A Bundesliga deu o pontapé de saída para o regresso do futebol, Estávamos todos a radiar por ver novamente 90min de futebol, que não da liga bielorrussa e de repente, eis que começam a surgir sons estranhos. Gritos dos treinadores? O impacto da bola nas botas? Jogadores em histeria porque estão livres de marcação? Que é isto?
Enquanto o desconforto de assistir àquele não espetáculo se apoderava de nós e nos obrigava a afundar-nos cada vez mais nos sofás, surge um pouco de normalidade, Haaland marca e esquecemos-nos por momentos da vergonha alheia que estávamos a sentir. Mas foi só mesmo por momentos… Porque quando começa a corrida de celebração do norueguês, a realidade volta para nos dar um murro na barriga. Os jogadores posicionaram-se estranhamente a 2 ou 3 metros uns dos outros, o avançado tentou uma dança desajeitada de frente para os colegas, as nossas mãos encontraram a nossa cara e foi assim que expressámos a maior desilusão de um dia que antevíamos de alegria.
Isto já para não falar que destituímos a típica cotovelada, que servia para fazer grandes cortes caso fosse a nosso favor, ou violentas agressões caso a cor da camisola fosse outra. Agora é um simples cumprimento. Como é que é suposto alguém se emocionar de alguma forma com um simples cumprimento? Há listas infindáveis de insultos que temos preparados para um adversário que ousa usar o cotovelo e de repente tiram-nos a regalia de mandarmos um tipo abaixo de Braga, por um simples toque de cotovelos amigável?
Mas não nos fiquemos por aqui. Ainda se ouvia uma música de apoio nas colunas do estádio, que tinha como objetivo substituir milhares de adeptos. Pois falhou. Redondamente. O máximo que conseguiu foi dar a impressão que ao lado do Signal Iduna Park estava a decorrer uma festa de aldeia qualquer, com um palco montado nas traseiras de um camião TIR.
Posto isto, chegamos à conclusão, logo no primeiro jogo pós-pandemia, que deveria ser retirada uma percentagem dos lucros dos clubes para ser redistribuída pelos adeptos que se deslocam aos estádios pelo mundo inteiro. Por evitarmos que o futebol se transforme num desporto cringe.
Espero ansiosamente para ver se a Liga aprendeu alguma coisa com o que se passou na Alemanha. Se bem que a amplitude da diferença é completamente diferente. Haverá certamente estádios em que passar de 500 para nenhuma pessoa será como quando não vamos almoçar ao domingo a casa dos pais. Eles não gostam mas a diferença não é por aí além…
Futebol assim talvez fosse vantajoso na altura em que Eric Cantona ainda passeava em campo, soltinho e pronto para dar uma patada em alguém. Tirando isso, mentalizem-se que os adeptos são mais futebol do que o próprio futebol.
Alexandro Ferreira


25 Comentários
Liedson
Vejo futebol, aprecio futebol, analiso futebol mas por não ir ao estádio não sou considerado adepto? É mais ou menos isto que querem dizer? Jogo futebol num clube distrital, há jogos que têm por volta de 50 pessoas não é considerado futebol? Os adeptos são uma parte importante no futebol mas não são tudo, lembrem-se que qualquer peladinha que vocês fazem também é futebol. O que acontece nas 4 linhas é que é o verdadeiro espetáculo.
Filipe_Carvalho
Concordo na íntegra. Os adeptos, as bancadas cheias, os cânticos, as coreografias dão um toque extra espetacular ao futebol. Mas futebol é o que se passa em campo. Eu fiquei super contente com o regresso da Bundesliga. Voltei a ver futebol. Não tinha público? Não, não tinha, mas tirando as 5 substituições o jogo é exatamente o mesmo.
Tiago Silva
Ora nem mais, eu raramente vou a um estádio e não deixo de vibrar com o jogo, com o que se passa dentro das 4 linhas e não com o que se passa fora. Claro que os adeptos no estádio dão outra emoção, mas como diz o Kafka a maior parte do futebol pelo Mundo inteiro quase não tem adeptos no estádio/campo e não deixa de ser um desporto tão amado pelo Mundo inteiro.
Alexandro80
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Antonio Clismo
Se não se aproveitar esta fase para fazer reformas estructurais no nosso futebol então não sei quando poderá ser feito…
Kafka
Acho que se está a exagerar nesta temática do “futebol sem adeptos no estádio”, é que em bom rigor para aí 99,9% dos jogos de futebol no Mundo inteiro, incluindo todos os escalões desde a formação aos seniores, e incluindo os jogos de futebol amador e de amigos, passando ainda pelos jogos nas escolas, nos bairros etc, tudo isto é jogado SEM ADEPTOS ou com adeptos do residuais
Verdadeiramente só há adeptos no estádio para uma elite, que são os campeonato das ligas principais dos países, mas essa elite deve representar no máximo 1% de todos os milhões de jogos de futebol que se jogam diariamente (Sim não me enganei, são milhões de jogos por dia, somando todos os dias jogos federados, amadores e peladinhas das favelas dos países pobres onde as crianças são jogam desde que acordam até dormir… Isto para não falar que mesmo no futebol federado de formação por exemplo está tudo vazio de adeptos
Ora temos que 99,9% do futebol é jogado sem adeptos, parece que é o fim do Mundo por 0,1% que é uma mera elite também jogue sem adeptos, não vejo qual é o problema… Óbvio que é melhor visualmente ver um jogo com estádio cheio, mas não deixa de ser verdade que 99% do futebol mundial é jogado dessa forma
AbreLatas
Este é o teu/seu melhor comentário.
Os adeptos ajudam claro. Mas a maior parte do futebol é sem adeptos. Joguemos com amigos, nas camadas jovens, 2ª liga ou mesmo um jogo em Belém entre o Belenenses e o Nacional.
Agora dizer que deixa de ser futebol? Fora o ritmo lento (pela paragem) e os festejos (que discordo não existirem), eu até achei que era mais futebol, menos espetáculo mas mais futebol.
Pelo menos com o futebol que eu jogo, os jogadores histéricos, o barulho da bola e as constantes indicações dos treinadores (que comparo à letra de um médico, ninguém percebe exceto o jogador/farmacêutico).
Meu nome é Toni Sylva
Os jogadores entendem mesmo as indicações dos treinadores? Sempre tive essa dúvida ;)
Meu nome é Toni Sylva
Por um lado é verdadinha. Por outro, os jogos com poucos adeptos destinam-se em grande medida aos próprios jogadores – sejam os miúdos da escola, ou a Liga dos Últimos, ou a II Liga – enquanto que os da I Liga são jogados fundamentalmente para os adeptos. Claro que daí até os adeptos serem imprescindíveis vai uma distância, basta ver que estão a acompanhar o jogo pelo rádio ou TV, pelo que podem continuar a ser os beneficiários do jogo…
Muska
Começando por dizer que discordo quase por completo deste texto e não querendo fazer juízos de valor sobre o autor ou quem se identifique com esta opinião, talvez lhes esteja a passar ao lado as únicas coisas essenciais a um jogo de futebol: 22 atletas, 1 bola e 2 balizas.
O futebol move imensas paixões pela emoção, convívio e por toda a festa que antecede, ocorre durante e precede o jogo de futebol, é um facto. Em Portugal, a maioria do adepto não vai ao jogo sozinho e muitos se questionarão de que vale a pena ir ao estádio se não der para passar antes pelas roulottes. Usa o jogo de futebol como o escape da sua vida e expele toda o stress e testosterona acumulados duma semana de trabalho em 1h30 de futebol. E da mesma forma quem vê em casa vibra ao som dos adeptos que estão lá dentro e inclusive usa esse som para entender o que se passa em campo. Agora, não descurando todo o papel que o adepto tem no espetáculo e que muitas vezes até interfere com o jogador, não é isso que faz a bola rolar e que fez o adepto se apaixonar pelo desporto numa primeira instância.
A estratégia com que uma equipa entra em campo para vencer a partida, a forma como os jogadores a interpretam e como choca com a da equipa adversária, o toque na bola, o passe que sai, o remate que se dispara, a defesa incrível, isto é que é o futebol e isto não precisa de adeptos para ser feito.
Tal como tenho prazer em assistir a um jogo de juniores ou das seleções jovens, e até acho piada a perceber como comunicam, estive igualmente deliciado com o regresso da Bundesliga e considero essa última frase um enorme tiro ao lado e de quem, quiçá, não vê qualquer interesse numa partida de snooker ou de ténis porque os adeptos não gritam a toda a hora.
Filipe Ferreira
Subscrevo
Daniel Goncalves
Completamente de acordo.
Rui Miguel Ribeiro
É mesmo isso, Muska. É óbvio que é melhor ter um estádio cheio, mas entre não haver jogo, ou ter um jogo à porta fechada, que role a bola. Sem dúvidas.
DNowitzki
Estou contigo, Alexandro.
Poonya
Desculpem, mas não concordo nada com este texto. Que estupidez. Quer dizer que os adeptos são ainda mais importantes que os verdadeiros intervenientes no jogo?
Quantos jogos na nossa primeira liga ou segunda liga, com tão pouco público, que é transmitido na televisão, e ouvem-se praticamente as mesmíssimas coisas em casa?
Estigarribia
Bom texto, Alexandro. Concordo.
Um futebol sem adeptos é como um jardim sem flores. Não é, nem será a mesma coisa. O adepto é um elemento importante no jogo. O factor casa, muitas vezes, tem influência no jogo. Dando exemplos de Portugal: acham que é a mesma coisa o Tondela ir á Luz, sem um único adepto nas bancadas, ou o Sporting ir a Guimarães e jogar para as bancadas despidas? Não, não é a mesma coisa. Perde-se a essência do futebol.
Saudações Leoninas
Francisco Ramos
Estigarribia, isso não interesse a ninguém, importante “é que a bola role”. Como não interessa o número anormal de lesões musculares (7 para ser mais exacto) que teve o regresso da Bundesliga, importante “é que a bola role”.
Pelo prazer de ver futebol, tentei ver um jogo no fim de semana, mas desisti passados 10 minutos. Ritmo de pré-época, não permitirem grandes festejos no golo (que é uma das essências do futebol jogado), as bancadas vazias, etc, fez-me perder toda a vontade adquirida em 2 meses de abstinência.
Genuinamente ainda não entendi esta vontade do futebol retomar a todo o custo.
Valentes Transmontanos
Uma pessoa pode estar contra o regresso do futebol e ainda assim discordar completamente deste texto elitista. É o meu caso.
Futebol não precisa de adeptos. Precisa de uma bola, de jogadores, e de balizas.
Dizer que um jogo do Dortmund só vale a pena ver com 80 mil pessoas naquelas lindas bancadas é elitista.
Pode ser estranho ao início, devido ao hábito de vermos adeptos, mas na realidade estes apenas ajudam ao espectáculo. Claro que é mais bonito ver pessoas nas bancadas e ouvi-las, mas dizer que um jogo da 2ª Liga portuguesa em que se ouve os jogadores e os treinadores aos berros e os (poucos adeptos) a mandarem ca**lhadas aos árbitros e aos jogadores não é afinal um jogo é de um elitismo atroz.
Francisco Ramos
Permita-me discordar.
O futebol precisa de todos os intervenientes incluindo os adeptos. O merchandising é feito até para estes últimos se me recordo. Tal como os operadores pagam balúrdios de direitos de transmissão porque esses mesmo adeptos irão adquirir um pacote para ver os jogos. Como a final da Taça cá no burgo é realizada no Jamor (sem o mínimo de condições para quem já lá esteve como é o meu caso) pelo antes e pós jogo. Senão seria num outro estádio qualquer.
E se reparar no meu comentário, não se trata só dos adeptos mas da força toda que é feita para este regresso, como se o futebol fosse a última bolacha do pacote (e estes meses mostraram que não são), sem pensar em mais nada. A própria FIFA apenas quer retomas por interesses financeiros e pretende castigar federações como a Holandesa, Escocesa e outras por pensaram na saúde antes de tudo o resto.
Deixo-lhe uma pergunta que penso que o irá levar a ver o ponto de vista que eu e o Estigarribia defendemos. Se o verdadeiro objectivo do futebol é o golo, como vê estes festejos (ou a proibição deles)?
Aquilo que nós pensamos é que estes fins de época serão completamente desvirtuados por uma série de razões. Os adeptos são apenas mais uma.
Valentes Transmontanos
Vejo estes “festejos” como uma estupidez. Eu comecei o meu comentário referindo que era contra o regresso do futebol já nesta altura.
O Benfica tem milhões de adeptos e a lotação do estádio é de 65 mil. Como é que os outros festejam os golos? Em casa, num café com os amigos… O futebol não deixa de ser para os adeptos, sobretudo estes jogos que são transmitidos para todo o mundo.
O ideal é obviamente haver gente nas bancadas, mas basta ler o comentário do Kafka para perceber que jogos com adeptos no estádio são uma minoria muito pequena.
Francisco Ramos
Normalmente não concordo com o Kafka e hoje volta a não ser excepção. 99% dos jogos não tem adeptos no estádio mas não são esses que vão recomeçar, mas sim aquele 1% que tinha adeptos.
Por isso é que faz confusão a algumas pessoas esta modalidade da porta fechada, como é o meu caso. E se isto é para impedir ajuntamentos, você refere e bem que as pessoas vão continuar a juntar-se, seja numa casa, num café ou outro lado qualquer.
Daí achar, como diz o Estigarribia, que este futebol sem adeptos é como um jardim sem flores.
Estigarribia
Francisco,
Sete lesões musculares é um número significativo e um indicador de que se calhar não terá sido boa ideia fazer regressar o futebol.
E ainda hoje vi uma notícia que dizia que o Marítimo impugnou o fecho da 2ª Liga no TAD e tenta agora bloquear as subidas e as descidas. E é só mais uma machadada na verdade desportiva em Portugal, que anda pelas ruas da amargura.
Saudações Leoninas
Francisco Ramos
Estigarribia,
Já tinha lido essa notícia. É apenas mais uma tentativa de impugnar o regresso do campeonato (com o medo da descida) visto que a primeira tentativa do estádio foi aprovada.
Vamos imaginar que no Marítimo-Benfica, onde o árbitro é obrigado a viajar no avião da equipa visitante, tem erros de arbitragem? Como irá reagir o Porto (se o Benfica foi benefíciado) ou o Benfica (se foi prejudicado) após isso? É que o que acontecer no avião é alvo de escrita no relatório a enviar à liga de clubes (aqui com letra pequenina, desculpem).
Saudações desPortistas.
Meu nome é Toni Sylva
Quanto ao Marítimo, pelo que entendo trata-se mais de não querer partilhar o apoio que o governo regional concede às equipas da 1ª Divisão (e se assim for, é lamentável).
Quanto aos árbitros… primeiro, viajar no mesmo avião das equipas é algo que já acontecia com frequência. Depois… qual é o jogo, mesmo sem casos nenhuns, em que os rivais não se vêm sempre queixar da arbitragem? É um passatempo nacional. Ou o resultado convém, ou então foi por culpa da arbitragem, ou então eram os outros que estavam comprados para perder, ou para ganhar, ou o que quer que seja. Ao ignorar sistematicamente as falhas reais ou imaginadas a favor do próprio, e a fazer um drama acerca das que favorecem o outro, manipula-se a opinião pública quanto se quiser. Nesse sentido, aquele programa que contabilizava os erros objectivos com números concretos podia ajudar no combate às fake news… mas pouco ou nenhum impacto tinha.
SenyorPuyol
A opinião é válida e, como tal, antes de tudo, devo respeitá-la.
Não vou repetir o que os users Kafka e Muska escreveram, pois subscrevo inteiramente os seus comentários neste post. Mas queria acrescentar, pela minha parte, que o futebol de elite (o único em que se nota a diferença) sem adeptos até pode apresentar um factor positivo ao dar oportunidade de analisar isoladamente o que realmente importa (pelo menos a mim), que é o trabalho técnico-táctico.
Na Bundesliga, por exemplo, a percentagem geral de vitórias em casa é de 42% em 2019/20. Na última jornada (uma amostra demasiado pequena, sem dúvida, mas ainda assim chama a atenção), 5 dos 9 jogos acabaram com vitória visitante e apenas uma vitória da equipa local.
O “factor casa” deixa de ser relevante. E, se por um lado entendo quem veja isto como um ponto negativo, na minha óptica é fantástico, como disse mais em cima, reduz o futebol àquela que entendo como a sua essência central.
Mesmo em termos da minha vivência pessoal dos jogos, a coisa também não muda muito, quando os via no café, o som das bancadas não se distinguia entre o barulho. Quando os via em casa, a menos que os comentadores fossem uma dupla que me interessasse, eu já costumava tirar o som à transmissão.