A liga espanhola 2012/2013 terá ainda mais motivos de interesse em relação à época passada pois, para além do duelo Ronaldo/Messi e Real Madrid/Barcelona, teremos uma equipa espanhola com um significativo contingente de jovens/promessas portugueses. O Deportivo da Corunha subiu esta época à Liga BBVA depois de na época passada se ter sagrado campeão da Liga Adelante, equivalente à segunda liga em Portugal, contando já nas suas fileiras com os portugueses Zé Castro, Bruno Gama e Diogo Salomão, emprestado pelo Sporting. Este ano o clube da Galiza reforçou ainda mais a armada portuguesa com os empréstimos de André Santos e Evaldo (luso brasileiro) também cedidos pelo Sporting, de Roderick Miranda e Nélson Oliveira cedidos pelo Benfica e ainda Pizzi que vem por empréstimo do Braga. Todos ingressaram no clube espanhol com o intuito de jogarem mais e com o aperitivo de ser numa das ligas mais competitivas do mundo. Apesar de tudo existem objetivos e ideias diferentes quanto ao futuro que os seus clubes pretendem para eles.
André Santos é um jogador no qual o Sporting e os seus adeptos depositavam maiores esperanças de sucesso e afirmação na equipa principal. A sua primeira época foi de bom nível, mas depressa se percebeu que talvez a falta de qualidade da equipa nesse ano terá dado grande protagonismo ao médio. Se o ano passado estava tapado por Rinaudo, este ano com a chegada de Gelson Fernandes a sua saída era mais do que evidente. Sendo certo que com estes dois médios no plantel o objetivo deste empréstimo visa apenas a valorização do médio de modo a permitir uma venda por valores superiores aos que foram ou poderiam ser oferecidos este ano, não esquecendo que depois desta época o médio terá apenas mais um ano de contrato com os leões. No caso de Salomão espera-se tal como os outros, que jogue para depois ser vendido a um bom preço, pois já se percebeu que o seu regresso a Alvalade (já com 25 anos) será muito difícil, sendo que o empréstimo a um clube que já o conhece e pelo qual jogou foi a melhor decisão, isto no caso vir a ter minutos de jogo. O caso de Evaldo é semelhante sendo que este nunca justificou os três milhões gastos pelos leões, que com este empréstimo apenas tentam reaver a quantia gasta no defesa esquerdo. No caso dos jogadores benfiquistas o objectivo é crescer e jogar mais minutos para depois regressar ao clube da Luz. Se o empréstimo de Roderick foi bem visto e compreendido pelos adeptos do Benfica, este iria ser titular da equipa B e neste momento precisa de um desafio maior, a questão é saber se foi um passo grande demais pois não jogar atrasa e muito o seu desenvolvimento, o mesmo não se pode dizer no caso de Nélson Oliveira. O avançado era a grande aposta dos adeptos para o ataque nesta nova época, até porque é o jogador que mais potencial e probabilidade tem de vir a ser o titular da seleção portuguesa. Contudo pensamos que se Nélson Oliveira jogar a titular ou grande parte dos jogos da sua equipa, o que neste momento não é certo e é preocupante, esta solução foi a melhor para o jogador e para o Benfica, pois relembramos a dificuldade e “alergia” que Jorge Jesus parece ter com jogadores portugueses, Ruben Amorim teve que ser emprestado ao Braga, Carlos Martins foi um dos melhores da pré-época e nem sequer jogou no primeiro jogo do campeonato, e Eduardo saiu esta época criticando o treinador português. O caso de Pizzi é dos mais estranhos do futebol português e claramente tem Jorge Mendes envolvido no seu processo. Depois de ter sido emprestado na última época ao Atlético de Madrid onde pouco jogou, este ano foi emprestado a um outro clube espanhol. O que mais espanta neste processo é que este jogador nunca chegou a jogar pela equipa principal do Braga e provavelmente seria um dos jogadores mais influentes da equipa do Minho, não sendo posta de lado a hipótese de vir a ser titular. Consideramos portanto um mau negócio pois seria um jogador que daria, atualmente, proveitos desportivos ao Braga e daqui a um ou dois anos proveitos em termos financeiros, pois neste momento o Braga joga regularmente nas competições europeias e é muito observado pelos grandes clubes europeus. Em relação a Bruno Gama a expectativa também é grande tendo em conta o que fez e a importância que teve no título conquistado a época passada, tendo marcado sete golos e participado em 29 jogos. É um jogador que se vier a desenvolver-se e afirmar-se ainda mais pode claramente ser uma opção de futuro para a seleção nacional, logo o seu êxito é desejado por toda a gente. Zé Castro é um daqueles jogadores que tinha tudo para ser um grande jogador, neste caso defesa central, mas as sucessivas lesões não o deixaram progredir e tornar-se uma peça fundamental pelos clubes onde passou, e num jogador convocável para Portugal. Em condições normais neste momento seria provavelmente a 3ª opção para central na seleção portuguesa ou quanto muito a 4ª opção, pois é melhor que Sereno, Ricardo Costa e porque não Rolando. Veremos se terá uma época consistente que lhe permitirá afirmar-se no futebol internacional e porque não sonhar com voos mais altos apesar dos seus 29 anos de idade.
Em suma, esta é uma política que é difícil, neste momento, dizer se é positiva ou prejudicial para os grandes de Portugal, para já, sabemos que a maioria não são apostas iniciais por parte do treinador, André Santos, Nélson Oliveira (que marcou um golaço na estreia) e Roderick Miranda, o que não augura nada de bom para o futuro, esperando que este cenário mude ao longo da temporada, sendo também uma incerteza se a liga espanhola não será um palco demasiado exigente para os portugueses. Cedências benéficas (para os jogadores e clubes)? Qual será o impacto destes jovens na La Liga? Até que ponto haverá uma maior aproximação por parte dos portugueses ao Depor esta época devido a estes empréstimos?
Tiago Amado


