Não surpreende, uma vez que Ferguson sempre pareceu ter uma capacidade especial para lidar com as grandes estrelas.
Ryan Giggs revelou, em entrevista à BeIN Sports, que apenas 4 jogadores escaparam à ira de Ferguson durante o seu consulado no Manchester United. “Só houve quatro jogadores com quem Ferguson não ‘perdeu a cabeça’, não gritou. Eric Cantona, Bryan Robson, Roy Keane e Cristiano Ronaldo“, disse o galês. Giggs acrescentou ainda que mesmo que não corressem como os outros eram poupados, destacando o caso de Cantona: “Eles cumpriam o que lhes era pedido em campo, portanto o Sir Alex nunca sentiu necessidade de o fazer. Mesmo nos jogos em que o Cantona não fazia nada de jeito. Não marcava, não corria como um Tévez ou um Wayne Rooney, não tinha qualquer influência no jogo. Mas Ferguson sabia que mais tarde ou mais cedo ele ia fazer algo de genial. Sabia como lidar com as estrelas muito bem e de forma diferente. Era um mestre da psicologia e conseguia tirar o melhor de nós”. Por outro lado, o antigo extremo revelou que acabou por se desentender com o treinador várias vezes: “Desentendi-me com ele bastantes vezes. Bastantes mesmo… Houve pelo menos umas seis ou sete vezes em que fiquei sem algumas semanas de ordenado porque discutia com ele, respondia. Nem sempre é fácil estar no balneário depois de um jogo e ouvir que não jogaste nada. E eu não conseguia engolir. Mais tarde, ele disse-me que isso demonstrava que eu me preocupava e que até apreciava eu ser assim desde que não passasse a linha, mas que continuava a multar-me para mostrar quem mandava”.


7 Comentários
Af2711
Que eu me lembre e que se manifestaram publicamente, só Tévez e Beckham tiveram desavenças mais ásperas com Ferguson. Beckham quase chegou às vias de fato, e ficou marcado por surgir dias depois com um band-aid no rosto após um episódio onde o treinador acerta-lhe uma chuteira no rosto com um chute, salvo engano foi um empate na FA Cup com o Arsenal.
Provavelmente mais jogadores tiveram, mas de cabeça só me vem estes dois.
Kacal
O Roy Keane era um líder e capitão dentro de campo, sempre deu tudo que tinha. Já sabia o que era preciso fazer e o que tinha de fazer, era uma extensão do treinador no campo. Já Cantona e CR7 eram talento puro, os génios. E Ferguson decidiu assim, mas certo é que eles renderam o que renderam portanto o tempo deu-lhe razão.
André Dias
Concordo que Sir Alex não tratava todos os jogadores da mesma forma, tinha em conta a personalidade de cada um, mas convém não ignorar que era um treinador bastante temperamental e às vezes ia longe de mais. Teve alguns episódios lamentáveis. Giggs está-se a esquecer (propositadamente ou não) que Fergie e Keane se chatearam e ficaram de relações cortadas, por exemplo.
Claro que ele sempre fez aquilo que achava melhor para o clube e quem está no activo durante quase 3 décadas naturalmente comete erros. No final o balanço é positivo. Soube sempre adaptar-se às mudanças que o futebol foi sofrendo e nenhum jogador se sentia acima do clube, isso é de louvar.
M'difh
Sir Alex errou como todos nós erramos, mas aquilo que ele tinha de especial e que passava aos jogadores era o carisma. Hoje em dia temos um treinador que levou isso ao extremo e tem tido mais resultados, porque se foca só no seu carisma, de futebol jogado já está a léguas de muitos, José Mourinho. Depois temos outro que sempre meteu as suas equipas a jogar futebol como poucos o fizeram, mas que teve sempre ali uma lacuna ou outra na maneira como lidava com o plantel, Klopp. Este último aprendeu a lição da pior maneira no Dortmund que na altura pareceu mais um motim dos jogadores contra o treinador. Volvidos uns anos e mais finais perdidas, soube gerir o seu ego e o seu temperamento e colocou o Liverpool no topo do Mundo, sem ninguém dar conta quase. Até contratarem Van Dijk e Alisson vimos o clube a seguir uma estratégia de mercado centrada na formação de um plantel equilibrado, sem vedetas, sem loucuras de mercado “hyped” como vemos muitos colossos fazerem (Juve, Arsenal, City, United, Bayern, PSG, etc), com contratações cirúrgicas ajustadas ao modelo do treinador e ao perfil psicológico preferido por este. Alguém sabe de onde veio Robertson?? De um Hull moribundo…
André Dias
O carisma é útil para controlar o balneário mas se não for acompanhado por competência não é suficiente para se ter sucesso.
Ferguson conseguia resultados com O’Shea a PL se fosse necessário.
Mourinho tem vivido um pouco à sombra do currículo e já não prepara os jogos com tanta atenção ao detalhe e parece-me que já nem treina com a mesma ambição. Teima em utilizar um estilo expectante que começou como pragmático e se tornou obsoleto.
Concordo em relação a Klopp, algo mudou depois de Dortmund. A garra dos jogadores do Liverpool são o reflexo da sua personalidade e dá a entender que todo o plantel está unido e compreende a sua filosofia de jogo que está extremamente bem trabalhada.
A contratação de jogadores adequados ao modelo de jogo é um ponto interessante com o qual concordo e que vejo na carreira dos três. É certo que todos eles contrataram as suas vedetas mas os resultados foram obtidos maioritariamente com jogadores que ganharam grande parte da sua cotação sob o seu comando.
kanjy6
Claro que Klopp está a fazer um trabalho monumental, mas a questão importante é, irá conseguir que jogadores consagrados e titulados continuem a dar tudo como uns meros desconhecidos. . . Em Dortmund foi boicotado pelo balneário, agora em Liverpool veremos.
Acho que esse é o mal de Mourinho, motivar os jogadores de agora, que olham para o futebol como uma forma de ganhar €…
André Dias
Este plantel é campeão europeu e leva 25 pontos de vantagem para o 2º. Era fácil abrandar e relaxar mas a entrega e os índices de concentração que mostraram durante meses indicam que sim, os jogadores continuam a dar tudo.
Recomendo o jogo em Anfield frente ao Man Utd. Se não tiveres vontade de ver o jogo inteiro, tenta ver os primeiros 15 minutos da 2º parte. O Liverpool nesse período é absolutamente incrível e demolidor.