No seguimento da mais imprevisível temporada de ciclismo dos últimos anos, e abençoada a maglia rosa pelo Papa Francisco, está tudo pronto para o 96º Giro d’Italia que parte para a estrada este sábado, 4 de Maio.
Numa edição que conta com a melhor lista de inscritos dos últimos anos e com um percurso equilibrado entre a alta montanha e o contra-relógio, a prova tem sido antecipada pela imprensa como um duelo entre Bradley Wiggins (Sky) e Vincenzo Nibali (Astana), ciclistas que representam duas formas distintas de abordar a modalidade. Assim, se o britânico representa a abordagem científica do desporto, definindo o seu esforço em corrida a partir do que no treino foi exaustivamente determinado como os seus limiares de conforto, já o siciliano tende a ser associado a uma perspetiva mais romântica e intuitiva do ciclismo, de que é exemplo a sua excelente técnica que lhe permite atacar vertiginosamente em descida.
O percurso deste ano conta com quatro etapas planas reservadas aos sprinters – Cavendish é bastante superior aos seus rivais aqui presentes (Goss, Degenkolb, Bouhanni e os italianos Gavazzi e Viviani), mas a sua nova equipa tem de provar que consegue fazer um bom comboio e apenas quatro etapas é curto se o seu objetivo for a conquista da camisola dos pontos; sete etapas seletivas que, no papel, não trarão grande diferença à classificação geral e que poderão ser aproveitadas por bons finalizadores que se defendam em subida ou por fugas; duas etapas de média montanha; cinco etapas de alta montanha; e três contra-relógios – um por equipas de 17 km, um individual longo de 54 km e uma crono-escalada de 20 km. Para além de Wiggins e Nibali, que encabeçam as duas equipas mais fortes presentes em prova (com alguma vantagem para a Sky que traz gente da craveira de Henao, Urán, Sivtsov e Cataldo…), o restante lote de favoritos conta com vários homens que sabem o que é vencer – nem que seja na secretaria – uma prova por etapas de três semanas como o campeão do Giro em título Ryder Hesjedal (Garmin), Michele Scarponi (Lampre), Cadel Evans (BMC), Danilo Di Luca (Vini Fantini) e Juan Cobo (Movistar), e ainda com corredores fortes com grandes ambições como Samuel Sanchez (Euskaltel) e Robert Gesink (Blanco). Entre os trepadores que podem dar espetáculo podemos contar com Domenico Pozzovivo (AG2R), Mauro Santambrogio (Vini Fantini), Franco Pellizotti (Androni), Stefano Pirazzi (Bardiani), Fabio Duarte e Darwin Atapuma (Colombia), Robert Kiserlovski e Tiago Machado (Radioshack) ou Rafa Majka (Saxo Tinkoff).
Assim alinhamos o grau de favoritismo dos candidatos à vitória:
***** Bradley Wiggins
**** Ryder Hesjedal, Vincenzo Nibali
*** Cadel Evans, Samuel Sanchez, Robert Gesink, Michele Scarponi
** Robert Kiserlovski, Henao, Urán, Mauro Santambrogio, Juan Cobo
Quanto aos portugueses, alinharão à partida Tiago Machado e Nélson Oliveira (Radioshack), Bruno Pires (Saxo Tinkoff) e Ricardo Mestre (Euskaltel). À partida Tiago Machado terá um papel livre embora Kiserlovski seja dado como o líder da Radioshack, faltando perceber se o corredor de Famalicão terá como objetivo principal a classificação geral (Top 20 é possível mesmo com a qualidade presente este ano) ou a conquista de etapas. Já Nélson Oliveira, para além do normal trabalho para o seu líder, apontará o CRI como seu principal objetivo. Bruno Pires também trabalhará para Majka mas é possível que lhe seja permitida a presença em alguma fuga. Ainda, poderemos finalmente ver Ricardo Mestre, o vencedor da Volta a Portugal 2011, numa prova a este nível, mas de todos os portugueses em prova, o algarvio será o que tem o líder mais forte, um candidato óbvio ao pódio, e poderá ter de esgotar o seu esforço no trabalho para Samuel Sanchez. Dando continuidade à imprevisibilidade que tem sido esta época, que grande surpresa nos poderá trazer o Giro d’Italia 2013? Será uma luta a dois entre Wiggins e Nibali, Ryder Hesjedal irá defender a camisola ou teremos (como é apanágio no Giro) um vencedor surpresa? Que estratégia poderia por em causa a força da Sky (a equipa parece ser demasiado forte, aliás até pode colocar 4 corredores no Top10 final)? Qual o seu prognóstico para a camisola por pontos e para a camisola da montanha? Que poderão fazer os portugueses em prova?
PS – Está disponível em www.velogames.com, uma espécie de Fantasy League do ciclismo, uma mini-liga do Visão de Mercado para este Giro d’Italia. O objetivo é recolher o maior número de pontos com os 9 elementos escolhidos dentro do orçamento. Para tal, há que tentar adivinhar quem estará bem nas classificações à geral, por pontos e da montanha, tanto como presumíveis vencedores de etapas. Os dados da liga são: League Name: Visão de Mercado; League Code: 01134651
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Luís Oliveira



15 Comentários
Bernardo Barreiros
Para o Giro, espero que seja o Nibali a ganhar, não gosto do estilo de correr da SKY, é tudo demasiado pensado e controlado, gosto de ver corridas mais abertas.
Já o Hesjedal acho que vai defender o Giro do ano passado com um Top 5.
Em relação a surpresas estou ansioso para ver se o Santambrogio e o Betancour mantém o nivel que tem vindo a apresentar desde o inicio da época.
Já os portugueses,o Nelson tem o crono para puder mostrar o que vale no esforço individual, e o Bruno Pires e o Tiago Machado são os que tem mais hipóteses de ganhar uma etapa numa fuga, já que o Ricardo tem que trabalhar mais para o Sanchez.
Dito isto espero que acima de tudo seja um Giro sem casos e espetacular
nando
Na minha opinião só existem 5 candidatos a vencer o Giro que são;
Bradley Wiggins; Ryder Hesjedal; Vincenzo Nibali; Mauro Santambrogio e Domenico Pozzovivo.
Numa segunda linha aparecem;
Robert kiserlovsKy; Robert Gesink; Sergio Henau e Rogoberto Uran Uran, com estes dois últimos dependentes do que fizer o seu chefe de fila.
Anónimo
wiggins, na forma em que se encontra, facilmente ganha o giro. e porquê? porque no contra relógio de quase 55km não tem nenhum rival à altura em teoria, o que lhe dá uma grande vantagem em relação a todos os outros.
Nibali, Santambrogio e Pozzovivo/Betancour serão os principais adversários na montanha. Podem existir surpresas, mas não deve fugir a isto em termos de geral.
Nos sprints, não vai ser assim tão fácil para cavendish, na medida em que o comboio da omega ainda não funciona tão bem quanto o da orica, pelo que parece que goss tem grandes hipóteses de ganhar etapas.
Saudações
Crow
Anónimo
como se escolhes ciclistas na fantasy? e ha premios?
de qualquer das formas ja tou inscrito e quero participar, mas nao sei escolher equipa
pedritxo
luis o.
escolhe-se a equipa a partir do banner no canto superior direito que diz "enter now". E não há prémios… costuma haver apenas no fantasy do Tour.
Anónimo
ja vi
pedritxo
Anónimo
em relaçao ao giro, espero que gesink mostre a qualidade que todos querem, mas gostava que hesjdeal ganhasse outra vez, senao nibali.
tambem gostava que tiago machado finalmente conseguissse um top10,15 no Giro, era bastante bom.
Ricardo Mestre deve ser gregario, se bem que caso samuel nao esteja a 100% acredito que a equipa tente apostar nele para uma vitoria em media montanha.
Nelson Oliveira se fizesse top 10 num crono era muito bom, e top 50 tambem nao era de se deixar fora, porque deve ser greagario.
Scarponi e outro como gesink tem que mostrar serviço, para termos um grande GIRO.
Pedritxo
Rodrigo
E verdade que o dominio da Sky começa a ser excessivo para uma modalidade que primava pela imprevisibilidade, onde o corredor de quem mais se esperava muitas vezes nao correspondia ao esperado, mas a verdade e que o Wiggins e, de facto, o corredor mais forte a partida para este Giro de Italia e aposto claramente na sua vitoria.
Nao acho que seja o ciclista mais forte na alta montanha, ate porque lhe falta a explosao do Nibali ou do Hesjedal, mas ter Henao, Uran, Siutsou e Cataldo como escudeiros e obra e face aos 3 contra-relogios onde nao tem rival parece-me que o britanico leva clara vantagem nesta competiçao.
Relativamente aos restantes coloco Nibali num 2º patamar, bem como o Hesjedal que tera tambem uma boa equipa em seu redor com Millar, Stetina, Vande Velde ou Danielson.
Num 3º patamar coloco Gesink, Scarponi e Evans, mas todos com poucas possibilidades de vencerem a prova, pelo que os coloco como candidatos ao podio.
Ja Basso, Sanchez, Cobo, Santambroggio ou Kiserlovski sao apenas candidatos ao top-10.
Por fim, acrescento so alguns nomes que podem dar espectaculo na montanha como Kruijswijk, Betancur, Jeanesson e Garzelli e outros nas de media montanha como Gatto, Pozzato ou Visconti.
nando
O Basso desistiu de participar.
luis o.
O "ponto fraco" do Wiggins está precisamente na explosão, mas penso que não tanto para as etapas de alta montanha, onde tem aquela equipa de luxo, mas para aquelas etapas de média montanha e outras próprias para puncheurs onde é muito mais difícil uma equipa colocar um ritmo certo e onde homens como Scarponi ou Nibali podem pô-lo em grandes dificuldades. Ainda mais se houver bonificações…
Rodrigo
Onde adiciono a Liga do Visão de Mercado?
luis o.
Carregando a lista dos corredores que escolheu, vê no fundo da página uma listagem intitulada "league manager", e aí, carregando em "join league" o site leva-o para a página onde introduz o código da mini liga.
C8s
Acredito que o wiggins não vá na sua forma máxima e aposte tudo no tour… considero nibaldi o favorito! e para mim a surpresa vai ser evans outra vez, aposto que fique num top3
Bruno
A sky já informou (e o wiggins também) que o homem forte para o tour da Sky, este ano, é o Froome. Isto devido ao mérito que ele teve no vitória do ano passado do Wiggins
Bruno
Boa tarde.
Já fiz a minha equipa. Vamos lá ver como corre.
Quanto ao Giro, e depois de ter seguido com alguma atenção algumas clássicas e mais importante para o Giro, o Giro del Trentino, parece-me que o Wiggins vai ter algumas dificuldades, enquanto o Nibali mostrou-se forte e bem ajudado por alguns colegas.
Penso que este Giro vai ser renhido, e que o Wiggins só tem possibilidade de vencer, no caso de ganhar muito tempo nos CR's.