Na sequência do desafio apresentado aos leitores (ler aqui) de tentarem criar um 11 de jogadores (ainda no activo) formados no respectivo clube, iremos indicar, na nossa opinião, qual a melhor equipa possível para cada um dos 3 grandes (não faz sentido incluir o Braga pois tem pouca tradição). Optamos por excluir os elementos das equipas B (não fazia muito sentido a sua nomeação, já que a maior parte deles ainda nada provaram em termos de I Liga) e tentamos mencionar jogadores que estão a jogar (ou que tiveram uma carreira interessante).
O Sporting é claramente o clube que tem mais opções (a própria selecção nacional é prova disso), especialmente no meio campo e ataque. Na baliza não pode haver dúvidas, mas no quarteto defensivo optámos por colocar Miguel Garcia (Cédric ou Pereirinha fizeram ainda menos que o herói de Alkmaar), Caneira e José Fonte têm carreiras interessantes fora de portas e a adaptação de Miguel Veloso à lateral esquerda é perfeitamente possível. No meio campo, dois ex-capitães dos leões, Custódio e João Moutinho, com Nani (que começou a 10 quando chegou à equipa principal do Sporting, para abrir espaço nas alas) à sua frente. Para o ataque, Quaresma e Varela nos corredores e Cristiano Ronaldo como ponta de lança (posição em que os leões não formaram grandes jogadores). No Porto não tivemos grandes dúvidas. Na baliza colocámos Rui Sacramento (Bruno Vale seria outra opção), com Manuel José, Ivo Pinto (uma adaptação a lateral esquerdo) e a fortíssima dupla de centrais constituída por Ricardo Carvalho e Bruno Alves à sua frente. No meio campo não há muitas opções e, como tal, Paulo Machado e Castro merecem o lugar. Atsu e Vieirinha ocupam os corredores laterais (Hélder Barbosa ou Ivanildo eram as alternativas), com Postiga no apoio a Hugo Almeida na frente de ataque. Já no Benfica, há um défice de opções evidente. As redes são defendidas por Paulo Lopes (Moreira prometeu mas teve uma carreira pouco conseguida) e o quarteto defensivo é composto pelos laterais Sílvio e Miguel Lopes (ambos deram nas vistas no Rio Ave) e pelos centrais Miguel Vítor e pelo surpreendente romeno Vlad Chiriches (poucos conhecem, mas actua no Steaua). No meio campo colocámos Fernando Alexandre e Manuel Fernandes, ladeados pelo ganês Yartey e por João pereira, que pode jogar como extremo. No ataque o maritimista Sami joga no apoio a Nélson Oliveira. Um 11 claramente inferior ao de Porto e Sporting.
Mais do que apontar os 11´s, o propósito deste debate era reforçar o pouco que tem sido feito em termos de formação nos últimos 6 anos (se repararem a grande parte dos jogadores mencionados saltou para o futebol sénior antes de 05-06), pois com este cenário a conclusão é óbvia: à excepção do Sporting (onde mesmo assim é complicado ter qualidade em algumas posições, principalmente na defesa e no centro do ataque) e FC Porto (mas neste caso as alternativas eram muito limitadas), o que tem saído das camadas jovens é francamente pobre e, provavelmente, se voltarmos a fazer um post semelhante daqui a 10 anos, talvez a situação não se altere muito (até poderá ser pior). Há esta geração leonina que é bastante promissora, as águias também têm uma fornada bem interessante, mas o que falta é uma aposta consistente e margem de erro para que os jovens evoluam e cheguem à equipa principal. Como se explica esta dificuldade em formar um 11 competitivo apenas com jogadores da formação (seja no caso do Sporting, Benfica, Porto, Braga, Vit. Guimarães, de todos os clubes nacionais)? Responsabilidade das equipas (não sabem formar, ensinar, potenciar, e depois com a aposta zero no jogador nacional também desmotivam e bloqueiam a evolução de elementos que com minutos e espaço podiam ser craques)? Os nossos jovens tem menos aptidão do que tinham no passado (talvez motivado por uma vida mais caseira, mais à base de videojogos, em vez do tradicional futebol de rua)? Este cenário vai mudar nos próximos anos, ou será cada vez pior? Que medidas encontra para contornar esta situação (obrigar a utilização de jogadores nacionais, contratar técnicos estrangeiros, mas mais capazes para os escalões de formação, ou reformular o quadro dos campeonatos de juniores, juvenis e iniciados…à excepção da fase final a competição é muito soft)? E por último, qual é a equipa mais forte das 3?




