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Desporto Convencional vs E-Sports

Ultimamente tem-se vindo a debater o porquê da perda de interesse dos mais jovens pelo desporto convencional (futebol à cabeça), enquanto se assiste a um crescimento exponencial dos E-Sports. Para os mais velhos, a justificação é bastante simples e baseada na premissa “Os miúdos agora nunca saem de casa, só querem telemóveis e computadores.” Porém, julgo ser bem mais complexo. A introdução massiva das novas tecnologias nas nossas vidas poderá ter uma influência directa na prática do desporto em geral (ou neste caso, a falta dela). O porquê disto acontecer é que nos conduz ao debate, Desporto Convencional vs E-Sports.

Recuemos uns 15, talvez 20 anos. Será suficiente. Era frequente haverem ringues de futebol espalhados pelas cidades, vilas e aldeias. Para se jogar era extremamente fácil. Bastava a malta ir aparecendo, iam-se fazendo equipas, e passado pouco tempo já se estava a jogar ao “bota fora”. Havia malta que já trazia equipas mais ou menos definidas, outros simplesmente esperavam pela sua vez até que alguém fosse embora. A parte boa disto? Era completamente gratuito e de livre acesso. Note-se que já havia salões de jogos com máquinas “Arcade”, contudo, apesar dos  miúdos  gostarem de jogar nas máquinas, esta era uma brincadeira que saía cara. Os salões de jogos entretanto evoluíram para “Lan-Houses”, todavia o paradigma não mudou, não eram baratos. Já o Desporto Escolar tinha um peso incrível na promoção da pratica de modalidades e actividade física. Foram construídos pavilhões nas escolas, promoviam-se torneios inter-turmas, as escolas alugavam e forneciam bolas livremente sem colocarem grandes entraves e havia sempre o clássico corta-mato, onde cada turma levava o seu representante. Além disso os canais de televisão generalistas aliavam-se a estas iniciativas e produziam programas bastante interessantes sobre prática de exercício físico. Recordo-me do “Dá-lhe Gás”, e numa vertente mais fora da caixa, o “Portugal Radical”. Os jogos de Futebol e de NBA passavam em sinal aberto. Ver um Benfica – Sporting a um Domingo à tarde na SIC era normalíssimo. Tal como ver o Jordan e os seus Bulls nas noites da TVI. Ou então seguir a Formula 1 na RTP enquanto se almoçava com a família.

Hoje em dia tudo isto é uma miragem. Já quase que não existem ringues de futebol ou campos de basquetebol gratuitos (e os poucos que existem nem sequer têm manutenção e estão degradados). Para se jogar futebol é preciso pagar, telefonar a reservar, e rezar para que haja uma vaga à hora que se pretende. As peladinhas marcadas em cima do joelho, têm os dias contados, muito menos as gratuitas e de livre acesso. Extinguiram-se os programas televisivos que promovam a competição e a pratica de exercício entre os mais jovens, e ver desporto de alta competição de forma gratuita só através de “streams” piratas e de qualidade duvidosa. O Desporto Escolar está a definhar e as aulas de Educação Física são sobretudo para preencher calendário tendo em conta que nem sequer contam para nota e a maior dos alunos nem se esforça para melhorar o seu desempenho. Podia pelo menos ser opcional contar para a média, consoante o desejo do aluno, mas nem isso.

E é aqui que entram os E-Sports. Jogar computador ou consola há muito que deixou de ser um passatempo e coisa de “nerds”. Os jogos reinventaram-se e a competição a si associada é a cerveja no topo do bolo. Actualmente temos equipas de E-Sports com orçamentos anuais de milhões de euros, sendo estes investidos e distribuídos em ordenados (muitos jogadores ganham milhares por mês), transferências (há jogadores avaliados em 1 milhão de euros), staff (todas as equipas de topo têm um psicológico que acompanha a equipa, a titulo de exemplo) ou em viagens para torneios e respectivas estadias. Um crescimento impressionante tendo em conta que há 15 anos atrás ganhar dinheiro a jogar computador profissionalmente era uma ilusão. A massificação das novas tecnologias e a facilidade em adquiri-las são sem dúvida o principal factor de crescimento. Nos dias de hoje qualquer pessoa consegue jogar e competir contra milhares de jogadores, seja no computador, numa consola ou num smartphone. E o facto de existirem bons jogos gratuitos ajuda. Mas porque é que a audiência dos E-Sports tem vindo a disparar e a dos desportos generalistas tem vindo a decrescer?

Conforme fui desenvolvendo ao longo deste texto, na minha opinião a explicação é relativamente simples. Dinheiro, promoção e acessibilidade. A industria dos jogos eletrónicos tem investido como ninguém em marketing. Pagam a streamers e youtubers para publicitarem o seu conteúdo e promovem torneios com produções de excelência em pavilhões ou estádios de futebol para os seus adeptos. A grande vantagem? Assistir a um torneio onde as melhores equipas do mundo se defrontam é completamente gratuito. Actualmente ainda não existe Pay-per-View para ver E-Sports, ao contrário dos restantes desportos. Em Portugal para se poder ver Futebol, NBA, Formula 1, Golf, etc. é necessária a subscrição de pelo menos dois serviços de canais pagos.  Os jovens não têm dinheiro para pagar subscrições de quase 40€ mensais para ver desporto, e muitas famílias também não dispõem dessa capacidade financeira. Os serviços de telecomunicações por si só já não são especialmente baratos, e ao acrescentarmos uma ou duas subscrições, o valor fica incomportável para a grande parte das famílias portuguesas. Já os E-Sports caminham exatamente no sentido oposto, basta ter ligação à Internet e “voilà”, facilmente podemos assistir às melhores equipas do mundo a defrontarem-se.

Por tudo isto foi-se criando um fosso geracional, os mais velhos juntam-se e vão ao café ver os jogos quando têm tempo, e os mais jovens optam por ficar em casa a ver E-Sports confortavelmente no seu sofá ou cadeirão. Na minha opinião este é um dos principais factores (aliados aos já acima descritos) para a perda do interesse das camadas mais jovens pelo desporto convencional. A sua inacessibilidade. A prática é dispendiosa, já não é tão acessível e assistir aos jogos e às suas equipas não é necessariamente barato.

Visão do Leitor: Diogo Moura

VM-Desporto
Author: VM-Desporto

59 Comentários

  • Fernandes35
    Posted Setembro 22, 2021 at 2:22 am

    Excelente post onde só faltou referir algo que, para mim, é super importante.

    Muitos jovens cresceram, acredito que agora vá diminuindo a taxa, a sonhar vir a ser jogadores da bola. E porquê? Não só porque amavam o desporto, porque tinham muito talento ou então apenas pelo números que foram aumentando nos contratos. Ou seja, muitos, acredito eu, viam e vêem o futebol como uma possibilidade bastante grande de ganhar bons valores monetários.

    A ligação disto com os ESports é lógica. Mais do que o desporto em si, o que não falta são streammer e criadores de conteúdo digitais. Tal como no futebol, não são assim tanto aqueles que conseguem fazer uma vida sólida disso mas, os que fazem, regra geral são muito bem pagos para isso. Ora, havendo a possibilidade de investir num bom setup, ter tempo para se dedicar e talento para os jogos, a possibilidade de ganhar visibilidade é alta e não tem nenhum prejuízo. Hoje em dia, muitos jovens jogam também pela ideia de que podem vir a ser alguém, seja a jogar a nível profissional ou até streammar um determinado jogo onde são realmente bons. Tal como os campos antes tinham uma enorme facilidade de acesso, hoje são os jogos que podem ser jogados no conforto de casa, na mesma com amigos e ainda com a possibilidade de gerar um futuro monetariamente rentável. Se a taxa de conversão é grande? Tenho as minhas dúvidas mas como não custava nada arriscar e a fazer formação do futebol no Arrentela com esperança em ser chamado ao Sporting, também não custa nada arriscar começar a jogar jogos onde podem ser ou tornar-se ótimos jogadores e assim crescer através de uma pegada digital.

  • Slayer666
    Posted Setembro 21, 2021 at 9:28 pm

    excelente post.
    Eu pessoalmente adoro cs:go, aliás vejo e jogo com muita regularidade, diria mesmo que tenho mais situações marcantes que me lembre de imediato de cg:go do que futebol “normal”.

    de repente, e quem segue minimamente, já viu e comentou N vezes o 1G do summit1g no 1 Vs 0 ??
    https://www.youtube.com/watch?v=GT6HQZkyBC8 (coloquei este vídeo em BR porque dá para ler no canto esquerdo os jogadores a comentar…mas o vídeo com comentários em Inglês parte tudo https://www.youtube.com/watch?v=FCEws6lyQNk ?)
    ainda por cima perderam o mapa em OT ??
    – “1G” passou a ser local na train e sempre que um player morre queimado com a própria molotof , nada mau

    1 Vs 2 do s1mple Vs fnatic na meia final do major em que ele dá um noscope a enorme distância ao krimz (e era a fnatic do Olof…estava no “principio do fim” da lenda Sueca, que ainda joga, mas…)
    https://www.youtube.com/watch?v=E9RG_hkzqB4 https://www.youtube.com/watch?v=zpwrBlLDcHg

    a mítica jogado do cold na final do major, em que a SK ganhou à team liquid https://www.youtube.com/watch?v=1def2llthOE

    o boostmeister da polémica, em que a fnatic * cof cof cof Olof* a perder 13-3, força a compra e Olof vira o jogo com um boost nunca feito profissionalmente, os chorões dos Franceses da LDLC reclamam (chorões), o match dos quartos de final é repetido no dia seguinte (sem poder usar o boost….já disse que chorões dos Franceses?) e a fnatic perde e os chorões tormam.se campeões…mas todos se lembram apenas dos chorões Franceses perdidos no map sem saber de onde vinham os tiros, ninguém quer saber se foram campeões, apenas queria-se saber do “boostmeister”

  • Athis
    Posted Setembro 21, 2021 at 4:35 pm

    Bom texto. Concordo no essencial, vivemos numa era digital onde a acessibilidade ao entretenimento via computador, tablet, telemóvel, etc. é fácil, é momentâneo e acima de tudo facilmente descartável. Há 20 anos atrás, ir dar uma volta de bike, ir jogar à bola, entre outras coisas que envolvem actividade física eram muitas vezes a forma de ocupar tempos livres.
    A mudança de paradigma da vivência social e do desenvolvimento urbano também tornam mais complicado a prática de desportos ao ar livre de crianças e jovens.
    Sou de uma geração, onde com 12 anos, saía de casa de bicicleta, andava 2-5km ou até onde fosse preciso, só para ir jogar à bola com amigos. Havia “ringue” na terríola (que com o desenvolvimento urbanístico, já é muito pouco terríola), por vezes até em ruas com pouco movimento jogava. Não sentia insegurança, mesmo não havendo telemóveis ou forma fácil de contactar alguém imediatamente em caso de emergência. Contudo, já nesse tempo, nas cidades a situação deveria ser já um pouco diferente.
    Hoje em dia é impensável esta realidade, não só por aquilo que é a vida das crianças, mas também pelo que é a vida de pais, familiares e restante núcleo de proximidade. Há assoberbamento constante devido ao fluxo elevado de informação, tarefas e outros assuntos. Acaba por ser um dano colateral as crianças ficarem entregues à sua “sorte” na “segurança” do seu quarto/seu espaço.

    Acrescento ainda que a prática de futebol, que eu pratiquei em escalões jovens, e que era de custo bastante baixo, hoje em dia tem um custo considerável (sei porque meu filho mais velho começou este ano nas escolinhas de formação de um clube e as despesas são já consideráveis) e muitas vezes despropositado (é kits de equipamento de treino, é kits de equipamento de jogo, é mensalidades e mais uns trocos). No meu tempo, o custo era de uma t-shirt básica com estampagem do nome do clube, e um fato treino (não havia mensalidade, nem pagar por equipamento para jogo, por exemplo). O resto, o clube garantia e não havia cá frescuras de ter equipamentos já personalizados com o teu nome, era o número (que podia variar conforme a convocatória) e bastava. O clube tratava de manter os equipamentos de jogos limpos e lavados de um jogo para o outro.
    Não digo que não seja fixe o meu miúdo ter uma camisola do clube com o seu nome estampado para os jogos, mas é preciso? Não, de todo… E ainda, devo referir que havia uma carrinha do clube que transportava de casa-treino e treino-casa os jogadores que viviam mais longe (não me vou alongar quanto à segurança desse transporte porque isso já seriam outros quinhentos). Sem custos! Actualmente o custo é bem mais elevado quando comparado com que era há 20 ou 25 anos atrás.

    Todos estes fatores, tornam que a prática desportiva seja menos apelativa para as crianças, assim como menos apelativa para que os adultos queiram que os seus filhos pratiquem desportos. Tanto investimento, de clubes, estado, municípios durante décadas para hoje termos este cenário. Muito desse investimento não foi devidamente aproveitado e não será agora que está tudo decadente, que esse investimento passado terá algum efeito. Bem pelo contrário. Falando de futebol apenas, passou de uma atividade física transversal e quase universal e custo reduzido, no nosso país para ser uma atividade de “nicho” com custo cada vez mais elevado.

    Cumprimentos

  • Pyros
    Posted Setembro 21, 2021 at 4:12 pm

    A Educaçã oFísica e o desporto escolar não têm muito a ver com o assunto. O facto de ter passado a conta para a nota é apenas mais uma demonstração do incompetente que é ministro actual. Todo o programa educativo é cognitivo, pelo que faz tanto sentido a EF contar para a média como educação musical ou canto coral.

    Posto isto, temos duas questões – a prática de desporto – e a sua inacessibilidade (crescente?) e o consumo de desporto enquanto produto de diversão. Em relação ao primeiro, tenho dúvidas – sim, pode ser mais difícil arranjar espaços à borla para praticar, mas a dificuldade sentida provavelmente resulta mais da evolução do tempo da pessoa, não do tempo do mundo – por outras palavras um jovem atual pode sentir marginalmente mais dificuldade em disputar uma peladinha que um jovem de igual idade há 20 anos atrás, mas a principal diferença vem de se ter mais 20 anos.

    MAsa principal questão é que a oferta – concorrência – pelo tempo das pessoas aumentou muito com novos produtos. Quem entra de novo tem crecimentos exponenciais, e não é só nos e-sports – o futsal, por exemplo, cresceu significativamente na última década.

    Mas até ver os “telejornais” abrirem com o novo campeão mundial do não me parece que haja grande competição com o Futebol. E se houver, também não há nenhum problema.

    O que faz falta é animar a malta.

  • Alforreca
    Posted Setembro 21, 2021 at 3:47 pm

    Acho que não é só uma questão de investimento, ou falta de infraestruturas para a prática de desporto (pelo menos de forma gratuita) que contribua para o sucesso dos E-Sports.

    Hoje em dia a capacidade e longevidade da concentração do ser humano está em queda. Numa sociedade de consumo cada vez mais rápido, das stories, dos reels, dos tik toks e das notificações, o êxtase, a emoção está na novidade no que é mais recente.

    Ontem fui “penar” um pouco até ao Cidade de Coimbra ver a Académica. Havia entre meia e uma centena de miúdos na bancada (fruto de alguma “promoção” do clube, penso eu). Enquanto o jogo teve emoção e ritmo notava-se que estavam focados no jogo. Numa segunda parte jogada a um ritmo muito mais baixo, com simulação de lesões, perda de tempo, etc, dava para perceber perfeitamente que aqueles miúdos ali no estádio já tinham desligado do jogo.

    Bolas, até eu… que já não sou um miúdo, estava com amigos e na segunda parte falou-se “da vida” e quase nada do jogo.

    Isto para dizer que não acho que o problema seja só de acesso, ou a falta de cultura de prática desportiva ou acesso a infraestruturas para a prática de forma gratuita. Está ligado a esta nova sociedade, mais imediata em que um evento com 5 minutos “secantes” não interessa. Aliás, as regras introduzidas nos desportos de pavilhão com o intuito de os acelerar têm tido resultado vendo-se em alguns casos um número crescente de praticantes (não tanto em Portugal, mas de forma mundial).

    Não quero desvalorizar a falta de infraestrutura e o super protecionismo que há em relação aos miúdos hoje em dia também não facilita ir “jogar” para a rua. Lembro-me de durante meses termos andado a “imitar” o mítico Barcelona 5 Atlético de Madrid 4, no descampado ao pé de casa… Se não houver onde imitar nem a possibilidade de ver, certamente que não será marcante.

    • w0bbly
      Posted Setembro 21, 2021 at 10:24 pm

      Foi uma promoção do clube sim. Os miúdos do futebol de 7 em vez de terem treino foram ver o jogo. “Ver” o jogo.

    • Kafka
      Posted Setembro 21, 2021 at 5:20 pm

      Muito bem visto Alforreca…. A forma de ser da sociedade também está a mudar, e já não “paciência” para estar 2 horas a ver a mesma coisa, quando se nessas mesmas 2 horas há uma brutalidade de outras coisas a serem oferecidas a esse indivíduo…. Nessas coisas mesmas 2 horas há milhares de tik toks a serem feitos, a milhares de posts instagram, milhares reels etc,….

      Indo ao encontro desta nova realidade, a NBA por exemplo até já está a pensar implementar uma nova modalidade no pay per view que é em vez de vender o jogo completo, vende apenas os últimos 5 minutos do jogo ou apenas o último quarto…. Não sei se isto já está a ser implementado agora para a nova época ou não, mas li isso algures há uns tempos atrás

  • Xyeh
    Posted Setembro 21, 2021 at 3:17 pm

    Vou só deixar aqui um dos melhores momentos de esports da história, Daigo Umehara conhecido como The Beast no seu último pixel de vida a jogar Street Fighter faz isto…
    https://www.youtube.com/watch?v=JzS96auqau0

  • Contra Informação
    Posted Setembro 21, 2021 at 3:11 pm

    Tocas em alguns pontos importantes mas falta referir a palhaçada que é o futebol atual com demasiados intervenientes e muitos deles inuteis a terem demasiado poder para decidir um jogo. No caso dos esports, muitos deles 1vs1 e 5vs5, apenas a skill dos jogadores dentro dos servidores conta, não há a palhaçada dos arbitros, VAR e mais não sei o quê

  • Xyeh
    Posted Setembro 21, 2021 at 3:11 pm

    Bem estando eu metido nos esports há muito tempo (sim escreve-se sem hífen), fiquei contente por ver um artigo sobre este tema no Visão de Mercado. Os esports já existem há muitos anos, não é um fenómeno novo, eu vi um rapaz chamado Ricardo Pacheco (Fox) tornar-se uma referência nos esports em Portugal e passado mais de 15 anos tem actualmente sua marca gaming e é embaixador da Red Bull. Temos Ligas como a LPLOL (Liga Portuguesa de League of Legends) a ter 50000€ de prize pool + acesso ao EU Masters (uma espécie de Liga Europa com 150000€ de prize pool e onde as equipas da LEC (Champions) costumam ir buscar jogadores novos), temos streamers de FIFA como o JOliveira com milhares de espectadores na sua stream, talento a ser exportado para equipas internacionais nos mais variados jogos, já existe investimento da RTP e da SIC com as suas plataformas digitais RTP Arena e Sic Advnce, temos marcas como a Worten a canalizar acima de um milhão de euros anual para esports em Portugal, é uma realidade que muita gente ainda desconhece e que os jovens têm absorvido por estar a um toque no telemóvel, a plataforma Twitch veio catapultar os esports para um patamar ao nível de outros desportos a nível de visualizações, estimam-se já existir perto de 500 Milhões de espectadores de esports pelo mundo fora, as marcas simplesmente não podem ignorar este mercado, com a pandemia aumentaram os números de viewership mas deu um passo para trás devido a existirem muito poucos eventos presenciais que é um espectáculo como ir ver um jogo de futebol ao estádio.

    Quem estiver curioso eu posso fazer uma guia dos melhores jogos para ver, estamos a chegar ao final do ano onde vão começar os “Mundiais” de jogos como Counter Strike, League of Legends e Valorant.

  • IKnowMyName
    Posted Setembro 21, 2021 at 2:42 pm

    Dos melhores textos que já li aqui! Parabéns! Dei por mim a relembrar algumas memórias de infância em coisas que agora já não existem.

  • Winter
    Posted Setembro 21, 2021 at 2:36 pm

    Olá a todos.

    Bom texto acerca desta temática, uma vez mais. Para falar acerca do futuro do futebol gosto de separá-lo em duas vertentes: futebol como desporto e futebol como espetáculo televisivo. Ora, se o primeiro está bem e terá sempre futuro, ainda que não saibamos dizer com certeza se atualmente continua em crescimento (em parte devido aos efeitos da pandemia), o segundo digo quase garantidamente estará já em declínio ou muito perto disso.

    O Diogo toca aí na principal ferida a meu ver que se prende com o acesso não gratuito aos principais jogos. Não só concordo como acrescento um dado acerca de uma
    conhecida cadeia de canais televisivos de desporto, que de há dois anos para cá baixou o preço da mensalidade 3 vezes (aqui também por haver mais concorrentes a transmitir as principais competições com subscrições mais baratas). Não é difícil perceber que as audiências dos jogos já tiveram melhores dias pois as gerações futuras não sustentam este produto da mesma forma, e diga-se, também não terão essa possibilidade.
    A contrastar com isto temos várias plataformas digitais “gratuitas” (as aspas referem-se à net em Portugal que é das mais caras) acessíveis em qualquer dispositivo e por qualquer pessoa.

    Queria só acrescentar uma vez mais (já disse ontem num tópico da mesma temática) que os e-sports ainda não são, nem de perto nem de longe, concorrentes do futebol e outros desportos mesmo no que diz respeito ao espetáculo televisivo, as audiências ainda não são comparáveis sequer. Há ainda um grande obstáculo para os e-sports em geral (em Portugal sobretudo), que se prende com o facto de não terem entidades reguladoras e da maior parte dos países não ter federações. Atualmente grande parte dos torneios são geridos pelo proprio developer do jogo (quando digo geridos vai desde regras a prémios monetários, se bem que aqui já começa a haver muitos sponsors a ajudarem).

    Só deixar uma nota final acerca do jogo FIFA do qual já reparei que alguns de vocês são fãs. Deixem-me só dizer que o FIFA (e outros simuladores de futebol jogado) é um excelente jogo para divertimento casual, mas um e-sports completamente aborrecido, daí se calhar alguns não entenderem o fascínio por e-sports.

    • Contra Informação
      Posted Setembro 21, 2021 at 5:27 pm

      Qual é o problema de não existirem federações? Quanto menos intervenientes a esse nível melhor, menos possibilidade de corrupção pelo meio.
      E quando falas em concorrência tens que especificar de que mercado estás a falar. Na china duvido muito que o LoL não tenha mais views que futebol por exemplo

  • Godvader
    Posted Setembro 21, 2021 at 2:30 pm

    Concordo com o texto e que uma das maiores razões é o facto de ser gratuito e fácil de ver.
    Apresento uma outra possível razão, mas pode ser só o meu caso.
    Tanto nos e-sports como no desporto , só vejo coisas que também gosto de jogar/praticar. Ou seja futebol e ténis, Ténis Mesa(apesar de muito raramente) e não vejo atletismo nem ciclismo ,andebol, hockey…Deportos que não pratico . O badminton e o padel, 2 que até gosto de jogar, mas como joguei tão poucas vezes, não acho piada assistir.
    Com os e-sports sou igual, não vejo nada que não jogue também, dai o que vejo mais são fighting games, tekken principalmente. Quando jogava hearthstone também acompanhava muito a competição, via sempre os maiores torneios e acompanhava os melhores jogadores. Mas desde que deixei de jogar nunca mias vi nenhum torneio.

    Sendo que hoje em dia quase todos os miúdos jogam jogos eletrónicos, e só alguns praticam desporto. Se forem como eu e só verem o que praticam, é natural que cada vez mais a audiência dos e-sports aumentar.

  • J Silver
    Posted Setembro 21, 2021 at 1:19 pm

    Mais um excelente texto sobre um tema importante no sentido em que molda e altera a sociedade tal como a conhecemos. Quando todas as jornadas tinham um (ou dois) jogos de um dos 3 grandes em canal aberto, era normal a família ou amigos juntarem-se casualmente para assistir ao espectáculo. Era fácil. E era assim também que os mais jovens ganhavam interesse pelo desporto: simplesmente aparecia-lhes à frente e, com naturalidade, disseminava-se.

    Mas claro que a ganância tinha de vir ao de cima e às tantas é tudo pago, ao ponto de um canal custar tanto como os outros 100 todos juntos. Quem já gostava de futebol (e tem capacidade financeira para tal), lá tentou continuou a pagar. Mas com o passar do tempo, a consequência natural é precisamente aquela que o texto realça: a inacessibilidade do desporto de elite joga contra o mesmo. As crianças crescem sem serem expostas ao futebol (ou basket, etc) e muito cedo têm telemóveis ou portáteis onde as streams são de graça e têm conteúdos com que elas se relacionam, já que jogam os mesmos jogos e são da mesma geração das “estrelas”.

  • Azra Bloom
    Posted Setembro 21, 2021 at 1:04 pm

    Excelente texto, partilho da mesma opinião. É fácil justificar com “os mais jovens só querem é telemóveis”, ignorando-se a gigantesca falta de investimento e aposta em marketing por parte dos desportos convencionais e, principalmente, dos países em torná-lo acessível, como refere o autor.

    Deixo só uma nota: Educação Física conta sim para a média dos estudantes, inclusive pode decidir a entrada na universidade. Desde 2018, mais coisa menos coisa. De qualquer forma, não invalida o argumento.

  • Shupaky
    Posted Setembro 21, 2021 at 12:55 pm

    Totalmente de acordo.
    Ligo algo no visao de mercado sobre este assunto ontem, e apesar de falar em muitas verdades nao se tocou no ponto principal, que se fala aqui.
    Antigamente ir ao tasco com um familiar e acabar a ver a bola era top, ou ir a casa de alguem que tivesse sport tv e ficar a ver jogos todos os dias.
    Penso que o principal problema atual, por exemplo em portugal, é ser preciso fazer 3 subscrições para ter acesso ao jogos todos, por exemplo do meu benfica.
    Com esses 50 euros hoje posso fazer muita coisa.
    Ponto 2: o preço dos bilehetes. Volto a dar o meu exemplo, sou nortenho, quanto pago para ir ver um jogo do benfica à luz??
    É que antigamente saía caro, mas viam se garra, intensidade, espetaculos.
    Hoje vou gastar, la esta, mais 50 euros no minimo, para ir ver um possivel jogo sem intensidade nenhuma???
    Ponto 3: a facilidade de ver.
    O futebol precisa de descanso, nao se pode ver todos os dias, os jogadores precisam descansar para proporcionar bons espectáculos.
    Ou seja, jogos bons, pode se ver aos fins de semana e quando em vez à semana.
    Por exemplo, gosto de cs, e sempre que quiser tenho conteudo para ver, numa plataforma de stream gratuita, havendo jogos quase 24 horas por dia, com comentadores e stream de qualidade.
    O futebol de se atualizar, e nao vejo como. O dinheiro das transmissoes é o que orcamenta os clubes atualmente, mas é o que tambem mata o futebol todos os dias em relacao aos esports.
    Comentário meio feito à pressa, mas penso que dá para perceber a ideia

    • J Silver
      Posted Setembro 21, 2021 at 1:23 pm

      Foi precisamente o CS que desviou a minha atenção do futebol nos últimos anos, aliado aos factores que se referem neste post e a outros que têm mais a ver com o que se passa dentro das 4 linhas. Ainda por cima há jogos interessantes todas as semanas (para não dizer todos os dias)

  • Kafka
    Posted Setembro 21, 2021 at 12:26 pm

    Eu já o disse aqui há uns anos atrás e mantenho, o futebol atingiu o planalto e agora vai começar a cair…. Neste momento o futebol é sustentado essencialmente pelos indivíduos com 30 ou mais anos de idade…. Daqui a 40/50 anos já serão uma clara minoria a nível Mundial e portanto nessa altura irá dominar os gostos das gerações que estão a nascer agora e que têm menos de 30 anos, e que ainda estarão vivos na altura

    Portanto o futebol ou muda algo e vai ao encontro dos gostos dos menores de 30 anos, ou corre o risco de dentro de 60/70 anos deixar de ser o espectáculo de entretenimento dominante a nível Mundial…. Não acabará mas perderá força…. E sem duvida que uma das forças dominantes a nível de entretenimento em 2090 ou 2100 pode bem ser os esport…. Aliás nem será precisão chegar a 2090…secalhar dentro de 20/30/40 anos já serão os esports a dominar???

    E não adianta as gerações mais velhas virem com a conversa que antes é que era e bla bla…. As coisas são o que são e cada geração tem as suas particularidades e não são os jovens de 10/20 anos (que dentro de 30 irão dominar o Mundo) que têm de se adaptar, é o contrário, são os espectáculos e formas de entretenimento actuais (onde se insere o futebol, a televisão etc), que têm de ir ao encontro e se adaptarem às novas gerações, porque são as novas gerações que vão dominar o Mundo daqui a uns anos…. Logo como em tudo na vida, quem não se adapta fica para trás, portanto o futebol ou se adapta à nova forma de ser e estar dos jovens ou então os jovens não vão querer saber de futebol e vão algo que gostem e vai ao encontro dos seus gostos e formas de ver o Mundo, e os esports fazem isso…. diga-se que também não sei bem o que o futebol poderá fazer para cativar jovens e ir ao encontro dos gostos das gerações mais novas …. Talvez mudar algumas regras não sei…. Mas a FIFA tem mt dinheiro para pagar a alguém que pense nisso

    Tudo na vida está em constante mudança e quem não se adapta adeus…. Vejam a Nokia, há 15 anos atrás parecia impossível cair, pois bem…… Olhem a Kodak, também parecia impossível cair… Upss…. Blockbuster outro gigante que ups….. Yahoo outro….nada é infalível e ou se adapta à mudança ou pode cair e o futebol não será diferente, se tiver que mudar regras para ir ao encontro dos jovens com menos de 30 anos, então que se mude

    • MR
      Posted Setembro 21, 2021 at 3:26 pm

      Bem, não podias dar pior exemplo do que a Nokia.
      A Nokia de agora é maior do que a Nokia de há 15 anos, apenas está noutros mercados.

      Resumindo, o futebol associa-se muito à corrupção e falcatruas, nada é claro, o e-sports não têm nada disso.
      Actualmente no futebol joga-se para o ponto, não para o espectáculo, e isso vai ser a morte do artista

      • Kafka
        Posted Setembro 21, 2021 at 5:28 pm

        Errado, no seu principal core business de há 15 anos atrás a Nokia caiu…. Tu próprio me dás razão dizendo que foram para outros mercados…. Pois naquilo que eram líderes que eram os tlms caíram com estrondo

    • Abbas
      Posted Setembro 21, 2021 at 2:42 pm

      Menores de 30 é não ter bem noção da realidade. Até às gerações de 98/99, que ainda cresceram boa parte da infância com acesso nulo ou limitado à internet, os interesses são relativamente similares. A chamada gen Z é que já é muito diferente.

      • Contra Informação
        Posted Setembro 21, 2021 at 5:30 pm

        Onde é que as gerações de 98/99 cresceram com acesso limitado à internet? Aldeias recônditas do alentejo ou bragança não contam. Sou de meio da década e já tinha net disponível na escola no 5º ano por exemplo onde muitas vezes nos juntávamos a jogar jogos de browser e até a ver WWE e não estava no Porto nem em Lisboa

        • Abbas
          Posted Setembro 21, 2021 at 8:11 pm

          Bem, se calhar passavas lá meia horita na escola. Não andavas com o tlml na escola, não voltavas a casa para jogar na consola online com os teus colegas. Aí é que está a diferença. Essa das aldeias soa tão mal, tão a lisboeta…

          • Contra Informação
            Posted Setembro 21, 2021 at 11:38 pm

            Calma com os estereotipos, não precisas de ver o mundo com a visão do BE até num forum de futebol

      • Kafka
        Posted Setembro 21, 2021 at 5:26 pm

        Menores de 30/25/20 vai dar exactamente ao mesmo, é uma mera questão de tempo… Dentro de 40 anos serão esses a maioria no Planeta Terra,

  • Estigarribia
    Posted Setembro 21, 2021 at 12:17 pm

    Diogo Moura, bom texto. Foi o mais agradável de ler sobre esta temática.

    Em relação aos e-Sports e afins, a minha opinião é polémica, mas vou deixá-la aqui: o FIFA, a cada ano que passa, tem piorado ao nível da jogabilidade (é preciso fazer um sem número coisas para se rematar a bola para onde se quer, coisa que nos FIFAs antigos não era precisa tanta modernice) e também ao nível da IA (os bonecos do FIFA parecem autêntico burros a jogar). A minha opinião também é que a EA Sports quis ter mais olhos que barriga e neste momento, na minha opinião, o PES já é melhor que o FIFA.

    Já em relação á prática desportiva, ou a falta dela nos miúdos, a culpa é dos paizinhos que fazem as vontadinhas todas aos meninos deixando-os jogar PlayStation horas e horas e a comer porcarias ao mesmo tempo, em vez de incentivarem para irem para a rua jogar futebol ou praticar um desporto á sua escolha. Não admira que ano após ano haja cada vez mais garotos obesos, visto que incentivo á prática desportiva é zero em Portugal. Eu, por exemplo, com 28 anos de idade ainda tenho um gosto enorme em jogar futebol com o pessoal (até tenho a sorte de morar ao pé de um campo de futebol pelado em muito bom estado).

    Por fim, quanto às aulas de Educação Física, a nota deveria contar para melhorar a média, mas aí a culpa já deverá ser do Governo. Algo tem de ser feito para voltar a incentivar a prática desportiva nos mais jogos.

    Ah, e antes que me esqueça, sou totalmente a favor de haver jogos do campeonato em sinal aberto. Em Portugal, a última época com jogos do campeonato português em sinal aberto foi em 2011-2012. Ainda assim, gosto mais de ouvir os relatos na rádio onde a emoção é sempre maior que na televisão. Por exemplo, ouvi o relato do Sporting – FC Porto na rádio e foi de uma emoção que á muito tempo não sentia.

    Saudações Leoninas

    • Contra Informação
      Posted Setembro 21, 2021 at 5:31 pm

      Quando um jogo é mais complexo normalmente tem mais skill involvida falando de esports por isso essa comparação saiu ao lado. Claro que depois entra a parte de também ter que ser atrativo de ver porque por muita skill que tenha, sem views nenhum jogo sobrevive

    • w0bbly
      Posted Setembro 21, 2021 at 3:37 pm

      O estar mais complexo não significa que o jogo esteja pior. Se calhar o target já não é o mesmo. O PES é claramente inferior ao FIFA em praticamente tudo na minha opinião, mas lá está o target agora é malta para jogar Ultimate Team, dar grind e gastar mt dinheiro em packs e afins. Portanto o jogo não está pior, está mais complexo e mais feito para outro tipo de entretenimento e publico alvo.

      • Estigarribia
        Posted Setembro 21, 2021 at 5:08 pm

        w0bbly,

        Como tu disseste, é a tua opinião e eu respeito-a, mas para mim o FIFA está pior como eu disse em cima. Para mim, o PES está melhor do que o FIFA actualmente. Mas, lá está, são opiniões ?

        Saudações Leoninas

    • offtopicguy93
      Posted Setembro 21, 2021 at 3:21 pm

      Esports nao se resumem a jogos de futebol e o pes não é melhor que fifa!

    • JFN
      Posted Setembro 21, 2021 at 2:57 pm

      Tanto quanto li, o PES vai ser descontinuado…

      • Estigarribia
        Posted Setembro 21, 2021 at 5:10 pm

        JFN,

        Eu também li algo sobre isso na IGN Portugal. Agora o PES chama-se e-Football ou algo parecido a isso.

        Saudações Leoninas

  • Tiago Silva
    Posted Setembro 21, 2021 at 12:15 pm

    Acho que pegaste num ponto muito importante, a questão monetária. Para além do que referes em que é necessário pagar (e não é pouco), para ver e praticar desporto, ainda temos o aumento brutal do preço de bilhetes, falo no caso do futebol e do que conheço.

    Só uma nota, penso que a Educação Física já conta para a média no secundário pelo menos, uma medida boa a meu ver. Mas acho que a questão do desporto escolar vai bem para além disso, existem poucas iniciativas de incentivo à prática de qualquer desporto por parte de qualquer escola e cada vez menos existem essas atividades extra curriculares, porque tem havido um desinvestimento na criação de atividades destas, pelo menos é a ideia que tenho.

    • Kille_2
      Posted Setembro 21, 2021 at 2:33 pm

      Por acaso não acho que seja uma boa medida, pelo menos não com as mentalidades atuais. Porque muitos professores como sabem que E.F conta para a média não querem prejudicar nenhum aluno e dão só 18 e 19 (até para alunos que mereciam um 12 ou um 13), enquanto que outros realmente avaliam as capacidades dos alunos e dão esses 12 e 13 quando os alunos são mauzinhos vá, e isso cria uma disparidade desnecessária. E além disso, o que um aluno jogar bem futsal ou badminton (que até são os meus desportos favoritos) é relevante para alguém que vá por exemplo para medicina ou engenharia? Não faz sentido.

  • Goncalo Silva
    Posted Setembro 21, 2021 at 12:06 pm

    Falando como jovem que sou (<25), nunca entendi o que há de especial nos E-Sports. Não digo que não gosto de jogar FIFA ou FM, aliás esses são os meus jogos de eleição, mas nunca compreendi quem gosta de VER outros a jogarem FIFA ou FM. Eu cá gosto é de jogar, não de ver outros jogar. Para ver prefiro muito mais jogos de futebol, onde se pode analisar as vertentes táticas do jogo, os diferentes posicionamentos, estratégias e filosofias que cada equipa tem, do que ver jogos que, apesar de realistas, acabam por ser automatizados em termos de movimentos e muito mais previsíveis. A beleza do futebol também é ver o erro humano, a receção não tão bem feita ou mesmo a imprevisibilidade no que toca a ressaltos, lesões e afins, fifias de guarda-redes, coisas que não acontecem em jogos simulados. É também ver o choque entre culturas, o debate saudável entre amigos e rivais e a ascensão de lendas ou a queda de autênticos flops. Se não fosse a ascensão de Haaland nem sequer haveria Haaland nos jogos eletrónicos, e depois fariam o quê? Jogariam sempre com os mesmos jogadores? Seriam todos jogadores "inventados"?

    Em termos da prática do desporto acredito mesmo e acho justificável a ascensão dos E-Sports, agora em termos de visualização do público nunca irei perceber o fascínio pelos E-Sports, por muito mecanizado que se torne o futebol "atual".

    • Fernandes35
      Posted Setembro 22, 2021 at 2:10 am

      Essa tua justificação de que preferes futebol por uma questão de possibilidade de análise ou de variantes relativamente à “humanidade” dos jogadores é mesmo de quem só joga Fifa e FM. O primeiro porque é cada vez mais noob friendly e porque, embora possa haver variáveis, atualmente é cada vez mais o encontrar uma meta, publicar e todos os que querem jogar para ganhar a imitar.

      Agora, pegando na tua justificação e mesmo sem ser grande especialista, bastava que tentasses perceber e ver, por exemplo, CSGO e percebias o quão errada é a tua abordagem. Apesar de ser um FPS, é absurdamente tático, a decision making é tão relevante como no futebol e a skill necessária é também imensa.

      Sobre a parte de preferires jogar em vez de ver, porque é que vês futebol e não vais jogar? É certo que precisas de mais 9, 13 ou 21 jogadores para o fazer mas essa justificação não faz sentido. Calculo que vejas porque gostas e porque gostas de ver os melhores. Ora, ver E-Sports é exatamente o mesmo. Falando por mim, vejo porque traz emoção pela skill que todos os pros têm de ter e porque, como pessoa que gosta de apreciar talento, gosto de ver pessoas talentosas a fazer coisas que eu não conseguiria.

    • w0bbly
      Posted Setembro 21, 2021 at 3:44 pm

      Apenas concordo na parte do FIFA que também acho que em termos de E-Sport não é claramente algo atractivo para mim (mas acredita que o é para muitos). De resto não podia discordar mais. Os E-Sports que mais atracção e publico têm são fps/moba’s que têm essas componentes todas que referiste. Eu que jogo CS há uns 15 anos sei bem que essas picardias/componentes tácticas existem (e muito) dentro do jogo. Tal como haviam lendas do CS há 10/15 anos atrás (algumas ainda jogam) e surgiram novos talentos da nova guarda. E isto acontece no CS, no LOL, no DOTA e em outros tipos de jogos (sei que os fighting games como o Tekken e o Mortal Kombat também possuem isso… assim como alguns RTS).. Não acho que essa visão tão redutora seja correta, mas obviamente que a respeito

    • Ackerman
      Posted Setembro 21, 2021 at 3:21 pm

      Gonçalo, como Godvader já disse em baixo o Fifa/fm não são de todo os E-sports mais vistos. Assim por alto, considerando os prémios monetários e o nº de pessoas que ve no twitch diariamente diria que os e-sports atuais, que devem ser considerados são Dota 2, LoL, Valorant, CS, Fortnite, Rocket League. Tenho a mesma idade que tu (<25) e amigos meus que joguem estão a jogar um destes 6 jogos de certeza

      • Winter
        Posted Setembro 21, 2021 at 5:12 pm

        A primeira menção do Rocket League que vejo neste blog. Provavelmente um dos esports mais underrated e com mais potencial de espetacularidade atualmente. É pena não ter qualquer expressão em Portugal.

        • Contra Informação
          Posted Setembro 21, 2021 at 6:04 pm

          Ainda tem alguma mas comparado com os big 6,7 nunca vai ter tanta porque também é um genero diferente

    • Contra Informação
      Posted Setembro 21, 2021 at 3:07 pm

      O problema é que parece que só conheces FIFA e FM. Vai dar uma espreitadela ao LoL, Starcraft, DOTA, Valorant, CS etc etc e depois diz-me que não é complexo

      • Xyeh
        Posted Setembro 21, 2021 at 5:56 pm

        Eu sou comentador (caster) de esports, comecei com o CS, passei pelo League of Legends e agora estou no Valorant e precisamente o que me fascina é a complexidade que existe a nível táctico, ver as equipas a inovar motiva-me para relatar, depois quando aparecem os jogadores diferenciados a fazer jogadas incríveis, sinceramente vejo mais esports que futebol.

        • w0bbly
          Posted Setembro 21, 2021 at 6:39 pm

          Es o Xyeh que castava LoL? Altamente, ja ouvi muito cast teu!
          Pena estares no Valorant (gosto de ver, de jogar nem por isso, continuo fiel ao meu CS) és um excelente caster!

          • Xyeh
            Posted Setembro 21, 2021 at 11:12 pm

            Sim sou, já não dou cast de League há alguns anos, o último jogo que dei foi para Gillette Invitational que teve as finais na Moche XL no Altice Arena. Agora tenho dado cast dos jogos de Valorant do VCT, Masters, do Circuito Português de Valorant (VCE) e da Liga Promessa que começou ontem. É sempre bom quando se lembram do nosso trabalho :p

        • Contra Informação
          Posted Setembro 21, 2021 at 6:03 pm

          Eu pratiquei futebol federado vários anos e atualmente passo bem mais tempo a ver esports do que a ver futebol. Até a propria premier league já caiu muito em relação ao que era e nem vale a pena falar do campeonato português que é uma pura comédia. Ainda ontem estava a dar o Benfica e preferi ir jogar Witcher 2 que perder tempo a ver simulações e perdas de tempo

    • Kacal
      Posted Setembro 21, 2021 at 2:42 pm

      Ver FIFA do E-Sports concordo que faz pouco sentido, pelo menos eu não vejo o ponto. É preferível ver o jogo real. Mas se for ver um League of Legends por exemplo já dá interesse ver. Jogos desse tipo até chama a ver.

    • Bino
      Posted Setembro 21, 2021 at 2:42 pm

      Boa tarde.
      O fifa não é de perto, o jogo que maior visibilidade tem, muito menos o jogo com maiores prémios e maiores espetadores.
      Falando do meu exemplo, que adoro o jogo chamado: Counter Strike Global offensive , maior parte das pessoas da sua idade não tem noção do dinheiro que há envolvido nesse jogo, nem dos sacrifícios que cada jogador tem que fazer para atingir o máximo nível. Os jogadores passam de 10 a 12h por dia em frente ao ecrã a estudar as equipas adversarias, a criar novas estratégias, enfim, para mim são um desporto como outro qualquer. Acho que daqui para a frente vai ser normal todas as crianças começarem desde cedo nos desportos eletrónicos

    • Carlos Fierro
      Posted Setembro 21, 2021 at 2:34 pm

      Não é tão linear assim. Aqui fugindo um pouco do Fifa e indo para outro jogo como o Counter-Strike (que ja todos devem ter ouvido falar) tens basicamente o que tem o futebol, jogadores mais dotados que outros, todas as equipas têm o jogador com uma designada função, tens jogos mais taticos e jogos decididos por jogadores individualmente mais fortes que outros, jogos decididos em jogadas individuais e jogos decididos em jogadas coletivas, e acima de tudo imprevisibilidade, tens sempre equipas mais fortes que outras, mas ha sempre uma imprevisibilidade no que toca ao resultado final. Eu falei para o csgo, mas o mesmo se aplica para outros jogos como LOL, Dota, etc etc, e em que os prize pools de torneios destes jogos começam a atingir valores absurdos (para se ter uma ideia, a ultima equipa a ganhar um torneio de Dota (podemos chamar a champions do Dota) levou para casa cerca de 15M de dolares).

      Por isso acho que te ajuda a entender um pouco o fascinio pelo Esports, o Fifa nao é top3 no que toca a jogos de Esports, muito menos o FM, mas se alargares horizontes vais ver que ha jogos coletivos que são bons jogos para se ver, para quem gosta do jogo obviamente.

    • Godvader
      Posted Setembro 21, 2021 at 2:06 pm

      Gonçalo esse comentário está muito virado para o futebol/Fifa, mas da mesma maneira que desporto não é só futebol, o e-sports é mais que FIFA. Fifa então em e-sports não é nada. O que domina são fighting games, shooters e RTS.
      EU pessoalmente duas das coisas que mais vejo sem ser futebol, é tekken 7(e-sport) e ténis(Desporto). E em ambos há erro humano, há choque de cultura (paquistão vs Japão/korea) , ascensão de novas lendas, picardias entre jogadores…

      Mas do que falas do fifa sim concordo, não perco tempo a ver, nem percebo quem o prefere a ver um jogo de futebol, ou qualquer outro jogo de simulação(como F1 por exp). Agora não metas tudo no mesmo saco, os e-sports que são mais vistos são originais e não simulações da vida real.

      • Goncalo Silva
        Posted Setembro 21, 2021 at 4:00 pm

        Godvader, agradeço imenso o seu comentário. Quando se falava em E-Sports nunca associei a jogos em que não envolvessem desportos (como futebol, basket, etc). Não sabia que esse tipo de jogos que falas faziam parte da categoria de E-Sports. Sendo assim concordo plenamente com o que dizes, embora nunca fui muito virado para esse tipo de jogos que a meu ver criam um vício difícil de controlar.

  • Wonderkid
    Posted Setembro 21, 2021 at 12:00 pm

    Excelente artigo. Não poderia concordar mais!

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