O Sporting foi um justo vencedor do Clássico do passado Sábado. Quem disser o contrário, ou não viu o jogo ou precisa que lhe expliquem o que viu. Os leões foram competentes a defender e, ainda que me pareçam demasiado dependentes de Gyokeres – mais na construção do que nos golos -, mostraram mais qualidade e maturidade ofensivas. O Porto não tirou três pontos, mas penso que terá tirado três ensinamentos do jogo: os adeptos, levaram um banho de realidade; os jogadores perceberam que vão ter de dar mais, porque agora os reforços já vão contar e não há lugares garantidos; o treinador viu por onde é o caminho, mas que ainda há que crescer e sofrer as inevitáveis dores de crescimento.
Não me vou deter muito na parte defensiva, porque acho que o problema é mesmo falta de qualidade. Zé Pedro é esforçado, mas não me parece que possa ser mais do que uma quarta opção num candidato ao título, e Otávio, se tem assim tanto potencial como dizem, antes da parte técnica vai ter de desenvolver a parte mental do jogo, porque tem muitas falhas de decisão e, às vezes, de concentração. Nas laterais, Martim Fernandes é para manter, já que tem sido dos melhores, e Francisco Moura, mais semana, menos semana, impor-se-á como titular, dada a abissal diferença de qualidade para qualquer uma das alternativas.
Na meio-campo, a dupla Varela-Vasco não pode ser desfeita. O argentino é um esteio defensivo e importantíssimo no início de construção, permitindo que, como deve ser numa equipa que jogue para ganhar, o jogo passe pelo centro do terreno. Não acredito num futebol em que a bola não passe pelos médios e parece-me que Alan Varela também não. O jovem Vasco tem sido avaliado e rotulado de forma redutora. Chamam-lhe Pitbull e elogiam-lhe a raça e a abnegação, o que remete imediatamente para uma ideia de jogador burocrata, uma formiga de trabalho com que a equipa pode contar para o trabalho de sapa, mas que deve dar a bola a outros para pensarem o jogo e decidirem onde a por. Nada mais errado, penso. Vasco Sousa mostra, claro, intensidade sem bola, mas revela-a sobretudo com a bola, porque pensa e decide bem, carregando o jogo quando julga ter de o fazer ou procurando um colega a quem sirva melhor a posse. Viu-se isso neste jogo: foi dos poucos que procurou sempre construir jogadas com pés e cabeça e apareceu não raras vezes na frente para finalizar.
Na frente, as tais dores de crescimento. Com Pepê, Iván Jaime e Namaso não há ninguém que ataque o espaço. Não adianta nada atrair o adversário para fora da sua zona de conforto – o que se tem feito muito bem – se depois só há quem peça bola no pé e não há vivalma que apareça onde o adversário não está e devia estar. Não se pode pedir isto só a Nico. Vimos o Sporting fazer isso, não só com o especialista do ataque ao espaço Gyokeres, mas também com os alas, com Pote e Trincão mais a jogar curto. Penso que Samu poderá dar essa imprevisibilidade – profundidade, se quisermos -, mas acredito que Fábio Vieira também a trará, não tanto pela velocidade, mas pela inteligência com que atacará o espaço em movimentos de ruptura, mas acima de tudo pondo lá a bola.
No fundo, competirá a Vítor Bruno lidar com essas dores, as que advêm da necessidade de trocar um jogador que está a cumprir por outro que dê mais o que a equipa precisa, de saber que há jogos que vão pedir Pepê na direita, mas outros talvez chamem por Galeno, entre muitas outras dores, principalmente de cabeça, que o treinador portista terá. Pela sua capacidade de as ultrapassar passará muito do sucesso do Porto. O resto será com os artistas.
Visão do Leitor: Joaquim Alberto


5 Comentários
Diogo Oliveira
Penso que o jogo de alvalade serviu um pouco para o Porto descer à terra do sonho que estava a viver até então, fruto da vitória épica na Supertaça e do bom mercado que realizou. Mas, apesar de tudo, a derrota de sábado, infelizmente, é uma derrota normal, porque jogámos com a melhor equipa do campeonato, com um onze consolidado e que sabe muito bem o que faz em campo.
Depois, há que considerar outros fatores, pois, claramente, que o onze que o Porto utilizou no passado sábado não será o onze que irá apresentar daqui a um mês/mês e meio, porque, de novo, infelizmente, os reforços, fruto da nossa situação financeira, chegaram tarde e isso atrasou a sua integração.
Ponto positivo acaba por ser mesmo o facto de o Porto ter ganho os jogos todos até à visita de Alvalade e a verdade é que estamos, apenas, a míseros 3 pontos do 1.º lugar, quando, ainda, faltam muitas partidas.
O foco agora continua por ir pensando jogo a jogo e consolidar cada vez mais o nosso onze para nos preparamos para as verdadeiras batalhas e ir somando 3 pontos ali e acolá.
A verdade é que Porto que é Porto tem de sempre ir atrás do 1.º lugar, mas, este ano, a nossa verdadeira luta é o acesso à champions e temos que aproveitar a má fase do Benfica para ir tentando criar um fosso e a partir dai, se der, lutar pelo título.
Embora a derrota, estou muito esperançado do projeto desportivo que está a ser construído e como bem refere o título do artigo, as dores de crescimento fazem parte.
The Mo
Era bom demais fazer o pleno de vitorias até a paragem de seleções.
O calendario também não foi nada meigo para uma equipa que está em construção.
Era preferivel que o Porto tivesse tido um calendario como o do Benfica, por exemplo.
O Sporting foi claramente melhor, e é evidentemente melhor que o Porto nesta fase.
Quanto ao mercado, 2 contratações seguras como Perez e Vieira, Moura é desnecessário na minha opinião, tendo em conta que Wendell não saiu( e Moura não é melhor do que Wendell), muito menos está ao nivel de Galeno.
Galeno, principalmente nos jogos não grandes contra equipas fechadas tem mais utilidade como lateral esquerdo.
Tiago Djalo vem para central, mas a sua carreira resume-se aquilo que fez no Lille como lateral, para alem de ser propenso a lesões.
Gul não tenho grandes expectativas.
Por ultimo é muito importante que Samu tenha rendimento e marque muitos golos, é sem duvida o reforço com risco mais elevado, pelo preço e pela idade.
RSP10
Neste momento, acho que o Porto já fez o mais difícil, que foi arrumar a casa.
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Tem um treinador prometedor, jovens com valor, fez um bom mercado e preencheu as principais lacunas.
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Concordo com a ideia que perder este jogo teve os seus lados positivos.
Continuam como outsiders e a pressão ao longo da época não vai ser tanta.
A equipa irá consolidando as ideias do Vitor Bruno e começará também a ficar definida a identidade do seu futebol.
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O próxima dificuldade, será quando a exigência aumentar, porque se as coisas correrem bem, irá acontecer eventualmente e aí estou curioso para perceber o que vale realmente este treinador e esta equipa.
Mas no geral, tenho boas sensações sobre este Porto.
Antonio Clismo
O lugar pelos 2 lugares da Champions será ao rubro…
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Caso os 2 lugares sejam ocupados pelo sporting e Braga, o FC Porto e Benfica irão passar mal no futuro, pois estão coma corda na garganta..
Francisco Ramos
Como tens a mania de comentar do que não sabes, o Braga não fica em 2º lugar desde 08/09, só o conseguiu uma única vez e o lugar mais comum dos últimos 20 anos é o 4º lugar, onde é que tem mais estabilidade que Porto ou Benfica para o fazer este ano? Vou deixar várias perguntas no ar que para variar não vais responder porque te vão faltar os argumentos.
– Continuidade do treinador da época passada?
– Continuidade do onze base?
– Contratação de jogadores acima da média?
– Arranque fantástico esta época?