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Futebol português sem adeptos é mais justo

“O futebol é a coisa mais importante das menos importantes da vida”. Vivemos num país apaixonado por este desporto. Uma modalidade que une gerações e que proporciona momentos de vida únicos aos seus adeptos. Olhando de forma racional para isto, pergunto:” Como nos podemos emocionar, arrepiar, sofrer ou chorar, com 22 homens atrás de um pedaço de couro, para o enfiarem dentro de um retângulo?”. Na verdade, apesar de se tratar de algo tão “inútil” para a existência do Homem, também se trata de algo capaz de provocar emoções com uma intensidade difícil de explicar. Podemos dizer que Portugal é um país do e de futebol. Devido à situação que atravessamos fomos privados deste nosso “bem”. Três meses de espera, que tornavam os dias mais longos. Mas a espera acabou! Há uma semana que temos o nosso futebol de volta!

Voltemos então ao filme! Tal como nos últimos anos, FC Porto e Benfica têm disputado o campeonato nacional, estando distanciados de forma clara dos seus opositores. Dividiram entre si os últimos 17 campeonatos e preparam-se para fechar mais um. Com a exceção do Sporting ou do SC Braga, numa ou outra época, estes dois clubes não viram ameaçado o seu estatuto, nem o seu poderio. Na presente época temos assistido àquele que, provavelmente, será o campeonato pior jogado nos últimos 15 anos. Duas equipas incapazes de realizarem exibições vistosas de forma consistente. Duas equipas que demonstraram fragilidades sempre que o nível subiu. Contudo, não deixa de ser alarmante que duas equipas que produzam tão pouco, apresentem a percentagem de pontos conquistados que têm neste momento. Concluindo, jogando bem, ou mal, duas equipas que continuaram a ganhar, ou melhor, continuavam a ganhar.

Se é verdade que recuperamos o futebol, não é menos verdade que este regressou nuns moldes atípicos para aquilo que estávamos habituados. O futebol regressou sem adeptos. E parecendo que não, este pode ser um ponto chave nesta equação. O FC Porto disputou dois jogos. Duas partidas em que perdeu uma e com um adversário que equilibrou perfeitamente o encontro. E outra que ganhou, mas em que o Marítimo procurou nivelar e teve mesmo oportunidades para chegar ao empate ou até algo mais, não tendo a postura retraída que os adversários nacionais costumam adotar no Estádio do Dragão. Mais a Sul, o Benfica regressou com dois empates, sendo que em Portimão chegou mesmo a estar encostado às cordas. Por outro lado, temos assistido a jogos de um nível melhor por parte das outras equipas. Encontros mais fluídos, equipas que procuram jogar, arbitragens mais liberais e, por consequente, uma melhoria do futebol praticado.

Obviamente que a nossa “amostra” ainda é curta para daí podermos retirar grandes conclusões do nosso laboratório de sofá. Não obstante, esta nova realidade que vemos, não pode deixar de levantar uma série de questões. Como seria o nosso campeonato se FC Porto e Benfica não jogassem “em casa” na grande maioria dos jogos que disputam? Como seriam as nossas arbitragens se não tivéssemos 50 000 pessoas a insurgirem-se, de cada vez que um jogador cai ao mínimo contacto? Como seriam as decisões dos nossos “juízes” se tivéssemos um equilíbrio maior nos adeptos que dividem as bancadas durante um jogo? Como seria a postura das equipas “pequenas” se estivessem acostumadas a jogar fim de semana sim, fim de semana sim, em estádios lotados, não estando sujeitos a esse cenário em apenas 3/4 jogos por época?

Tal como foi referido, ainda é muito cedo para grandes análises ou discussões. Também é certo que muitos outros fatores possam estar a contribuir para o “aumento” da perda de pontos de Benfica e do FC Porto, ou para o aumento da qualidade dos restantes jogos a que assistimos. Mas parece-me pacífico afirmar, que este “novo” futebol vai ajudar a compreender muita coisa. Pois parece que afinal em Portugal há adeptos mais “decisivos” que muitos jogadores.

Visão do Leitor: Santander

15 Comentários

  • DICAS
    Posted Junho 11, 2020 at 7:56 pm

    Para o meu Sporting ter de fazer os jogos sem adeptos até é melhor visto que os retards que iam meter pressao no treinador, jogadores e principalmente jovens promessas ja nao se faz sentir.

    É bom para preparar a proxima epoca.

  • kiterioVFC
    Posted Junho 11, 2020 at 7:57 pm

    Ainda hoje ao almoço falei neste tema e tenho a mesma opinião que tu. Pode ser cedo para retirar grandes conclusões é certo, mas os adeptos podem ser mesmo “decisivos” em certos clubes.

  • Kafka
    Posted Junho 11, 2020 at 8:05 pm

    Na Alemanha a percentagem do número de vitórias em casa também baixou desde o reatamento

    Como frisei antes do reatamento, isto será de facto um ponto interessante de analisar em todos os campeonatos neste novo modelo sem adeptos… Vamos ver como será a La Liga, Premier e Série A

  • Nazgul
    Posted Junho 11, 2020 at 8:11 pm

    Quais grandes ?

    Nota-se claramente nestes últimos 2 anos que os ditos “grandes” estão cada vez mais pequenos …

    A qualidade do plantel do porto e do Benfica é tão evidente como o futebol sofrível praticado por ambos …

    Os treinadores tb são claramente mais fracos!

    Acho que è demais evidente e até podem dizer que o Benfica está “rico” mas não está desportivamente …

  • Antonio Clismo
    Posted Junho 11, 2020 at 8:17 pm

    É uma fase única para se fazerem reformas de fundo para melhorar o nosso futebol. Se a FPF não aproveita para aplicar novas medidas então nunca mais vai ter oportunidade para tal.

  • Pipi Romagnoli
    Posted Junho 11, 2020 at 8:32 pm

    Concordo com o texto, é verdade que a amostra ainda é curta, mas basta ver a diferença que existe entre jogar sem adeptos, pois o apoio é neutro para as duas equipas, ou por exemplo, ver o Moreirense a receber em casa o Benfica e existirem muitos mais adeptos encarnados nas bancadas, do que adeptos do Moreirense.
    Deve ser desmotivante jogares em tua casa e as bancadas estarem repletas de adeptos da equipa visitante. Sl

  • Andrezinho14
    Posted Junho 11, 2020 at 8:56 pm

    Apenas discordo na parte “arbitragens mais liberais”. Continuamos com jogos muito faltosos e na grande maioria com 30+ faltas, na sua grande maioria faltinhas que noutros lados não seriam marcadas mas que estão enraízadas no nosso futebol.

    Quanto ao resto concordo plenamente, a falta de apoio nos clubes grandes, a falta daquela motivação vinda da bancada não está a ajudar quem mais está habituado a ter. Fator casa a ter um valor muito menor.
    Acho que ainda assim é mais uma crise de identidade futebolística que só a falta de adeptos.

  • Chico
    Posted Junho 11, 2020 at 9:14 pm

    Também já tinha pensado nisto. A diferença entre grandes e pequenos parece bem menor que o habitual.

  • Vespas
    Posted Junho 11, 2020 at 11:08 pm

    Só não concordo com a análise do jogo do Porto em Famalicão. A primeira parte é toda do Porto e na segunda o Famalicão pouco fez para merecer os dois jogos, diria até que foi um resultado muito injusto. Da mesma maneira digo que ontem o Porto não mereceu ganhar, foi simplesmente horrível (jogou melhor contra o Famalicão).

    Agora acho que os grandes vão sentir a falta do público o que nos leva à questão, o que seria da nossa liga se as pessoas fossem “normais” e apoiassem o clube da terra?

    • Kafka
      Posted Junho 11, 2020 at 11:20 pm

      Se as pessoas apoiassem o clube da Terra, o Benfica e Porto até podiam perder mais um ponto ou outro mas tudo isso se iria diluir com o tempo como se dilui nos outros campeonatos onde no fim ganham sempre os mais fortes… Na Alemanha também se apoia o clube da região e o Bayern no fim ganha sempre

      O factor casa é importante, tanto é que 99% das vezes as equipas terminam os campeonatos com mais pontos em casa do que fora, agora o factor mais importante vai continuar a ser a qualidade dos jogadores, daí o Bayern, o PSG ou a Juve ganharem sempre, pese o facto de quando jogam fora jogarem realmente fora pois estão sempre em minoria de adeptos nos eatadios onde jogam fora

  • Leandro
    Posted Junho 12, 2020 at 12:30 am

    Eu também estou a gostar mais do futebol sem os adeptos. É como se na F1 tivessem todos carros iguais e ganha o melhor piloto e não a equipa mais rica.

  • Miguel Lopes
    Posted Junho 12, 2020 at 8:10 am

    Bem, no desastre do Benfica comentei que em Portugal as equipas grandes podem ter melhores jogadores mas a diferença não é assim tão grande (pequenina mesmo) e que se nota a falta dos adeptos que catapultam a equipa para a frente e que pressionam os árbitros como nunca. Eu acho que se as equipa ditas pequenas tivessem nos jogos em casa, 30 a 40 mil adeptos a torcerem por eles, os grandes passariam as passas do Algarve.
    Relativamente às 5 substituições também ajudam a permitir que as equipas com menos rodagem cheguem ao final do jogo com outra disponibilidade física para disputarem os 3 pontos e isso vai fazer com que a incerteza do resultado seja muito superior no período pós Covid à que existia até ao momento.

  • Berto
    Posted Junho 12, 2020 at 10:23 am

    Não me parece que hajam grandes dúvidas de que o factor casa é importante. Os clubes pequenos criam sempre mais dificuldades em casa contra os grandes. Sem publico, os grandes que fazem dos seus estádios a sua fortaleza quase inviolável perdem essa vantagem o que até é bom para o campeonato. Já agora quanto a lesões temos estado bastante abaixo do que aconteceu na Bundesliga certo? Outra prova evidente de que o tempo de jogo útil do nosso campeonato é vergonhoso.

  • JonySilva
    Posted Junho 12, 2020 at 1:25 pm

    Eu diria que temos verificado esta situação não só em Portugal mas talvez em todos os outros jogos realizados a porta fechada. Jogos mais abertos, mais tranquilos taticamente e em que os jogadores parecem aparecer num registo de treino.
    Acredito que assim será no campeonato Inglês e Espanhol. Estou até curioso especialmente quanto a Premier League. Se já é jogado a um ritmo alto e com poucas paragens, nesta nova realidade e apesar de perder a sua essência, os adeptos, será certamente bonito de ver.

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