O espaço e posicionamento. Aquilo que todos os jogadores devem procurar durante os 95 minutos de um jogo de futebol. Aquilo que Guardiola habituou os seus jogadores a fazerem, e talvez por isso tenha tanto sucesso e pratique tão bom futebol em tão pouco tempo. Se uma equipa racionalizar da melhor maneira o seu espaço, então está sempre mais próxima da vitória. E como deve ser preenchido esse espaço? Afunilando a equipa para concentrar mais jogadores na zona da bola? Ou largura total, obrigando a equipa adversária a abrir espaços? Os treinadores que praticam melhor futebol explicam-nos por simples imagens.

Bayern (Guardiola) vs Dortmund. Onde está Robben. Bem aberto, largura máxima. Se Robben fosse nesse momento para o meio, tinha o mesmo efeito? Não. Facilitaria a vida ao Dortmund que já lá tem 3 jogadores a defender em zonas interiores. E não só, Robben com aquele posicionamento deu todo o espaço do mundo a Lahm e ao mesmo tempo abriu um enorme buraco entre o DE e o DC. Como um posicionamento, muda o jogo todo.

Dortmund (Tuchel) vs Legia. Onde está Pulisic e Dembélé. Treinadores diferentes, mesmos princípios. Largura total e espaço para os médios interiores. Nesta situação quem vai receber a bola é Raphaël Guerreiro, que no seguimento desse lance, com o espaço que lhe foi “dado” pelos extremos cria uma situação de perigo.


Manchester City (Guardiola) vs Bornemouth. Mesmo em zonas adiantadas do meio-campo adversário, os princípios mantêm-se. Nolito e Sterling num lance onde Kolarov conduz a bola pelo meio, muito abertos, abrindo espaço para a progressão do mesmo.
“Tu sempre pensaste que para ajudar alguém devias ir ao encontro dele. Mas ajudas mais se te afastares dele”, Cruyff. Se quiserem divertir-se a ver jogos de futebol, observem estes momentos. E vão perceber a diferença. Isto não é coincidência.
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23 Comentários
Filipe A.
Muito bom ver o VM a fazer este tipo de posts. Parabéns!
Nuno R
Por mais que se pensem nas entrelinhas e tal, o conceito mais básico do futebol continua a ser colocar a bola no espaço vazio. Ou como diria o Gabriel, para a zona de ninguém, onde convém estar alguém.
Fugir ao adversário e obrigar a defesa a espalhar-se no terreno são conceitos intemporais.
O que separa o futebolista do jogador da bola é o que se faz sem a redonda no pé; fintas e reviengas qualquer meco aprende, agora a movimentação sem aquela no pé, saber para onde ir, que linha de passe dar, se arrisca para a frente ou dá apoio atrás…
TheBeastonFire
Entrelinhas é porventura o melhor espaço a explorar em organização ofensiva.
Nuno R
O melhor espaço a explorar é aquele em que não há adversários.
(também ando numa de criar FreitasLobismos… a ver se pega)
gabeste
0 Cruyff realmente era um visionário do futebol!! Tenho pena não o ter visto jogar/treinar….
Kafka
Verdade, teve sempre 20 Anos à frente da sua ERA …é talvez na junção jogador/treinador o melhor de sempre…pois é quase impossivel dizer onde ele foi melhor, se como jogador se como treinador, em ambas as facetas conseguiu ser o melhor do Mundo na sua altura…
Diogo Rodrigues
Visionário foi Rinus michels. Cruyff “apenas” melhorou a ideia do seu mentor
Jorge Santos
Mourinho parece ter seguido a escola Arrigo Sacchi e levando esta filosofia um passo à frente.
Diogo Rodrigues
Pela exibição de hoje da linha defensiva do man.united duvido muito que siga a “escola” de sacchi.
Luis ES
Excelente post. Todavia é preciso relembrar que os casos de Dortmund e do Man. City têm outro factor a considerar: a forma como se pensa as transições ofensiva em posse de bola! Por mais importante que seja aproveitar e criar os espaços para lances de perigos, sem uma inteligente circulação e posse de bola as equipas não teriam o mesmo sucesso. E é também aí que penso que Tuchel e Guardiola fazem a diferença em relação a outros treinadores, pois conseguem incansavelmente passar estas ideais aos seus pupilos.
Ricardo
É este tipo de conteúdos que valorizam este espaco, é isto que queremos ver mais. Análises cuidadas e fundamentadas a falar realmente de futebol.
Bom trabalho visão de mercado e respetivos colaboradores.
Filipe A.
Para além de permitir a entrada de médios interiores a largura dada pelos extremos é importante numa situação onde seja pedida uma variação rápida de flanco (por passe longo, por exemplo), que vai expor o extremo a uma situação favorável de 1vs1 contra o lateral, criando desequilíbrios.
Marco Pereira
Uma situação muito usada por Guardiola no Bayern. Começava a trocar a bola do lado direito enquanto tinha do lado esquerdo Douglas Costa bem aberto. Quando a defensiva estivesse mais inclinada para o lado esquerdo (defensivo), a bola era enviada para Douglas Costa, que com a sua velocidade e capacidade de drible facilmente entrava na área e criava perigo.
Filipe A.
E usada pelo Braga de Peseiro também :P… dois visionários claramente
Filipe A.
Pelo Braga de Peseiro também :P… dois visionários claramente
Nuno
Só o espaço não serve de nada, há muito mais trabalho por trás. Mecânicas e objectivos bem definidos que os jogadores têm na cabeça e que trabalham nos treinos.
Vejam o FC Porto de Lopetegui. Os jogadores também se espalhavam pelo campo mas o futebol era quase sempre inconsequente e a bola andava longe da baliza.
Jorge Santos
Uma das poucas formas de conseguir perfurar as duas linhas defensivas que as equipas costumam montar lá atrás. Quanto mais abertas, maior probabilidade de cometerem erros. Se as linhas estiverem juntas é quase impossível sofrerem golos.
Diogo Rodrigues
Mecânicas não. Dinâmicas
Asaints11
Ainda o Guardiola não treinava o Barça B já eu meti as minhas equipas do FM a jogar com os extremos bem abertos, e o visionário é ele? Não me parece! ahahahah
Daniel Rosa
Gostaria de ver isto comparado com o que praticam os 3 grandes. Por ex a filosofia do JJ é semelhante mas mais rigida, a do RV funciona à base de triangulos proximos e trocas de bola curtas e apoiadas do lopetegui era semelhante ás acima mas era muito inconsequente… era um exercicio interessante
Rodrigo Ferreira
Excelente post. Quanto ao assunto em si, Guardiola e Tuchel são dois dos 10 melhores treinadores da actualidade e naturalmente são especialistas em encontrar a melhor forma de bater os opositores. A procura do espaço vazio será sempre a mais eficaz de chegar ao golo, embora seja mais fácil quando a qualidade dos jogadores é superior. Quanto há uma menor qualidade técnica ou inteligência por parte dos intervenientes, este distanciamento entre os jogadores pode ser prejudicial. Há igualmente exemplos de equipas em que os apoios próximos tem uma maior eficácia até, sendo a largura oferecida pelos laterais. O Sporting de Jorge Jesus é um exemplo disso mesmo, tal como era, a uma escala muito maior, o Barcelona do Guardiola.
Turiacus
É por estas (e por muitas outras) que o VM é realmente o melhor espaço sobre o futebol em Portugal, sem margem para dúvidas, parabéns!
Pedro o Polvo
Isto é conhecido há várias décadas:
– Ao atacar, “alargar o campo o máximo possível”
– A defender, “encurtar o campo o máximo possível”
O adversário é “obrigado” a defender num raio de acção enorme e vê-se “grego” a atacar, numa zona curta de acção.
Como? Há várias formas mas, generalizando, ao atacar, jogar com extremos/alas/laterais bem “abertos” + um jogador em cunha, na frente, que impeça os centrais de subirem bastante. Depois há inumeras variações, desde deixar um “JARDEL” na frente ou ter um jogador mais técnico que sirva como pivot para aparecerem outros no lugar dele.
A defender é manter as linhas juntas e apostar na armadilha do fora de jogo com uma defesa alta.
Esta é uma das ideologias do futebol, mas felizmente há muitas formas de ganhar um jogo e há pontos interessantes a aproveitar em quase todas!