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Todos contra Froome… até os adeptos

Começa este sábado a 105ª edição da Volta a França! A maior prova do calendário velocipédico, que este ano adiou o seu início uma semana para não entrar em conflito com o Campeonato do Mundo, tem tido um período de aproximação muito nervoso que culminou com o facto da organização da prova (a ASO) declarar o campeão em título Chris Froome persona non grata na véspera da Agência Mundial Anti Dopagem deliberar que o controlo adverso do britânico na última Vuelta não foi um controlo positivo, retirando qualquer fundamento à ASO para rejeitar a presença da estrela maior da Sky.

Por todo este processo, e pelo facto de Froome ser neste momento o campeão em título de Tour, Giro e Vuelta – tendo tido na última primavera em Itália, provavelmente, a melhor exibição da sua carreira – todas as atenções vão estar centradas no tetracampeão, sendo o principal alvo a abater, não só na estrada como fora dela, já que os adeptos gauleses, como demonstraram na apresentação ao assobiarem ruidosamente o britânico, não deixam de expressar vivamente as suas convicções por mais que uma decisão da WADA favorável ao corredor pudesse sugerir um comportamento mais politicamente correto.

No entanto, há muitos motivos de interesse para acompanhar este Tour para além do circo mediático à volta de Froome, e na Sky estão logo alguns, pois, para além de  ver como Froome aguentará a dupla Giro –Tour (este ano com uma semana extra de descanso entre as provas), será interessante seguir se Geraint Thomas, vencedor do último Dauphiné, se emancipará da liderança de Froome, e que impacto terá na corrida o fabuloso Egan Arley Bernal, o maior talento precoce a surgir neste desporto desde Peter Sagan.

Também o percurso de 2018 é particularmente atractivo, e provavelmente não beneficia Froome (em 2014 desistiu na etapa do pavé).  Os especialistas em clássicas, não apenas os que conseguem sprintar em pelotão compacto como Sagan ou Matthews, mas outros como Van Avermaet, Alaphilippe ou Gilbert terão bastantes hipóteses de brilhar. Para além da etapa 9 com chegada a Roubaix e que conta com 15 setores de pavé, a etapa 6 com chegada ao Mur de Bretagne, a etapa 5 têm características de clássicas, enquanto muitas das 8 etapas “planas” são elas também bastante nervosas, em que o vento pode fazer a diferença e a etapa 14 favorece os puncheurs. O percurso conta ainda com um contrarrelógio por equipas de 35 Km à etapa 3 e um contrarrelógio individual muito duro de 31 km à etapa 20. Os trepadores mais puros terão várias hipóteses de virar o jogo nas 7 etapas de montanha, 3 delas com chegada em alto, onde se destacam a chegada ao Alpe d’Huez no fim da segunda semana e a etapa 17, com duas contagens de 1.ª e uma HC nos parcos 65 km do percurso que serão corridos, do início ao fim, sempre no limite.

Por outro lado, com todos os holofotes virados para a Sky, ganha alguma tranquilidade a Movistar, e a equipa espanhola bem necessita dela, abordando a corrida com nada menos que três líderes: Nairo Quintana, Mikel Landa e Don Alejandro Valverde. De facto um trio de luxo, na teoria capaz de abrir brechas no bloco da Sky, mas ainda assim uma estratégia arriscada de Eusebio Unzué que terá de decidir quem dos três terá um pouco de primazia, apesar de parecer que Quintana reúne alguma preferência.

Ainda, na luta pela classificação geral, será bastante interessante acompanhar um dos derradeiros ataques de Vincenzo Nibali à geral do Tour, ele que pretenderá desenhar o fim da sua carreira à volta das clássicas, uma das também derradeiras hipóteses de Richie Porte (BMC) fazer um pódio no Tour, a esperança francesa nos ombros de Romain Bardet (AG2R), a primeira apresentação de Tom Dumoulin (Sunweb) no Tour desde que no ano passado se assumiu definitivamente como um corredor de três semanas, ele que parece fadado para colocar o seu nome no palmarés da La Grand Boucle. Rigoberto Úran (EF-Cannondale), Adam Yates (Mitchelton-Scott), Warren Barguil (Fortuneo), Daniel Martin (Team UAE), Jakob Fuglsang (Astana), Ilnur Zakarin (Katusha), Bauke Mollema (Trek Segrafedo), Bob Jungels (Quickstep Floors) e a dupla Steven Kruijswijk / Primoz Roglic (LottoNL – Jumbo), são outros nomes com ambições à classificação geral.

Na luta pelos sprints e pela classificação da camisola verde dos pontos, destaque desde logo para a não seleção de Caleb Ewan e Nacer Bouhanni. Há alguma curiosidade em perceber quem dominará as chegadas em pelotão compacto, ou seja, se Fernando Gaviria (Quickstep Floors) se assumirá como o melhor sprinter do mundo perante Marcel Kittel (Katusha) e Dylan Groenewegen (Team LottoNL-Jumbo), sendo que Mark Cavendish (Dimension Data) vem de mais uma época algo azarada e há algumas dúvidas sobre a sua condição, e André Greipel parece já não ter a capacidade para dominar os sprints numa prova como o Tour. Na classificação dos pontos, o grande favorito, Peter Sagan terá como principais adversários Gaviria, o vencedor do ano passado Michael Mattews (Sunweb) e o francês Arnaud Démare (FDJ).

Infelizmente, esta será a primeira edição do Tour desde 2008 que não contará com a presença de algum português à partida. Rui Costa estava escalonado mas um agravamento de uma lesão no joelho afastou o poveiro de um dos seus principais objectivos da época.

Luís Oliveira

7 Comentários

  • Abilio
    Posted Julho 6, 2018 at 2:26 pm

    Top 10
    1 – Froome
    2 – Porte
    3 – Landa
    4 – Quintana
    5 – Nibali
    6 – Bardet
    7 – Uran
    8 – Fuglsang
    9 – Zakarin
    10 – Daniel Martin

  • DNowitzki
    Posted Julho 6, 2018 at 3:49 pm

    Aposto, como fiz com Armstrong, que a Sky recorre a substâncias ilícitas.

  • Rodrigo Ferreira
    Posted Julho 6, 2018 at 4:07 pm

    Será um Tour muito interessante acredito, pois estão cá praticamente todos (faltam apenas o Aru, Pinot, Miguel Angel Lopez e os três sprinters: Viviani, Ewan e Bouhanni) e o percurso é muito interessante. Froome será o alvo a abater, mas com a poderosa Sky em seu redor acredito que conseguirá vencer outra vez e igualar Bernard Hinault, Anquetil e Miguel Indurain com 5 triunfos no Tour.

    Todavia, num percurso que permitirá aos ciclistas de todas as especialidades brilharem (teremos muita montanha, mas também espaço para os sprinters, os puncheurs e pavés na etapa 9) este pode muito bem ser o Tour da Movistar e Quintana. O colombiano tem melhorado no crono-individual e este ano o crono de 31 km até é duro e pode ajudá-lo a minimizar as perdas. A seu lado terá uma equipa de super luxo com Valverde, que também pode arrebatar etapas, Landa, Amador, Soler e ainda o duo Erviti-Bennatti que será determinante na etapa de Roubaix. Se Quintana não vencer com este percurso, esta equipa e com Froome e Dumoulin vindos do Giro não sei quando vencerá.

    Porte e Nibali fecham o lote de candidatos ao 1.º lugar, mas se o australiano raramente tem confirmado em 3 semanas o que mostra em provas de 1 semana (a equipa também é bastante inferior aos rivais), Nibali, que até tem boa equipa, não tem tido um ano feliz. Apostará no Tour para relançar 2018, mas não me parece que vá vencer.

    Num 2.º patamar coloco Bardet, Adam Yates e Uran, podendo estes intrometer-se na luta pelo pódio. Os restantes referidos lutarão pelo top-10, sendo que Fuglsang pode ser a surpresa.

    Quanto aos sprints, é difícil prever quem dominará. O ano tem sido atípico, com as vitórias a serem divididas e nenhum sprinter a reinar. Gaviria, Kittel e Sagan irão certamente arrebatar etapas, mas Matthews, Démare, Greipel, Groenewegen, Cavendish e outros como Boasson-Hagen, Colbrelli, Degenkolb e Kristoff estarão igualmente na luta.
    Por fim, estou muito expectante para ver o que farão Alaphilippe, Jungels, Roglic, Guillaume Martin, Calmejane, Slagter e Benoot.

  • Luis ES
    Posted Julho 6, 2018 at 5:31 pm

    Sky contra tudo o resto! Mas atenção que não será um Tour tão à medida de Froome, pois vendo a sequência de etapas percebe-se que a primeira semana de prova tem tudo para podes as contas da Sky ou de qualquer outra equipa com favoritos. Quanto à aposta da Movistar, acho que cometem um grande erro em ter tanto líder numa prova. Valverde só está ali para tentar ganhar uma etapa e quiçá um top10, Quintana todos os anos claudica nos momentos-chave e creio que não será ainda que veremos Landa como o verdadeiro líder – cheira-me que trabalhará para Quintana infelizmente. Porte espero que não tenha o azar que teve no ano passado, com aquela queda estrondosa numa descida e tente ao máximo rivalizar com o seu ex-colega de equipa. Nibali, mesmo que esteja numa de enveredar loucamente pelas clássicas, não me parece que seja de descartar como candidato ao top 3. Bardet é o candidato dos franeses, mas não sei se o pior Froome conseguia ser batido na liderança por ele – acho que só o Porto e o Landa conseguem, pois só eles conhecem os pontos fracos do líder da Sky, após conviverem com ele há alguns anos na gigante britânica.

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