 partidas na Bundesliga. Internacionalmente, apesar de poder ter optado por 3 das melhores seleções mundiais da atualidade, escolheu aquela que considera ser a sua casa e a sua importância tem crescido exponencialmente. Estreou-se pela USMNT no final de 2020, na véspera de completar 18 anos, e hoje já é um dos líderes do grupo, tendo sido decisivo na conquista da CONCACAF, com um golo e uma assistência na final frente ao México. Por esse motivo ficou fora da Gold Cup, que os Estados Unidos também viriam a vencer, mas começou a qualificação para o Mundial a titular, apesar de uma lesão o ter impedido de dar o seu contributo na maioria dos jogos.
Em campo, é essencialmente um médio ofensivo, que pode atuar em ambas as faixas ou no meio, mas que se sente mais confortável no papel de criação. A sua extraordinária visão de jogo é o seu principal ponto forte e que não só lhe permite somar assistências (é exímio na colocação do último passe), como lhe dá também uma grande vantagem na forma como se movimenta. É frequente vermos o norte-americano a atacar o espaço ou a baixar no terreno para dar soluções à equipa e receber a bola, aparecendo depois a sua qualidade técnica, que lhe permite eliminar adversários sob pressão e servir os seus companheiros. Na finalização, ainda pode melhorar, mas tem conseguido números interessantes (leva 10 golos pela equipa principal do Dortmund e 4 pela seleção). Fisicamente, tem ainda um potencial enorme. Apesar de ser franzino, o seu 1,85m permite-lhe já ter uma capacidade de choque assinalável, além de ser ágil e veloz o suficiente para ultrapassar adversários em condução. No entanto, um aumento de massa muscular só o ajudaria a cair cada vez menos, além de poder ajudar a melhorar o seu jogo aéreo, onde ainda é praticamente inexistente.
Tem tido ainda alguns problemas musculares, próprios da idade, que o têm atormentado mais esta temporada, mas ultrapassadas essas adversidades espera-se que o jovem craque se afirme cada vez mais na equipa do Borussia Dortmund, na qual chegou a conquistar o estatuto de titular na época passada e que ainda espera muito daquilo que o talento de Gio Reyna tem para dar.


3 Comentários
Goncalo Silva
Realmente Portugal está em todo o lado ahah. Desconhecia por completo esta raíz portuguesa no Giovanni Reyna. Pode-se dizer que ele é em parte americano, inglês, argentino e português.
porra33
USMNT é acrónimo de United States Mutant Ninja Turtles?
Brincadeira à parte, o Reyna escolheu o clube ideal para crescer, daqui a uns anos deverá seguir o caminho de Pulisic e Sancho rumo a colossos europeus.
Tiago Silva
Já se ouve falar há tanto tempo dele que é difícil acreditar que é desta geração. Perdeu algum fulgor nos últimos anos, mas tem talento de sobra e está no clube ideal para potenciar as suas qualidades.