Ponto prévio: O que aqui vai ser escrito não advém da leitura de livros especializados ou jornais, mas antes da experiência e da observação.
Nunca reparou que, tendencialmente, os jogadores rápidos decidem pior que os lentos? Ou que o jogador Africano que é formado em Portugal raramente tem sucesso, contrariamente ao que acontece em países como a Bélgica ou a França? Os exemplos são imensos e para os mais atentos constitui um case study. Não será certamente problema dos “barcos” que chegam a Portugal ou da falsa questão da idade cronológica dos atletas.
Imagine o Djaló nos escalões de formação. Pense naquela velocidade e potência física a enfrentar adversários menos maturados e mais limitados em termos de velocidade. Era demasiado fácil para o jogador ultrapassar os adversários usando sempre a mesma arma: a velocidade. É quase inconsciente o caminho que o jogador segue, até porque é o caminho mais fácil para o sucesso. E, na verdade, é difícil fazer ver a um jogador que, mesmo tendo sucesso naquilo que faz, está a actuar de forma errada.
Por outro lado, imagine o João Moutinho numa fase mais precoce. Baixo centro de gravidade, dificuldades nos contactos e na mudança de velocidade. Como é que o jogador contorna isso? Pela intensidade na tomada de decisão, pela agilidade mental em compreender aquilo que o jogo pede. Acima de tudo, pela certeza de que o sucesso dele é mais provável se fizer a bola correr, ao invés de ser o próprio a fazê-lo.
E, na verdade, estes vícios ocorrem tanto em Portugal como noutro país qualquer. A diferença está na oposição que esses jogadores maturados – Africanos na maior parte da questão, muito embora aconteça também com Caucasianos – encontram. Nos países em questão – França ou Bélgica -, grande nata dos atletas são destas origens, pelo que os jogadores em questão dificilmente se destacarão com recurso às características físicas. Na realidade, os adversários são quase todos maturados em idades precoces, o que obriga os jovens a recorrer a outras armas para se fazerem valer no jogo. Pelo contrário, no nosso país, a tendência está para o jogador tipicamente Caucasiano – que tem inerente um pico físico mais tardio que o Africano – ser a franja dominante nos escalões de formação. Nesse sentido, quando surge alguém diferente, isto é, mais rápido e com maior valia física, a diferença será transcendente e este terá pouca oposição no seu jogo. O jogador cresce a ser superior, cresce sem estímulos competitivos adequados e cresce com esses vícios, que mais tarde tendem a ser atenuados pelo nivelar físico entre jogadores.
Contudo, o erro já foi feito. Quem passa 4,5,6 anos [em média desde os 11,12 aos 16,17, que é a idade onde as diferenças se reduzem] a acumular uma série de vícios, uma série de mecanismos no seu jogo, dificilmente os vai contrariar na fase final da formação, onde as capacidades técnicas e de decisão estão quase aprimoradas. E, se nada for feito, continuaremos a desperdiçar um potencial físico e atlético enorme por não ser dado um tratamento adequado a estes atletas.
A chave passa pelo treino, estímulos e nível competitivo (o ideal é competirem vários escalões acima) que temos de oferecer a atletas com essas características. Muito se discute qual a melhor forma de os integrar num meio onde aprendam a decidir, a ganhar argumentos técnicos que negligenciam em desprimor da velocidade e, acima de tudo, a não recorrerem insistentemente à mesma arma. A base passa por levar o jogador a não fazer força dessa característica. Como? Empurrá-lo para o centro do terreno – onde se ganha outra noção do jogo colectivo -, obrigá-lo a conduzir com a sola, limitar o número de toques (em situações esporádicas), colocá-lo em situações de inferioridade numérica, enfim, mostrar que o caminho individual e da velocidade não será a melhor arma a longo prazo.
A discussão está lançada.
VM Scouting: João Magalhães e Rui Valente





0 Comentários
Lancinovic
Gostava de ler mais disto na blogosfera e jornais, mas a maior parte do pessoal nao tem esta cultura e saber. Só sabe falar de assistencias, golos e coisas banais como arbitragens. Uma dúvida: Quem acham que trabalha (espero que saibam o que é trabalhar, neste caso) melhor em Portugal? Porto, Benfica ou Guimarães? Já nem meto o meu sporting, infelizmente.
Jesus Julião
Em termos de observação parece me o Benfica de camadas jovens. Quanto ao aproveitamento para a equipa principal é outra conversa, pois Benfica e Porto tem que ganhar no imediato, logo será mais fácil a transição para sénior no Guimarães, penso eu.
Diogo Martins
Sim, porque o teu Sporting "apenas" ganhou dois dos quatro escalões de jovens o ano passado, estando na luta pelos juniores até aos últimos minutos…
Supremus Lvcifer
Por acaso acho que quem melhor trabalha na formação é o "teu" Sporting :D O SCP é o clube que melhor método de formação tem, é por esse motivo que é o clube que mais jogadores capazes de ter uma carreira no futebol profissional. Neste momento os resultados na formação não são os melhores, mas isso deve-se à falha no recrutamento de jogadores com talento puro que com o método de trabalho indicado se tornarão bons profissionais do futebol. Por ex o Benfica tem apostado muito forte no recrutamento, tendo conseguido recrutar boa parte dos jovens com talento natural superior, mas a formação posterior desses atletas não tem, pelo menos ainda, mostrado que o seu método funciona.
Anónimo
Concordo com Supremus Lvcifer…o Sporting tem um método consolidado ao longo dos anos, não focado nos resultados, que privilegia dar "bagagem" aos seus atletas para uma eventual carreira profissional, mas resultados acabavam por aparecer fruto da qualidade dos jogadores e do trabalho.
No entanto de há uns anos pra cá, fruto de um maior investimento nessa área, Benfica tem uma maior e mais "agressiva" rede de "scouting" que lhe tem permitido recrutar os jovens que mais se vão destacando por esse país fora.
Hoje em dia vemos o Sporting perder atletas para Porto (Moretto, Idrissa, Romário) e Benfica (Tiago Dias) assim como para o estrangeiro (Ruben Vinagre pro Monaco), a juntar a menor capacidade de atrair novos atletas de valia, (logo,o talento para trabalhar é em menor abundância) assim como a diminuição de qualidade e experiência nos quadros técnicos, (tudo fruto de um corte acentuando no orçamento da formação) trouxe evidentes consequências.
Rui Mendes
Rui Pedro Santos
O problema é que em Portugal, desde os escalões etários mais baixos que os responsáveis pensam mais em ganhar jogos, chegando-se ao ponto de em jogos de infantis utilizar iniciados ou nos iniciados utilizar juvenis, do que na formação e evolução do atleta. Não é por acaso que temos sempre grandes selecções de jovens e nunca ganhamos nada nos seniores
pedro gary
Rui Pedro tens noção do que estas a dizer? Sabes que não podes utilizar jogadorpes de escalões superiores em inferiores nao sabes? Dentro do mesmo escalão com equipas A e B primeiro e segundo ano, na equipa B só podes utilizar 4 jogadores de 2 ano, por isso o que estas a dizer e completamente errado..até digo mais as equipas de porto Benfica e Sporting fazem o contrário sub11 por exemplo jogam pelos sub12 quase sempre assim até ao sub1mais ao menos..
Anónimo
Estas enganado no que dizes Rui Pedro o que dizes está completamente errado, e impossível utilizar um jogador dos iniciados no infantis…jogar no escalão abaixo não e permitido…até digo que equipas grandes os atletas jogam um escalão acima sub 12 jogam por sub 13 por exemplo para lhes dar uma maior competitividade, e são capazes de ser campeões…pelo que dizes estas muito errado..
Pedro
Anónimo
Brutal. Eu também estou me a iniciar com uns miúdos e sinto isso da dificuldade em fazer decisão neles, em ensinar lhes a decidir. Essa de conduzir de sola nos rápidos é excelente, melhor a técnica e tira lhes a velocidade. Parabéns por um verdadeiro artigo "de futebol puro" e não de bola, tipo jornal ou blog típico. Ganharam um leitor.
LusitanoEvora
Álvaro Costa
AH?
1º não lhes vais ensinar nada , quanto muito podes lhes dar contexto d aprendizagem porque a ideia acerca do futebol é mais que individual e individualizante.
2º tirar-lhes a velocidade?? o que tu queres é que o CORPO deles adquira algo mais para quando tiverem problemas haja um maior leque de requisitos para os contornar.
Conduzir de sola? Vais "injectar-lhes" técnica?? O que tens que fazer é ter um treino bastante rico onde possas criar diferentes problemas para que existam diferentes respostas sempre "iluminadas" por um Padrão que queres como Identidade Colectiva!!! Agora não lhes tires a velocidade , acrescenta-lhes velocidades para ssim eles poderem "jogar" com as Velocidades da Velocidade
Anónimo
Acho que você ou não leu ou não entendeu a problemática. Vou meter em passos.
1º Numa idade têm velocidade a mais que os outros, usam em demasia para os ultrapassar, e depois nao sabem compreender o jogo, 2×1, 1×2, nao tem argumentos tecnicos etc.
2º O objectivo é tirar lhes "momentaneamente" a velocidade, é fazer perceber que nao vai ser solucao. Dai o conduzir de sola, para saberem que nao vai ser a correr que vao ultrapassar o adversario. Usar o 2×1, o 1×2 etc.
LusitanoEvora
Tomás
Quem leu isto sabe que chega ao fim do dia com mais conhecimento e visão. Grato pela disponibilidade dos autores e por normalmente quem sabe estas coisas não querer partilhar.
Anónimo
Pois, é olhar para o Martial, Fekir, Thuram, Evra e por aí fora e comparar com Gelsons, Manés, Romarios Baldes, Sancidinos. A questão é a formação que lhes dão, como diz o texto. Totalmente errada, especialmente o Sporting que ainda não acordou para esta realidade.
CrispinhoSLB
Santi Cazorla
Nao fez sentido nenhum esse comentário. O mané, nos escalões de formação jogava no meio, uma das ideias sugeridas pelo autor.
Celso Araujo Martucho
Quando não sabe argumentar não tenta, apenas leia e deixa pra quem sabe.
Anónimo
Especialmente o Sporting, por isso é que o Gelson e o Mané estão na equipa A e na seleção de sub-21 e o Baldé e Sancidino nem sei onde andam sinceramente.
Mário
Scp_Duxxi
Gelson e Mane na mesma frase que Balde e Sancidino é para rir.
Mais Bastidores
Muito bom, grande sensibilidade e forma de olhar que é indicada nestas idades. São pessoas como estas que são indicadas para formar o produto que mais tarde "o típico zé do povo" vê no futebol sénior. Parabéns pela analogia com a França, a diferença é exactamente essa a da oposição que enfrentam, são basicamente Africanos vs Africanos onde se incluem os africanos brancos, enquanto aqui a tendencia é da raça "branca".
Anónimo
Por acaso já tinha pensado como era possível isto acontecer cá. O aproveitamento de Africanos na selecção A é quase nulo, a não ser alguns de cabo verde que já nascem cá e são diferentes do tipico africano…Acham que há mais razões?
André
Pedro Malheiro
Este artigo é um exemplo para todos aqueles que acham que percebem "o jogo". Fantástico a forma como olham ao individual e ao seu desenvolvimento, verdadeiramente fora do "comum" que todos falam. 4-3-3, 4-2-3-1 e outras tretas.
Anónimo
Intrigante, de facto. Não sei como continuamos com aquelas historias do "é catanado". Eles têm é pico mais precoce, só temos que aprender a contrariar isso. Desperdício de tanto potencial para o futebol.
De um treinador,
maxi06
Lucas Ferreira
Há casos e casos. Claro que há os precoces mas também andam muitos «catanados» infelizmente.
Anónimo
Isto é um "must" para quem trabalha diariamente com meninos. Faço uma vénia.
Lionel Gama
Rodrigo Ferreira
Ideia interessante, bom texto Rui e João. Por este motivo e tal como o João já referiu, o Sanches já deveria estar no futebol profissional há mais tempo. Além disso, basta ver aqueles avançados gigantes que fazem estragos no futebol de formação e depois desaparecem no futebol sénior por várias razões, entre as quais a incapacidade para se adaptar a outras formas de jogar onde não se possam fazer valer por esse poder físico. Ou os tais extremos rápidos, de facto, que tirando uma ou outra excepção aparecem no futebol profissional com muitos problemas na tomada de decisão. Urge, de facto, enfrentar este problema desde a base como referem o João e o Rui.
Anónimo
Sem palavras. Li, interiorizei e adorei. Alguém me sabe explicar porque é que há tão poucas pessoas em portugal com cultura de futebol? Para nao falar nos clubes…Nao apoiam o clube da terra, nem nada.
caeiro 88
realista15
Caeiro 88, por acaso isso foi uma discussão já batida aqui, se não me engano foi na altura que o Van Gaal falou qualquer coisa acerca das condições dos estádios em Inglaterra (não consigo precisar se foi nesse post ou nao). Não sei bem.. mas eu penso que on variável mente, uma grande percentagem de nos apita o clube e que vê a família apoiar. Sempre vi o meu pai e o meu irmão mais velho torcerem pelo Sporting e foi isso que aprendi. Claro que isto não se aplica a todos, mas a maioria talvez. Agora se aplicarmos isto a muito outro sítio por Portugal fora, acho que está já tão enraizado a paixão pelos grandes que não parece haver perspectiva de mudar. Além de que é mais fácil torcer por uma equipa que sempre foi considerada a grande, que apresenta melhor futebol, com mais mediatismo.. claro que há excepções, mas penso que seja uma possível explicação para o sucedido
Anónimo
Melhor artigo que já li aqui.
Pontinha
Great Khali
A Bélgica está de facto 10 passos à frente dos restantes. Esses slides mostram bem aquilo que eles sabem do futebol.
João Duarte
Cá em Portugal também já se têm estas ideias há pelo menos 3/4 anos. E isso está a notar-se na formação dos clubes, em Portugal a formação está cada vez melhor. Pelo menos eu sei que no Benfica desde há uns anos para cá antes do recrutamento dos jogadores estes são sujeitos a testes de maturação que permitem perceber qual o desenvolvimento potencial que o jogador irá ter. Ou seja, permite perceber se o jogador pode vir a atingir um nível superior no futuro em comparação a jogadores que no momento são mais maduros, mas que no futuro podem não sê-lo. Acredito que em outros clubes isto também já se passe. O Porto começou com um projeto de formação muito interessante há cerca de 2 anos que começará a dar frutos daqui a 2/3 anos. Em Portugal estamos a trabalhar cada vez melhor na formação, não tenhamos dúvidas disso.
gonçalo Duarte
Excelente texto,muito interessante,no entanto acho que essa solução(colocá-los a jogar num escalão acima)poderia também ser aproveitada para jogadores com elevada qualidade técnica mas individualistas,e isto nota-se na situação mais básica possivel,por exemplo:no recreio,ou na rua,quando há um jogador que se destaca dos da sua idade,em termos de drible,e 1×1,geralmente não passa tanto a bola,e progride mais sozinho, do que em coletivo,no entanto se estiver a jogar com rapazes mais velhos,já vai passar mais a bola,jogar em equipa,pois aí,mais tarde ou mais cedo ,vai perceber ao jogar em equipa tem mais hipóteses de ganhar
Rui Reis
Excelente artigo. Os meus parabéns.
Anónimo
A solução acho que passa também por uma melhor formação do jogador enquanto cidadão, coisa que os empresários vieram destruir, uma vez que hoje em dia qualquer jogador jovem gere a sua carreira em função do dinheiro e não pelo prazer de jogar futebol.
Mário
Anónimo
Sem palavras. A dar um chuto naqueles que dizem " não tem a idade, bla bla". Fantástico mesmo.
Kibamga
MiguelSantos
Muito boa esta analise
Quando era mais novo era mais desenvolvido que os miudos daquela idade, sentia me um Zidane que brincava com aquilo.
Com o passar dos tempos tornei-me um Freddy Adu que já não fazia nada de especial..
João Dias
Portugal, por razões históricas e culturais, sempre foi dos países da Europa com mais africanos. Desde há vários séculos. Basta recordar o tempo dos Descoabrimentos quando os ingleses e os holandeses vinham a Lisboa ficavam impressionados com a quantidade de negros que existiam na cidade (que era bastante pobre e degradante na altura).
Agora acontece o mesmo. As nossas Academias estão cheias de jogadores oriundos de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde…
São jogadores que trouxeram para Portugal o estilo próprio do jogador africano (Bruma é um exemplo disse mesmo) com técnica, velocidade mas com algumas defeciências na decisão.
Cabe aos clubes trabalharem bem com estes jogadores. Ao virar do Cova da Moura, do Mira-Sintra, de Chelas, da Lagarteira, etc vislumbramos craques de descendência africana a jogar uma peladinha e que sonham espalhar magia com a camisola das quinas.
Anónimo
Está aqui verbalizado aquilo que tento incutir no dia a dia dos meus jovens. Os meus parabéns por esta visão descomplexada, completamente fora da mentalidade portuguesa a quem escreveu isto. Gostava de conhecer pessoalmente a pessoa e trocar umas ideias.
Pedro Tiago
João Amarante
Completamente de acordo!!! Quem trabalha (ou trabalhou) com miudos facilmente se apercebe que o que aqui foi escrito corresponde à realidade da nossa formação…
Edge
Também tem a ver com a cultura e com a educação desportiva que se tem e também com as companhias que se tem.
Um caso mais recente: Bruma. Quando chega ao plantel principal do plantel faz uns 15 jogos (não me lembro bem mas acho que muitos nem todos são completos) e depois quer ganhar tanto quanto os melhores do plantel, isto com 17/18 anos, uns lances bonitos, algumas fintas em zonas proibidas e estes resultarem em golo sofridos depois.Isto por conselho do empresário. Ou seja o jogador ainda não está formado e já quer ganhar como os melhores.
O JJ disse alguns meses atrás que os jovens já não tem o sonho de jogar no SLB,FCP,SCP mas sim num Barça, Real etc. e é essa a mentalidade que não só os africanos mas os portugueses também tem e para lá chegarem querem ser saltar etapas pensando eles que são CR. Isso é algo que faz parte da cultura futebolística de Portugal.
Kacal I
Excelente post João e Rui, fantástico.
Concordo com tudo e é a realidade, não tenho muito a acrescentar além de dizer que gostei muito de ler.
Perd
Bom texto! Obrigado
Anónimo
Excelente texto parabéns VM. Lembro me de ser jogador de formação nos juvenis e jogar mos contra um jogador que por ser mais forte fisicamente era uma "máquina" a nossa beira, passados 3 anos já juniores joga mos novamente contra ele e era completamente um jogador banal… Acho que se perdem muitos talentos por esse país fora por serem mal aproveitados e mal direcionados.
Toupas
R1cardo
Boa análise, temos debate.
Flávio Trindade
Magnifico o vosso trabalho João e Rui.
Este texto não é apenas uma observação pertinente sobre a evolução do jogador africano vs evolução do jogador europeu, mas é um trabalho muito assertivo sobre algumas questões base da formação em Portugal e que deveria servir de reflexão a muitos treinadores de formação.
Esse conceito já é contudo utilizado, uma vez que muitos jogadores de origem africana já jogam tendencialmente no centro do terreno, mas de esse cliché da formação ainda existe mesmo quando não se trata de jogadores com essas características.
Em Portugal ainda existe muito a noção que o jogador alto tem que ser central, o jogador baixo e rápido tem que ser extremo, que os pontas de lança são jogadores com mais técnica e capazes no 1×1 e capazes de tabelar e jogar em contra ataque, e com isso perdem-se muitos valores que poderiam ser uteis noutras posições, e acentuam-se os défices formativos em posições core, como pontas de lança e laterais por exemplo.
Já agora a referência à formação francesa (para mim o país onde melhor se trabalha nas camadas jovens) é muito bem vista.
Mais uma vez magnífico trabalho!
Anónimo
Muito bom texto, concordo em pleno com tudo o que foi dito! A situação é que grande parte dos clubes continua presa à "necessidade" de obter resultados positivos nos diferentes escalões (vitórias, pois claro), negligenciando muitas vezes o processo de crescimento/maturação de um jogador. É mais fácil ter um miúdo a arrancar pela lateral e fintar 3 ou 4 jogadores e dar em golo, pois dá garantias de um jogador resolve jogos!
P.H.
Luís bcn
Artigo bastante interessante…contudo gostaria também de focar num ponto, o hype.
Há vários paises que apostam (e bem) nos seus jovens e depois conseguem logo coloca-los em grandes clubes. Holanda, Bélgica e Servia são bons exemplos. A verdade é que a Bélgica e a Holanda tem grandes jogadores….já a servia apesar de ter alguns vive muito do hype. André Silva, Gelson Martins ou Ivan Cavaleiro fossem servios já estavam em grandes clubes europeus (pois já eram titulares na liga da servia)
Onze da Sérvia contra Portugal
Vladimir Stojkovic – não serviu para o SCP
Branislav Ivanovic (C) – craque (ainda que não o ache dos melhores DD do mundo)
Dušan Basta – jogador normal
Matija Nastasic – falhou no city
Aleksandar Kolarov – craque
Nemanja Matic – craque
Lazar Markovic – falhou no liverpool (e para os mais distraidos, no benfica, não teve metade do impacto de gaitan ou salvio e para mim está longe de ter o potencial de Bernardo Silva)
Radosav Petrovic – normal
Aleksandar Mitrovic – ainda tem que provar o que vale
Dušan Tadic – normal
Adem Ljajic – normal (mas aceito outra interpretação)
Entraram: Djuričić (não serve para o benfica), Tosic (falhou no united) e Škuletić (normal)
Resumindo: apesar de ter alguns bons jogadores muitos falharam em grandes clubes…porque não tem qualidade. A diferença é que conseguiram chegar a esses clubes e os nossos a maioria não vai conseguir apesar de não termos piores jogadores do que eles.
O hype conta muito no futebol. O Aderlan Santos ou o Pardo se fossem jogador de um dos 3 grandes eram vendido pelo dobro.
Anónimo
Excelente texto VM! Só uma pergunta: se na bélgica os jogadores africanos sao forcados a desenvolver outras valencias porque estao ao mesmo nível dos seus colegas a nível físico, entao os jogadores africanos formados em áfrica tambem teriam desenvolvido essa inteligencia de jogo (já que o factor físico nao seria diferenciador)? Mário
JSC
Na verdade existe uma teoria nos USA (não confirmada), que o espectro genético em África é similar ao do resto do mundo (ou seja, a média de desenvolvimento ser similar) e como tal esses traços físicos são similares ao das outras populações, o que diferencia nos USA é que os africanos que sobreviveram à escravatura, viagens, más condições etc, eram os mais fortes então houve uma selecção não natural desses elementos. Daí maioritariamente nos desportos americanos os jogadores serem descendentes de africanos. Daí que em África como não houve essa selecção ser igual a qualquer outra região onde existam maioritariamente locais.
Talvez se possa verificar o mesmo na Europa, embora menos provável.
Kafka I
Mário e JSC
Esse não desenvolvimento no continente africano não se poderá explicar pela falta de qualidade e condições de treino na formação em África?
As condições de treino e a qualidade de quem dá esse treino, seja na Europa ou na América, é muito superior a África e isso pode fazer a diferença (na minha opinião) para os "Africanos" da Europa e dos USA terem desenvolvido outras valências que os Africanos de África não desenvolveram
DS
Concordo com o Kafka apesar de o que JSC também possa ter alguma, mas pouca, influência.
As condições de trabalho no continente africo são muito arcaicas. Juntamente com os treinadores/preparadores serem muito mais fracos. Prova disso é a quase nula existência de treinadores em campeonatos europeus.
JSC
Kafka I, O único contra-ponto que tenho em relação essa questão é como já foi mencionado nos comentários é que há várias academias em África por parte de clubes Europeus. Por exemplo, o Sporting e o Benfica têm, mas não sei quantos jogadores é que já trouxeram de lá.
Eu pessoalmente acho que as diferenças entre origens não é tão significativa como a ideia actual, mas é só a minha opinião. Acho que tanto pode haver um caso extremo em qualquer origem e que a média é relativamente similar.
Por exemplo e isto é de um estudo um africano da Nigéria é mais parecido geneticamente a um caucasiano de Portugal que a um africano da África do Sul nomeadamente se tiver ascendentes Zulus.
Mysticman10
5*. Eu, como atleta sub 16, so tenho a dizer que o texto retrata exatamente o que acontece a atletas deste perfil. E, não são só os africanos. Um colega meu, caucasiano, é retratado neste texto. Tem uma capacidade física brutal, alto, rapidissimo, mas tecnicamente é 0. Sempre jogou no fisico, contra atletas 40 cm mais baixos que ele, e agora nos juvenis, não consegue fazer uso do seu físico, ou seja, não traz nd de proveitoso ao jogo.
Rafael Almeida
Excelente análise, é precisamente isto que se passa. Temos o caso de Gelson, que até já chegou a jogar a médio centro como exemplo, é isto que se tem que melhorar em portugal.
Rui Ferreira
Arrisco a dizer que este é o vosso melhor artigo. Concordo com tudo
Álvaro Costa
O facto do jogar mais rapido decidir pior apenas tem a ver c aquilo q lhe pedem na formacao !! Pedem lhe pra ser rapido no ataque ao espaco criar desequilibrios no 1×1 e jogam sempre por fora !!
Nao lhes mostram o jogo porque os treinadores querem ter sucesso e nao pensam na potencializacao do individual dentro de uma Ideia Colectiva. É um tudo um problema de formacao que se torna Formatacao.
Nada genetico..
Anónimo
Muito bom comentário!
Miguel Almeida
Gonçalo Oliveira
Um topico bastante interessante aqui exposto.
E se pensarmos bem no assunto esta pode ser a origem do desaparecimento dos PL's de top de Portugal.
Se olharmos para os melhores do mundo como Jackson, Ibra, Rooney, Diego Costa todos são bons no combate corpo a corpo com os defesas algo que pode faltar nos escalões de formação de Portugal,
Anónimo
Muitos treinadores de formação não querem saber disso, desde que ganhem campeonatos e torneios. Se a melhor arma do seu jogador for a velocidade, o treinador vai insistir no uso da velocidade e não o irá incentivar outras formas…
Xavier
Galileu Galilei
Cheguei a ter um treinador nas camadas jovens que passáva-mos os treinos ( jogo treino incluido ) a só poder dar 23 toques máximo, Quando dáva-mos mais 1 que o normal parava o treino e enchia-mos todos.
JSC
Existem vários exercícios desse género mesmo em outros desportos, nomeadamente não poder driblar (andebol e basquetebol) e portanto viver das movimentações os companheiros, pois são desportos em as acelerações são mais importantes que a velocidade de ponta, no caso do Futebol não penso que faça tanto sentido, uma vez que o campo é muito maior e portanto tem-se mais espaço. Daí normalmente se fazer apenas um toque no meinho ou no exercício passe-corrida-recepção. Num jogo treino (campo completo) não penso que seja vantajoso, aliás o mais provável será ver recepção e passe longo, se a equipa adversária for agressiva a defender.
Paulo Gullit
Excelente análise…óbvia e lógica. Faz todo o sentido.
Anónimo
Aplaudo sinceramente este artigo. Parabens. Um ponto de vista deveras mt interessante!
Lucas
Pedro Pateira
Teoria interessante e sustentada, nunca tinha ponderado nas coisas dessa forma. Ainda assim, e não obstante a validade do vosso comentário, acredito que as escolas francesa, belga, etc., não se diferenciam muito das suas homólogas. Ainda há uns meses atrás, o Willy Sagnol se "queixou" da falta de inteligência dos jogadores africanos, acusando-os de privilegiar a componente física do jogo. Além disso, os jogadores franceses (principalmente aqueles de descendência africana) tendem a ter maior sucesso na Premier League (ou até mesmo na Seria A) do que nos restantes campeonatos estrangeiros, exatamente, por se tratar de um campeonato que privilegia, igualmente, o jogo físico.
No entanto, as "soluções" que apresentam são bastante pertinentes e de interesse para as escolas de formação dos mais diversos países.
Cumprimentos
Pereira FCP
Excelente texto, lupeta na formação era um grande ponta de lança por exemplo mas há mais, os jogadores africanos normalmente são rápidos e os treinadores preocupam-se mais na formação em aproveitar isso para ganhar jogos, do que em educá-los para serem bons jogadores no futuro, em Portugal as equipas por vezes preocupam-se mais em ganhar títulos da formação do que em fazer crescer os jogadores que é o seu principal objetivo, há quem diga que os jogadores "negros" são "burros" mas isso é porque os treinadores os fazem "burros" Patrick Vieira, makelele, pogba, matiudi, e muitos outros que podia enumerar, eu cá não me importo com a cor da pele das pessoas pois para mim é tudo ser humano, mas para muitos treinadores em Portugal na formação, ou servem para correr ou intimidar o adversário com o seu porte físico
Pires
Grande comentario amigo Pereira FCP. acredito com a entrada do, FCP, e o meu SLB, na formação teremos grandes talentos é claro não só Africano. Força Portugal
Bernardo
Acho que o grande problema em Portugal neste momento não é tanto a ausência de conhecimento sobre estes temas, até porque já são muito estudados e fazem imensas palestras sobre estes assuntos, mas sim o facto dos clubes estarem mais interessados em ter vitórias "fáceis" em todos os escalões e aí é óbvio que é mais proveitoso terem africanos que normalmente têm mais 10 ou 20cm que os caucasianos e como tal têm todo o tipo de vantagens físicas que lhes permitem marcar dois ou três golos por jogo e assim as equipas ganham fácil.
Acho portanto que é um problema mais de mentalidade que de outra coisa.
Anónimo
Ainda hoje estive a discutir este assunto com amigos. Muito bom uma excelente análise.
Parabéns.
Alexandre
Anónimo
bom tópico!
Caché
Anónimo
Grande texto ! Explica muita coisa
André Lopes
Kafka I
Artigo fantástico e onde realmente se aprende futebol, parabéns aos 2 e desejo que continuem com este tipo de posts
Anónimo
São opiniões, mas não está mal analisado, não senhor!
Santos
Anónimo
É a análise correcta. Nos escalões de formação, a definição do trabalho que cada jogador deve seguir, deveria estar relacionada com o seu desenvolvimento físico e não com a sua idade cronológica. Nestas idades, principalmente entre os 12 e os 16 anos, as diferenças físicas entre os jogadores podem ser abissais apesar da idade ser semelhante. Essas diferenças vão-se esbatendo até aos 18 talvez, mas nessa altura já o jogador seguiu um plano de treinos completamente errado durante vários anos. No meu entender, e sendo completamente leigo na matéria, este tem sido um erro recorrente nos nosso escalões de formação, e tem contribuído para que se percam muitos jogadores que aos 16 anos pareciam muito promissores. Isto porque os clubes preferem alcançar resultados imediatos, ou seja vitórias, nos escalões de formação, ao invès de se preocuparem em formar jogadores que possam chegar à equipa principal. A subida de escalão de jogadores fisicamente mais desenvolvidos será uma solução, mas implica sempre uma análise e um seguimento cuidado de cada atleta.
Zé Diogo
Joguei com o Djaló durante 3 anos (99 a 2001) e, por acaso, o exemplo não é verdadeiro nem se aplica. Não era nem o maior (de longe) nem o mais rápido porque apesar de ser mais novo, aos 13/14 já jogava com alguma regularidade nos nos Juvenis (onde eu já estava). Teve, naqueles quase 3 anos uma muito boa formação e, continuo a dizer, fou culpa dele próprio o "triste fim" que teve porque era um puto esperto e com muita bola naqueles pés.
Anónimo
Por acaso eu joguei com o Djalo é sempre foi o mais rápido. De longe mesmo. Da mesma forma que é o tipote na formação do Sporting actual
Paulao
Joe Mendonça
A verdade é que para singrar no futebol ao mais alto nível não basta ter um bom físico, também é muito importante a parte mental, conhecimento do jogo, atitude, capacidade de adaptação, profissionalismo e também a parte técnica, recepção, qualidade de passe, entre outras. O que acontece na formação é que às vezes existe mais vontade de ganhar do que formar e os treinadores vêem-se obrigados a apostar nesses tais jogadores mais maduros fisicamente, uma diferença tão acentuada em relação aos outros que faz a diferença. Por um lado alguns talentos podem perder o lugar, por outro a maioria desses jogadores mais fortes fisicamente acabam por não corresponder às expectativas a nível sénior, por muitas razões como está explicado no texto.
Fazer com que o panorama atual mude parece-me difícil porque pelo lado da lei não há nada a fazer, ninguém pode proibir os jogadores de atuarem no seu escalão, e se os clubes na formação preferem ganhar títulos em vez de formar verdadeiros jogadores, vai continuar assim.
Em Portugal há o facto de os 'três grandes' dominarem completamente o futebol. Se um jovem de, por exemplo, 17 anos começa a atuar a nível sénior e a dar nas vistas num qualquer outro clube, por meia dúzia de tostões um dos ditos grandes o contrata e o jogador acaba por ir parar aos juniores ou à equipa B na melhor das hipóteses.
Rodolfo Trindade
Excelente post! Parabéns aos autores!
Não há dúvidas que o problema vem de quem forma os atletas! Os resultados vêm sempre me primeiro lugar, mesmo que para isso se tenha de "queimar" alguns atletas.
Um dos pontos focados parece-me bastante pertinente, obrigar os jogadores que estão habituados a jogar com muito espaço, a vir jogar um pouco mais dentro onde o terreno está mais povoado, vai obrigar necessariamente a que melhorem a sua capacidade de decisão e a leitura do jogo.
Nem todos vão beneficiar com isso, pois não tem talento, por vezes por mais que se treine, jogadores com muita capacidade física por uma razão outra, nunca passarão daquilo por mais que se treine.
Fazer os atletas subir de escalão, obrigá-los a um nível competitivo diferente é algo fulcral, mas lá está, os treinadores/clubes pensam é nos títulos.
Depois ainda existe muito o cliché na formação das posições, daí também a dificuldade na formação de pontas de lança, pois tudo o que seja rápido e de boa técnica passa para extremo, etc etc etc.
Rodolfo Trindade
Excelente post! Parabéns aos autores!
Não há dúvidas que o problema vem de quem forma os atletas! Os resultados vêm sempre me primeiro lugar, mesmo que para isso se tenha de "queimar" alguns atletas.
Um dos pontos focados parece-me bastante pertinente, obrigar os jogadores que estão habituados a jogar com muito espaço, a vir jogar um pouco mais dentro onde o terreno está mais povoado, vai obrigar necessariamente a que melhorem a sua capacidade de decisão e a leitura do jogo.
Nem todos vão beneficiar com isso, pois não tem talento, por vezes por mais que se treine, jogadores com muita capacidade física por uma razão outra, nunca passarão daquilo por mais que se treine.
Fazer os atletas subir de escalão, obrigá-los a um nível competitivo diferente é algo fulcral, mas lá está, os treinadores/clubes pensam é nos títulos.
Depois ainda existe muito o cliché na formação das posições, daí também a dificuldade na formação de pontas de lança, pois tudo o que seja rápido e de boa técnica passa para extremo, etc etc etc.
dgenio
Muito bom texto! Penso até que toca num dos principais problemas na actual formação do meu clube de coração, o Sporting.
No entanto, a solução está tambem ela no texto. Alem do cuidado com o treino especifico (o que depende sempre da qualidade do treinador e dos recursos disponiveis) penso que os atletas deveriam ser separados nos escalões não por idade, mas sim por competencias fisicas. Claro que isto não poderia ser feito a nivel da Liga ou Federação, mas é sim uma escolha da competencia de cada clube.
Assim, no inicio da epoca cada jogador realizava uma serie de testes fisicos que depois permitiam separar-los tendo em conta um agregado dos resultados. Algo simples, com custos baixos, mas que permitiria potenciar muito mais a formação dos atletas.
Obviamente que existe um "senão" nesta estrategia. Podia acontecer (seria até provavel) que cada equipa de cada escalão ficasse mais fraca (ou não tão forte) que as equipas de outros clubes , levando a não conquista de titulos na formação. No entanto, aqui é outro ponto que deve ser muito importante, tanto na cabeça dos dirigentes como na dos adeptos: Titulos na formação são inuteis!! O importante é formar jogadores… È preferivel passar 10 anos sem ganhar nenhum titulos, mas retirar 3 ou 4 jogadores titulares para a equipa principal (e sim, 3 ou 4, mais que isto em 10 anos é pura ilusão para um clube ser campeão nacional e ir longe na Champions) do que vencer sempre em todos os escalões de formação e depois não se aproveitar ninguem…
Anónimo
O problema são os pais. Esses é que querem títulos e estragam os miúdos.
Paulao
karabatic13
Gostei muito de ler.
Pedritxo
O problema de portugal e que se pensa mais nos titulos de formaçao do que na propria formaçao em si.
Quando eu tinha 13,14 anos, joguei num clube e o treinador fazia um exercicio que penso que melhorava e muito a nossa tomada de decisao ,visao de jogo e passe, que consistia que so poderiamos ter a bola pouco tempo e dar no maximo 2,3 toques, senao a bola passava para o adversario, onde a outra equipa tinha que exercer pressao alta,por vezes.
Este exercicio era dificil, principalmente ao inicio, mas gostava dele.
O texto esta excelente, parabens.
JSC
Então ao invés de ter escalões por idade, porque não ter por características físicas?
Anónimo
Isso é impossível porque é um critério subjectivo. Essa divisão tem que ser feita pelos clubes internamente, e não por imposição da federação. É a mentalidade dos responsáveis da formação que tem de mudar, as metodologias e os processos utilizados e não o regulamentos.
JSC
Estou a dizer isto imaginando um caso extremo em que um escalão seja praticamente composto por elementos de um escalão inferior, deixaria de fazer sentido considerar um escalão por idade se grande parte dos jovens pertencessem a um escalão etário inferior.
Ou seja, ou o fenómeno não é tão relevante como parece ser no texto, ou então, já se faz o correcto e apenas alguns elementos jogam no escalão acima.
Artur
Acho que a mentalidade já começa a mudar e e existe algum cuidado em certos clubes que os jogadores mais desenvolvidos compitam em escalões superiores, mas muitas vezes chega a altura das decisões e lá vemos esses jogadores a regressarem aos escalões que correspondem à sua idade. Um erro a meu ver.
Francisco Braga
Uma coisa que é de salientar é o facto de grande parte dos clubes franceses (1ª e 2ª divisão) terem academias de formação na própria África, ou seja, a prospeção é feita em África e determinado jogador começa já a ser trabalhado em África e depois aí transita para França, dependendo claro está da avaliação feita pelo treinador que está a treinar os miúdos. Não será por haver esta filtragem e consequente passagem para França numa fase já mais avançada da formação do jogador (18 ou 19 anos) em vez de numa fase um pouco precoce (16 ou 17 anos) que possivelmente dá alguma vantagem aos clubes franceses no que toca aos jogadores Africanos?
(Primeiro comentário de sempre neste blog, sejam brandos :P)
Anónimo
Amigo, acho que não. Se fores pesquisar os franceses africanos e com essa tendencia natural, verás que estão lá desde pequenos. Evra, Matuidi, Martial e a lista nunca mais acaba. Mas é uma excelente explicacao
FR.
NoSense
Em Portugal não se forma para o futuro nem para a equipa principal…em Portugal os escalões jovens servem para "palmarés".,.para se dizer que foram campeões de iniciados, juvenis, juniores…Marinho Peres disse há muitos anos atrás que um jovem alto tem o dobro das hipoteses de ficar num grande do que um jogador com tecnica…
Artur
Lembro-me de ter visto um estudo estatístico há uns anos que demonstrava que nos escalões de formação predominavam atletas nascidos nos primeiros meses do ano. A única explicação encontrada é precisamente o erro apontado neste artigo, ou seja os responsáveis procuram as vitórias nestes escalões servindo-se da superioridade física que uma data de nascimento mais anterior poderá trazer.
João Rocheteau Ramos
Que prazer em beber esta sabedoria! Dos melhores artigos que já li aqui no VM.
Para quando uns seminários para se abordar/debater estes assuntos pertinentes?
Anónimo
Antes demais quero saudar os autores pela excelente contribuição que vem dando a esta comunidade.
Em seguida, mencionar que concordo com alguns pontos do texto e discordo de outros. Concordo com a forma como se deve ensinar o jogador jovem a jogar, sempre com vista o aumento de técnica e o trabalho de equipa, e deixando de parte a supremacia física patente em alguns miúdos até certas idades, quer na componente ofensiva, quer na componente defensiva do jogo.
No entanto, não concordo com a premissa de que na Bélgica e França existe uma grande maioria de jogadores negros em relação a brancos, ou pelo menos que existem em muito maior quantidade (percentual) que em Portugal. Basta fazer uma pequena pesquisa para saber que a percentagem de pessoas de raça negra em Portugal e França é, percentualmente, igual (variando na ordem das centésimas) portanto penso que a ideia de que em França há muitos mais negros que em Portugal é errada. Quanto à Bélgica, numa rápida pesquisa nem sequer encontrei referência à raça negra, por isso suponho que seja residual a presença de africanos neste país. Sendo assim, penso que cai por terra o argumento de que em França os negros são mais "inteligentes" porque jogam com jogadores fisicamente parecidos. Se isso fosse verdade, haveriam jogadores formados em países africanos a demonstrarem essa tal "inteligência" adquirida por a competitividade ser superior, o que está longe de ser o caso. O que me parece, e aqui estou a especular, é que a maior inteligência se deve há existência de maior cultura de formação na Bélgica e França do que existe aqui, porque senão haveriam muitos jogadores negros "inteligentes" a sair de Benfica, Sporting, Sacavenense, Real Massamá, e isso não tem acontecido com muita frequência.
Contudo, penso que o paradigma está a mudar, vendo-se já alguns efeitos positivos com jogadores como William, Moreto, Renato Sanches (em certa medida porque este, apesar da sua inteligência, também tem uma estampa física admirável) e portanto espero que seja uma questão de tempo até que se acabe com o estigma de que o jogador africano é menos inteligente que o caucasiano, mas principalmente porque os treinadores de formação em Portugal estão a começar a olhar ao longo prazo, e não porque os africanos aprendem a jogar mais se jogarem contra os da própria raça.
Miguel
João Magalhães
Essa pesquisa é um pouco enganadora. Se assistires a um jogo, imagina, sub15 em França/Bélgica e depois vires assistir em Portugal vais notar grandes diferenças. Aqui encontras 3,4 Africanos lá encontras cerca de metade da equipa. Esses dados podem estar a enganar, porque na Bélgica grande parte deles tem dupla nacionalidade Congolesa/Belga, que é donde são oriundos grande parte dos jogadores, enquanto que na França, que é dos países mais heterogéneos da europa a diferença ainda é maior. Caraíbas, Senegal, e essencialmente os países do norte de África, Argélia, Marrocos etc.
Artur
Eu acho que não percebeu a essência do artigo. O importante não é se existem mais ou menos jogadores negros ou brancos. Mas basta olhar para a selecção francesa e belga para perceber que existem mais jogadores de ascendência africana nestas selecções do que na selecção Portuguesa. A explicação para esse facto encontra-se no artigo. Em geral, os atletas africanos tem um desenvolvimento físico mais precoce. E enquanto na França e na Bélgica isso é percebido e existe a preocupação de desenvolver outras características mais técnicas nesses jogadores levando a que esses jogadores cheguem a patamares competitivos mais altos, em Portugal esses jogadores são normalmente as estrelas dos seus escalões, fazendo-se valer do seu físico ou da sua velocidade. O resultado é q estas estrelas, quando chegam aos 18-19-20 anos desaparecem porque as questões técnicas e tácticas nunca foram devidamente treinadas e desafiadas. Vejo futebol há muitos anos e sempre me lembro dos vários jogadores de ascendência africana que prometiam ser estrelas e que nunca atingiram esse patamar: os campeões do mundo Gil e Toni, o super goleador dos escalões jovens do Porto Zeferino, a revelação do Boavista Bambo, só para recordar os mais antigos.
Anónimo
Uma coisa que o moreto nao tem é estampa fisica! leiam o artigo que eles publicaram aqui, acho que falam lá disso
Anónimo
O Visão de Mercado está a correr o risco de tornar-se o L'Equipe de Portugal. Graaande artigo.
Artur
Ainda relacionado com este assunto, existe algum trabalho sobre a influência da idade relativa no futebol e que reflecte esta realidade. Basicamente conclui-se que no futebol actual e mais fortemente nos escalões jovens existe uma anormal predominância de jogadores nascidos no primeiro trimestre de cada ano. Se alguém tiver tempo que pesquise as datas de nascimento dos craques actuais e verá como a maior parte nasceu sempre no primeiro semestre do ano. A explicação estará em que sempre foram dadas mais oportunidades a estes jogadores por apresentarem vantagens físicas em relação aos outros, o que vai ao encontro do descrito no artigo.
Anónimo
Eu escrevi uma resposta e ela apagou-se, e como não tenho muito tempo vou ser o mais breve possível.
João Magalhães
A minha pesquisa até pode estar errada, mas eu pesquisei por etnia/raça, não nacionalidade e tal como dizes, efetivamente a minha pesquisa comprovou que existem muitas raças em França, mas aparentemente os africanos não existem em maior proporção em França que em Portugal. Mas obviamente que posso estar enganado.
Artur
O que eu pus em causa é motivo pelo qual os africanos franceses e belgas são mais "inteligentes". Para mim é porque os treinadores nesses países não são tão "short sighted", não porque, tal como os autores apontam, como há mais africanos a competição é maior e eles tem que se adaptar (por isso é que fui fazer a tal pesquisa).
Espero que tenha ficado claro aquilo que quis dizer, por mais errado que esteja ;)
Miguel
João Magalhães
Sim, Miguel, isto é apenas uma explicação, tão plausível como qualquer outra. Apenas acho que esse estudo deve estar enviesado por aquilo a que assisto. Acho que na França ainda é mais gritante a proporção de Africanos comparando à nossa. Só por curiosidade, escrevi isso no google (vale o que vale) e apareceu-me que há 3 milhões de Afro-Franceses a residir em França. E quanto à essência do texto, a ideia base é esta: O jogador Africano desses locais enfrenta outro tipo de oposição, daí que desenvolva outras valências do jogo, que lhe são impossíveis quando os adversários, apesar de ter a mesma idade cronológica, estão atrasados fisicamente. Daí que a abordagem que temos de ter com eles seja necessariamente diferente, por estarem biologicamente mais evoluídos face aos companheiros.
Obrigado pelo feedback.
João Magalhães
E mesmo que a proporção seja parecida, também acho que há alguma aversão por parte dos "brancos" em jogar futebol. Parece-me que, em termos relativos, em Portugal há mais gosto pelo jogo, enquanto que na França é um desporto menos procurado pelos europeus.
Anónimo
Miguel, também li e saúdo a discussão, mas vou dar a minha opinião, dado que vivo aqui num apartado em França. Acho que há muito, mas muito mais Africano a jogar futebol aqui do que em Portugal. Chega a haver jogos em que 10 em 11 são Africanos. Mesmo nas selecções, é gritante. https://www.tff.org.tr/Resources/TFF/Images/U17/Fransa/takim1.JPG Olha esta foto dos sub17 Franceses. 90% da equipa é Africana.
João Travassos
Artur
Concordo perfeitamente. O maior número de jogadores de ascendência africana nessas seleccções deve-se precisamente ao facto de os seus treinadores saberem que o seu poderio físico nos escalões mais novos esbater-se-á futuramente e por isso serão "trabalhados" de outra maneira, o que não sucede por cá.
Anónimo
João Magalhães
Isso de os caucasianos franceses não serem tão fãs de jogarem futebol é efetivamente uma possibilidade, infelizmente não tenho capacidade de aferir a sua veracidade. Independentemente disso, quero mais uma vez reafirmar que gosto muito de ler os teus comentários porque acrescentam muito conhecimento futebolístico a pessoas como eu que querem aprender, principalmente na área da formação.
João Travassos
Eu por acaso até estava perfeitamente consciente dessa situação, mas custa-me a crer que isso aconteça só porque há muitos mais africanos a jogar. Apesar de tudo, é uma realidade difícil de contrariar que existem mesmo muitos africanos a jogar para esses lados.
Artur
Exatamente, e é precisamente isso que devia ser feito também em Portugal para o bem do nosso futebol.
Miguel
João Duarte
De realçar que a diferença entre jogadores nascidos em Janeiro e Dezembro do mesmo ano também pode ser abismal em termos maturacionais em idades críticas. Há estudos sobre isso, que mostram que as equipas que mais ganham são aquelas que têm mais jogadores nascidos nos 1ºs meses do ano, mas isso não significa que no futuro sejam melhores ou tenham mais potencial.
emerson daniel
Essa de o jogador africano só ter força e velocidade actualmente é pura mentira digo isso porque sou moçambicano no meu país a muitos jogos jogadores com técnica acima da média, qualidade de passe, leitura do jogo e muito mas.
O problema e que quando atingimos uma certa idade vemos que é impossível viver d
futebol no nosso país
Artur
A questão não está no jogador no jogador africano ter só força e velocidade. A questão está no facto de geralmente o jogador africano atingir um patamar de força e velocidade mais cedo do que os restantes jogadores. Claro que isso é apenas uma generalização e existirem excepções. É por isso que defendo que nos escalões jovens deveria haver uma preocupação em analisar o desenvolvimento físico do jogador e adoptar a metodologia às suas caraterísticas, seja pela subida de escalão, ou pela adopção de planos de treino específicos para estes jogadores que desenvolvam outros aspectos que de outra maneira poderiam ser negligenciados. De qualquer maneira os meus parabéns aos users deste fórum que tem dado opiniões bastante construtivas e interessadas em vez das habituais picardias clubísticas.
Anónimo
Só pude ler agora, mas creio não ter perdido muito. Espetacular.
JoãoFilipe
Invictus
O verdadeiro artigo "técnico" de "futebol. Mais precioso era difícil. Eu distingo isto daqueles tipicos dos jornalistas ou que qualquer pessoa faz. Mt bom mesmo, agora n concordo com alguns comentarios a falar do moreto cassama. É mal dito pq o moreto nao se enquadra no que o texto diz.