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Dirigente do Benfica arrasa governantes: «Refugiam-se numa mensagem de felicitações no Twitter ou numa fotografia de Estado. Só encenação teatral»

Concorda?

Fernando Tavares, vice-presidente responsável pelas modalidades do Benfica, fez um balanço da participação de Portugal nos Jogos Olímpicos, destacando que o “êxito histórico não é mais do que a continuidade do desastre desportivo nacional”.  O dirigente explica que “o Estado continua divorciado do seu papel de apoio ao fomento desportivo” e tem um atitude hipócrita.

A publicação na íntegra:
“Nunca é tarde para transformar
Vontade política é determinante

Fechou-se mais um ciclo olímpico e aquilo que aparenta e se vende como um êxito histórico não é mais do que a continuidade do desastre desportivo nacional essencialmente conduzido pela falta de uma política desportiva integrada e orientada para o desenvolvimento do alto rendimento.

O Estado continua divorciado do seu papel de apoio ao fomento desportivo. Não fossem os clubes, o movimento associativo e os carolas dos dirigentes desportivos e não haveriam atletas olímpicos em Portugal. Tudo isto perante a hipocrisia dos nossos governantes que se refugiam numa mensagem de felicitações no Twitter, num telefonema presidencial ou numa fotografia de Estado no Palácio de Belém. Tudo isso não passa de uma encenação teatral que esconde uma deficiente estratégia desportiva. Acresce a lamentável falta de espaço que os media dedicam durante os ciclos olímpicos não permitindo angariar mais apoios publicitários.

Isto não significa que as medalhas portuguesas principalmente as do Pedro e do Fernando não me tivessem enchido de contentamento. Mas o Estado não faz ideia do trabalho que está perante uma preparação olímpica e principalmente da conquista de um diploma ou de uma medalha. Isento o COP de qualquer responsabilidade desta total ausência de agenda desportiva. O COP tudo faz para gerir a preparação dos atletas num contexto de recursos financeiros pobres que tem a sua expressão máxima nas bolsas ridículas atribuídas aos atletas.

Qualquer processo de transformação terá forçosamente que passar por distintas intervenções de fundo:
1. Integrar os diversos sistemas desportivos num único corpo orgânico, isto é, integrar e estimular o desporto escolar, o desporto universitário, o desporto militar, o desporto associativo e o desporto autárquico;
2. Alterar a importância curricular da disciplina de Desporto nas escolas dotando as mesmas de professores especializados em treino desportivo e de alto rendimento;
3. Resolver a questão do pós carreira dos atletas olímpicos permitindo a sua adequada preparação desportiva fazendo aquilo que muitos países europeus iniciaram há muito tempo, a integração dos atletas em serviços do Estado e associando as respetivas progressões de carreira aos resultados desportivos;
4. Profissionalizar e formar os dirigentes desportivos garantindo uma maior capacitação na gestão dos projetos desportivos;
5. Alteração da Lei do Mecenato permitindo o financiamento privado às diversas modalidades como complemento do apoio do Estado;
6. Fazer apostas desportivas claras e especializar algumas regiões do país em determinadas modalidades que encaixem no perfil geográfico, logístico e populacional evitando estratégias dispersas que consomem fundos sem qualquer resultado;
7. Estimular a prática desportiva desde o pré escolar e à população em geral criando um registo de cultura da prática desportiva;
8. Finalmente a vontade política para que tudo aconteça onde o principal responsável do governo chame a si a responsabilidade de fazer acontecer e garantir que a Secretaria de Estado da Juventude e Desporto actue em verdadeira paridade e com o mesmo peso político da Secretaria de Estado da Educação (garante a transformação do desporto escolar) e da Secretaria de Estado da Finanças (garante o financiamento adequado do desporto e da preparação olímpica).

Continuo a acreditar ser possível.”

51 Comentários

  • Vegeta
    Posted Agosto 10, 2021 at 9:44 am

    Para estes textos, Fernando Tavares é bom.
    A mesma pessoa, que em 2012, estava do lado da oposição, e disse que o voto eletrônico não era válido, para passado uns dias/meses estar na direção do vieira.
    É mais um, dos muitos que tem de ser corrido, como, Varandas Fernandes, Domingos Soares Oliveira, José Eduardo Moniz, Jaime Antunes, José Marinho, Pedro Guerra, entre outros.

  • Sede de vencer
    Posted Agosto 9, 2021 at 3:44 pm

    Alguém pode ajudar-me a perceber o ponto 6?
    Quanto ao resto, seria importante que a legislação restringisse a publicidade dos alimentos super calóricos a certas horas (sobretudo nas de refeição) e que carregasse (ainda mais) nos produtos salgados e açucarados. Creio também ser pouco sensato o ponto relativo aos docentes de alto rendimento – a consciencialização da importância da disciplina de educação física bastaria; para tal, além de a manter relevante para o apuramento da média do secundário (talvez até majorada), tentaria a criação de um comité de professores de EF da escola para atribuição da nota final (ou da componente da nota final com maior ponderação), num dia específico do período – uma espécie de exame nacional de EF. Desta forma, os docentes fiscalizavam as avaliações dos colegas, diminuindo, espero eu, as aberrações de turmas inteiras corridas a 18.
    Finalmente, mas não de menor importância, a integração dos atletas com mérito desportivo internacional relevante nos quadros do Estado é aquela medida cujos benefícios ultrapassam largamente os custos.

    • JJ da bancada
      Posted Agosto 9, 2021 at 5:56 pm

      O ponto 6 penso que se refere a investir em determinadas modalidades onde tem mais/melhores participantes…
      Por exemplo, a canoagem central se principalmente no norte do país, onde tem os melhores clubes e atletas, então a lógica é investir mais nesse ponto, visto que em outros locais do país a modalidade é quase inexistente ou então, sem bons resultados! O mesmo por exemplo para o surf, não tem lógica investir no surf no interior do país!

  • FootballTotal
    Posted Agosto 9, 2021 at 3:09 pm

    Excelente comunicado , a verdadeira crítica construtiva, onde se apresentam soluções. Deveria ser sempre assim.

    Contudo, o povo português não está pronto para esta discussão.
    O nosso país tem um problema de cultura geral, onde se inclui também a cultura desportiva.
    Um país desenvolvido deveria ter como base 3 pilares sendo eles a Educação, Cultura e Saúde. É assim desde a Grécia Antiga, os grandes inventores da Democracia.
    Infelizmente em Portugal, tal como a maioria do Países do mundo, o pilar principal é o financeiro, a banca. Sendo que principalmente a Educação e a Cultura fica para o fim da lista, propositadamente, até porque um povo ignorante é um povo mais fácil de “Domar”.
    Muitos vão ler este comunicado e aplaudir, mas se o governo decidir tomar medidas orçamentais sérias para apoiar o desporto, a formação, mais de metade irá estar contra as mesmas.

  • OlhodeFalcao
    Posted Agosto 9, 2021 at 2:45 pm

    Os quatro medalhados portugueses (2 do SCP e 2 do SLB) foram trabalho e mérito exclusivamente dos seus clubes (juntamente com o mérito do atleta e treinador). Colocaram estes atletas com contrato profissional e ofereceram as condições que necessitavam para evoluir.

    O Secretário de Estado do Desporto e outros vão tentar colher os louros, mas o papel deles roçou o nulo. Portugal tem capacidade para muito mais, é preciso visão, planeamento e estratégia, sendo que boas dicas são dadas pelo Fernando Tavares.

  • hortalica
    Posted Agosto 9, 2021 at 2:39 pm

    Muito pessoal que se queixa que não há apoio para modalidades, fala, fala, fala mas depois na verdade só seguem futebol, não se dignam a ir aos estádios/pavilhões e ainda visualizam jogos em plataformas piratas. Ou seja, contribuem zero directamente (indirectamente os impostos acabam por ajudar) para que haja uma evolução, mas conseguem ser críticos por outras entidades ajudarem pouco ou nada(estado, clubes, autarquias, etc).

    Se o elevado número de críticos que eu vejo se dirigem-se a pavilhões/estádios para apoiar as modalidades, se calhar os clubes faziam mais dinheiro e conseguiam apostar mais nessas modalidades, porque se estamos à espera do Estado/Governo para ir a algum lugar, não só não saímos do mesmo sitio como o mais provável é regredir. Tanta gente a queixar-se e muitos pavilhões/estádios vazios por esse Portugal fora (pré pandemia)… Comecem a ir apoiar presencialmente as modalidades que talvez tenham mais orçamento com a vossa ajuda.

    • Kafka
      Posted Agosto 9, 2021 at 4:00 pm

      O maior orçamento dos clubes vai pôr as crianças de 5/6 anos a mexerem-se? Vai criar um efeito de bola de neve em que os jovens dos 0 aos 18 vão criar hábitos de prática desportiva? Isso resolve-se com ida aos pavilhões? Não sabia

      Ou resolve-se antes com aposta da parte do estado no desporto jovem dos 0 aos 18 anos?

      Os clubes podem apostar o que quiserem, mas depois se o estado não criar instrumentos que fomentem a prática desportiva e que não penalizem as crianças por estarem a fazer desporto, como é óbvio os pais não deixam os filhos ir fazer desporto….. Porque depois se fôr fazer desporto e faltar ao teste X ou y, talvez já não possa fazer no dia a seguir e como é óbvio nenhum pai vai deixar o miúdo ir…. E isso não são as idas aos pavilhões que mudam, isso tem de ser o estado a criar leis que não prejudiquem as crianças que pratiquem desporto

      Por algum motivo se tiveres atento às modalidades vês que os portugueses queixam-se sempre imenso de quanto tiveram dificuldades em crianças para conciliar a prática desportiva com a escola, algo que raramente vês um australiano ou até americano se queixarem…. O sistema está criado para ser possível conjugar estudo e prática desportiva

  • Rui Miguel Ribeiro
    Posted Agosto 9, 2021 at 2:33 pm

    Excelente texto do Fernando Tavares: vai ao cerne da questão, aponta os erros e propõe novos caminhos, sóbrio e eloquente, sem dizer disparates ou espalhafato Muito bem!

  • MM
    Posted Agosto 9, 2021 at 2:02 pm

    Bom comunicado! Tem de se denunciar as coisas para que possam vir a público e fiquemos mais perto de as alterar, ou de assumir publicamente que é mesmo assim..
    Gostava que de seguida houvesse reuniao entre governo, cop e clubes e atletas para se comecar a desenhar um plano para dar a volta a isto

  • Sombras
    Posted Agosto 9, 2021 at 1:34 pm

    Já agora, convém salientar uma coisa que tem que ser dita: mais de metade do projecto olímpico Português tem 2 autores, Sporting Clube de Portugal e Sport Lisboa e Benfica. Não fossem os 2 clubes, e as condições dadas à maioria dos atletas salvo raras excepções como o ciclismo ou o surf, eram miseráveis.

  • DNowitzki
    Posted Agosto 9, 2021 at 1:30 pm

    Por outro lado, o Estado não pode ser o paizinho dos seus cidadãos. Se queremos menos intervenção estatal em várias áreas, vamos querer que ele eduque os comportamentos das pessoas a este nível?

    Mais: estamos a falar de quê? Das pessoas que se levantam às 6 e voltam a casa às 7 ou 8? Da malta que faz turnos em série? Das crianças da Escola a Tempo Inteiro, que se levantam às 6 ou 7, entram às 8 e voltam a casa às 7 ou 8 da noite? Dos pais que lhes enfiam tecnologia à frente para eles estarem quietos?

    Enquanto não se perceber a sociedade que criamos e estamos a acentuar, vamos exigir o quê a quem? Mudem a sociedade e depois falamos. Atirar dinheiro para cima dos problemas é o que temos feito há décadas e sabemos bem onde isto nos trouxe.

  • Princesa
    Posted Agosto 9, 2021 at 1:24 pm

    Concordo em absoluto com o texto, mas… porque há sempre um chato de um mas para “estragar ” a coisa, vamos clarificar um ponto que o texto não referiu: a falta de apoio ao desporto por parte dos cidadãos.

    Quantos de nós (e disse nós porque isto também é uma auto crítica) vamos a estádios e a pavilhões ou ringues para ver outra coisa que não seja futebol ou futsal, quando jogam os grandes do futebol?

    Quantos de nós praticamos desporto ou incentivamos os jovens a praticar desporto sem ser futebol ou a dança (consoante ser rapaz ou rapariga)

    Quantos de nós vemos transmissões desportivas sem ser de futebol, tênis, futsal ou fórmula 1?

    Os governos podem fazer o que quiserem, mas se nós não mudarmos, ficará tudo na mesma

  • Abbas
    Posted Agosto 9, 2021 at 1:24 pm

    No sítio onde cresci, basicamente podia praticar dois desportos fora da escola (futebol ou natação) ou um no desporto escolar (voleibol). Não havia mais opções, acho isso vergonhoso. Eu bem que gostava de jogar basquetebol com os outros garotos, mas se quisesse jogar competitivamente tinha que ir a 40 km ao lado. Era demasiado grande para jogar futebol e acabei por praticar natação sempre, embora estivesse longe de ser o desporto que mais gostasse de praticar. Não é só falta de mediatismo, é também muito isto, fora do centralismo Porto-Lisboa em que vivemos neste país.

  • Sombras
    Posted Agosto 9, 2021 at 1:19 pm

    Eu concordo com o Fernando Tavares, mas também convém dizer que tirando a absurda decisão da retirada da média de E.Física (curiosamente altamente patrocinada pela ordem dos médicos), os últimos governos tirando os do tempo da Troika por, parece-me, motivos óbvios, têm dado passos positivos para o desenvolvimento do desporto em Portugal. As bolsas, ainda pequenas, têm sido aumentadas, e praticamente todas as modalidades olímpicas têm infrastruturas de alta qualidade para treinos e estágios.

    Acho que o que falta nem é tanto governamental, mas mais enquanto sociedade. O desporto tem de ser encarado como um factor de desenvolvimento social, económico, e de qualidade de vida, o que não se coaduna com o mundo podre do dirigindo desportivo.

    Além do mais, o debate do desporto escolar e, sobretudo, dos atletas-funcionários do estado (quer seja administração pública, quer seja nas forças militares e de segurança) é fundamental que avance. O desporto tem que ter uma carreira com as “costas quentes” para que seja viável em grande escala.

    Outro factor importante é a educação dos atletas para o mundo do self-branding e relação com patrocínios, onde tirando meia dúzia de casos, é muito precário e de um amadorismo gritante de quem quer ser remunerado como altamente profissional.

  • Estigarribia
    Posted Agosto 9, 2021 at 12:57 pm

    Plenamente de acordo. Os políticos em Portugal (não sei como são nos outros países) só aparecem ao lados de atletas, como a Patrícia Mamona, Pichardo ou Jorge Fonseca, nas vitórias e para abanar a bandeira de Portugal e tentar sacar mais uns votos ao povo português nessas intervenções. Como amante de desporto, espero que estas medalhas olímpicas conquistadas em Tóquio possam contribuir para uma melhoria mais evidente do desporto português no geral. Num país que desvaloriza a disciplina de Educação Física (nem conta para a média no secundária) e numa altura em que a garotada prefere praticar desporto na PlayStation (com enorme destaque para PES e FIFA), é um feito tremendo conquistar 4 medalhas olímpicas nestes jogos.

    Saudações Leoninas

    • ACT7
      Posted Agosto 9, 2021 at 1:31 pm

      Até nisso conseguimos falhar. Os jogos eletrónicos também pode ser uma aposta e passar a profissão como já existe em alguns países como por exemplo Dinamarca, Finlândia e afins.
      Uma das melhores equipas de sempre de CsGo apareceu na Dinamarca e foi através da universidade onde foramam jogadores. O jgoadores tem montes de acompanhamento psicológico e ainda são obrigados a fazer exercício físico diariamente.
      Aqui a Ed física é vista como disciplina de brincar, nas cidades é proibido jogar futebol nos jardins ou pisar a relva, tens montes de condicionamentos quando tentas representar a escola no desporto escolar e não existem investimentos por parte das autarquias.
      Até no futebol cada vez mais desaparecem equipas. E segundo já me apercebi também és do interior e sabes bem do que falo.

      • Estigarribia
        Posted Agosto 9, 2021 at 4:33 pm

        ACT7,

        Não sabia disso do CSGO. É muito interessante o que disseste. E, atenção, eu não sou contra os videojogos, mas acho que os miúdos não podem estar tanto tempo com o traseiro alapado no sofá a jogar Play Station e a comer porcarias. Será necessário arranjar uma estratégia que incentive os miúdos a praticarem desporto, seja futebol ou outro desporto qualquer.

        Em relação ao último parágrafo, a Educação Física é quase a brincar e acho que aí também se poderia fazer melhorias para incentivar a prática desportiva. Em relação á falta de apoio das autarquias, isso transversal às localidades do interior do país que também não incentivam á prática desportiva.

        Saudações Leoninas

    • DNowitzki
      Posted Agosto 9, 2021 at 1:23 pm

      Estiga, quando se fala, tem de haver o cuidado de se informar primeiro, para não dizer coisas erradas. Acontece a todos.
      A disciplina de Ed. Física conta para a média do secundário, sim. Dito isto, não basta afirmar coisas. Por exemplo, sabia que há métricas diferentes para avaliar rapazes e raparigas? Sabia que isto prejudica imenso quem não tem jeito, ou é gordo no que diz respeito à avaliação? E por aí fora.
      Não basta enunciar coisas, porque todas as hipóteses acarretam “n” problemas.
      Por último, forçar algo nunca dá grandes resultados. Não é por a Ed. Física contar para isto ou para aquilo que torna as pessoas mais ou menos sedentárias ou muda o Olimpismo.

  • Kafka
    Posted Agosto 9, 2021 at 12:50 pm

    Agora há também que reconhecer uma coisa, a grande maioria dos portugueses não está preparado para para esta discussão

    Se um governo disser, vamos aumentar o orçamento para o desporto, a maioria por ignorância vai dizer que isso não é importante e vêm com a conversa dos salários baixos do país e etc

    A falta de cultura desportiva da maior parte da população portuguesa faz com que a maioria ache que o desporto não é algo essencial e vital para o País, especialmente no Mundo actual que fomenta o sedentarismo, pois cada vez mais empregos têm actividades extremamente se dentárias visto serem sentados frente a um computador, isto para não falar que as grandes cidades tiraram as crianças da rua (hoje em dia a forma de brincar mudou, antigamente as criançada iam para a rua mexer-se jogar à apanhada, às escondidas, jogar futebol etc…. Hoje em dia todo sentados a jogar computador com os amigos)….. Portanto mais do que nunca na sociedade em que vivemos, a aposta fortíssima no desporto é fulcral para o País em termos de saúde pública, para combater os hábitos da sociedade actual que são hábitos cada vez mais sedentários

    Mas lá está, os governantes também não podem ir contra a população, e em bom rígor a maioria da população portuguesa é bastante ignorante na forma como olha e dá importância ao desporto, porque olham para o desporto com o propósito de entretém e ganhar a equipa X ou Y…… Mas isso é uma consequência da aposta no desporto, não é o objectivo….. E portanto é muito difícil os governantes explicarem isto às pessoas e as pessoas aceitarem um aumento do orçamento para o desporto

    • Fred_FCP
      Posted Agosto 9, 2021 at 1:58 pm

      Nada contra o ivnestimento desportivo, bem pelo contrário. Mas muito contra em pôr mais dinheiro dos portugueses em clubes corruptos e que usarão esse dinheiro sem vigilância (já sabemos que mais de 50% desses fundos acabam no fut, onde aí sim há salários a ser considerados).

      • Kafka
        Posted Agosto 9, 2021 at 3:14 pm

        E quem está a dizer para encher os clubes de dinheiro?

        A base do desporto tem de ser a pré-escola, escolas e faculdades, é lá que estão os 100% de cidadãos dos 0 aos 22/23 anos de idade….

    • Sombras
      Posted Agosto 9, 2021 at 1:27 pm

      Não deixa também de ser curioso que algumas das maiores potencias mundiais do desporto tenham das maiores taxas de obesidade infantil do mundo (EUA, Austrália, UK). Este é de facto um problema que o mundo ocidental tem que tratar como um problema de saúde comunitário, uma vez que nem boas políticas desportivas são suficientes…

      • Pyros
        Posted Agosto 9, 2021 at 4:21 pm

        Siples, porque as poíticas desportivas nada têm a ver com a obesidade e, arrisco dizer, com a prática de atividade física. O principal factor na obesidade é a alimentação, não a atividade física. Só que boa alimentação, além de não “saber tão bem”. é mais cara e inconveniente. E o exercício físico é o melhor remédio para a saúde da população inteira.

        Quanto à política desportiva, diremos apenas que desportos coletivos “acabam” (deixam de ser praticados) – e duvido sinceramente que sejam minimamente recomendáveis – a partir de certa idade. A doenças associadas ao sedentarismo refletem-se a partir da meia idade, e o tipo de atividade física recomendável certamente não será jogar futsal, andebol ou hóquei, mas mais natação, jogging (+-) e ginásio (pesos, pilates, …).

        Claro que posso estar monumentalmetne enganado :P

      • Kafka
        Posted Agosto 9, 2021 at 3:26 pm

        Sombras

        Claro que sim, mas isso é como tudo, se fores fazer desporto e depôs comer 1 bolo de chocolate e 2 Big Macs, vais estragar tudo o que tiveste a fazer…. O Mundo ocidental tem o problema da (falta) de educação alimentar…

        Agora fazendo desporto vais criar hábitos na população que se irão tb repercurtit na alimentação etc gerando menos obesidade

        Pelas probabilidades alguém que pratique desporto terá sempre menos probabilidades de ser obeso do que alguém que não pratique…. Não sendo isso 100% linear obviamente

    • Estigarribia
      Posted Agosto 9, 2021 at 1:01 pm

      Kafka,

      Excelente comentário. E outra coisa importante: a disciplina de Educação Física nas escolas continua a ser altamente desvalorizada e no secundário nem sequer conta para a média de entrada na Universidade. É só mais uma “facada” na prática desportiva. E depois temos miúdos obesos que preferem estar com o traseiro alapado no sofá a jogar PlayStation ou computador em vez de irem para a rua jogarem futebol, correrem, andarem de bicicleta, etc, etc.

      E concordo contigo numa coisa: o Governo, se fosse sério, investia no desporto, porque desporto não é só futebol… Como disseste, e bem, há cada vez mais sedentarismo e o sedentarismo leva a problemas obesidade, problemas cardíacos, e por aí fora. Como amante de desporto, não acredito que algo vá mudar com o sucesso que tivemos nestes Jogos Olímpicos de Tóquio.

      Saudações Leoninas

      • Pyros
        Posted Agosto 9, 2021 at 3:38 pm

        Discordo completamente – e já agora, também do rapaz (Tavares) que quer mais guito, mais estado e deve sonhar com a ASICS inspirado em coisas menos saudáveis.

        Começando pela disciplina de Educação Física, se conta, não deveria contar. Aliás, é completamente irrelevante para a vida de 99.999999% dos estudantes. A Escola e a academia são processos cognitivos, não kinéticos. Também poderias ter disciplinas de teatro ou testes de orientação espacial. Ou canto coral. Ou não é a música uma coisa importante para o ser humano?

        Se o problema é falta de atividade física, com os negativos impactos que tem sobre a saúde (e têm), então enderecemos esse problema. Tal tem múltiplos aspetos e fatores, desde a organização dos espaços urbanos até à fiscalidade (e.g. IVA a 6%, aceite para IRS,…). E passa muito pela alimentação e não necessariamente o desporto.

        Quanto a “investir a sério” no desporto… why? Qual o contributo do desporto escolar e (ainda menos ) o desporto de alto rendimento para o bem estar físico da população? Quanto muito, os jogos olímpicos até contribuem para o pessoal ficar com o cu alapado no sofá a ver os mesmos – a televisão é pior que a playstation. Os EUA, campeões olímpicos crónicos, têm uns belos índices de sedentarismo…

        Mas de volta ao desporto escolar e de alto rendimento… se tivesse de haver uma opção entre investir em desporto para-escolar e o de alto rendimento – se não houver dinheiro para ambos – o que preferem? (Não sei se repararam, mas Portugal pode ter hábitos de país rico, mas os seus rendimentos não são muito coadunantes com os seus desejos).

        Assim, a questão que coloco em relação a toda a ideia do rapaz é simples – Why? qual é o valor que isso traz para Portugal? Uma medalha, duas ou 20, who gives a fuck? Orgulho nacional? Se calhar tinha mais orgulho se este país não fosse à falência com uma regularidade pouco saudável. Ou que uma cambada de pessoas de duvidosa honestidade se banqueteie com o dinheiro do contribuinte sem que nada se passe no tempo de vida de um ser humano normal. Ou que um ministro ache que uma companhia aérea “de bandeira” é algo que não merece discussão, mas sim 5kMeuros (para vir a ser oferecida). E assim por diante…

        Este país está a ir (once again) ao charco e o pessoal a olhar para medalhas… lovely.

        • Kafka
          Posted Agosto 9, 2021 at 5:30 pm

          Qual a contribuição do desporto para o bem estar físico da população?

          Se não consegues perceber o básico, então não há nada para explicar

          Até porque partimos de filosofias diferentes, para ti o objectivo de pôr Portugal inteiro a mexer é ganhar medalhas, para mim é uma questão de saúde pública, as medalhas não interessam para nada aqui…. As medalhas são mera consequência de ter um país inteiro a mexer, mas o fim não é esse, o fim é a saúde pública

          A pandemia de obesos só agora começou, pois a população do fast food ainda é nova, pois as pessoas com 35 anos ou mais ainda têm os hábitos antigos…. O verdadeiro problema vai ser quando as actuais crianças e jovens começarem a ficar adultos e velhos e os problemas de obesidade começarem a fazer sentir-se

          Óbvio que a pandemia de obesidade não se combate só com pôr todas as crianças a mexer, que faria com que na fase adulta uma parte delas continuasse a praticar desporto, é preciso mais do que isso, especialmente educação alimentar também

          Mas achares que ter a população inteira a mexer não é importante, enfim.. Ok é a tua opinião

          • Pyros
            Posted Agosto 10, 2021 at 10:21 am

            De maneira alguma. Como referi antes (numa resposta ao Sombras), “o exercício físico é o melhor remédio para a saude da população inteira”. E que a obesidade tinha mais a ver com a alimentação do que a prática de exercício. São duas facetas distintas, mas ligadas, da saúde.

            O que digo é que ganhar medalhas nada tem a ver com meter o país a mexer-se. E meter o país a mexer-se tem pouco a ver com desportos coletivos ou com o desporto escolar.

            Exercício físico =/= desporto =/= alta competição =/= “políticas desportivas”

        • Kille_2
          Posted Agosto 9, 2021 at 5:05 pm

          Concordo totalmente, o desporto (e o futebol em particular) é usado muitas vezes como forma de desviar atenções da porcaria que os nossos políticos fazem.

      • MARMO
        Posted Agosto 9, 2021 at 1:12 pm

        A nota de Ed. Física passou a contar para a média do secundário já há alguns anos.

        • Estigarribia
          Posted Agosto 9, 2021 at 3:59 pm

          MARMO,

          Obrigado pelo esclarecimento. No meu tempo não contava, por isso é que disse isso. Mas, repito, obrigado pelo esclarecimento.

          Saudações Leoninas

        • Kille_2
          Posted Agosto 9, 2021 at 2:03 pm

          Sinceramente, colocar a Ed. Física a contar para a média não resolve nada. Quanto muito só faz com que os Professores inflacionar as notas a toda a gente nessa disciplina. Conheço uma pessoa que estava numa turma de 12º este ano, todos tiveram 19 a ed.Física e em 80% das aulas o professor deixava-os ir a um café perto da escola lanchar. O que tem de ser feito é uma maior sensibilização ao desporto escolar e à importância de praticar desporto (tanto a nível fisico como mental).

          • Joao Silvino
            Posted Agosto 9, 2021 at 8:51 pm

            Obvio. Não é por a nota de Ed. Fisica contar para a média que vão aparecer mais atletas. Aliás, quem tem potencial para isso está-se bem marimbando para se conta para a média ou não.

  • Alex03
    Posted Agosto 9, 2021 at 12:47 pm

    O ponto 6 reflete bem um dos grandes problemas deste país. O ódio a iniciativa privada , os autênticos diabos da sociedade. O estado sobre quem no gere, tudo quer ter sobre sua alçada, mesmo que não conseguindo de forma suficiente e equilibrada. Um ciclo sem fim positivo guiado por um extremo que nem os seus próprios partidos sabem gerir financeiramente.

    • Sombras
      Posted Agosto 9, 2021 at 1:12 pm

      Qual iniciativa privada? Tirando 3 ou 4 muito honrosas excepções, a “iniciativa privada” em Portugal só existe para comprar Mercedes Classe S em nome da empresa, pagar grandes jantaradas, empréstimos sem fim à vista, candidaturas a fundos comunitários, e liquidar empresas que podiam ser viáveis com investimento para que não arrastem a casa no Guincho.

      Eu concordo contigo, e há demasiado peso ideológico nessa questão (o caso mais flagrante são as universidades públicas e a sua não relação com empresas), mas o mecenas português não existe. Só para o seu próprio bolso. Como se diz muito na banca, é o capitalista de capitais alheios.

      • Alex03
        Posted Agosto 9, 2021 at 3:56 pm

        O teu primeiro parágrafo responde ao que falo.
        E assim porque? Então mas não temos 4 empreendedores que criaram unicórnios? Não exportados boa qualidade de profissionais ao estrangeiro? Agora vamos resumir a iniciativa privada que interessa a quem governa? Vamos falar da promiscuidade entre por exemplo EDP e Governo? E essa a iniciativa privada? Vives num país onde o Estado tudo quer por não e de uns 4 monopólios que gerem a seu belo prazer o nosso mercado.
        Vives num país que pouco aposta na inovação e atrai muito pouco empresa em comparação do que podia atrair.
        Em Portugal uma pessoa falir uma empresa que criou leva logo com uma cruz na testa, quando o normal em todo o mundo é falhar se.
        Em Portugal a iniciativa privada são 3/4 com ligações estreitas aos governos e o resto leva com o ódio.
        Isto e um tema que dá para muita coisa, agora este problema de abertura ao capital privado existe em Portugal e neste bom comunicado e mais uma vez exposto.

        • Pyros
          Posted Agosto 9, 2021 at 4:59 pm

          Um pouco off-topic, mas quanto aos 4 unicórnios espanta-me ainda haver uma que tenha por cá a sede (creio que a Feddzai), porque este país não é para quem quira fzer alguma coisa e ganhar dinheiro com isso.

  • Vespas
    Posted Agosto 9, 2021 at 12:41 pm

    O governo pouco faz, é um facto. Outro é que o nosso campeão olímpico é treinado pelo pai em Setúbal, o Benfica é apenas “patrocinador” (o que não é errado).

    Há muitos atletas que trabalham nos centros de alto rendimento com treinadores das federações e os clubes são meros patrocinadores. O Nelson Évora sempre treinou em Espanha e era atleta do Sporting.

    • ktc
      Posted Agosto 9, 2021 at 2:30 pm

      Os tais “Patrocinadores” que falas são fundamentais para o desenvolvimento dos atletas. Ou achas que conseguem condições de treino&competição sem esses patrocinadores ?

  • Kafka
    Posted Agosto 9, 2021 at 12:37 pm

    Tudo isto é o que tenho vindo a frisar ao longo dos Jogos Olímpicos….

    Ponto 7 então é fulcral em termos de saúde pública, é fundamental para o País pôr todos jovens dos 0 aos 18 anos a mexer (até vou mais longe, dos 0 aos 100, se bem que os hábitos criam-se mais facilmente dos 0 aos 18)…. Pois a pandemia de obesos em Portugal que cresce a cada dia não espera e tem de ser com batida JÁ, caso não seja isso trará enormes custos financeiros e sociais para o País a médio-longo prazo

    Mas como sempre digo, o País fomentar a prática desportiva de TODA a sua população não é com o objectivo de medalhas olímpicas, é sim por uma questão de saúde pública, claro que tendo um país inteiro a mexer, óbvio que como consequência as medalhas irão aparecer

    Em toda a história do SL Vieira este é sem dúvida o comunicado mais na mouche que alguma vez fizeram, tufo o resto é lixo mas aqui há que reconhecer o quanto estão correctos

    • Flavio Trindade
      Posted Agosto 9, 2021 at 1:20 pm

      É fundamental Kafka.

      A cultura desportiva é má porque o sonho de qualquer pai e por inerência de qualquer criança é ser jogador de futebol porque é a única realidade que conhecem.

      O Estado demite-se das suas funções de promotor e apenas injecta dinheiro no desporto e depois os atletas que se safem.

      O desporto escolar, o recrutamento do talento ainda em idade jovem é fundamental.

      As crianças não sabem se gostam de judo ou de natação se nunca experimentarem.

      Vivemos à pala do que os clubes fazem e trabalham e de alguns exemplos de superação individual.

      Curto. Muito curto.

      Isso só irá mudar quando alguém olhar para o tema da educação a longo prazo e de forma estruturante e não e não numa perspectiva de agradar ao lobby a ou b…

      Até lá este comunicado será sempre actual…infelizmente

  • josediogo
    Posted Agosto 9, 2021 at 12:31 pm

    Completamente de acordo.
    Felicitam para ficarem bem na fotografia.
    Contudo, medidas para apoiar as modalidade… nem vê-las. E as que há, são migalhas.
    Não existe um plano ou projeto desportivo.
    Há uns 20/15 anos começou-se a falar de desporto escolar, mas nem vê-lo.

    Aliás, de uma forma genérica, quando chegam os Jogos, os portugueses querem medalhas mas nem sabem os nomes dos atletas. Querem medalhas mas só vêm futebol à frente.
    Deviamos valorizar a investir muito mais nestas modalidades e praticantes que, para estarem a este nível, trabalham o triplo de muito pessoal do futebol.

    • Sombras
      Posted Agosto 9, 2021 at 1:32 pm

      Essa questão de não saberem o nome dos atletas é mais uma questão de falta de cultura desportiva que outra coisa. Quando um jornal desportivo prefere dar destaque a uma peça sobre um jogador do Sporting a uma semana de um jogo, em vez de um bronze olímpico, está tudo dito. E se o jornal o faz, não é porque é idiota, é porque sabe o que vende.

      A verdade é que tirando um jogo da bola, 95% da população nunca viu um qualquer outro evento desportivo ao vivo, quer seja num pavilhão, pista, piscina ou na rua. Então se for a pagar, podemos subir o número para 99.9%

  • Aurinegro
    Posted Agosto 9, 2021 at 12:20 pm

    Não costumo gostar deste tipo de comunicados, porque normalmente são mal escritos, com ideias irrealistas e mais a atacar do que a dar soluções.

    Mas não é esse o caso ! Muito bem aqui o Fernando Tavares a dizer as verdades e a defender a posição dos clubes nas modalidades e a colocar os governantes nos seus lugares. Como costumo dizer, estes só aparecem para abanar a bandeira em caso de vitória.

    Também todas as ideias sugeridas são no minimo aceitáveis e nada de extravagantes. Claro que se pode defender mais umas que outras, mas na generalidade é exatamente o mesmo que defendo. Desporto escolar e universitário a terem um grande papel na formação dos nossos atletas, o problema de tentar fazer chegar todas as modalidades a todos os pontos do país que só fazem dispersar o investimento e a profissionalização e qualificação de todos os intervenientes, desde gestores a treinadores e assistentes.

    Esperemos agora que não seja o mesmo de sempre e que esta análise leve a uma profunda remodelação do desporto em Portugal e que não seja para ficar só no papel, mas sim passar à acção.

  • Littbarski
    Posted Agosto 9, 2021 at 12:10 pm

    Concordo, penso que devia de haver uma abordagem diferente por parte do governo, embora duvide que vá surgir uma aposta nas próximas décadas.
    Ainda bem que daqui a duas semanas já ninguém se lembra dos Jogos Olímpicos.

  • João Ramos
    Posted Agosto 9, 2021 at 12:05 pm

    Errado não está! Excelente comunicado

  • Ballack
    Posted Agosto 9, 2021 at 12:01 pm

    Verdadeira pedrada no charco. Crítica forte, identifica os problemas e apresenta soluções. Mais construtivo não poderia ser! Claro que não podemos deixar de ‘sugerir’ que olhe para dentro, porque as modalidades do Benfica já tiveram dias melhores…

  • RIPPedroPula
    Posted Agosto 9, 2021 at 11:33 am

    Excelente comunicado, muito bem escrito, nem parece o departamento de comunicação do SLB. As propostas são palpáveis e perfeitamente realizáveis. Folgo em saber que ainda parece haver gente com alguma competência na direcção do SLB, pena que este saber não seja em posto em prática quanto às modalidades do clube que têm vindo a definhar ao longo dos anos.

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