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Guia do Euro’2020: Ajustar contas com o passado

Desde 1998 que a Escócia não marca presença numa fase final de uma grande competição de seleções e desde 1996 que não está num Europeu. Outrora um dos pioneiros do desporto rei, nomeadamente do futebol de seleções (em 1872 disputou-se o primeiro desafio internacional, entre Escócia e Inglaterra), o protagonismo foi-se desvanecendo no século XXI. Na verdade, apesar de nunca ter ultrapassado a fase de grupos de um torneio desta dimensão, a Escócia era um habitué em fases finais até ao Mundial de França, sendo que a última imagem foi um humilhante 3-0 frente a Marrocos, que atirou o país de William Wallace para os confins do futebol europeu. A transformação do futebol britânico foi ocorrendo, tornando-se o jogo cada vez mais latinizado na Grã-Bretanha, mas, ao contrário de Inglaterra, o Exército de Tartan não deu um passo em frente e manteve-se agarrado a dogmas. O esforço, capacidade física e jogo aéreo são imagens de marca na Scottish Premiership, mas isso não tem bastado para a seleção ter sucesso. Até hoje. Pela via da Liga das Nações e após um play-off sofrido frente à Sérvia, que era favorita, a Escócia deu um murro na mesa e, cerca de 23 anos depois, voltará a estar na alta roda da modalidade. A tarefa continuará a ser hercúlea, mas, aos poucos, o nível do plantel ao dispor de Steve Clarke parece estar a subir, com vários jogadores a serem opção em clubes de nomeada e candidatos a troféus. Assim, há razões e esperança para acreditar que é possível fazer história nesta competição e ultrapassar a fase de grupos, uma barreira nunca antes derrubada. Para tal, a Escócia terá de se superar no Grupo D, onde medirá forças com a vizinha Inglaterra, em Wembley, e com as tecnicistas Croácia e República Checa. Será aqui um confronto de estilos, mas os ares de Hampden Park, em Glasgow, poderão ajudar.

Estrela: Andrew Robertson (Lateral Esquerdo, 27 anos, Liverpool) – Não é muito habitual o principal jogador de uma seleção ser o defesa esquerdo, mas Andy é um dos melhores na posição a nível mundial, senão mesmo o melhor, é o capitão de equipa e um jogador que, pela sua qualidade, alinha também algumas vezes mais adiantado no terreno. Peça chave no xadrez de Klopp, poderá ser uma arma importante nos cruzamentos.
Jogadores em Destaque: Scott McTominay (Médio, 24 anos, Manchester United) – Opção a ‘6’ ou a ‘8’, o centrocampista de 1m91 é uma peça nuclear em Old Trafford, tendo ganho o seu espaço com pouca imprensa, mas muito trabalho. Fortíssimo fisicamente e muito capaz na pressão e recuperação de bola, será certamente um jogador importante nas divididas e pela forma como poderá condicionar os adversários em campo. Che Adams (Avançado, 24 anos, Southampton) – Com dupla nacionalidade inglesa, o dianteiro dos Saints foi um ‘reforço’ importante para Steve Clarke. Um ‘9’ poderoso fisicamente, mas com mobilidade, que poderá ser importante no choque e na busca da profundidade. Além disso tem um remate fácil e forte. John McGinn (Médio Centro, 26 anos Aston Villa) – Indiscutível nos Villans, trata-se de um centrocampista que incorpora perfeitamente o espírito escocês pela sua agressividade, mas que consegue igualmente acrescentar qualidade com bola no centro do terreno com a sua técnica (não é fácil desarmá-lo) e boa capacidade no passe. Eleito o futebolista escocês do ano pela 2.ª vez consecutiva, chega com facilidade à área adversária desde trás e possui um bom remate com o pé esquerdo.
XI Base: David Marshall; O’Donnell, McTominay, Declan Gallagher, Tierney, Robertson; Callum McGregor, John McGinn, Fleck; Ryan Christie, Che Adams. 
Jovem a Seguir: Billy Gilmour (Médio, 20 anos, Chelsea)
– Imaginar um centrocampista como Gilmour na seleção escocesa era uma utopia há poucos anos atrás. Baixinho, com muita visão de jogo, técnica e qualidade no passe, poderá ser um jogador a acrescentar criatividade vindo do banco. Chamam-lhe o ‘novo Fàbregas’ e, apesar de ter tido poucas oportunidades no Chelsea e de ainda não ter qualquer internacionalização A, deixou água na boca sempre que apareceu dentro das quatro linhas.
Principal Ausência: Ryan Jack (Médio, 29 anos, Rangers) – Centrocampista rotativo, experiente e que era uma das presenças habituais no XI de Steve Clarke. Contudo, um ano atribulado e com muitas lesões (não joga desde fevereiro) tirou-o do lote de selecionáveis para o Europeu.
Convocatória: Guarda-redes: David Marshall (Derby/Ing), Craig Gordon (Hearts) e Jon McLaughlin (Rangers). Defesas: Liam Cooper (Leeds/Ing), Declan Gallagher (Motherwell), Grant Hanley (Norwich/Ing), Jack Hendry (Ostende/Bel), Scott McKenna (Nottingham Forest/Ing), Stephen O’Donnell (Motherwell), Nathan Patterson (Rangers), Andy Robertson (Liverpool/Ing), Greg Taylor (Celtic) e Kieran Tierney (Arsenal/Ing). Médios: Stuart Armstrong (Southampton/Ing), Ryan Christie (Celtic), Callum McGregor (Celtic), David Turnbull (Celtic), John Fleck (Sheffield United/Ing), John McGinn (Aston Villa/Ing), Billy Gilmour (Chelsea/Ing) e Scott McTominay (Manchester United/Ing). Avançados: Ryan Fraser (Newcastle/Ing), James Forrest (Celtic), Kevin Nisbet (Hibernian), Che Adams (Southampton/Ing) e Lyndon Dykes (QPR/Ing).
Treinador: Steve Clarke

Prognóstico VM: Fase de Grupos

Rodrigo Ferreira

4 Comentários

  • BrunoAlves16
    Posted Maio 23, 2021 at 11:08 am

    Excelente análise, mais uma aliás.
    Para além dos nomes destacados pelo Rodrigo Ferreira mencionaria também o central Scott Mckenna do Forrest (ex-Aberdeen) que tem também muita qualidade.
    Quanto à equipa em si, dificilmente passarão a fase de grupos mas jogando no seu reduto frente a Croácia e República Checa será um factor a ter em conta. Além disso o entusiasmo britânico é sempre bem vindo nestes grandes torneios.
    Creio que o ponto alto será o duelo com a Inglaterra em Wembley, é sempre um jogo de cartaz seja em que modalidade for um Inglaterra-Escócia. Da ultima vez que se defrontaram numa grande competição, no Euro 96, então no velhinho Wembley, o jogo ficou marcado por um golo monumental do Gascoine, na vitoria dos ingleses.

  • Tiago Silva
    Posted Maio 23, 2021 at 10:24 am

    Não devem chegar muito longe, mas não deixam de ser uma equipa chata e com um plantel interessante, chata porque desgastam muito os adversários com a sua capacidade física e tem bons nomes que começam a aparecer principalmente na Premier League. Contra a Republica Checa é ela por ela, se conseguirem surpreender frente à Croácia…

    Irá ficar marcado um dérbi do Reino Unido entre Inglaterra e Escócia em Wembley e será um dos jogos mais escaldantes da competição se efetivamente houver adeptos!

  • Amigos e bola
    Posted Maio 23, 2021 at 9:53 am

    Um ou outro valor interessante, mas nada do outro mundo. Não acredito que façam o que o País de Gales fez no último Europeu, por exemplo.

    É mais uma daquelas seleções que já foi bom terem chegado até aqui.

  • Kacal
    Posted Maio 23, 2021 at 9:51 am

    Tem uma equipa bem interessante do meio-campo para a frente a Escócia, embora continue a achar que podiam ter prescindido de um defesa e ter Ryan Gauld no elenco, tinha lugar claramente sobretudo com a ausência de Ryan Jack, mas ok. Andrew Robertson é a estrela, sem duvida. Mas além dele e Scott McTominay. Kieran Tierney, os jogadores do Celtic mais Che Adams e o jovem Gilmour podem ajudar a equipa a ter uma prestação decente. Assim como Fleck e McGinn que têm experiência de Premier. Não espero uma prestação fantastica mas uma decente sim.

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