Ao contrário do que acontecia no século XX, onde a maior parte dos adeptos só nos mundiais e europeus tinha conhecimento de determinados jogadores, hoje, com a globalização, é complicado aparecer uma surpresa numa competição como um Mundial. Apesar disso, ainda há elementos que são desconhecidos para grande parte dos adeptos, seja por actuarem em campeonatos de menor valia ou simplesmente por ainda estarem a afirmar-se enquanto futebolistas. Para a competição no Brasil, não faz sentido apontar como possíveis revelações jogadores como Cuadrado, Clasie, Keylor Navas, Griezmann, Drmic, entre outros, que, pelo que fizeram nos clubes, já são confirmações. Como tal, o Visão de Mercado aponta 10 elementos “desconhecidos” (pelo menos da maior parte) que podem brilhar no Mundial:
Abdul Majeed Waris, Gana – é uma das principais revelações do futebol ganês nos últimos anos e a grande arma secreta do seu país para os complicados embates que o esperam no Campeonato do Mundo. É um avançado de baixa estatura com um forte poder de drible e que tem na sua velocidade, um trunfo para escapar aos seus marcadores directos. Aliado a esta mobilidade, denota um elevado sentido de oportunidade que lhe permite capitalizar da melhor forma os erros dos defesas mais ingénuos. Como qualquer avançado que se preze, Majeed Waris vive de golos, e tem na frieza e na compostura que revela à frente da baliza o seu principal atributo. Com uma passagem de sucesso pela primeira divisão sueca, no qual se sagrou o melhor marcador da prova com 23 golos em 29 jogos, chamou a atenção do Spartak de Moscovo que garantiu a sua contratação no início da temporada. Sem espaço para que se conseguisse afirmar, acabou emprestado ao Valenciennes e foi uma das grandes sensações do campeonato francês na segunda metade da temporada. Os 9 golos em 16 jogos, foram insuficientes para que o clube do norte de França escapasse à despromoção, mas revelaram-se fulcrais para que o seu nome fosse incluído na lista de convocados para o Campeonato do Mundo, depois de viver um período de menor fôlego na capital russa.
Andy Najar, Honduras – Estreou-se com apenas 17 anos na MLS ao serviço do DC United e nessa mesma temporada foi eleito o rookie do ano. Desde então tem tido um crescimento meteórico. Assinou pelo Anderlecht na última temporada e depois de um período de adaptação em que pouco ou nada jogou, tornou se num dos indiscutíveis após a pausa de inverno, oferecendo um importante contributo ao clube para mais um título belga. Aos 21 anos, o extremo destaca-se pela imprevisibilidade que trás ao jogo. Não tem receio de partir para cima dos seus adversários, cria imensos desequilíbrios pelo corredor com a sua excelente capacidade de drible e deixa os seus adversários para trás com muita facilidade, já que também é dono de uma velocidade electrizante. A sua capacidade trabalho também não deve ser ignorada, tendo já sido utilizado como médio interior. Resumindo, é o elemento mais promissor da selecção das Honduras e chega ao Campeonato do Mundo com a motivação de captar a atenção de emblemas de maior nomeada.
Carlos Peña, México – Apelidado de “Gullit”, devido às semelhanças do seu cabelo com o da antiga glória da selecção holandesa Ruud Gullit, Carlos Peña é um dos melhores jogadores do campeonato mexicano e terá lugar cativo no onze da selecção azteca durante o Campeonato do Mundo. É um médio centro muito completo, capaz de organizar o meio campo, ajudando no processo defensivo e liderando a fase de construção. É um recurso muito valioso para a sua defesa, porque alia uma excelente condição física a uma força da natureza, assumindo-se como um jogador vital quando a sua equipa precisa de recuperar a posse de bola. Quando o faz, é capaz de mantê-la em sua posse e organizar a linha ofensiva. O seu estilo de jogo baseia-se nas penetrações que faz pelo corredor central, distribuindo o jogo com qualidade e precisão quando atinge terrenos mais adiantados. O poder de finalização é outro dos seus pontos fortes e é habitual vê-lo terminar algumas das jogadas que ele próprio inicia, com remate (destaca-se na meia-distância também). Disciplinado tacticamente confere o equilíbrio necessário e a sua liderança e postura em campo transmitem confiança aos seus companheiros. Escusado será dizer que o seu talento reclama outros voos e o Campeonato do Mundo surge como uma importante rampa de lançamento para este jogador de 24 anos.
Charles Aránguiz, Chile – Melhor jogador do último Campeonato Gaúcho, chega ao Mundial muito motivado depois de um período de grande nível ao serviço do Internacional de Porto Alegre e aos 25 anos este parece ser o momento ideal para mostrar toda a sua qualidade. Destaca-se sobretudo pelo dinamismo que empresta ao jogo e fazendo-se valer da sua qualidade técnica, leitura de jogo entre linhas e instinto para o golo, não será difícil de salientar a mais-valia que poderá representar para a selecção Chilena. E com os problemas físicos que têm assombrado ultimamente Arturo Vidal, Aránguiz tem neste Campeonato do Mundo a sua derradeira oportunidade para provar porque já foi eleito por duas vezes o melhor volante da América do Sul.
Enner Valencia, Equador – Depois do trágico desaparecimento de Christian Benítez, Valencia – que iniciou a sua carreira como extremo –, começou a ser utilizado como avançado pelo seleccionador Reinaldo Rueda e conquistou desde logo um lugar no onze inicial (tem jogado no apoio a Caicedo). O facto de ter começado a carreira na ala fez com que ganhasse mais um atributo que hoje em dia há pouco nos avançados: a visão de jogo. Algo que o ajuda nas suas típicas diagonais, nas combinações com os colegas e nas trocas posicionais que faz ao longo do jogo. Além disso, com a sua rapidez e habilidade com os dois pés, o equatoriano tem-se assumido como um verdadeiro quebra-cabeças para as defesas contrárias e não surpreende que todo o seu país deposite grandes esperanças na sua prestação no Campeonato do Mundo, para que à semelhança do que aconteceu com Edison Méndez em 2002 ou Antonio Valencia em 2006, possa surpreender o mundo do futebol. Isto porque o polivalente atacante de 24 anos apresenta, desde que chegou ao Pachuca em Janeiro, números impressionantes (18 golos em 23 jogos) e escusado será dizer que já foi associado a diversos clubes… Entre os quais o FC Porto. O campeonato mexicano tornou-se nos últimos anos, num dos mercados predilectos dos dragões, e depois de Jackson, Reyes e Herrera, poderá ser esta a vez de Enner Valencia rumar à Invicta.
Graham Zusi, Estados Unidos – “San Zusi” não é aquele jogador muito rápido, nem aquele que se destaca pela sua força física. No entanto, possui um conjunto de características únicas (criatividade, visão de jogo, passe, qualidade técnica, trabalho de equipa, cobrança de bolas paradas) que podem ser bastante úteis à selecção dos EUA. O sucesso do Sporting KC tem estado intimamente ligado à sua ascensão, já que foi campeão da MLS em 2013 e esteve na equipa do ano nas últimas duas temporadas. O médio ala é mesmo, aos 27 anos, um jogador na plenitude das suas capacidades e se continuar a mostrar o que sabe, vai mesmo provar ao mundo porque é que os norte-americanos depositam tanta confiança nele.
Kenneth Omeruo, Nigéria – Tem sido fundamental nos mais recentes sucessos da selecção nigeriana, onde cimentou o seu lugar ao lado de Godfrey Oboabona e vai chegar em alta ao campeonato do mundo depois de uma segunda metade de temporada em que tudo lhe correu bem no Middlesbrough (o objectivo é um dia poder ser uma solução válida no Chelsea). O jogador, que também pode actuar como lateral direito, reúne todos os atributos para se tornar num defesa de top, pois é rápido, poderoso e muito determinado. Para além disso, destaca-se nos principais índices para a sua posição (marcação, força, posicionamento, índice de trabalho, desarme, bravura, concentração, passe), pelo que tem tudo para dar que falar neste Mundial. Aos 20 anos, nunca jogou futebol ao mais alto nível numa grande liga europeia, mas tem acumulado internacionalizações com a camisola das Super Águias que estão preparadas para voar bem alto neste Campeonato do Mundo (Oboabona e Onazi são outros talentos interessantes nesta equipa).
Kim Young-Gwon, Coreia do Sul – Central moderno, forte em quase todos os capítulos de jogo, mas que se destaca pela qualidade que evidencia na saída para o ataque. Isto porque, apesar de ter os atributos defensivos que se exigem a um central (jogo aéreo, concentração, agressividade, desarme, marcação, velocidade ou resistência), dá nas vistas por ser um exímio distribuidor (principalmente com passes longos precisos). Aos 24 anos, é um dos melhores defesas do futebol asiático e poderá estar mesmo a caminho do futebol europeu, após o Campeonato do Mundo. Actualmente ao serviço do Guangzhou Evergrande (clube treinado por Marcelo Lippi), Young-Gwon – que também se destaca pela sua leitura de jogo –, tem apresentado um nível muito consistente e pode mesmo ser uma das surpresas deste Mundial, ao serviço da selecção Sul-Coreana.
Yeltsin Tejeda, Costa Rica – Com apenas 22 anos, foi recentemente nomeado capitão de equipa do Saprissa, um dos principais emblemas do futebol costa-riquenho. Com um forte espirito de liderança e uma maturidade acima da média, Tejeda joga sobre o meio-campo, na protecção à sua linha defensiva. É um jogador muito disciplinado tacticamente, que cumpre na perfeição o papel de pressão e contenção confiado pelo seu treinador, e que raramente desprotege a sua retaguarda. Destaca-se também pela sua disponibilidade física (não dá um lance por perdido) e pela excelente qualidade de passe que apresenta (explora muito bem as costas das defesas com os seus passes longos). Desempenhou um papel fundamental na selecção do seu país durante a fase de apuramento para o Campeonato do Mundo e será peça fundamental para assegurar a consistência defensiva durante a fase final frente a nações tão poderosas como a Itália, a Inglaterra ou o Uruguai.
Yoichiro Kakitani, Japão – São já muitos os casos de jogadores japoneses a alinhar nos principais campeonatos europeus e nas principais equipas pela sua qualidade e não, exclusivamente, pelos partidos financeiros que daí possam advir. Kakitani pode ser um dos próximos. Proveniente da mesma equipa que revelou Kagawa ou Kiyotake, o Cereso Osaka, Kakitani é um jogador extremamente talentoso e com uma carreira bastante promissora pela frente. Pode ocupar qualquer posição na frente de ataque e destaca-se pela sua velocidade, agilidade e capacidade técnica para trabalhar em espaços mais apertados. Aos 24 anos, o Campeonato do Mundo deve funcionar como rampa de lançamento para o futebol europeu e interessados parecem não faltar. Seja na faixa esquerda (sempre em penetrações para o corredor central), ou partindo de uma posição de apoio directo ao avançado, é um verdadeiro quebra-cabeças para qualquer defesa. Destaca-se por jogar com igual facilidade com ambos os pés, é tecnicamente muito dotado e pensa muito bem o jogo em zonas de finalização. Tem recursos ao nível do drible que nunca mais acabam e uma facilidade tremenda na hora de finalizar, o que lhe permitiu, mesmo que nem sempre jogando como referência ofensiva da sua equipa, ser o terceiro melhor marcador do campeonato japonês com 21 golos. Ao serviço do seu país, apontou 5 golos em 12 jogos, algo que tem sido um factor determinante para tanto mediatismo, já que o seu poder de fogo e faro goleador são exactamente aquilo que os samurais anseiam que confirme no Brasil.
Visão dos Leitores (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Fábio Teixeira e João Lains



0 Comentários
Gonçalo Martins
Penso que o Carlos Pena poderia ser um bom substituto do Enzo Pérez
Pedro Fernandes
Excelente post, tentarei estar o mais atento e com o maior tempo disponivel para ver esses jogadores todos!! Já agora, pelo que falam, esse Peña parece-me o substituto natural do Enzo no SLB.
Continuação do excelente trabalho, cumprimentos :)
Kacal l
Excelente post, com os mais "desconhecidos" que podem brilhar no Mundial, nem todos são tão desconhecidos, mas percebe-se o objectivo e acho que fizeram muito bem, Parabéns! ao Fábio e ao João Lains, até ao Natan Fox que ajudou no Charles Aránguiz (pelo o que o João disse) e merece. :-)
Não tenho nada a acrescentar, acho que estes jovens vão mostrar o seu valor, sobretudo o Cuadrado que vai provar que não é apenas correria sem utilidade, o próprio Rafa, se tiver oportunidades, pode mostrar o seu talento, sem duvida, uma lista de nomes para acompanhar.
Bom trabalho. :-)
Que comece o Mundial!.
Gustavo Ferreira
Falta o Islam Slimani (Argélia). E sou do Benfica.
Fábio Teixeira
Desde quando é que ele é um desconhecido para nós portugueses?
Rodolfo Trindade
Gosto bastante do Peña, apenas fico na dúvida como seria a sua adaptação ao futebol europeu.
De resto conhecia o Omeruo, o Najar, o Valência e tenho ouvido falar muito bem do kakitani, mas nunca acompanhei realmente.
Vou acompanhar todos estes nomes sugeridos por vocês com atenção seguramente.
LuisRafaelSCP
Falta o Gutierrez.
Muita curiosidade para ver o Najar
Fábio Teixeira
O Gutierrez já está mais badalado.
Rodolfo Trindade
Excelente Post!!
Obrigado ao dois e parabéns!
Rodrigo
Ja conhecia o Omeruo, o Aranguiz, o Peña e o Valencia, enquanto que do Kakitani tenho excelentes referencias dele. Os restantes nao conhecia, mas espero que me surpreendam.
Sadf
Pá mas vocês ou jogam muito fã ou então não sei onde vão descobrir esses cromos da bola xD
Bom póst congrats
Miguel Guerreiro
Conhecia grande maioria dos jogadores (não conhecia o Zusi, Valencia e Tejeda). Penso que Peña será o grande destaque dessa lista. O Waris é um jogador que já tinha referenciado desde 2012, no entanto o fato de só numa época ter atingido uma marca superior a 20 golos causou-me alguma desconfiança. Dei-lhe o beneficio da idade e com o decorrer das épocas até à vindoura pensei que não passasse dali, no entanto com o empréstimo ao Valenciennes voltou a encontrar o caminho dos golos. O Najar (inclusive está na minha equipa do fantasy) é um jogador que acredito imenso é parecido ao Messi no inicio da sua carreira (com a devida diferença de qualidade, claro).
João Lains
Outros jogadores que podem, eventualmente, captar a atenção:
México – Raúl Jiménez e Alan Pulido
Chile – Felipe Gutiérrez
Austrália – Ryan e Taggart
Japão – Yamaguchi
Nigéria – Oboabona, Onazi e Egwuekwe
Irão – Ghoochannejhad
Mas nem todos deverão jogar, portanto, a "base de amostra" será pequena.
Mah Med
yamaguchi e kakitani fazem uma dupla temivel no Cerezo Osaka
van Basten
Ghoochannejhad e Ryan serão, parece-me, titulares indiscutíveis.
Anónimo
Parabéns, excelente post! Contributos como este, é que tornam o blog, um local quase de culto no que a desporto diz respeito.
Saudações
Crow
Paulo
Excelente post,
O Pena não tinha assinado pelo Arsenal?
Menez
Pelo que tenho lido no Visão de Mercado sobre o Valencia parece-me que era um bom reforço para o Sporting.
Francisco Mendes
Kakitani é o jogador que mais quero ver jogar, já que só vi 2 ou 3 jogos dele e numa stream de fraca qualidade xD
o campeonato japonês tem bastantes jogadores interessantes.. a nivel de Markting podia ser uma mercado apetecivel para os grandes portugueses, ja que aliavam qualidade e expandiam a marca.
van Basten
Diz-se que Waris poderá ter o Mundial em risco, depois da lesão frente à Coreia do Sul.
De resto, desta lista, tenho Tejeda e Carlos Peña como jogadores preferidos, e já por vezes referi serem excelentes opções para os grandes portugueses. Kakitani irá com certeza dar o salto após o Mundial (Fiorentina?), e estou com curiosidade de ver Najar, jogador do qual, confesso, conheço muito pouco.
João Lains
Uma pequena menção para o Natan Fox, que ofereceu um importante contributo para o Charles Aránguiz.