É uma característica que se percebe sobretudo quando a equipa sobe as suas linhas. Com os defesas mais adiantados, Crettaz procura acompanhar esse movimento e manter-se próximo da última linha. Não fica simplesmente à espera de uma bola nas costas. Lê a jogada, posiciona-se e prepara-se para sair da baliza caso o adversário procure explorar o espaço.
Quando essa bola aparece, a reação é imediata. Crettaz mostra disponibilidade para abandonar a área e funcionar como mais um homem da defesa, chegando à bola antes do avançado ou afastando o perigo para longe da baliza. É um guarda-redes que procura defender para a frente, reduzindo o espaço que o adversário tem para atacar.
Essa forma de interpretar a posição aproxima-o de David Raya. Tal como o espanhol, Crettaz não vê a baliza como o único espaço que precisa de proteger. A sua influência começa alguns metros mais à frente, onde a leitura da profundidade pode ser tão importante como uma defesa entre os postes.
Mas o seu jogo não se resume ao momento sem bola. Quando a posse está do lado do NEC, Crettaz procura participar na construção e oferecer uma solução aos centrais. Tem confiança para receber sob pressão e capacidade para procurar o passe longo quando as opções curtas estão fechadas.
Essa combinação torna o seu perfil particularmente interessante. Com a equipa a atacar, pode funcionar como o primeiro homem da construção. Quando a posse é perdida, transforma-se rapidamente num jogador responsável por controlar o espaço deixado atrás da defesa. O objetivo é o mesmo: manter a equipa compacta e impedir que o adversário transforme uma bola nas costas numa oportunidade clara.
Os números também ajudam a perceber a sua importância. O elevado volume de passes longos mostra um guarda-redes confortável a utilizar os pés e disposto a assumir responsabilidade na saída de bola. Mas é na relação com a profundidade que está uma das características que mais define o seu jogo.
Crettaz não é um guarda-redes que procura apenas reagir ao perigo. Procura antecipá-lo. Quando a equipa joga subida, a sua posição permite-lhe transformar metros atrás da defesa em espaço controlado, reduzindo as possibilidades do adversário explorar a velocidade dos seus avançados.
Ainda existe uma diferença para Raya na consistência e no nível de execução, sobretudo na tomada de decisão e no controlo de todos os momentos do jogo. Mas a ideia de base está presente: um guarda-redes capaz de defender a baliza, participar na construção e, acima de tudo, proteger o espaço que existe entre a última linha e a sua própria baliza.
Num futebol onde cada vez mais equipas defendem longe da sua baliza, ter um guarda-redes confortável a viver alguns metros à frente pode mudar a forma como uma equipa se posiciona. Sem dúvida, um guarda redes à “moda nova”.


1 Comentário
Tiago Silva
Obrigado Roberto por mais um texto! Não conhecia este guarda-redes mas de facto é muito importante ter alguém que consiga controlar o espaço desde a baliza porque permite à equipa jogar mais à frente e atacar com mais gente. Isso é cada vez mais valorizado no futebol atual e se existe um guarda-redes assim numa equipa como o NEC, as principais equipas deveriam estar atentas à sua evolução.