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Fez o que Pogačar ainda não conseguiu! Vingegaard é o 8.º na história a vencer as 3 Grandes

O que precisa para ser considerado um dos melhores de sempre? Se vencer um terceiro Tour, tem de começar a entrar seriamente nessa discussão. E não vai ser este Giro a impedir isso. Praticamente não se desgastou, tal foi a superioridade que exibiu e, apesar da concorrência ter sido fraca, mostrou que está na melhor fase da carreira nas montanhas. Esta Volta fica ainda marcada pelo protagonismo de Eulálio (vários dias de rosa, melhor jovem e sempre a tentar fazer a diferença), pela força de Magnier nos sprints e de Narváez nas etapas de média dificuldade, pelo merecido segundo lugar de Gall (no ano passado fez top 5 no Tour, mas ainda não tinha o devido reconhecimento) e pela forma como a Lidl-Trek nos últimos dias conseguiu salvar uma prova muito abaixo das expectativas, com a camisola da montanha de Ciccone, o quinto lugar de Gee e a vitória de Milan na derradeira etapa, ainda que o italiano tenha ficado aquém do que se previa.

Jonas Vingegaard sagrou-se campeão do Giro e passou a ser o 8.º ciclista na história a ter as 3 grandes Voltas no currículo, depois de Jacques Anquetil, Felice Gimondi, Eddy Merckx, Bernard Hinault, Alberto Contador, Vincenzo Nibali e Chris Froome. O ciclista dinamarquês, da Team Visma | Lease a Bike, terminou à frente de Felix Gall, Jai Hindley, Derek Gee-West e do incrível Afonso Eulálio. Já a etapa da consagração foi para Jonathan Milan, que assim salvou a sua má Volta a Itália.

10 Comentários

  • Frodo
    Posted Junho 1, 2026 at 11:04 am

    O que precisa para ser considerado um dos melhores de sempre? Essa é fácil: aprender a andar de biciclete sem mãos :P

  • Paulo Roberto Falcao
    Posted Junho 1, 2026 at 6:35 am

    Os melhores ciclistas de sempre diria que se dividem em eras. E o ciclismo dos anos 50 não é comparável ao de hoje, pelo que é absurdo comparar eras, mas apenas reconhecer feitos. O meu contributo para a discussão do GOAT.

    O ciclismo teve sempre rivalidades, mas a de Gino Bartali e Fausto Coppi nos anos 40 definiu o padrão ouro ao qual todas as rivalidades são comparadas, pelo estilo distinto dos dois ciclistas, pelo que ambos simbolizaram na Itália do pós guerra, e sim pelos records de ambos, Bartali por exemplo é o único ciclista que venceu Tours com dez anos de diferença um do outro. Numa época de amadorismo são os primeiros verdadeiros profissionais.

    No final dos anos 50 surgem Jacques Anquetil, que inaugura um tipo de ciclismo moderno, sendo um grande contra relogista, que conseguia aguentar bem nas montanhas, e o primeiro grande ciclista romântico, e Raymond Poulidor, um ciclista que atacava muito, e por isso nunca venceu um Tour. Não é por isso que não está no olimpo do ciclismo como uma grande figura. Adiante.

    O final da década assiste ao aparecimento de Merckx, o canibal, o primeiro ciclista verdadeiramente completo da história, tendo vencido todas as provas que disputou, e sendo o recordista das clássicas. Foi um domínio avassalador, mas retrospectivamente Merckx começa a carreira cedo, e termina cedo. Não tendo coincidido como ciclistas, Hinault foi o seu sucessor em tudo, no estilo de ciclismo selvagem e na vontade insaciável de vencer.

    Os anos 80 têm um domínio repartido entre ciclistas como Roche, Delgado LeMond e Fignon, todos grandes ciclistas mas nenhum verdadeiramente dominador, até que surge Miguel Indurain, e impõem o seu estilo de ciclista máquina, um contra relogista quase inumano, que hoje em dia muitos relacionam com o aparecimento da nova droga, a EPO.

    Segue-se o império de Lance Armstrong, que se irá prolongar no início do novo século, com os seus sete Tours, que entretanto foram retirados. No final da era Armstrong surgem dois ciclistas que vão protagonizar a segunda década do século XXI, Contador e Froome, que acabou por emergir o grande ciclista inglês fruto da máquina da Sky. É uma era confusa, com as acusações de doping a mancharem muitas provas, mas na qual a rivalidade Froome- Contador manteve o interesse do ciclismo num momento muito negro.

    Seguiu-se no final da década o aparecimento de Pogacar, e do único ciclista que lhe fez realmente frente, Jonas Vingegaard. Ambos partilham um record incrível, e inédito na história do ciclismo: desde que começou esta década ambos venceram ou foram segundos em todas as grandes voltas que participaram. Ou seja quando não vence um vence o outro, sendo que os últimos anos acentuaram a hegemonia do esloveno.

    Olhando para a história e para os números diria que há dois ciclistas acima dos outros que citei, Merckx e Pogacar, pelo tipo de domínio que exerceram. Seguem-se Hinault e Coppi. Mas depois coloco uma questão: o que fazer a Lance Armstrong ou a Miguel Indirain? Ignorar que eles existiram, mesmo tendo ambos competido com as armas da sua época, tal como todos os restantes ciclistas do pelotão?!

    Vem isto a propósito de Vingegaard, que sim é um grande. Teve simplesmente o azar de caber-lhe viver a era de Pogacar, tivesse nascido dez anos antes e seria um ciclista monstruoso.

    • AndreChaves9
      Posted Junho 1, 2026 at 6:43 pm

      Na realidade não houve grande rivalidade entre Contador e Froome. Era o único apontamento ao comentário. De resto tudo ótimo.

    • filipe19
      Posted Junho 1, 2026 at 11:41 am

      Só uma pequena correção: o Vingegaard termina a Vuelta de 2020 em 46o. O Pogacar também tem uma Vuelta em que termina em terceiro mas foi em 2019 e não entra nesta década como mencionaste.

      Por mim, eu coloco o Lance e o Miguel no topo das listas, simplesmente porque usaram as mesmas armas que os outros ainda hoje usam ou dantes usavam. Acho ingénuo acreditar que essas “armas” tenham desaparecido completamente do ciclismo ou que, na época de Merckx, tudo fosse limpo. Mas como sei ignorar isso, continuo a achar que Merckx e Pogacar estão acima de todos os outros. Pela simples razão de que ambos também venceram clássicas e dominam a concorrência nessas provas. Armstrong nunca fez isso e Vingegaard também se distingue nesse aspeto.
      Num ranking virtual não sei quem colocaria em terceiro, mas sei que colocaria Merckx e Pogacar em 1 e 2, talvez também juntos em primeiro. Depois que venha o diabo e escolha.

      • Paulo Roberto Falcao
        Posted Junho 1, 2026 at 12:38 pm

        Certíssimo, fica a correção relativamente a esse resultado de Vingegaard, mas ainda assim é um record, em nenhuma outra era dois ciclistas estiveram tão longe dos restantes nas grandes voltas, talvez Armstrong- Ulrich se aproxime um pouco, mas apenas no Tour.

        Sim no fundo dissemos o mesmo, senão repara.

        Fausto Coppi, cinco Giros e dois Tours. Nunca foi à Vuelta, mas tem um record ainda mais incrível que Bartali, vence o Giro de 1940 pela primeira vez, e o último em 1953, ou seja com 13 anos de diferença, e teria mais uns tantos Giros e Tours se não tivesse ocorrido a segunda guerra Mundial. Bom mas o meu ponto não é esse, Coppi vence Milan SanRemo três vezes, Paris Roubaix uma vez, e o Giro da Lombardia por cinco vezes, record que Pogacar igualou no ano passado. Ou seja foi nas clássicas o mesmo ciclista dominador que nas grandes voltas.

        Bernard Hinault mais do mesmo. Cinco Tous, três Giros e duas Vueltas, é o único ciclista que venceu as três grandes voltas mais do que uma vez. Venceu o Paris Roubaix uma vez, Liége duas e Lombardia outras duas, tendo ainda vencido as grandes clássicas como a Amstel, Gent ou a Fléche Wallone. Ou seja foi muito mais do que apenas um grande voltista.

        Escolhi-os um pouco atrás dos dois GOATS porque foram dois ciclistas absurdos na sua era, e sim dominadores, muito mais do Lance ou Indurain. Para mim as dúvidas começam portanto no terceiro patamar.

        • DNowitzki
          Posted Junho 1, 2026 at 4:17 pm

          Depois há as contingências. O Hinault ganhou cinco e não sei, porque teve uma queda e desistiu quando tinha a coisa ganga. Depois apanhou com Fignon e GL no final da carreira, os quais partilharam entre si cinco Tours.

          Sobre os GOAT, absolutamente de acordo. Os grandes heróis terão sido os tipos que fizeram os primeiros Tours. Os homens até os pneus sobresselentes levavam às costas, etapas com quase 500 km, sem qualquer apoio mecânico, bicicletas rudimentares, etc., etc.

  • AndreChaves9
    Posted Maio 31, 2026 at 7:52 pm

    Fez o que o Pogacar ainda não tentou fazer que é um bocadinho diferente. Ate 2028 deve tentar a Vuelta sendo que quando mais cedo melhor porque daqui a nada chega à 10a temporada de tubarão e todos sabemos que não há ciclistas eternos.

  • Bayern de Monchique
    Posted Maio 31, 2026 at 5:40 pm

    Se o critério para entrar no lote de “melhores de sempre” é ser um grande voltista e ganhar GT… Froome dominou na era Sky. Está nesse lote? Diria que não.

    Acho que Jonas será relembrado somente por isso. Como um grande voltista, exímio escalador e provavelmente a razão pela qual Pogaçar não dominou o Tour de France consecutivamente ano após ano – talvez também a razão pela qual o Esloveno se transcendeu após as derrotas de ‘22 e ‘23.

    Quanto ao Giro, foi sem espinhas. Está num nível que (muito) poucos conseguem seguir. E se seguem é por pouco tempo.

    Venha de lá esse Tour!

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