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Guia do Euro’2020: Tentar surpreender sem Deus

Março trouxe o regresso de Zlatan Ibrahimović à seleção. O avançado de 39 anos, que havia renunciado em 2016, era assim um reforço de peso para Janne Andersson, que, apesar de ter um bom elenco ao seu dispor, não conta com nenhum jogador com a valia, a experiência e o peso histórico de Ibra. Ora, acontece que uma lesão de última hora acabou por tirar o dianteiro do AC Milan da competição e, por isso, a Suécia terá de enfrentar os desafios que lhe serão colocados pela frente sem Deus por perto. Depois de uma presença desastrosa em 2016, onde terminou no último lugar do seu grupo, e de um bom Mundial’2018, onde chegou aos quartos-de-final, o conjunto escandinavo quererá surpreender no certame europeu, sendo que não atinge a fase a eliminar desde 2004. Na qualificação, a turma de Janne Andersson apurou-se em 2.º lugar, atrás da Espanha, ainda que tenha perdido apenas um jogo, mas agora a aposta será forçosamente mais alta. Curiosamente, a Espanha voltará a estar no caminho no Grupo E, recolhendo maior favoritismo, enquanto Polónia e Eslováquia prometem também criar dificuldades. Tida muitas vezes como uma seleção com conceitos de jogo arcaicos e pouco evoluída taticamente, a Suécia irá fazer da coesão defensiva, da competitividade dos seus jogadores e de alguma qualidade individual do meio-campo para a frente as suas forças, sendo que vários dos 26 convocados possuem já muita experiência neste tipo de torneios. Na verdade, existem apenas 5 jogadores sub-25 na convocatória e 12 elementos já ultrapassaram os 30 anos, o que denota algum conservadorismo de um selecionador que, apesar de alguns desses jogadores já terem ultrapassado o melhor período das suas carreiras e até já nem serem titulares nos seus clubes, continuar a confiar-lhes a missão de conduzir o barco sueco.

Jogador Chave: Emil Forsberg (Médio Ofensivo, 29 anos, RB Leipzig) – Nem sempre indiscutível para Nagelsmann, mas é o farol desta equipa. Jogador muito criativo, competente no passe, detentor de um bom remate e boa capacidade nas bolas paradas, Forsberg será o elemento responsável por dar um perfume diferente ao futebol sueco.
Jogadores em Destaque: Victor Lindelöf (Central, 26 anos, Manchester United) – O ex-Benfica tem alternado boas exibições com erros flagrantes em Inglaterra, mas nesta seleção é um indiscutível. Foge ao padrão do típico central nórdico, podendo acrescentar qualidade no passe, tanto curto como longo, e no transporte de bola, além de ser um dos poucos jogadores a competir num clube de topo. Viktor Claesson (Extremo, 26 anos, Krasnodar) – Jogador imprevisível e que acrescenta capacidade física, competitividade e poder na finalização. Vem de uma temporada pouco conseguida na Rússia, mas costuma transcender-se na seleção. Dejan Kulusevski (Extremo, 21 anos, Juventus) – Um dos mais jovens desta seleção, mas um nome já sobejamente conhecido. Explodiu na Serie A ao serviço do Parma, na época passada, mas o ano de estreia na Vecchia Signora não correu tão bem como desejaria. Ainda assim, seja nas alas ou na frente de ataque, tem velocidade, capacidade física e potência no remate para fazer a diferença.
XI Base: Nordfelt; Lustig, Lindelöf, Helander, Augustinsson; Claesson, Kristoffer Olsson, Sebastian Larsson, Forsberg; Kulusevski, Isak.
Jovem a Seguir: Jens Cajuste (Médio Defensivo, 21 anos, Midtjylland) – Uma das coqueluches do líder na Dinamarca, sendo uma espécie de “novo Witsel”. Jogador com boa envergadura física (1m88), que garante equilíbrio e uma qualidade técnica acima da média. Não é previsível que seja titular, mas poderá vir a ter espaço durante o torneio.
Principal Ausência: Zlatan Ibrahimović (Avançado, 39 anos, AC Milan) – Por toda a sua qualidade, experiência e presença em campo, a lesão de Ibrahimović é um rude golpe nas aspirações suecas. Apesar da idade avançada, Ibra continua a exibir-se ao mais alto nível no AC Milan, acabando a época com 17 golos em 27 partidas efetuadas. Além disso, o seu regresso em março tinha-se traduzido em vitórias.
Convocatória: Guarda-redes: Karl-Johan Johnsson, Kristoffer Nordfeldt e Robin Olsen; Defesas: Emil Krafth, Lindelof, Marcus Danielson, Martin Olsson, Ludwig Augustinsson, Pontus Jansson, Filip Helander, Mikael Lustig e Andreas Granqvist; Médios: Emil Forsberg, Ken Sema, Viktor Claesson, Dejan Kulusevski, Sebastian Larsson, Albin Ekdal, Kristoffer Olsson, Jens Cajuste, Mattias Svanberg, Gustav Svensson; Avançados: Marus Berg, Alexander Isak, Robin Quaison e Jordan Larsson.
Seleccionador: Janne Andersson

Prognóstico VM: Oitavos-de-Final

Rodrigo Ferreira

 

12 Comentários

  • AbreLatas
    Posted Maio 20, 2021 at 11:16 am

    Depende da prestação da equipa como um todo mas Isak será o jogador a seguir

  • Amigos e bola
    Posted Maio 20, 2021 at 11:27 am

    Seleção bastante limitada tecnicamente .

    Passo a hipérbole, mas qualquer jogador da nossa seleção tem mais técnica num pé, que a Suécia toda junta.

    Claro, não são coitadinhos nenhuns, têm alguns bons jogadores, mas não antevejo que façam nada de relevo neste Europeu.

    Contudo, nórdicos são nórdicos e podem-se transcender perfeitamente.
    Uma das belezas dos grandes torneios das seleções é que são imprevisíveis.

  • João-Pedro Cordeiro
    Posted Maio 20, 2021 at 11:34 am

    Já o tenho o dito com alguma regularidade e correndo o risco de me repetir… Há algum desfasamento entre aquilo que é potencial máximo da seleção sueca e as ideias/filosofia de Janne Anderson, um técnico conservador, que vive muito do espírito competitivo e solidez/consistência que dá à equipa. O problema é que no Norte da Europa o futebol evoluiu substancialmente nos últimos anos e o típico jogador nórdico, fisicamente imponente, guerreiro em campo, começa a ser uma minoria. A Dinamarca (por razões históricas) e a Noruega já compreenderam essa evolução e colocaram na liderança das suas seleções técnicos de pensamento mais moderno e que melhor se adequam ao talento que têm em mãos.

    A Suécia é, por isso, um caso curioso. Artística e culturalmente, é um país altamente criativo, mas em termos futebolístico a evolução em termos de pensamento tem sido pouca. Só agora começam a surgir na Allsvenskan alguns técnicos mais jovens substituindo os da velha guarda (AIK, Häcken, Elfsborg, Norrköping, Hammarby, Sirius, etc, todos com técnicos com menos de 50 anos). Os Lagerback, os Hamrén, os Janne Andersson, os Roland Nilssons, etc. Andersson tem contrato até ao Mundial de 2024, mas terá de fazer uma renovação da seleção após este Europeu e não me parece que seja o homem indicado para o fazer.

    A atual pool de talento mais jovem está longe de se exprimir no seu máximo potencial no 4x4x2 a que Andersson é fiel. Isso viu-se na péssima qualificação para o Europeu de Sub-21 apesar de ter uma boa seleção, seguramente melhor do que a da Islândia, por exemplo. Essa insistência neste modelo já nem sequer retira o melhor da seleção atual, já que Forsberg, Claesson, Kulusevski, só para dizer três, não são propriamente jogadores para jogar nas alas de uma linha de quatro. Acredito que passa por aí a relutância de Andersson em convocar Jordan Larsson (só a lesão de Zlatan lhe abriu as portas e falamos de um dos melhores performers suecas da temporada) ou o escândalo da não convocação de Jesper Karlsson. Médios como Svanberg ou Cajuste também vão ter problemas em afirmar-se na seleção se esta continuar a jogar com dois médios centro.

    Andersson tem o seu núcleo duro e vive muito do espírito que este traz ao grupo e isso explica a convocação de nomes como Martin Olsson, Granqvist, Gustav Svensson, Marcus Danielson, Quaison, que “não tinham o direito” de estar na lista. Jogadores como Larsson, Ekdal, Lustig ou Marcus Berg estão na reta final da sua carreira internacional e precisam de ser substituídos após o Europeu (apesar de ainda estarem num bom momento desportivo). Agora, apesar de tudo isto, é impossível dizer que Andersson não ter cumprido objetivos. A Suécia tem tido bons resultados e tem sido uma equipa difícil de bater.

    A questão é se não seria possível fazer mais e melhor. Eu acho que sim e o futuro é preocupante. Isso nota-se na pouca juventude que tem sido introduzida por Janne Andersson e o que isso já significou em termos de perdas de jogadores como Anel Ahmedhodzic, por exemplo. Esta é uma convocatória excessivamente conservadora e que não é totalmente representativa do estado atual do futebol sueco. Pessoalmente gostava de ver a dupla que orienta o Djürgarden assumir o comando técnico da seleção sueca num futuro muito próximo já que as suas ideias em termos de modelo e expressão futebolística em muito se adequam ao estado atual do futebol sueco.

    O que eu gostava de ver no Euro (tendo em conta os convocados): Olsson; Lustig, Lindelof, Helander, Augustinsson; Ekdal, Larsson, Svanberg; Forsberg, Kulusevski, Isak.

    O que eu acho que vai acontecer: Olsson; Lustig, Lindelof, Jansson, Augustinsson; Forsberg, Ekdal, Larsson, Forsberg; Isak, Berg.

    • BrunoAlves16
      Posted Maio 20, 2021 at 5:29 pm

      Muito interessante esse segundo parágrafo, com o qual concordo plenamente, mais ate na parte artistica e cultural (ou não fosse a pátria de Bergman), já que relativamente ao futebol sueco não tenho um conhecimento tão aprofundado como no teu caso. Interessante sem dúvida.

  • Estigarribia
    Posted Maio 20, 2021 at 11:42 am

    Não acredito que a Suécia faça algo fora do normal no Europeu. Contudo, o melhor é não descurar a selecção nórdica, até porque tem bons nomes na sua convocatória. Por exemplo, em 2016, ninguém dava nada pela Islândia e foram a maior surpresa daquele ano na prova europeia.

    Saudações Leoninas

    • Richrad
      Posted Maio 20, 2021 at 4:07 pm

      A Islândia foi um caso de estudo porque aqueles 2 anos envolvendo as qualificações e o desenrolar do europeu, provaram estarmos perante a focalização de um grupo de trabalho extraordinário e que dificilmente ( perante as caraterísticas populacionais da Islândia) voltaremos ver num futuro próximo.

      Em relação à Suécia, concordo contigo. O grupo não é o mais difícil mas mesmo com uma Suécia competitiva não creio que seja o suficiente para bater a bota à Espanha e Polónia, sendo o confronto com a Eslováquia o duelo para a passagem à fase seguinte.
      Como o Rodrigo abordou e bem, é uma seleção que se vale pelo coletivo, certinha e que não arrisca muito, prefere mesmo jogar atrás da linha da bola e apostar nas transições rápidas ( mais que não seja para aproveitar as caraterísticas físicas que os jogadores suecos apresentam).

      Sinceramente, até ainda vou mais longe: preferia ter a Suécia no nosso grupo ao invés da Hungria, que apesar de até considerar que os húngaros têm menor qualidade coletiva, são bastante atrevidos.

      Saudações desportivas.

      Só uma curiosidade,
      Está para breve a fazer 6 anos que Portugal perdeu para a Suécia o Euro-21 de 2015.
      A essa geração sueca, somente 5 atletas figuram atualmente as escolha da turma sueca.

      • Pao com Presunto
        Posted Maio 21, 2021 at 1:55 pm

        Curiosamente, Portugal não tem muitos mais, mas tendo em conta a qualidade dos elencos é notável: 7 jogadores (William, Sérgio Oliveira, Bernardo Silva, Guerreiro, Cancelo, Rúben Neves, Rafa)

        • Richrad
          Posted Maio 21, 2021 at 6:52 pm

          Sim, não sendo muito mais, existem jogadores portugueses que estão na porta da seleção como o José Sá ( vai o Rui Silva mas poderia perfeitamente ser o Sá); João Mário, Ricardo Pereira e até Paulo Oliveira ( este último, pelos minutos que vai somando em Espanha custa-me não ter mais chamadas).

          Saudações Desportivas

  • Kacal
    Posted Maio 20, 2021 at 12:13 pm

    Sinceramente até acredito que podem surpreender com base no colectivo tendo em conta as ideias e filosofia do seu treinador. Mas não devem entusiasmar isso é certo. Seja como for não acredito que repitam a prestação do Mundial 2018, por norma não repetem na competição seguinte. Agora é um desperdício ter alguns destes jogadores e jovens, entre outros que ficaram de fora (Jesper Karlsson do AZ Alkmaar, sobretudo) nas mãos de um treinador tão conservador mas é o que é, talvez após esta competição possam trocar e aproveitar melhor os jogadores que têm.

  • BrunoAlves16
    Posted Maio 20, 2021 at 5:30 pm

    Parece-me que poderão discutir o segundo lugar do grupo com a Polonia e os oitavos de final são uma meta realista. Mais do que isso e lucro

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