A Espanha, como nós a conhecemos, é um rendilhado de uniões entre várias regiões (desde o século XVI), muitas delas com forte tradição separatista (Galiza, Aragão, País Basco, Navarra e Catalunha parecem ser as mais activas) e cada vez mais autónomas (ao contrário das “regiões” portuguesas, as regiões/comunidades espanholas têm grande autonomia financeira, social, económica e legislativa). No último dia 11 de Setembro, realizou-se uma gigantesca manifestação em Barcelona a favor da independência da Catalunha. De acordo com várias fontes, estima-se que estiveram cerca de 1.5 milhões de pessoas nas ruas de Barcelona a lutar pela independência daquela região.
Depois desta introdução, a grande questão que se coloca no plano desportivo é: e se a Catalunha se tornasse independente? Como ficaria a La Liga e o desporto em Espanha?
Segundo o regulamento da Real Federação Espanhola, as equipas da Catalunha não poderiam disputar a Liga Espanhola (por estarem fora do território nacional), deixando assim, Barcelona e Espanyol fora da La Liga. Uma situação normal na Europa, tendo em conta as separações dos países da antiga URSS, da Checoslováquia ou da Jugoslávia. Contudo, deixar o Barcelona fora da La Liga era “matar” o maior clássico do futebol Mundial (um Real Madrid-Barcelona eleva o jogo para um outro nível). Sandro Rosell, presidente do FC Barcelona, já veio afirmar que o seu clube iria participar na Liga Espanhola, tal como o Monaco joga na Liga Francesa, mas então qual o objectivo da independência da Catalunha, se já tem uma autonomia especial? A Espanha é uma grande potência desportiva, sendo que da Catalunha surgem muitos dos nomes de maior destaque no desporto vizinho. A independência da região deixava, obviamente, a selecção espanhola mais frágil (quer de futebol, futsal, basquetebol, etc), ao mesmo tempo que surgiria uma outra nação com aspirações a lutar por títulos. Contudo, onde fica o FC Barcelona e o Espanyol no meio disto tudo? Seria possível a integração na La Liga?

