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| Fonte: Daily Mail |
Os Estados Unidos, mesmo com Alex Morgan a aparecer só numa fase adiantada da competição, quebraram um jejum que durava desde 1999 e ao esmagarem, na final, em Vancouver o Japão por 5-2, fizeram história com a conquista do 3.º título Mundial no futebol feminino (quase metade das 7 edições da prova).
No entanto, a final sonhada teve lugar nas meias-finais, no duelo EUA-Alemanha, e a qualidade e determinação das americanas em vencer e evitar o descalabro de há quatro anos fez com que esta final repetida contra o Japão não passasse de mera formalidade. Carli Lloyd, com três golos, foi o grande destaque de uma final em que os Estados Unidos nem jogaram tão bem quanto se poderia pensar mas uns vinte minutos iniciais avassaladores, eficácia irrepreensível e uma Lloyd em modo MVP não deram quaisquer hipóteses a um Japão que tentou reagir mas nunca conseguiu entrar realmente na contenda. Um jogo que ficou desde começou a inclinar para o lado das norte-americanas e não fosse a insistência de Julie Johnston em devolver as nipónicas à corrida, a diferença teria sido ainda mais expressiva. Uma vitória inteiramente justa das americanas, que foram em crescendo ao longo do torneio e demonstraram estar num patamar competitivo superior aos restantes. Física, técnica, táctica e mentalmente foram a melhor equipa, com exibições de menos a mais e culminando em duas exibições finais plenas de arte. Quanto à decisão. Logo aos 3’, Megan Rapinoe bateu um canto rasteiro para o coração da área e Lloyd surgiu a finalizar com tranquilidade. Apenas dois minutos depois, livre desde a direita, Johnston deu de calcanhar para a pequena área, a bola bateu no braço de uma defesa japonesa e Lloyd captou o ressalto para finalizar com uma boa dose de sorte. Aos 14′, Lauren Holiday (casada com Jrue, dos Pelicans da NBA) aproveitou um mau alívio de Azusa Iwashimizu dentro da área e fuzilou Ayumi Kaihori de primeira. Dois minutos mais tarde, o momento do jogo e do mundial: Lloyd viu Kaihori adiantada e sacou de um chapéu monumental desde o seu meio-campo. Aos 24′, Morgan ultrapassou duas adversárias e rematou com perigo para boa defesa da guardiã nipónica. Aos 27′, após a entrada de Homare Sawa, boa jogada colectiva do Japão, Johnston falhou completamente o corte e a bola sobrou para Ogimi, que teve tempo para controlar, virar-se e finalizar sem hipóteses para Hope Solo. O Japão continuou a controlar até ao intervalo e na fase inicial da segunda parte, culminando o domínio aos 52’, quando após cruzamento da esquerda, Johnston cabeceou para dentro da sua própria baliza, apanhando Solo desprevenida. No entanto, na jogada imediatamente a seguir, os EUA ganharam um canto na esquerda; Alex Morgan atacou a bola, tirando a guarda-redes e três defesas da jogada, e a bola sobrou para Morgan Brian, que assistiu Tobin Heath para o quinto e último golo. Até final, Solo foi importante para manter o controlo do marcador, que não se viria a alterar.
Melhor onze para o VM:
GR: Hope Solo (EUA) – esteve 540 minutos sem sofrer golos e foi, com as suas defesas, um bastião da sua equipa. Ganhou pontos na fase de grupos e manteve sempre uma segurança inabalável ao longo de todo o torneio. Quando decide ter a cabeça no jogo e não nas polémicas de Hollywood é de facto a melhor guarda-redes do mundo.
DD: Lucy Bronze (Inglaterra) – de pai português, Lucia Roberta foi um verdadeiro motor na ala direita das leoas, com grande pendor ofensivo, competência defensiva e exibições de encher o olho que lhe granjearam uma nomeação para a Bola de Ouro do Mundial.
DCd: Kadeisha Buchanan (Canadá) – a jovem canadiana foi a âncora defensiva da sua equipa, dando consistência e segurança e ainda compensando as falhas da sua colega de sector.
DCe: Becky Sauerbrunn (EUA) – Bassett (Inglaterra) e Renard (França) também estiveram imperiais, mas a patroa da defesa que esteve 540 minutos sem encaixar um golo tinha de ter lugar neste onze. Foi um pêndulo no eixo central e nem as falhas da sua colega de sector na final mancharam uma campanha de luxo de Sauerbrunn.
DE: Tabea Kemme (Alemanha) – aos 23 anos, a lateral alemã tem um pulmão que assusta, fartando-se de subir e descer pelo corredor. Chega a zonas avançadas com grande facilidade e faz uso da sua meia-distância para fazer estragos. A defender exibe eficiência alemã, tendo sido a mais segura da defesa montada por Silvia Neid.
MC: Lauren Holiday (EUA) e Jill Scott (Inglaterra) – um grande golo na final e consistência exibicional fizeram com que a médio-centro norte-americana se destacasse sobre a concorrência. Foi fundamental para manter o equilíbrio da equipa, fazendo eficientemente a ponte entre defesa e ataque e dominando a zona central com autoridade, tal como Scott. A box-to-box mostrou um sentido posicional fantástico e foi com a sua fisionomia inusual um quebra-cabeças para as adversárias.
MD: Ramona Bachmann (Suíça) – as helvéticas ficaram pelos oitavos mas não foi por sub-rendimento da sua estrela, bem pelo contrário: chegaram aí graças a ela. Técnica estonteante, velocidade e muito descaro fizeram de Bachmann a jogadora “por quem vale a pena pagar o bilhete” do torneio. Foi um terror para todas as adversárias que defrontou, fazendo algumas das melhores defesas do Mundo parecer autênticas amadoras pela facilidade com que passava por quatro ou cinco jogadoras de uma assentada. Faltou uma mira mais afinada.
ME: Aya Miyama (Japão) – esta foi uma equipa japonesa que valeu muito mais pelo grupo que pelas individualidades, mas sempre apoiada no que a sua capitã podia fazer. E Miyama foi, com a sua técnica, inteligência e liderança, o grande destaque das finalistas vencidas.
AV: Carli Lloyd (EUA) – a Bola de Ouro e Bota de Prata do Mundial esteve discreta durante a fase de grupos mas na fase a eliminar elevou-se muito acima da concorrência. Os prémios falam por si: aos 32 anos e quando muito se falava de Wambach, Morgan e Leroux, foi Lloyd com a sua tremenda atuação individual a levar os Estados Unidos a um troféu que lhes escapava desde 1999.
AV: Alex Morgan (EUA) – veio de lesão prolongada e voltou tarde à titularidade, marcando somente um golo. Mas a verdade é que a partir do momento em que Morgan entrou no onze, mesmo sem estar a 100%, os Estados Unidos começaram de imediato a apresentar um nível de jogo muito superior. Arrancou dois penáltis e uma expulsão, marcou o golo da vitória frente à Colômbia e influiu em metade dos tentos da sua equipa no mata-mata. Pode não ter brilhado nas estatísticas, mas a preponderância que assumiu na qualidade de jogo dos EUA, com a sua capacidade técnica, movimentação e tomada de decisão, fala por si.
Melhor Jogadora: Carli Lloyd (EUA) – a capitã norte-americana cria, desequilibra e finaliza, trabalhando para equipa como poucos. Além de ter sido a jogadora mais importante das novas campeãs mundiais, Lloyd foi a segunda melhor marcadora e assistente da competição (com os mesmos 6 golos e 3 assistências de Sasic e Mittag, respectivamente, mas mais minutos), o que diz bem do seu impacto. Na final completou o seu hat trick aos 16 minutos, o mais cedo de sempre em mundiais — masculinos e femininos. Já tinha marcado no difícil jogo com a Colômbia, dado a vitória frente à China e iniciado a vitória contra a Alemanha e nesta final, com os seus três golos (marcou nos quatro jogos da fase a eliminar), Lloyd mostrou que cresce com a ocasião e foi tudo o que se desejaria da jogadora de dimensão mundial que é. A Bola de Ouro assenta-lhe que nem ginjas.
Melhor Jovem: Kadeisha Buchanan (Canadá) – demonstrou uma segurança impressionante, saída de bola e jogo aéreo bastante satisfatórios e capacidade de cobertura fantástica, apagando constantemente com a sua potência, velocidade e leitura de jogo os fogos criados pela sua colega de eixo, a veterana Sesselmann. Aos 19 anos, é já uma das melhores defesas-centrais do mundo.
Revelação: Ada Hegerberg (Noruega) – quando todos os olhos estavam em Oshoala, Fleming e Miedema, a norueguesa demonstrou toda a sua qualidade. Com 19 anos apenas, foi a grande desequilibradora da sua equipa, juntando golos e assistências a grandes exibições. Lady Andrade, da Colômbia, foi também uma agradável surpresa.
Confirmação: Ramona Bachmann (Suíça) – mostrou neste Mundial estar no patamar das melhores do mundo. Contra o Japão deu um recital mas faltou o golo, frente a Equador voltou a destruir a defesa adversária, dessa feita juntando um hat trick à exibição. Levou a Suíça aos oitavos-de-final e caiu apenas contra o Canadá, forçando a guardiã McLeod a ser a melhor em campo. Em termos puramente individuais, foi talvez a melhor jogadora da primeira fase. Merecia estar melhor acompanhada.
Desilusão: Lotta Schelin (Suécia) – das melhores jogadoras do mundo, nunca conseguiu elevar uma Suécia muito apagada a outro patamar. Acabou goleada pela Alemanha e sem uma exibição de registo.
Melhor Treinador: Mark Sampson (Inglaterra) – um treinador jovem que pegou numa equipa com potencial mas sem estatuto de favorita e levou-a ao terceiro lugar, deixando pelo caminho seleções de alto nível como Noruega, Canadá e Alemanha e caindo apenas com um autogolo nos descontos frente ao Japão. Demonstrou coragem (apostou em três centrais no último jogo) e montou uma equipa organizada, valente e capaz de bater qualquer adversário.
Equipa surpresa: Inglaterra – Jill Scott já dissera que a fasquia estava no limite, mas ninguém esperava uma campanha tão positiva. As inglesas surpreenderam tudo e todos ao chegarem às meias-finais e arrebatarem a medalha de bronze à Alemanha. Também a Colômbia contrariou as expectativas ao chegar aos oitavos de final e criar muitos problemas a uns Estados Unidos que se tiveram de se apoiar na magia de Morgan, dois penáltis (um falhado) e uma expulsão para passar.
Equipa desilusão: Espanha – era o primeiro Mundial de nuestras hermanas, mas com jogadoras como Vero Boquete, das melhores do mundo, Jennifer Hermoso, Natalia Pablos e Celia Jimenez tinha obrigação de fazer melhor que um empate e duas derrotas. Também da Suécia e Brasil se esperava bem melhor.
Nota ainda para Sepp Blatter, que não marcou presença na final, alegadamente por “questões pessoais” e considerar que se trataria de uma viagem de risco devido à investigação à FIFA. Apenas mais um detalhe no extenso rol de acções pouco dignificantes do suíço no que toca ao futebol feminino.
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Inês Sampaio
0 Comentários
Tiago Gudjohnsen
Um pergunta, que pode até ser estúpida mas sincera, visto não acompanhar a modalidade.
Alguma destas jogadoras teria lugar numa equipa do nosso campeonato? (já não digo nos grandes)
mano da street
nenhuma
Kafka I
NÃO, é que nem de perto…
NENHUMA jogadora de futebol a níve Mundial, teria a menor capacidade para jogar futebol Masculino em Portugal ou em qualquer campeonato minimamente competitivo, antes de mais pelas enormes diferenças físicas, mas nem é preciso ir por aí, tanto técnica como tacticamente o futebol feminino continuo a ser extremamente fraco
Qualquer equipa da 2ª ou 3ª divisão de futebol Masculino venceria de forma facil a melhor equipa do Mundo de futebol feminino
E não é uma questão de machismo, nada disso, é a minha opinião face a baixa qualidade do futebol feminino a todos os niveis, tanto tacticamente como tecnicamente quando comparado com o futebol Masculino, para além da questão fisica, mas essa nada a fazer porque é mesmo do Ser Humano a diferença
João Magalhães
Nem na 2ºliga. O nível físico do futebol profissional é brutal. Uma mulher não tem a agilidade ou a capacidade atlética de um homem, nomeadamente naquilo que se pede direccionado para o futebol. Não tem nada a ver com mais ou menos ginásio.
JSC
Não, mas o futebol é ok, o pior mesmo são os guarda-redes.
Anónimo
Kafka em termos técnico-tácticos as jogadoras não são inferiores, os treinadores é que sim.
O que faz com que elas não se pudessem afirmar é a diferença tremenda em termos físicos, são dois universos completamente distintos. Uma jogadora feminina de 1m80 é uma torre, para os homens é perfeitamente normal.
DemaDrogo
Tiago Gudjohnsen
É mesmo verdade que uma seleção das melhores jogadoras do mundo (por exemplo deste mundial) não conseguiria sequer disputar o jogo com uma equipa da 2ª Liga, nem do CNS?
Bem, sendo assim parece que vou continuar sem ser espectador :-)
João Magalhães
DamaDriogo,
Um treinador não influencia o nível técnico de um jogador, especialmente a partir de uma certa idade. E se a diferença física fosse pela altura, o problema estava resolvido. Ainda recentemente estava a ver um jogo do europeu sub17 feminino e digo-te que uma equipa de futebol de 7 de um grande de Portugal conseguia ganhar o jogo. O Homem tem condições naturais direccionadas para o futebol que a mulher não consegue ter.
Kafka I
DemaDrogo
Não concordo nada, do que fui vendo deste Mundial, as lacunas técnico-tácticas eram por demais evidentes, com bastantes golos devido a falhas enormes de marcação por exemplo, principalmente em processo defensivo são fracas, o que leva a que haja muitos golos não pela superior qualidade técnica dos ataques, mas pela baixa qualidade os processos defensivos e mesmos das guarda redes que sofrem golos que no futebol masculino seriam considerados autênticos frangos..
Awesome_Mark
O motor de todas as disparidades está no requisito físico. E contra a genética não há nada a fazer.
Anónimo
Então há que desenvolver a formação, não é por inferioridade das mulheres, cujos cérebros que eu saiba são tão capazes como os dos homens, mas dos processos de aprendizagem. Se tivessem os mesmos instrumentos que nós de certeza fariam igual. Olha uma Academia como a do Sporting para mulheres, elas teriam a mesma capacidade, acho eu. Digo eu. Já fisicamente são limitações impossíveis de colmatar, claro.
DemaDrogo
Kacal I
Não acompanho futebol feminino mas Hope Solo talvez fizesse umas defesas e a Marta era capaz de dar umas "dores de cabeça", agora jogar 90 minutos sobre 90 minutos neste nível seria complicado.
Fábio Mendes
Excelente Post Inês!!
Parabéns!!!
NFM *
Não concordo nada com A Morgan no melhor 11, antes do torneio apostei nela para melhor marcadora e jogadora mas foi uma autentica decepção, falhando golos inacreditaveis e sendo egoista em alguns momentos…
Sasic e Mittag por exemplo mereciam mais do que ela….
A revelação do torneio para mim foi Lady Andrade, talvez a jogadora com melhor técnica individual do Mundial, fez coisas simplesmente geniais…
Anónimo
A Sasic marcou metade dos golos contra mortos e falhou aquele penalty contra USA e a Mittag foi de mais a menos.
É difícil de explicar mas compreendo a opção pela Morgan, veio de lesão e mesmo assim teve impacto tremendo na forma de jogar das americanas.
DemaDrogo
Fábio Teixeira
Sem dúvida.
NFM *
A Sasic é uma das melhores jogadoras do Mundo neste momento, bateu o record de golos na Champions League (14) e marca golos a qualquer equipa…
Lloyd e A Morgan são as minhas jogadoras favoritas dos EUA mas acho que a Sasic merece muito mais…
Mas são opiniões…
Anónimo
NFM* Mas nisso apenas tu tens culpa, não a Morgan :v
Quem é que aposta numa jogadora para melhor marcadora quando vem de uma lesão (e nem a 80% estava)?
É actualmente a melhor PL do mundo, e notou-se e muito a diferença com ela em campo…mesmo a uns 80% de condição física.
E depois tem aquilo que diferencia-a das outras: qualquer arrancada/jogada/remate dela a equipa está perto de marcar golo…e isso intimida e muito.
Lopes
Anónimo
A Morgan tem o efeito Ronaldo e Messi. A equipa joga melhor e de forma mais valente, a oposição resguarda-se mais na defesa e retrai-se no ataque.
A sua mera presença atrai marcações, liberta colegas e em termos psicológicos tem um impacto muito grande.
Tudo pelo que o Lopes disse, de cada vez que ela pega na bola a possibilidade de haver golo sobe exponencialmente. Em três dos golos dos EUA ela esteve indirectamente na jogada. Num atacou a bola e tirou quatro da jogada, noutro atraiu marcações e libertou a C Lloyd e noutro o cruzamento que deu origem ao mau alívio ia para ela. Parece insignificante mas n é.
As equipas adversárias ficam intimidadas só por ela jogar.
DemaDrogo
Anónimo
Confesso que não acompanhei muito o Mundial, mas se houve seleção que me impressionou pela qualidade de jogo foi a Austrália, principalmente no primeiro jogo contra os EUA, onde a eficácia resolveu o jogo para as norte-americanas.
Mário
Rodolfo Trindade
Excelente post Inês!
Concordo, Morgan apesar de estar longe do seu melhor a espaços ainda mostrou a sua qualidade.
Gostaria de destacar uma "brinca na areia" que me entusiasmou ver, Andrade, excelente técnica individual!
Anónimo
Teria incluído a Henry no onze em vez da Scott de resto concordo. Bom Mundial.
DemaDrogo
João Lains
Mundial vs Mundial de Sub-20, Europeu de sub-21, Copa América, Mundial Feminino, Europeu de Sub-19 e Gold Cup. Um verão cheio, mas ainda assim insuficiente para equilibrar a balança.
Pedro Soares
Eu arriscaria-me a dizer que mesmo comparado com Verão de Europeu r mesmo assim a balança não ficaria equiçibrada.
João Costa
N há melhores guarda redes no Japão??
NFM *
Os Gr são o grande problemas do futebol feminino, Alemanha e EUA têm grandes GR mas as restantes estão muito longe destas duas em qualidade…
Houve muitos golos cómicos neste Mundial…
Awesome_Mark
Existe uma primeira vez para tudo. Vancouver foi o palco do primeiro jogo de futebol feminino que acompanhei do primeiro ao último minuto. Tratando-se da final do Mundial, julguei tratar-se do cúmulo daquilo que a categoria tem para oferecer. No BC Place estiveram presentes, imagine-se, mais pessoas que no derradeiro encontro da Copa América (53.341 contra 45.693), e a média de assitências global é também superior ao do certame realizado em terreno chileno (26.029 contra 25.227). E as audiências televisivas também venderam como pão,ao menos atendendo à realidade do futebol feminino. Sucesso este que vem atenuar a misoginia ainda muito presente no que se refere às mulheres e à bola. Parece ter sido igualmente uma competição muito bem organizada pelo Canadá, que junta-se aos Marrocos e Austrália nos destinos ideais para as edições pós-2022 do Mundial de Futebol Masculino.
Quanto à partida propriamente dita, foi aberta, o que tornou-a agradável e fiquei particularmente surpreendido ao reparar que há jogadoras bem evoluidas tanto no cômputo técnico, tático e mesmo físico. Apesar de serem notórias algumas debilidades, como no posicionamento ou no momento de decisão. Os Estados Unidos foram apontados como a melhor equipa do torneio antes da final (mesmo que não tenham feito o pleno, ao contrário do adversário) e acabaram por confirmar o estatuto. E de forma categórica. Foram quatro golos no primeiro quarto de hora e depois, mesmo não tendo partido para uma avalanche ofensiva que lhes permitisse um resultado ainda mais histórico (já foi o mais gordo em finais) controlaram sempre e no momento em que o Japão com o segundo golo deu indícios de uma recuperação épica, matou o jogo logo a seguir. Muito eficazes também, conseguindo o tento em 5 dos 7 remates à baliza, e terminando curiosamente com menor posse de bola que o oponente (45-55). 5-2 ao cabo dos 90 minutos, nesta que foi a terceira final internacional consecutiva entre ambas as seleções. Em 2011 no Olímpico de Berlim levaram melhor as nipónicas nos penaltys enquanto que em 2012, em Wembley e já para os Jogos Olímpicos, vitória americana por 2-1.
Quanto às individualidades, naturalmente estou por fora da atualidade, mas hoje deu para perceber o porquê de Carli Lloyd ser considerada a melhor do Campeonato do Mundo. A centro-campista que joga múltiplas vezes muito perto da baliza contrária e também capitã de equipa, além dos golos, é a dinamizadora de jogo e junta ainda o prémio de melhor marcadora (ex aequo com Célia Šašić da Alemanha) , com seis golos apontados (este domingo fez um hattrick em treze minutos!!!). A atuar no Houston Dash, que nem é dos melhores da "MLS Feminina", assume-se como uma das grandes favoritas à conquista da Bola de Ouro em janeiro de 2016. De resto, a americana Christie Rampone tornou-se na mais velha atleta a atuar num Mundial, com 40 anos, enquanto que pela segunda edição consecutiva a guarda-redes, também norte-americana, Hope Sole, foi considerada a melhor do torneio. Nas orientais, não houve grandes destaques, e ficou patente a menor quantidade de argumentos.
Em suma, está aqui o resultado do projeto de um dos países que melhor tem trabalhado a sua estrutura no que toca ao desporto-rei nos últimos anos, tanto em masculinos como femininos. Arrisco-me a dizer que melhor só a Alemanha. Este mês de julho particularmente, poderá ser de sonho, caso juntem a este título mundial a Gold Cup na categoria sénior masculina. A cada vez maior atratividade da MLS também ajuda e a decisão de abrir uma Liga Feminina que foi fundada em 2012 também é de extrema importância. O impacto nos americanos, que hoje ligam muito mais ao 'soccer', é brutal. Se continuarem a dar estes passos muito bem calculados, quiçá daqui a uns 15/20 anos temos um novo tubarão em termos de seleções. E neste caso, seria CAso para dizer, que tubarão!
João Lains
Continuo sem perceber essa tua implicância com as assistências nos estádios. O Canadá acolheu diversas competições internacionais nos últimos anos, quebrando vários recordes de assistências. Todos os estádios foram construídos de raiz ou alvo de obras de renovação. É perfeitamente normal que a sua capacidade pela superior ao dos palcos chilenos. Além disso, o Canadá foi o 11 (décimo primeiro) país com mais fãs no Brasil, durante o último campeonato do mundo. O primeiro se restringimos apenas aos países, cuja seleção nacional não participou no torneio. Que ninguém duvide da forma como o Estados Unidos têm trabalhado, assim como o Canadá, cujo futebol nacional também tem sido alto de diversas reformas, mas se o nível da turma norte-americana subiu consideravelmente, grande parte se deve à captação de jogadores com raízes norte-americanas, tanto na Alemanha como no México, e esses jogadores não cresceram nas academias americanas.
Awesome_Mark
E eu não consigo perceber como é que não consideras assinalável que num planeta desportivo dominado a larga escala por homens, uma competição feminina tenha melhor média de assistências que a terceira continental masculina mais importante ao nível de seleções, no continente onde muitos afirmam viver-se o futebol da forma mais pura. Depois justificar estes números pela maior capacidade dos estádios é uma falácia, pois se todos os recintos chilenos tivessem registado lotações esgotadas, superariam a média deste Mundial Feminino. E falares do Brasil também não penso ser relevante nesta discussão, pois lá está, é futebol masculino, e acredito que no Canáda o interesse por cada uma das categorias é bem diferente como em qualquer outra parte do mundo. Quanto aos Estados Unidos, sublinho o que que dizes e ter um homem como Klinsmann à frente dos Yanks também ajuda imenso.
João Lains
Eu considero assinalável, só não estou tão surpreendido quanto tu, porque estou familiarizado com o momento que o futebol canadiano atravessa, e sugiro que faças o mesmo, já que preferiste ignorar tudo aquilo que eu te disse, já para não falar que estás a comparar uma competição que só reúne adeptos provenientes da América do Sul e um Campeonato do Mundo. E se o facto de se disputar no Canadá não é suficiente, basta dizer que o Canadá e os Estados Unidos, são países vizinhos.
Awesome_Mark
Estás familiarizado com o momento que o Futebol Feminino canadiano atravessa, que ao que apurei, nem sequer tem uma Liga Nacional e limita-se a "emprestar" jogadoras para a competição que se realiza nos EUA? Competição esta, que diga-se de passagem, tem assistências por norma inferiores aos 5.000 adeptos. Se alguém preferiu ignorar algo foste tu e foi aquilo ao qual eu dou realmente foco – mulheres, num mundo do futebol dominado por homens, a conseguirem colocar milhares de pessoas nos estádios. Mais do que numa das mais prestigiantes competições masculinas do mundo, em que o anfitrião também é vizinho de muito boa gente. E reitero, havia a possibilidade da média de adeptos ser superior àquela que foi. Tanto é que em nenhum dos teus comentários usas o termo "mulheres" ou "feminino", analisando tudo de forma demasiado abrangente. Em suma, tu pareces estar a analisar as coisas como se as diferenças existentes entre as categorias (masculina e femina) fossem nulas, quando na verdade todos sabemos que são abismais. Em termos de qualidade, interesse. Enfim, basicamente em tudo.
João Lains
É verdade que estas assistências são surpreendentes agora não faz sentido dares a entender que tudo aconteceu por acaso. A federação canadiana tem desenvolvido diversos esforços nos últimos anos, que incluem a criação de planos de desenvolvimento para os jogadores (e para as jogadoras), um maior número de pessoas qualificadas (treinadores), tudo isto inserido num programa, disponível para consulta de todos, que poderá ter como corolário a organização do campeonato do mundo de 2026, e este tipo de provas como o mundial feminino, servem para aferir as capacidades do país para organizar um torneio com essa dimensão. Se eu acabei por desviar o foco destas protagonistas, tu também não ficaste melhor na fotografia, ao desprezar tudo aquilo que tem sido feito de bom por lá. E isto só ajuda a explicar uma pequena parte porque os norte americanos é que são os grandes responsáveis pela compra de bilhetes, a que a proximidade geográfica não pode ser dissociada.
Awesome_Mark
Não dei a entender que tudo aconteceu por caso nem desprezei seja o que for. Apenas o foco que dou à questão diverge do teu. Ou seja, quando pretendo falar de peixe, tu queres debruçar-te sobre a carne. Assim sendo, fica difícil chegarmos a um consenso.
JOAO.p
RAMONA BACHMANN!!! Que jogadora!
Gosto do onze, compreendo a ausência da C Sasic, foi só bater em mortos, depois chegou aos duelos importantes e nada fez, a A Mittag também deixou muito a desejar quando vieram os jogos cruciais, no Japão também não houve nenhuma avançada de registo nem na Inglaterra, podia ter incluído a Le Sommer mas lá está, é preferível alguém da equipa vencedora e a A Morgan apesar de estar condicionada teve de facto grande influência na forma como de um jogo para o outro as americanas passaram a jogar 10x mais, a qualidade de jogo aumentou imenso, ela dá fluidez, linhas de passe e um maior leque de opções, sabe o que fazer com a bola, é verdade que não esteve perfeita e falhou aqueles golos contra a Alemanha mas arrancou penalties e cartões vermelhos e arrastou marcações e lá está, as estatísticas não são tudo e ela teve mesmo influência incrível na forma de jogar da sua equipa, aliás elas começaram a jogar bem foi quando ela apareceu.
Gostei da Austrália e da Nigéria, da Colombia também, foi a Costa Rica deste Mundial, a Lady Andrade e a Yorely são craques, um bocado brinca na areia mas grandes fantasistas. Por falar em Costa Rica, aquela treinadora tem futuro e tinha uma personalidade fortíssima, parece-me muito muito competente, gostei de a ver, tal como o Mark Sampson, meteu as inglesas a jogar futebol e que futebol, muito merecida a medalha de bronze, a Tailândia também me surpreendeu, já Espanha, Brasil e Suécia foram uma desilusão, também esperava mais da Coreia do Norte.
Por fim: que GOLÃO da C Lloyd! E mais uma vez, Bachmann, que talento, só faltou mesmo marcar mais golos.
Kacal I
Não acompanho futebol feminino mas as mulheres merecem respeito e têm os mesmos direitos, Parabéns ao EUA pela conquista. :-)