Segundo o Jornal Hoje, da rede Globo, uma funcionária da administração de aeroportos da Bolívia alertou a companhia aérea Lamia de que o combustível no avião, que transportava a equipa da Chapecoense, que se despenhou na terça-feira na Colômbia era insuficiente. A funcionária da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares de Navegação Aérea (Aasana) percebeu que no plano de voo que recebeu de um representante da Lamia o tempo de voo entre Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e o aeroporto de Medellín, na Colômbia, era igual ao registado para a autonomia de combustível que tinha o avião (04:22 horas), acrescentando que isso era um erro. O representante da Lamia respondeu que falou com o comandante do avião e que conseguiriam chegar a tempo. A funcionária insistiu, referindo no documento citado: “isso não está bem, consulte bem e altere o plano de voo”. Porém, o funcionário da Lamia respondeu: “faremos [o trajeto] em menos tempo, não se preocupe”. O Jornal Hoje acrescenta que a funcionária, que tinha autoridade para impedir o voo, foi hoje afastada do cargo.


20 Comentários
Kafka
Hoje um mecânico que trabalhava regularmente para a Lamia, veio dizer que era habitual a Lamia pisar o risco e voar no limite do combustível para assim pouparem dinheiro
Francisco A
Revoltante.
The Sporting Fan
É então altura de legislar sobre o combustível nos meios de transporte (pelo menos os serviços aéreos).
Por exemplo é obrigatório uma aeronave ter 1,5x o combustível necessário para fazer o voo.
O controle era feito externamente.
Kafka
Sporting
Concordo totalmente com essa medida
Bruno M.
Até na F1 e Moto GP têm de ter combustível no depósito para análise!
Não fazia ideia que nos aviões estava assim…pelo que ainda não percebi uma coisa, não podem simplesmente abastecer o que falta? Se sobrar combustível ficar para a viagem seguinte?
Tiago
Bruno, acho que funciona como nos carros. Quanto menos combustível o avião levar, menos peso tem, mais velocidade atinge e principalmente, menores são os consumos.
Nuno
Essas medidas já existem. Está legislado. O que está em causa é mesmo o facto de essas regras não terem sido respeitadas.
Tens que ter combustível mínimo para poder aguardar 30 mins em espera e ainda desviar para um aeroporto vizinho em caso de não haver possibilidade de aterrar.
Nem é preciso ir muito longe. Os voos Lisboa-Porto da Ryanair (que é low cost) têm combustível suficiente para ir até ao Porto, esperar lá meia hora e voltar a Lisboa. Já aconteceu devido ao nevoeiro no aeroporto do Porto, aviões terem que regressar a Lisboa.
Stalley
Que ridículo e pelo o que me informei, já não é a primeira vez que isto acontece e mesmo o avião não era muito indicado para este trajecto.
Tenho imensa pena dos familiares das vitimas do acidente.
Tpcouto97
Simplesmente ridiculo…quem devia ser castigado era a empresa que devia pagar uma indemnização que quase os levasse à falência e os chefes da empresa que incitam tais práticas sem qualquer respeito pela vida humana em procura de lucro deveriam responder perante o sistema de Justiça…mas como vivemos na realidade quem leva por tabela é uma pobre mulher que é uma autêntica marioneta de tais pessoas e interesses e que provavelmente tem familia em casa para alimentar que depende deste trabalho.
Bruno M.
A ser verdade, deviam ser sugados até ir mesmo à falência, e para trás das grades!
cards
A Bolívia já suspendeu a licença de voo da Lamia.
VRF7
A isto chama-se brincar com a vida dos outros. Começa a ficar demasiado óbvio que isto aconteceu por estupidez de alguém.
Rui Carvalho
Já se soube que o piloto era também sócio proprietário da empresa… tudo explicado, razões economicistas.
até no final ele parece não abrir o jogo com a controladora aérea, se declarasse emergencia de combustivel ao aterrar iria enfrentar um processo que em ultima analise os condenaria a pagar multa tal que condenaria a empresa a falencia…
muito triste mesmo..
Pedro Miguel Garcia
A única dúvida é: Se ela tinha autoridade para impedir o voo porque nao o fez!??
São todos culpados: desde o piloto que era sócio da empresa e que sabia, aos funcionários que também sabiam.
Esta brincadeira e fazer mais uns trocos custou a vida a 71 pax. Alguém tem de ser castigado!
Kacal
A confirmar-se é simplesmente ridículo, patético e frustrante! Uma pessoa não pode, simplesmente NÃO PODE brincar com a vida e pôr em risco todas as pessoas que vão naquele avião. Se havia uma pequena chance do avião não ter combustível suficiente, nem que fosse 1% de hipótese, o que tinham a fazer era não arriscar e parar a meio para abastecer ou outra solução mas não arriscar desta maneira porque é de uma irresponsabilidade e falta de bom senso indescritíveis, repito, a confirmar-se é algo revoltante porque não foi algo do destino ou azar ou divino mas sim uma decisão estúpida de alguém e para poupar uns euros ou milhares, o que seja, morreram quase 100 pessoas. Sem palavras… enfim…
Francisco A
Aqui os responsáveis são claros: o piloto e e funcionária.
Espero que a bem da verdade, a justiça actue e esta “senhorita” vá para trás das grades.
Não tenho conhecimento no meio, mas, devia ser PROIBIDO pilotos deterem percentagens das empresas para as quais trabalham. Poupar dinheiro para o combustível, como que, para não lhe irem à carteira, onde é que já se viu isto? Colocar em causa a vida das pessoas? E ATENÇÃO, o que não devem faltar são casos destes, noutras empresas.
Kafka
Concordo plenamente, (desconheço as regras internacionais de aviação), mas senão há a proibição de pilotos serem donos de companhias aéreas, essa proibição tem de passar a existir, pois como se esta a provar aqui, há um claro “conflito de interesses” entre piloto e Dono da empresa, nunca em momento podem ser a mesma pessoa,
Kacal
Também não deixa de ser verdade que o bom senso não é comum a toda a gente. Há pessoas que são egoístas e fazem tudo por dinheiro, não pensam nos outros e nas consequências dos seus actos, aqui é um desses casos, mesmo podendo poupar dinheiro, só tinha que tomar a decisão mais correcta independentemente de tudo.
GroovyTony
Infelizmente o homem foi assim do inicio ao fim. Não quis pagar mais combustível na Bolívia e não declarou emergência assim que pode ao aeroporto de Medelin. Se tivesse declarado, teria que ter pago uma multa alta por viajar com combustível insuficiente em relação ao necessário + caso de emergência. 71 vidas perdidas por dinheiro.
Ricardo Ricard
Toda esta história é demasiado ridícula e surreal…Incrível como há tantas fotos e videos antes da viagem e no avião,incrível a coincidência de outro avião pedir ajuda e pelos vistos a ajuda não era tão importante assim,incrível como o piloto não arranjou um sitio plano para a aterragem de emergência,incrível como antes disso não abasteceu o que devia para a viagem,não alterou a rota ou não pediu ajuda mais cedo, incríveis as razões para tanta gente morrer.