Nome: João Miguel Vieira Freitas Silva Marques
Posição: Médio ofensivo
Idade: 21 anos (13-02-2002)
Clubes: Sporting, Barreirense, Vitória FC e Estoril
Títulos: Liga Revelação e Taça Revelação
Na 2.ª parte da entrevista a João Marques, o médio do Estoril falou sobre a passagem pelo Sporting, como saiu do Vitória de Setúbal para a equipa da Linha, tendo ainda reconhecido que sonha jogar no Real Madrid.
– Estiveste no Sporting até sub-12 e acabaste por trilhar um caminho alternativo até à I Liga, passando pelo Barreirense e finalizando a formação no Vitória FC. O que correu menos bem para não teres prosseguido nos leões?
JM: Antes de mais, queria lembrar que o Barreirense é um clube por onde passaram vários jogadores que, posteriormente, foram para os grandes. O Cancelo é um desses casos. Tem formado grandes atletas para os escalões mais altos. Eu, no Sporting, era um menino, fazia o que achava que estava bem. Por exemplo, lembro-me de um treinador dizer-me “Olha João, não podes levantar os braços”, porque eu tinha mania de levantar braços para reclamar de qualquer coisa… Senti que podia ter dado muito mais, embora não me arrependa, porque era o que eu achava que estava a fazer certo, aquilo que me fazia feliz. Mas sinto que, nos treinos, às vezes, era um pouco molengão e fazia coisas que achava normal para aquela idade. Acabei por trilhar outro caminho, foi bastante difícil. No entanto, hoje em dia, olho para trás e penso que valeu a pena.
– És da mesma geração e partilhaste balneário com Nuno Mendes, Francisco Conceição Eduardo Quaresma, Tiago Ferreira ou Rafael Fernandes. O que mais recordas desses tempos e quem já se destacava?
JM: Esses tempos foram incríveis. Sentia que era tudo natural, não havia nada forçado, não havia agentes à volta, a preocupação era apenas sermos felizes e divertirmo-nos. Joguei com imensos colegas de qualidade acima da média. Na altura, o Quaresma já era visto como um craque e o Tiago Ferreira também. O Nuno Mendes, por incrível que pareça, não era um jogador que toda a gente perspetivasse aquilo que vale hoje. Era igual a nós todos que andávamos ali. Porém, agora, é o que está mais no top. O Conceição, na altura, era muito bom, lembro-me dele bastante pequenino.
– Ainda com idade júnior, subiste aos seniores do Vitória de Setúbal e rapidamente ganhaste a titularidade no meio de jogadores experientes como Zequinha, José Semedo, Nuno Pinto ou Mano. Apesar de ter sido Campeonato de Portugal, o que retiraste desse ano e que ainda hoje te ajuda?
JM: Esse ano, por um lado, foi bom e, por outro, foi mau. Vivíamos tempos de Covid, mas tive a oportunidade de ter sido chamado à equipa sénior pelo mister Alexandre Santana. Foi uma época em que eu aprendi muito. Lidei com jogadores que jogaram imenso tempo na primeira liga, com imensa experiência e histórias para contar. Eu ouvia tudo, porque era muito interessante para a aprendizagem. Sempre foram jogadores que me aconselharam. E eu, como costumo ser uma pessoa que gosta de ouvir, absorvi bastante.
– Como surgiu o convite do Estoril para os sub-23? Consideraste que era um passo em frente na tua carreira, ainda que fosse para jogar Liga Revelação?
JM: Muitas pessoas não sabem, mas estive a fazer a pré-época no Vitória FC durante duas semanas sem contrato. Eu perguntava aos responsáveis acerca da minha situação e sempre me disseram para aguardar, pois estavam a tratar disso. Via jogadores a chegar e achava estranho, porque continuavam sem me dizer nada. Houve uma altura em que eu falei com o meu empresário para começar a ver outras coisas. Ele apareceu com a proposta do Estoril e achamos que era um projeto fiável e que iria ser o melhor para mim. Os meus pais, sempre comigo, também me aconselharam e disseram que era o caminho certo a seguir. Às vezes, temos de dar um passo atrás para dar dois à frente. Sabia que os sub-23 tinham ligação com a equipa A e isso podia ser bom para mim. Acabei por informar os responsáveis do Vitória FC que não iria treinar mais e foi nesse momento que apareceu o contrato da parte deles. Contudo, a minha decisão já estava tomada. Ainda cheguei a falar com o Zequinha, com o Semedo e com o Mano sobre a minha saída. Eles ainda me questionaram, mas acabaram por me desejar a maior sorte. Ainda hoje mantenho contacto com eles.
– Foste cobiçado ou recebeste contactos, neste mercado?
JM: Daquilo que eu sei, não houve nenhum contacto, tanto do clube para o meu agente como do meu agente para o meu clube. Não houve nenhum contacto de nenhum clube.
– João Cancelo e João Félix revelaram, recentemente, que o sonho deles era jogar no Barcelona. Tu tens algum clube que ambiciones chegar? Ou Liga?
JM: Real Madrid. Mas acho que é uma dimensão muito grande, como que um sonho de criança. Olho para mim como jogador e sinto que gostava de jogar numa liga espanhola ou numa liga italiana. Revejo-me mais nessas ligas, ainda que a Premier League seja a melhor do mundo. Se algum dia lá chegar, também teria todo o prazer, logicamente.
– Tens por hábito ver futebol de outras Ligas? Que equipas e competições gostas de seguir?
JM: Por vezes, quando estou em casa, ligo a televisão e vejo o jogo que me interessar mais. Por exemplo, se estiver um colega meu a jogar, mudo para esse jogo. Gosto de ver bom futebol, apelativo como o Manchester City ou Barcelona, que têm o meu estilo de jogo. Gosto de equipas que tenham a bola. O Benfica também aprecio, em contexto nacional.
– Vês-te como revelação da nossa Liga?
JM: Acho que é muito cedo, mas, continuando o trabalho que estou a fazer até agora e se tiver consistência até ao final da época, penso que sim. As coisas estão a correr bem e irei dar o meu máximo até ao final.
FLASH VM:
Melhor jogador com quem jogaste ou jogas (incluindo sub-23) – Francisco Geraldes
Melhor jogador com quem jogaste na formação – Bruno Ventura
Jogador português favorito – Cristiano Ronaldo
Jogador estrangeiro favorito – Luka Modric
Melhor jogador da atualidade – Erling Haaland
Jogador com quem mais te identificas – Otávio
Hugo Moura


2 Comentários
FootballTotal
Grande entrevista, os meus parabéns ao blog por isso!
Achei curioso a escolha do João para melhor jogador com quem jogou na formação. Mesmo tendo jogado com Quaresma, Nuno Mendes ou Conceição, a escolha recaiu num elemento da formação do Vitória, o Bruno Ventura. Não sendo um jogador que conheça, vou estar atento à sua evolução no Rio Ave.
Antonio Clismo
Rui jorge tem um fraquinho por jogadores esquerdinos e neste momento não existem médios esquerdinos na atual fornada dos sub21. Qualquer clube que consiga desenvolver um médio esquerdino para jogar a um nível alto terá chamada direta aos sub21 por troca com jogadores que não estão lá a fazer nada como o Bernardo Folha por exemplo.
Tiago Ferreira é um dos jogadores que poderá beneficiar desse facto caso consiga encarreirar a sua carreira depois de uma lesão gravissima, mas pelo que se tem visto está com muita qualidade e confiança nos últimos meses