
O comentário do sérvio sobre os seus arqui-rivais é cauteloso. Apesar de estarem afastados dos seus tempos áureos, e da concorrência ser cada vez mais feroz, tanto o suíço como o espanhol ainda têm uma palavra a dizer nos grandes torneios. E o número 1 mundial, por certo, não quer ser apanhado em falso.
A actualização de rankings desta semana trouxe Nadal (5.º) e Federer (7.º) fora do top-4 mundial pela primeira vez desde Junho de 2003, mas Djokovic recusa que os seus dois principais rivais estejam no fim da linha. “É normal o aparecimento de novas caras no circuito, mas seria totalmente imprudente descartar o Roger e o Rafa do contexto de melhores tenistas do mundo”, comentou o sérvio, em Xangai.
Com Federer ainda lesionado e com Nadal a viver um momento discreto na sua gloriosa carreira, seria caso para dizer que o denominado “Big 4” – Djokovic, Federer, Nadal e Murray – está a meio-gás. No entanto, o número 1 mundial, que afirmou nunca ter utilizado esta expressão, apontou outros nomes que devem ser tidos em conta, como são os casos de Wawrinka, Cilic e Del Potro, sem descurar a nova geração que já vai dando cartas. “E agora há uma nova fornada de tenistas. Kyrgios e Coric são o tipo de jogadores jovens e motivados em mostrar ao mundo que podem competir ao mais alto nível”, observou.
Exactamente um mês depois de ter disputado (e perdido) a final do US Open para Stan Wawrinka, Novak Djokovic regressou à competição esta terça-feira, deixando pelo caminho o italiano Fabio Fognini, rumo à terceira ronda do Masters chinês. Esta quinta-feira, o sérvio, três vezes campeão da prova, defronta o canadiano Vasek Pospisil.
João Correia


5 Comentários
Nito
O Djokovic é um cavalheiro e, na minha opinião, apesar de (para conseguir chegar ao topo, e combater “fogo” com “fogo”) ter imitado Nadal em muitas situações anti-desportivas (como aquela clássica de quebrar o ritmo do adversário com “lesões” que não passam de dorzinhas que todos os tenistas têm), é o tenista que até hoje demonstrou mais fair play na hora das mais duras derrotas, como aconteceu nas duas últimas com Stan, em Paris e em Nova Iorque…
Essa história das “caras novas” no circuito é outra coisa que fica bem dizer, mas a verdade é que os 5 primeiros do ranking têm todos 29 ou 30 anos (o Nole é o número 1 com grande diferença, e apenas Wawrinka ou Murray o podem derrotar), e a diferença destes para o restante pelotão é imensa…
O Raonic está em 6º mas é um tenista muito estereotipado, muito limitado tecnicamente, muito dependente do serviço, e já tem 25 anos, ou seja, nunca estará ao nível dos 3 primeiros, e depois seguem-se Thiem (10º/23 anos), Goffin (12º/25), Kyrgios (14º/21), Pouille (16º/22 anos), Dimitrov (18º/25), ou Zverev (21º/19), todos muito bons tecnicamente, alguns tão dotados que aplicam a esquerda a uma mão, mas que não deram mostras de uma consistência mínima (principalmente psicológica) que os possa aproximar de “bestas de competição” como são (principalmente) Nole, mas também Murray e (muito a espaços) Wawrinka…
Estes três continuarão a dominar o circuito pelo menos nos dois próximos anos, com uma ou outra aparição do génio Federer (mas apenas em torneios a 3 sets, os de 5 estão definitivamente fora do seu alcance), e de Nadal (vai centrar cada vez mais a época na terra, o reduto onde ainda vai conseguindo disfarçar as suas fragilidades técnicas com muito “spin”, e muito jogo defensivo, mas os jogos mais longos também começam a jogar contra ele, e mais finais de Rolland Garros não deverão passar de miragens).
João Gonçalves
Discordo em absoluto quanto à questão do Fair-Play. Djokovic nesse aspecto nunca chegará aos calcanhares de Federer e Nadal (nem percebo porque diz que Nadal não tem mt fair-play). As lesões simuladas sempre fizeram parte do curriculum de Djoko, exemplo disso foi a última final de Nova Iorque (também não percebo pq usa esta final como exemplo de fair-play). A final de Paris também me lembro de mesmo no fim ele se ter desculpado com um adepto qualquer e ter acabado a erguer o polegar para o publico como se fosse o responsável pela derrota. Outro exemplo foi uma meia-final com o Federer no US Open onde ele tem de facto uma grande resposta a um serviço do Federer num match point, e fica a vangloriar-se para o publico que o assobiava e quando se preparava para o próximo ponto continuou a abanar a cabeça. Enfim, muitos outros episódios teria para contar a respeito de fair-play. De resto concordo mais ou menos com o que disseste, excepção feita ao Federer aparecer só em torneios de 3 sets… acho q ele vai continuar a fazer brilharetes em grand slams e quem sabe não possa até ganhar mais um ;).
Cumprimentos,
João Gonçalves
João Espada
Em Nova Iorque ele poderia muito bem ter desculpado com a lesão (ele estava a sangrar do pé) e mesmo assim foi um autentico campeão dando o merito todo a stan e nem referiu sequer uma vez a lesão como causa da derrota.
João Gonçalves
Ele tinha uma bolha no dedo, nem sequer se viu sangue. Justificar com isso algumas paragens que somadas devem ter dado uns 20 min… Só compra quem quer ;).
Cumprimentos,
João Gonçalves
Manuel
Dêem mais 2/3 anos e o thiem assumirá o topo da hierarquia. Concordo em absoluto que o Raonic nunca estará nessa luta. O kyrgios, por aquilo que faz fora de court será sempre uma incógnita. O pouille e o Zverev serão sem duvida nomes em ter em conta. É de facto pena que o auge do Wawrinka tenha vindo tão tarde, e que o Del Potro tenha sido tao amedrontado pelas lesões, factores que só vieram facilitar este domínio do Nole. Murray será sempre Murray. Fará uma gracinha volta e meia, e, sendo certo que prima pela sua regularidade, falta lhe (e sempre lhe faltou) mais para poder chegar ao topo.