Na altura em que Vítor Bruno foi elevado a treinador principal, depois de uma mudança de regime que não encontra paralelo na história do FC Porto, afigurava-se como uma escolha com potencial para conciliar a necessidade premente de mudar sem ser disruptivo. O até aí adjunto de Sérgio Conceição oferecia uma linha de continuidade ao fim de 7 anos de trabalho no Olival e mais de quinze jogos ao comando da equipa, enquanto prometia a injeção de novos conceitos táticos e um renovado estilo de comunicação por que muitos ansiavam.
Vítor Bruno chegou e cumpriu. Apesar de nunca ter encontrado o tipo de discurso que o distinguiu de Sérgio Conceição durante os tempos em que trabalharam juntos, a equipa do Porto parecia, durante a pré-época e os primeiros jogos oficiais, imbuída de novas ideias. Construindo a partir de trás a três e formando múltiplos losangos na zona central fruto da descida de Namaso para jogar de costas ou das deslocações de Ivan Jaime da esquerda para o meio, a equipa jogava de forma apoiada e encontrava a sua verticalidade sem precisar de recorrer à busca pela profundidade. Com Nico a jogar nas costas do ponta-de-lança e a linha defensiva a 50m da sua área, a reação à perda de bola era forte e o Porto passava a maior parte do tempo em controlo do seu próprio destino.
Quem hoje olha para o trabalho de Vítor Bruno pensará certamente nos seis pontos de diferença para o primeiro classificado na liga ou na campanha europeia que envergonha os pergaminhos do clube, mas essas são apenas as consequências de um mal maior – a gritante falta de ideias que lhes está subjacente. Num esforço para delinear em campo o onze que melhor fica em papel, Vítor Bruno abandonou todos os princípios até aí adotados. Hoje, a equipa nem pressiona de forma convicta a saída de bola dos seus opositores nem controla a profundidade. A ritmo de cruzeiro, não se desenham mais que dois passes- sempre horizontais- antes de despejar a bola na profundidade na esperança vaga de que, por intervenção divina, daí advenha qualquer coisa. Munido de um plantel que obrigou a direção do FC Porto a trabalhar irrepreensivelmente para estar em condições de oferecer, Vítor Bruno não encontrou a fórmula de combinar os muitos ingredientes de que dispõe com os princípios que dizia trazer.
Podia falar-se da ausência de referências de Portismo no plantel, da falta de experiência e de um líder dentro de campo, do retrocesso de praticamente todos os jogadores (com Alan Varela e Pepê à cabeça) ou da inenarrável gestão do plantel (e.g., Otávio, Vasco Sousa, Rodrigo Mora) como as causas do momento atual do FC Porto. Contudo, o principal problema de Vítor Bruno é que é hoje um espectador do lado de dentro. O jogo acontece à equipa do Porto sem nunca ser ditado por ela. Se não existe uma ideologia de jogo que informe a estratégia e ofereça uma identidade tática à equipa, não importará que as circunstâncias mudem ou que as peças sejam permutadas. Sem ideias, dificilmente haverá futebol.
Visão do Leitor: Luís Santos


9 Comentários
Gato das Bolas
Quando vi a foto do artigo pensei que tinha sido despedido. Parem de assustar as pessoas.
Força Vitor Bruno ?
Nickles
É inegável que VB tem uma tarefa enorme e extremamente desafiadora ao assumir a equipa do Porto num momento de transição, especialmente após 7 anos de um Conceição cuja a personalidade e a filosofia estavam em perfeita sintonia com a direcção anterior. Apesar das críticas sobre a falta de identidade ou inovação, é importante reconhecer que o VB, como profissional, trouxe estabilidade num período de mudanças, o que por si só é um mérito. Para além de que a equipa demonstrou em certos momentos uma boa organização defensiva (não é a toa que são a 3ª melhor defesa do campeonato de maneira isolada). É necessário e importante existir esta evolução. Ah e quase que esquecia-me da Supertaça contra o melhor Sporting do séc., onde a reviravolta tem o seu dedo pois ganha o jogo quando decide mexer e mexeu bastante bem.
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Mudanças estruturais não acontecem de forma instantânea, levam tempo, e o trabalho de VB pode muito bem representar o início de uma nova e promissora era para o futuro do clube.
Aboubakar93
Se há coisa de 15 dias ainda dava o benefício de duvida, hoje em dia diria que tenho 80% de certeza que a situação atual não se vai inverter e uns 20% de esperança que ainda podemos ter sucesso esta época. Dei o tempo necessário para tentar ver uma evolução no jogo do Porto mas o que tem vindo a acontecer é mesmo uma pioria do nível exibicional em todas as vertentes. Começo a ver uma mensagem que não passa para os jogadores, muitos erros de parte a parte ao longo das partidas, pouca intensidade, pouca crença e quase todos os jogadores em claro sub-rendimento.
Meu nome é Toni Sylva
Vou só colocar uma pergunta honesta. Não é com segundas intenções nem nada desse tipo. A pergunta é: estavam à espera que esta época tivesse mais sucesso que a anterior?
Aboubakar93
Não, de todo até porque na época passada ganhamos 2 títulos… De qualquer forma e apesar das expectativas terem começado muito baixas tendo em conta todo o passado recente e presente do clube, com as contratações que foram conseguidas acreditei que a equipa fosse evoluir como me pareceu estar a acontecer nos primeiros jogos. Foi exatamente o oposto, a equipa começou a jogar cada vez pior, mais jogadores em sub-rendimento, cada vez menos garra e alma em campo, etc…
FootballTotal
Vítor Bruno assumiu o Porto na pior altura possível. O Porto está em falência técnica, mudou pela primeira vez de direção nos últimos 40 anos e teve um treinador nos últimos 7 anos bastante marcante. E ainda para mais com um plantel fraco ( que já o era nos últimos anos, mas que o Sérgio ia escondendo bem) .
Por isso, seja Vítor Bruno ou outro treinador ,dificilmente ia correr bem.
Assumiu-se no início do ano que ia ser um ano zero, difícil e de muitos contratempos. Mas pelos vistos a paciência está-se esgotar .
Gabo a coragem do Vítor Bruno.
Neville Longbottom
O plantel do Porto nos tempos do Conceição era o alternadamente o melhor ou o segundo melhor plantel em Portugal. O Sérgio não precisava de esconder nada.
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O plantel deste ano é fraco agora, se recuarmos 1 mês, não era. Depende se está a ter sucesso ou não. E isso depende da liderança.
ManuelFAlbuquerque_
Os portistas têm de fazer uma análise muito simples.
Os adversários estão a elogiar o VB nesta fase difícil? Então é porque estão contentes com os vossos (fracos) resultados.
Por mim não vou nem criticar nem elogiar, vou apenas dizer que a Supertaça foi um presente autêntico do Sporting e da sua equipa técnica e que não era fácil substituir um treinador tão competente e carismático como Sérgio Conceição.
OTioVermelhudo
Pois a bicada do Boas ao Conceição e também à antiga direção pode lhe sair bastante cara, não acredito que o Porto estivesse tão depauperado ao ponto de não ter outras soluções para comandar o time.
E além disso é natural que os próprios jogadores também façam comparações entre as duas chefias, ainda para mais quando estamos falando de duas figuras tão próximas.
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É como o Tio já te disse, há coisas que só são perdoáveis quando tens paí [1;19] anos, és miúdo e tás hipnotizado pelas cenas que te jogam na tola, tás completamente exausto com tanta borbulha no cérebro e com as vibrações externas. Se tens mais que esta idade e não percebes que um profissional, com uma mudança de chefia, pode piorar o seu desempenho se notar que a chefia anterior era mais competente… … … pá, se não percebes isto tás todo queimado. Sério, papo recto. E não é preciso ser profissional da bola, tu podes ter um trabalho dito mais simples ou podes ter agora entrado para a faculdade mas se pensares a fundo na cena chegas logo à conclusão. Isto se gostares de pensar. I know y’all love beber umas jolas e ganhar aquela confiança de xixi sem a qual não têm coragem para se meter com as miúdas, pá tá certo, Tio compreende, mas bolas também dá jeito parar um pouco no silêncio da noite e tirar umas conclusões.
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Isto tudo para dizer que é provável que muito jogador lá dentro ache que passou de cavalo para asno. O Boas deveria ter feito mesmo um corte com a equipa técnica anterior. Era o que o Tio teria feito caso estivesse na mesma situação.
Na manhã antes do jogo com o Moreirense, no post da vitória do Benfica, disse-te que a adepta iria dizer-te que sentia segura com o Conceição, porque há adeptas que não se importam que o gajo seja um jafardo comendo desde que seja assim num “praia no parque” e coiso.
Provavelmente não deste importância ao que eu disse, como é costume, mas vê bem como o Tio foi mesmo pontual no que disse.
Foi coincidência? Claro que sim.
Continua… … Continua que tás muito bem, muito mesmo… …
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Já te disse que sou dos gajos mais sinceros aqui deste mambo, mesmo com os Deuses e com as cenas dos outros Tios, já devias ter percebido que não é ficção. Mas tudo bem, é contigo. Continua fazendo vénias aos do costume, qualquer dia vais dizer mal do jogador que tanto elogiaste só numa de virar o bico ao prego e passar despercebido. Ao menos a adepta não esconde ao que vem, basta ver o brilhozinho nos olhos e topas logo se lhe deu formigueiro.
“Ya”.
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Calhou agora ao Porto umas fases meio malucas, calha a todos, vamos ver como aquilo balança ou deixa de balançar.