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Espanha vence o Euro’2012 de Sub-19, dupla Jesé Rodríguez-Deulofeu novamente decisiva (a La Roja ganha tudo e com esta geração fantástica vai continuar a ganhar); Destaques da competição!

Mais um para a Espanha (o que impressiona é a relativa facilidade com que “papam” todos os troféus). Desta feita, Nuestros Hermanos derrotaram a Grécia na final do Euro Sub-19 (começou em 2002 e La Roja venceu por 6 vezes e é actualmente bicampeã, simplesmente incrível), num jogo em que dominaram por completo (os helénicos mostraram intensidade, sem conseguir pôr em prática o futebol que haviam demonstrado). O autor do golo foi Jesé Rodríguez (que assim isolou-se no topo dos melhores marcadores), após uma grande jogada de Deulofeu, já na fase final da partida. Uma dupla de sucesso (um merengue e um culé), a juntar a mais uma geração de jogadores geniais que têm tudo para continuar a dar vitórias a Espanha.
Nas meias finais, a Espanha havia superado a França num jogo emocionante (3-3, 4-2 após g.p.), que podia ter caído para qualquer uma das equipas. Contudo, Gerard Deulofeu acabaria por desequilibrar a partida a favor de Nuestros Hermanos (marcou 2 golos e a grande penalidade decisiva). No outro encontro, a Grécia, aliando o espírito guerreiro habitual (ficaram reduzidos a 10 ainda na primeira parte, com um erro de arbitragem) a uma eficácia fantástica, superou uma Inglaterra que se apresentou em bom plano (incrível a melhoria na produção da equipa alinhando num sistema de 433 em vez do 442 típico) e que foi claramente infeliz na finalização. Para além destas selecções, também Portugal e Croácia garantiram o apuramento para o Mundial Sub-20 do próximo ano, na Turquia. A Estónia e a Sérvia foram presas fáceis para os adversários.
Destaques Visão de Mercado:

11 ideal: GR Kepa Arrizabalaga (Espanha), LD Dimitri Foulquier (França), DC Mavroudis Bougaidis (Grécia) DC Samuel Umtiti (França), LE Kostas Stafylidis (Grécia); MDEF José Campaña (Espanha), MC Paul Pogba (França) MO Giorgos Katidis (Grécia); EE Gerard Deulofeu (Espanha), ED Giannis Gianniotas (Grécia) e PL Jesé Rodríguez (Espanha)
Melhor jogador: Gerard Deulofeu (Espanha) – Com golos, assistências e muitas jogadas brilhantes (destacam-se os 2 golos na meia final e o passe para Jesé na final), o craque espanhol é um vencedor indiscutível deste prémio.
Melhor jogo: Espanha-França da meia final (3-3, 4-2 após g.p.), superando o Portugal-Espanha (3-3) da fase de grupos
Melhor golo: Paco Alcácer (Espanha vs Estónia) – ver aqui

Espanha – Estes jogadores (alguns com 16, 17 anos) têm uma maturidade e uma inteligência muito acima da média. O guarda-redes Kepa Arrizabalaga é para equipa grande, pois não tem muito trabalho, mas faz grandes defesas quando é chamado a intervir. O sector mais recuado revelou algumas dificuldades, pois Grimaldo (tem 16 anos apenas e foi o mais jovem de sempre a jogar pelo Barça B, com 15) é um lateral claramente virado para o ataque e tem algumas lacunas a defender, Ramalho e Osede cometem algumas falhas infantis, e Joni, que é o mais discreto acaba por ser o que cumpre melhor o seu papel. No meio campo, só talento. Começando pelo médio mais recuado, José Campaña, organizador de jogo com muita qualidade de passe, passando pelos “vagabundos” Oliver Torres (que craque, notável a forma e a velocidade com que decide) e Suso (parte desde a ala e surge na zona central para desequilibrar, pé esquerdo fantástico) e terminando em Denis Suárez, opção de banco, muito semelhante a David Silva (joga no City e tudo). Para a frente de ataque, sobram ainda dois super jogadores, GerardDeulofeu, estrela do Barça com uma facilidade incrível em mudar de velocidade e Jesé, que pode jogar como ponta de lança ou na ala, sempre de olhos postos na baliza (há quem o compare a Ronaldo). E ainda há Paco Alcácer, avançado do Valência que parece passar ao lado do jogo, mas que é muito eficaz nas suas acções (nomeadamente na finalização).

Grécia – De longe a melhor geração dos últimos tempos. Uma equipa com muito potencial, que à tradicional coesão defensiva e espírito colectivo, junta uma qualidade ofensiva (colectiva e individual) bem acima da média. Na baliza, Stefanos Kapino é um valor seguro para os próximos anos (já é internacional AA), bem como o seu substituto Dioudis, o herói da meia final. O sector defensivo é bastante seguro, destacando-se o central Bougaidis, com bom timing de corte, e os laterais Stafylidis, muito competente tanto a atacar como a defender, e Lykogiannis, de passada larga e que também pode jogar como extremo. Na zona intermediária, Ballas é um médio defensivo muito agressivo mas que sabe sair a jogar, Fourlanos trabalha imenso em termos de pressão e recuperação de bola e Katidis é o criativo da equipa, espalhando técnica e aparecendo bem em zonas de finalização. No ataque, Gianniotas é o desequilibrador de serviço, incutindo muita velocidade, para servir o ponta de lança Diamantakos, que apenas precisa de meia oportunidade para marcar.
França – Uma equipa com um 11 titular fortíssimo (as opções de banco deixam algo a desejar). Começando pelo guarda-redes Aréola, muito sereno, dando segurança à defensiva, composta por dois laterais que fazem com bastante facilidade todo o flanco (jogam com dois médios interiores que deixam o corredor livre) – Digne, à esquerda, e Foulquier, do lado direito – e por uma dupla de centrais que se complementa bem – Umtiti, mais duro de rins mas que seimpõe nos duelos físicos e Samnick, rápido na antecipação e nas dobras aos laterais. O meio campo é excelente, com 2 pivots de características diferentes: Pogba, o craque da equipa (Ferguson ficou furioso por perdê-lo e com razão) e o mais influente (pode perfeitamente jogar como box-to-box, julgamos que tem mais qualidade a atacar do que a defender e encaixaria na perfeição no Man.United), destacando-se pela sua visão de jogo e qualidade no passe, eVeretout, um jogador muito inteligente tacticamente, altamente competitivo (na época passada, com 18 anos, fez 3000 minutos pelo Nantes) e com grande capacidade de decisão. À esquerda, alinhou Kondogbia, que claramente não é um ala e que rende muito mais no corredor central (tem criatividade e transporte de bola), enquanto que do lado direito o técnico francês foi alternando entre um médio interior e um extremo. O ataque é o sector mais fraco deste conjunto, pois Bahebeck é um jogador muito irreverente mas pouco objectivo, e Vion, do Porto, é um elemento combativo na frente, que precisa de melhorar o seu jogo de área e a finalização.

Inglaterra – Muito talentosa esta selecção (curiosamente, o melhor jogo que fizeram foi na meia final, quando jogaram em 433). O guarda-redes tem limitações (nada de novo), a defesa é algo insegura (destaque para Eric Dier, que tem um bom sentido posicional, mas é pouco agressivo e perde muitos lances por alguma lentidão) e é do meio campo para a frente que há mais qualidade. Lundstram é um box-to-box muito intenso, forte no capítulo do passe e que tem bastantes semelhanças com Steven Gerrard, Ross Barkley tem tudo para ser um dos craques do futebol britânico (para além de ser forte fisicamente, tem uma qualidade técnica e criatividade pouco habitual nos ingleses) e Harry Kane é um médio ofensivo que surge muito bem em zonas de finalização. Nas alas, Nathan Redmond é já estrela no Birmingham (rápido, joga do lado esquerdo para fazer diagonais), Benik Afobe pode jogar nas alas ou na zona central e Robert Hall é um segundo avançado que dá bastante dinâmica à frente de ataque. Por fim, Saido Berahino é um ponta de lança forte fisicamente, que segura bem a bola e espera pelos apoios.
Portugal – Acabou por não ser uma prestação fantástica da nossa selecção, embora deva ser dado crédito a estes jovens (a Grécia, que nos eliminou, tem a melhor geração dos últimos anos e todas as equipas apresentam jogadores com muita rodagem a nível sénior). O objectivo mínimo foi alcançado (apuramento para o Mundial Sub-20), mas a abordagem ao último encontro não foi a melhor (o técnico nacional alinhou com um 11 demasiado defensivo) e a expulsão de Daniel Martins foi um factor decisivo para o desfecho final. Em termos gerais, toda a defesa esteve a um nível bastante fraco (guarda-redes incluído), o meio campo foi o sector mais forte (João Mário eAndré Gomes foram os melhores jogadores e Cá esteve igualmente em bom plano) e no ataque, destaque para Bruma e Ivan Cavaleiro, que demonstraram potencial.

Estónia – É um país que não tem ainda qualidade futebolística para participar em Europeus, mas que acolheu de forma fantástica esta prova, senão vejamos: o campeonato estoniano, que tem quase 200 jogos, no total teve pouco mais de 30 mil espectadores, enquanto que esta competição, apenas na fase de grupos, superou esse número (sinal que é um povo que gosta de futebol… bem jogado) e com os jogos a eliminar chegou quase aos 50 mil espectadores (num país com pouco mais de 1 milhão de habitantes)!
Qual o balanço que faz da participação portuguesa e do Euro Sub-19 no geral?

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