O que têm em comum Luís António Valencia e Juan Manuel Vargas? Ambos nasceram na América do Sul, qualquer um deles já tem uns aninhos de futebol europeu e, acima disto, ambos podiam ter tido muito mais sucesso nas suas carreiras, caso tivessem sido aproveitados como defesas-laterais.
Aos laterais modernos é pedido um conjunto de características diferentes das pedidas no passado. O lateral de hoje é um lateral capaz de fazer o corredor todo. Pode ser um lateral robusto, potente e com capacidade de embalar ao longo da linha ou, caso não tenha este perfil físico, deve compensá-lo com técnica, velocidade e agilidade. Os que são robustos devem saber usar essa característica na competência defensiva, ao passo que os que não são devem ter uma cultura posicional acima da média, juntando-a à agressividade. Todos devem conseguir desequilibrar no 1 contra 1 (não ter de esperar pela ajuda do extremo para o 2 contra 1 distingue alguns dos melhores laterais do Mundo no futebol moderno). Em linhas gerais, são estes os requisitos para ser um lateral moderno.
Comecemos pelo equatoriano Valencia, 30 anos, 1,81m. Despontou no El Nacional, do Equador, de onde se transferiu para o Villareal, de Espanha. Após um empréstimo bem sucedido ao Wigan, foi contratado em definitivo pelo clube inglês. Uma época de sucesso levou-o até ao Manchester United, onde está desde 2009. É, nesta fase, a grande figura da selecção equatoriana e tem uma das maiores motas do futebol mundial. Sim, Valencia leva a mota para o campo, enquanto os outros jogam a pé.
Valencia sempre jogou como médio-ala direito. É um dos jogadores mais difíceis de travar, em grande parte devido à sua potência depois do arranque em velocidade (há jogadores mais rápidos mas poucos conjugam a potência e a velocidade como faz o equatoriano). Chegou a Inglaterra como médio-ala e chegou ao United também nessa posição. Não obstante, e perdoem-me os treinadores do equatoriano (que saberão mais disto do que eu), Valencia como médio-ala foi um enorme desperdício. Não tem a criatividade e imprevisibilidade que distinguem os grandes desequilibradores e não é um jogador de topo quando lhe é pedido que “vá para cima” do defensor e crie jogadas no 1 contra 1 puro. Perguntarão: “E qual é o 1 contra 1 sem ser puro?” É aquele em que Valencia se destaca, o 1 contra 1 com embalo. Quando aparece em velocidade e com espaço para correr, Valencia pode ser imparável. Mas para um extremo de uma equipa grande, pode não chegar. E não chega. Valencia tem sido um jogador útil ao United mas nunca se conseguiu afirmar como um titular indiscutível na ala direita. São muitas as situações em que o equatoriano recebe e passa novamente para trás por não ter “coragem” de partir para cima.
Até que, por necessidade, Valencia teve de ser colocado a lateral direito, a posição onde já devia estar há muito tempo e na qual tinha tudo para ser uma referência mundial. Alegadas declarações do jogador apontavam para o seu descontentamento nessa posição, algo que foi desmentido pelo próprio e até contrariado. Valencia tem tudo o que deve ter um bom lateral. Ofensivamente, apesar de não ter a técnica que faria dele um grande extremo, tem-na em dose suficiente para ser um bom lateral. Além disto, cruza com bastante qualidade (nem sempre direccionados mas quase sempre tensos). Como lateral, tem espaço para embalar, ligar a sua mota de alta cilindrada e criar desequilíbrios em zonas adiantadas. Do ponto de vista defensivo foi trabalhado e mostrou, rapidamente, que é bastante competente (imaginem se tem sido posto a lateral mais cedo). Posiciona-se bem, tem óptimo tempo de desarme, sabe usar a sua estampa física e, claro está, dificilmente é batido em velocidade.
Neste momento, tem 30 anos e um histórico considerável de lesões. É uma pena que um extremo que não passa de bom não se tenha tornado num lateral extraordinário.
Agora o peruano Juan Manuel Vargas, 32 anos, 1,85m. Começou no Universitário, do Perú, antes de ser transferido para o Catania, em 2006. Jogou na Fiorentina de 2008 a 2015.
O caso de Vargas tem pontos comuns com o de Valencia, mas alguns traços distintivos. Comecemos pelo feitio: Vargas sempre foi um “bad boy” e nunca se mostrou muito disponível para ser lateral. Durante a carreira foi oscilando, no corredor esquerdo, entre lateral numa defesa a 4, lateral numa defesa a 3 e extremo. No entanto, o peruano disse, várias vezes, que é como extremo ou médio ofensivo que gosta de jogar e chegou a reagir mal durante um jogo da Fiorentina quando foi posto a lateral. Tal como Valencia, o peruano tem características ímpares para ter sido um lateral de excelência. Não é tão rápido como Valencia, mas, antes da lesão grave que teve, era um ala com alguma potência. A principal característica de Vargas é mesmo a qualidade no cruzamento e no remate de meia distância. Poderão dizer: “Ele remata bem e querem pô-lo a lateral…que idiotice”. Seria um reparo perspicaz mas, ainda assim, insuficiente para fazer de Vargas um melhor ala do que lateral. Nunca conseguiu ser um jogador de topo como ala, em parte pelos mesmos motivos de Valencia. Não é um tecnicista acima da média, nem cria jogadas no 1 contra 1. No entanto, como lateral, não deixaria de usar a grande qualidade no cruzamento e, esporadicamente, conseguiria usar os perigosos remates de meia distância. Defensivamente, devido à experiência que foi ganhando e à necessidade dos seus treinadores, foi mostrando alguma competência. Pelo menos suficiente para fazer crer que, com vontade e empenho, evoluiria bastante nesse capítulo. É forte fisicamente e um jogador bastante agressivo, por vezes até em excesso. Parece faltar pouca coisa para ter sido um excelente lateral.
Juan Manuel Vargas e Luís António Valencia, dois bons alas, experientes e com características interessantes para passarem de bons alas a excelentes laterais. Com 32 e 30 anos, respectivamente, dificilmente irão a tempo de ainda se afirmarem como grandes defesas. A idade é um entrave, a vontade dos atletas é outro e o entendimento dos treinadores é o terceiro e, porventura, o maior. É uma pena.
Ps: Não vale dizer: “Isso é tudo muito bonito mas se o Bale tivesse sido deixado a lateral, teríamos perdido um dos melhores extremos do Mundo”
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Diogo Oliveira



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Judge Dredd
Esta discussão é interessantissima.
Quem não se lembra do suplente do Branco no Mundial 1994 Leonardo que era o lateral esquerdo daquela grande equipa do São Paulo de 1992 mas que a seguir acabou por se tornar num otimo medio ofensivo(Jogou no PSG e no Milan).
Foi algo comum nos laterais brasileiros passarem de defesas para medios: Felipe, Mancini, Michel Bastos(que fez uma otima carreira a medio ala extremo no Lyon).
Depois há o caso famoso do Bale.
Depois existem os casos inversos que curiosamente tem menos sucesso: Fabio Coentrão, Layun são alguns casos em que o rendimento decresceu descendo no terreno.
Em relação aos jogadores em questão para mim são ambos medios ala claramente
Anónimo
Laterais, os patinhos feios do futebol actual….
Qualquer jogador inteligente, com boa técnica e rapidez de execução pode jogar em qualquer posição do campo e cumprir minimamente; estou a recordar-me de uma grande exibição do Paulo Sousa (o actual treinador da Fiorentina) à baliza, num Boavista-Benfica…
Estamos habituados a ver as grandes equipas jogar, na maior parte das vezes contra equipas bem mais fracas, e aí realmente o que se pede mais a um lateral é que ataque e desequilibre e cruze bem, mas esquecemos o fundamental: na habitual defesa a 4, estamos a falar do DEFESA lateral, direito ou esquerdo, ou seja, alguém cuja primeira missão é defender. Hoje em dia pede-se a um central de topo que saiba sair a jogar, que seja bom de bola, mas não essa a característica fundamental. Digo apenas isto porque evidentemente é uma faca de "dois legumes": ai e tal o lateral é bom, faz o corredor todo, cria volume ofensivo; mas depois abre autênticas avenidas, sofre com avançados fortes fisicamente, e falta-lhe aquele instinto defensivo que muitas vezes faz a diferença a defender, e que praticamente hoje em dia só vemos nos centrais e nos trincos. Porque ao contrário do que diz o título do post, há jogadores que nasceram para ser defesas, que preferem salvar um golo do que meter um, da mesma forma que há jogadores que preferem assistir do que marcar, muitas vezes laterais. Da mesma forma que se fala em instinto goleador também sei que existe um instinto defensor, jogadores que nasceram para ser defesas.
O problema? Formação. Também nos faltam avançados… Se for para manter a defesa a 4 que se aposte mais na formação dos laterais; se eles naturalmente já sabem defender que se incentive mais os aspectos ofensivos da posição. E que se pare com isso da adaptação, o problema está aí: quase todos os extremos do mundo, desde tenra idade, vão ser melhores tecnicamente que os laterais; então daí, como só pode jogar um extremo em cada lado, bora meter mais um a lateral… é bom que os extremos saibam e possam jogar a lateral, mas para mim nunca vão ser bons defesas, salvo raríssimas excepções.
De resto, muito bom post, parabéns|
rafa
Kacal I
Excelente texto do Diogo Oliveira e iniciativa do VM.
Quanto ao Vargas e ao Valência, subscrevo, há pouco mais a dizer mas o meu preferido é o Valência e adoro quando embala e "vai de mota" e cruza realmente bem, foi pena não ter chegado ao Man Utd e ser logo adaptado a DD porque caso tivesse acontecido e com um pouco de empenho e vontade dele além de menos azar com lesões e poderia realmente ser um lateral direito de grande nível e quem sabe de top mesmo.
O mesmo aconteceu com o Coentrão e foi um sucesso mas mais uma vez a sua falta de empenho nos treinos e afins em certos momentos e as constantes lesões impedem-no de ser mais consistente a grande nível, do que vi parece que estão a tentar o mesmo com o Kenedy e admito que possa vir a resultar mas acho que um desperdício porque o brasileiro tem qualidade técnica e capacidade desequilibrador para ser extremo mas lá está devido à sua velocidade, potência e capacidade de cruzamento poderão tentar trabalha-lo defensivamente e tacticamente para ser lateral mas duvido que o próximo treinador tente o mesmo.
Miguel Almeida
Concordo Natan . Kennedy tem as caracteristicas para um extremo fabuloso . Embora tambem ache que será um belo lateral .
Anónimo
Estão tentando fazer isso com o Kennedy, e confesso que acho uma pena!
Natan Fox
Rodolfo Trindade
Eu era um fã do Vargas, antes da grave lesão que teve era um excelente jogador.
Apesar de não ter a velocidade do Valencia, não era um jogador e era muito robusto e potente.
Se não estou em erro em 2013/2014 foi a última época onde se apresentou a grande nível, mas posso estar a falhar no ano.
Concordo que poderia ter sido um lateral brutal.
Quanto ao Valencia nunca fui muito fã dele, apesar de toda a sua potência e de ser dos jogadores mais rápidos no mundo. Teria tido uma carreira muito mais proveitosa a lateral sem dúvida.
bojo
Um bom exemplo do que este texto retrata é atualmente o caso do Fábio Nunes no Belenenses. Sem qualidade para se afirmar a extremo foi adaptado a lateral onde tem sido de uma utilidade extrema, pois é mais dotado tecnicamente que a maioria dos laterais da liga e quando sobre no terreno permite ao Belenenses colocar mais um homem na zona de finalização.
Nuno
Acontece o mesmo neste momento a Aurélio Buta, fez toda a formação a extremo mas chegou aos Juniores e ja nos Juvenis tinha jogado aí, foi adaptado a lateral direito porque não desequilibra muito mas tem características perfeitas para lateral
Jan the Man
A posição de lateral foi completamente revolucionado nos últimos anos. Não sei exactamente onde começou, talvez o grande impulso tenha sido dado pelas equipas de Pep Guardiola.
Antigamente era aquele lugar onde geralmente jogava o elo mais fraco da equipa, agora assume um preponderância extrema, especialmente a nível ofensivo. Um grande lateral é hoje um dos jogadores mais completos de cada equipa a nível técnico e tática, aliado a uma capacidade física que lhe permita estar em todos os momentos do jogo.
Acredito que se fale agora mais neste tipo de adaptações do que nunca, especialmente porque estas novas características da posição não estiveram presentes na formação da maioria destes jogadores.
Em Portugal e pelo mundo foram vários os jogadores que passaram ao lado de carreiras com mais sucesso a lateral do que a extremo. Pegando no exemplo de Vieirinha ou Coentrão, houve inúmeros jogadores da sua faixa etária que foram caindo no anonimato porque ninguém os quis recuar no terreno.
Vou deixar apenas um exemplo, para mim um dos mais flagrantes dos últimos anos: Michel Bastos. Ainda fez uns jogos a lateral onde demonstrou logo potencial, mano entanto nenhum treinador lhe quis dar continuidade. Hoje, aos 32 anos, está no São Paulo depois de ter andado pelas Arábias. Acredito que tivesse "pernas" para ainda ser lateral num clube de renome, caso tivesse sido aposta.
Nuno R
Daqui a bocado o Guardiola reinventou o futebol…
O lateral era normalmente um tipo que sabia defender, tinha velocidade (para defrontar extremos), e não tinha estatura para jogar a central. Se soubesse atacar, melhor, mas muitos ficavam-se pela linha do meio-campo, a fazer passes ao longo da linha para os seus médios.
À medidade que os extremos puros foram desaparecendo, assim foram os laterais de linha. Ou se calhar ao contrário…
Os laterais passaram a jogar mais por dentro, exige-se que joguem bem de cabeça e fechem o centro (passou a ser comum centrais mais rápidos derivarem para a ala).
Ao mesmo tempo foi-se evoluindo para um esquema em que todos fazem tudo, deixou de existir aquele jogador que só jogava num local do campo e só cumpria uma função, assim sendo ao lateral começou a pedir-se envolvência no ataque, para lá de ir à linha fazer uns centros. Hoje vemos laterais a entrar no espaço lateral-central oposto, rematarem da zona central, etc…
Lembro-me de existirem jogadores que foram recuando no terreno com a idade, normalmente porque atrás se corria menos no 4x4x2 ou 4x2x3x1, tanto na ala como no centro. Ou então porque eram aqueles jogadores certinhos tacticamente, mas que não faziam a diferença na frente. O Secretário foi uma dessas adaptações bem sucedidas, não me lembro assim de cabeça de algum antes dele.
Nuno
Isso é muito bonito mas se o Bale tivesse sido deixado a lateral teriamos perdido um dos melhores extremos do mundo
Jonas
Por acaso… Foi um defesa esquerdo promissor, mas foi a segundo avancado que brilhou mais.
Jonas
João Lains
O Vargas nunca mais pareceu o mesmo após essa grave lesão. Tornou-se num jogador muito mais robusto, acusando algum excesso de peso. Tecnicamente, não se ressentiu (tem um remate brutal). Terá rubricado as suas melhores exibições numa defesa a três. O Valencia não tem técnica em espaços reduzidos e os cruzamentos sempre foram um dos seus pontos fortes. Mas só se tornou lateral por necessidade.
Anónimo
Acho até que o Valencia chegou a ser o mais eficaz nos cruzamentos (% de sucesso).
Bruno
vsn
O Vargas na Fiore de Prandelli era fantástico.
Rui Prates
Valencia é um jogador muito limitado e nem acho que seja assim tao rapido
Kacal I
Ai não? basta ver um video em que a bola está no meio-campo e dois jogadores da equipa adversária vão à bola e ele vem da sua defesa embalado e passa no meio de ambos e leva a bola consigo, aí fica provada a sua velocidade e é arrasadora, é sem duvida dos mais rápidos do mundo.
Nuno
Voce so pode estar a gozar com isto…é a tipica crítica "para ter likes e respostas". Valencia é dos mais rapidos do mundo, é unanime
Anónimo
Texto muito interessante! Que me perdoe o autor do texto por nao o elogiar directamente mas acho que desta vez prefiro elogiar o VM. É incrivel como chegamos a este blog e temos acesso a conteudos deste genero. Quem é que se lembraria de escrever isto sobre Valencia e Vargas, dois jogadores que nem sao de primeira linha? Claro que é merito do autor mas acho que nos leitores deste blog devemos é agradecer e contribuir para que isto nao acabe.
José Poeiras
Rui Martins
Muito bom, subscrevo!
Kacal I
Subscrevo, daí ser o melhor blog e não surpreende, fantástico!
Joao Rodrigues
Subscrevo a 100%. Os conteudos que aqui temos sao unicos nos sites/blogs de desporto em portugal. Falando do texto, reforço uma ideia muito interessante apresentada pelo autor: a diferenca entre o 1X1 puro e o facto de quem sabe faze lo se conseguir distinguir dos demais laterais. É algo que foge ao que é falado habitualmente nos comentarios mas que é uma grande verdade
Sombras
Fica sempre na retina a afirmação de Jamie Carragher que dizia que ninguém queria ser o próximo Gary Neville, que os laterais ou são extremos com menos talento no 1×1 ou centrais que não conseguiram superar a falta de estatura física.
Hugo70
Maldini foi lateral toda a decada de 90 e inicios de 2000 ja nos seus 30s e muitos anos passou a central…
Anónimo
Bruno, lateral é a posição mais fácil do futebol? Deste mesmo numa de pedro Guerra agora…Lateral deve ser das posições mais difíceis, ainda pra mais agora com o conceito de "lateral moderno". Defensivamente, tem de estar sempre atento, ao mesmo tempo, á bola, á linha defensiva marcada pelos centrais e ao seu opositor direto, o extremo. Tem de ser forte no jogo aéreo, pois defende muitas vezes dentro da área os cruzamentos do lado contrário, e defender o avançado como se de um central se tratasse. Se não tem o apoio do extremo da sua equipa, o que acontece com alguma frequência, pode passar um jogo inteiro no 1vs2 contra o lateral e extremo adversários. Isto para não falar que, normalmente, o seu opositor direto é considerado "o melhor jogador da equipa, o que mais desiquilibra", por isso tem de ser forte, não só no 1vs1 defensivo, como mentalmente. Ofensivamente, tem, como diz neste artigo, de desequilibrar no 1vs1 sem precisar da ajuda do extremo, tendo a agravante que se encontra na primeira linha de construção da sua equipa, o que faz com que uma perda de bola seja um contra-ataque perigoso para o adversário. No fundo, tem de desequilibrar como um extremo correndo o risco de um central. podia continuar, mas com isto já espero ter ajudado nessa teoria de que ser um lateral decente é só preciso abrir na linha e não ser burro.
Anónimo
O Sérgio Ramos também jogou a lateral quando era inexperiente. Na selecção e no Real.
Bruno
Anónimo
No inicio e no final da carreira, vá.
Bruno
Anónimo
Maldini sempre central? não. Tassoti, Costacurta, Baresi, Maldini, uma das melhores linhas defensivas de sempre, Maldini a lateral esquerdo; ainda havia o Galli para terceiro central.
Paulo
Anónimo
Maldini era e sempre foi central, apenas jogou a lateral no final da carreira. Alaba sempre foi médio, adaptado a lateral por Heynckes. É muito bom, provavelmente o melhor lateral-esquerdo do momento, mas a verdade é que também foi adaptado. E o Sombras tem razão… Para mim, que joguei futebol dos 8 aos 17 (vou dar numa de Pedro Guerra ehehehe), é a posição mais fácil do futebol (uma vez os dois laterais lesionaram-se e tive de fazer eu o lugar). Abrir bem na linha, dar sempre linha de passe e não ser burro: eis o que é preciso para ser um lateral decente. Se fores relativamente rápido, tiveres relativamente bons pés e souberes tirar uns cruzamentos, és um bom lateral no futebol moderno.
Quantos exemplos querem só em Portugal de laterais adaptados? Eliseu sempre foi extremo, Cedric era médio, Esgaio, André Almeida, Nelson Semedo, Maxi Pereira, etc etc.
Bruno
Sombras
Desses todos só o Roberto Carlos foge à regra. O Lahm era extremo na formação, o Alaba médio centro e o Maldini central…
Tiago Couto
Apesar de tal afirmação ser verdade em maior parte dos casos jogadores como Roberto Carlos,Lahm,Alaba,Maldini,etc.. acho que provam que nem sempre este é o caso.
Miguel
Com as devidas diferenças, creio que a mesma apreciação pode ser feita a Pereirinha, atualmente no Atlético Paranaense. Nunca seria um craque, mas poderia ser um bom jogador para um clube tipo Guimarães ou Rio Ave jogando a defesa direito
Anónimo
Excelente quer dizer… Era menos mau. Mas concordo que na ala é muito fraquinho. E o Esgaio igual. No meio-campo não ir ser tão pobre o jogo dele. Mas é estranho, porque a lateral tanto um como o outro parece que não produzem mesmo nada, nem parece que tenham sequer qualidade técnica. E o mesmo se aplica ao André Almeida, apesar de ser claramente melhor que os dois anteriores. É melhor no miolo, mas não é nada de especial. Mas penso que pela sua altura se adaptou melhor a lateral. E está a fazer uma época bastante agradável, apesar de não ser grande espingarda.
Bruno
Emigra
concordo. Decisao e critério eles tem, tanto o Pereirinha como o Esgaio, nesse sentido seriam excelentes médios centro.
Mas do meu ponto de vista, falta algo muito importante… intensidade. Os médio centro cada vez mais tem que ser box to box, o pereirinha certamente nao tem essa intensidade, o Esgaio gostaria muito de ver o Jesus puxar por ele nesse sentido.
vsn
É exatamente o contrário, Pereirinha nunca devia ter sido adaptado a uma ala.
Sempre foi um jogador com excelente tomada de decisão, critério com bola, criatividade.
Perdeu-se um excelente médio, como se perderá Esgaio.
João Rodrigues
O Mourinho riu-se com essa frase
João
O Jesus devia fazer o mesmo com o Carlos Mané, acho que se está a perder um bom lateral… é que ele a extremo é fraco.
Ivo Esteves
Sinceramente penso que não se adaptava, acho que não tem a cultura táctica para lá jogar. Podem-me falar da grande adaptação de Coentrão mas este compensava o seus défices tácticos e defensivos com a sua agressividade e rapidez a recuperar. Aliás, este é um grande DE para jogar em ligas como a de Portugal, mas em campeonatos mais exigente não rende como já provou, mas também muito por culpa própria verdade seja dita. Até em França tem jogado muita vezes como extremo.
No caso do Mané penso que nem sequer agressividade tem para colmatar as possíveis falhas defensivas. É rápido mas tem défices na leitura de jogo, posicionamento, trabalho sem bola, o que se fazem dele um extremo pouco mais que razoável, como lateral então acredito que fosse um autêntico desastre. Vejo nele muitas semelhanças com Djalo. Nunca se percebe se rende mais em terrenos interiores como segundo ponta ou exteriores com extremo, mas tem algum poder de finalização e sentido de baliza marcando facilmente golos.
O SCP devia tê-lo vendido ao Mónaco se realmente existiram propostas no valor que se falaram.
Em suma, não acredito que como lateral fosse render, e o SCP não tem tempo nem margem para adaptar nesta altura do campeonato um jogador a uma nova posição.
Niall joaQuinn
What?
Um jogador sem físico, que não sabe o que é um desarme mas sabe bem o que é ser desarmado a torto e a direito, com finta curta e golo nos pés, não pode nunca ser um lateral.
Teve o azar da lesão, mas ainda vai muito a tempo de ter uma carreira interessante, mas a jogar no meio do ataque que é onde tem jogado (e não a extremo).
A extremo seria uma djalolização e a defesa, nem sei, talvez a história de um desastre anunciado.
trikas
O mané não é extremo, é segundo avançado. O único jogador do Sporting que se poderia assemelhar a algo do descrito aqui é o Gelson (e já foi lateral nas camadas jovens), mas neste patamar, as rodas que dá sem sair do mesmo sítio, quando a bola lhe chega aos pés, não iam ajudar nesta posição. Mané não é jogador para estas coisas e a final da taça não serve de exemplo
Diogo Palma
Se o Mané joga melhor no meio, não demonstra grande disponibilidade defensiva e não tem grande qualidade nos cruzamentos como é que daria um bom lateral?
Mais rapidamente via o Gelson a lateral (já foi lateral direito na equipa b, mas era um desperdício) que o Mané.