O facto de ser um dado revelante diz bem do impacto que já tem no futebol mundial com apenas 20 anos (nenhum jogador com esta idade foi notícia por isto).
A passagem de Erling Haaland pela selecção, neste apuramento para o Mundial’2022, não correu nada bem. O avançado norueguês, que recebeu várias críticas na imprensa do seu país, ficou em branco frente a Gibraltar, Turquia e Montenegro, o que constitui um recorde negativo na sua carreira. É que apesar dos 20 anos até hoje nunca tinha estado 3 jogos seguidos como titular em branco, sendo que a única vez que experienciou algo do género, foi entre 29 de fevereiro e 11 de março do ano passado, nos jogos do Borussia Dortmund frente ao Friburgo, Borussia Monchengladbach e Paris Saint-Germain, no entanto no primeiro começou no banco.


25 Comentários
Marcio Ricardo
Há jogadores que jogam na Argentina, outros no Brasil, outros na Noruega. É, a vida não é justa..
Kacal
Este tipo de estatística é demasiado “fútil” e em nada acrescenta, a meu ver. Todos os jogadores têm fases menos boas e é impossível marcarem todos os jogos durante a carreira toda, a crítica faz parte e vai sempre acontecer porque nunca houve ninguém unânime e ninguém que correspondesse sempre, faz parte. Cabe a ele trabalhar sempre mais e mais respondendo em campo, mas o Haaland tem imensa qualidade e uma mentalidade de campeão, parece-me. Agora sim, espera-se mais dele na selecção também porque é a estrela da companhia e não falamos uma selecção de 4º nível, é uma selecção interessante e ele tem que ser o extra mas não esteve à altura nestes jogos, ele vai responder depois, acredito.
Tiago Silva
Não acho que esta dinâmica da Noruega encaixe bem na equipa, jogar com Haaland e Sorloth juntos não está a resultar, são 2 goleadores que gostam de atacar as mesmas zonas, apesar do Haaland preferir o ataque à profundidade e o Sorloth preferir jogar em apoios. Eu utilizaria outra abordagem, ou manter este 4-4-2 e jogar com Joshua King ao lado de Haaland ou avançar para o 4-3-3, jogando com o Odegaard sobre a direita quase como um 10 descaído na ala, com Svensson/Elabdellaoui a fazerem todo o corredor (o Svensson tem feito muito bem esse papel no AZ, o Stengs tem exatamente essas dinâmicas), depois jogar com Hauge/Elyounoussi sobre a esquerda sem tantas responsabilidades defensivas e com autorização em arrancarem no 1×1 e um meio-campo povoado onde há muitas opções (Midstjo, Berge, Normann, Berg, Thorsby, Thorstvedt, os experientes Eikrem e Selnaes ou uma opção mais criativa em Evgen). Na defesa não conheço tão bem os nomes, mas o Meling por exemplo é um lateral esquerdo interessante, no entanto esta seleção norueguesa tem um potencial ofensivo brutal, que não está a ser bem explorada pelo selecionador a meu ver.
Joao Silvino
Muito curioso para ver o CV deste menino daqui a 15 anos.
Gunnerz
Eu até dizia q era normal por ser a Noruega, mas tendo em conta q houve jogo com Gibraltar podia aqui pelo menos ter marcado. Mas d resto isto so mostra o q é Haaland hoje em dia, ele q se prepare para ser criticado por qualquer “ciclo” negativo.
Nunop
Para ser sincero quando vi Haaland no onze contra Gibraltar esperava um hat-trick no mínimo…mas é um fenómeno, e acho que a dupla Odegaard – Haaland, com outros bons jogadores como Ajer e Hauge por exemplo, podem por a Noruega numa fase final daqui a uns anos (não vai a um Mundial desde 1998 e a um Euro desde 2000).
João-Pedro Cordeiro
A ascensão repentina de Haaland e de Odegaard nos últimos tempos levou a que se esperasse muito demasiado cedo desta seleção. Há muito trabalho pela frente e a quantidade de jogadores talentosos que estão a aparecer e que irão dar uma base de qualidade às duas grandes estrelas norueguesas ainda não estão preparadas para assumir um papel relevante ao mais alto nível. O Euro 2024 é o primeiro grande objetivo desta equipa e da federação norueguesa, o que pudesse chegar antes era apenas um bónus.
A Noruega está em início de ciclo com a chegada de Solbakken e ainda que não seja uma mudança totalmente disruptiva já que Solbakken também não é assim tão progressista face a Lagerback, há mudanças a acontecer. As exibições não foram maravilhosas, os resultados foram menos maus. A derrota com a Turquia é complicada de digerir, mas pelo menos os turcos já escorregaram com a Letónia e apesar de terem merecido a vitória contra a Noruega, os números enganam um pouco. Curiosamente, a Noruega até teve um valor de golos esperados superior nesse jogo e levou 3-0 (1.17 vs 0.57 xG). Ainda assim, Solbakken falhou claramente na ideia inicial ao lançar Ryerson e Gregersen ao mesmo tempo deixando o lado direito da defesa particularmente permeável. Svensson tinha sido um dos melhores no jogo anterior, pelo que não se entendeu a mudança no jogo mais complicado da semana, ainda por cima um jogador que raramente joga a lateral direito no Union.
É preciso entender também que o contexto atual não é fácil. Três jogos internacionais encavalitados, viagens constantes e nenhum tempo para treinar. Em seleções como a Noruega que estão em mudança de ciclo e de implementação de novas dinâmicas é mais difícil. E essa falta de dinâmicas notou-se claramente nos jogos realizados. Há algumas boas ideias, houve decisões estranhas por parte de Solbakken, mas é preciso tempo. Haaland foi definitivamente quem mais sofreu com isso, passando completamente ao lado dos três jogos, mas revelando algumas falhas individuais preocupantes. Tem 20 anos e uma pressão monumental em cima a jogar pelo seu país, é compreensível. Odegaard por seu lado nunca pareceu ter regressado como devia ser da lesão que sofreu com Gibraltar no início da paragem internacional e se calhar nem devia ter jogado os dois jogos seguintes.
Quem acabou por sair reforçado desta janela internacional foi Patrick Berg. O médio do Glimt é um jogador apaixonante e ninguém diria que fez os primeiros jogos pela seleção norueguesa. Esta parece a sua equipa, mais do que a de Haaland ou Odegaard. Moi e Sorloth também estiveram a um bom nível, mas a Noruega foi pouco mais do que isto. Em relação a Lagerback há mudanças claras no comportamento com bola e na primeira fase de pressão. A Noruega tenta sair a construir de trás, procura menos a verticalidade e quando perde a bola tenta pressionar em bloco e mais alto no terreno. Houve mais presença entre linhas e menos rigidez posicional nestes três jogos do que em vários meses de Lagerback. Mas isso demora tempo a olear.
A tentativa de utilizar o excelente jogo de apoios e associação de Sorloth retirando-o da área de ação dos centrais para abrir espaço a Haaland é uma boa ideia de Lagerback, mas depois a dinâmica entre os dois avançados não funciona. Notei Haaland um pouco perdido em campo sem saber o espaço a atacar sempre que a equipa conseguia ativar Sorloth. Solbakken tem tentado implementar uma espécie de losango no meio-campo para tentar dar corredor central a Odegaard, mas mesmo uma posição de interior direito retira-o da sua área de influência. Ou seja, a Noruega continua sem conseguir exponenciar ao máximo as duas principais figuras da equipa e jogar com dois médios como Berg + Midtsjo/Thorsby é jogar com dois médios redundantes, o que acabou por deixar a equipa algo manca em criatividade nos jogos com a Turquia e Montenegro.
A Noruega colocou algum peso sobre si com a questão do boicote ao Mundial, além de todo o mediatismo de Haaland e Odegaard, o que acaba por fazer esta equipa ter uma avaliação demasiado exagerada por parte da opinião pública. Neste momento ainda está a existir uma mudança geracional no futebol do país e a esmagadora maioria dos jogadores que irão tornar esta uma grande seleção ainda não estão nesse patamar, além de todas as alterações táticas que estão no seu princípio. Há que entender o contexto e não extrapolar em demasia.
JoaoMiguel96
Berg é um craque autêntico. Não percebo como é que ainda está no Bodo. Deve ser o próximo a sair, depois do Zinckernagel.
Aquela liga é um viveiro de talentos assustador. Aliás, basta olhar para o Bodo e ver também Borjkan. O Odd é outro clube repleto de talento com Bjorfut,
os irmãos (?) Kitolano, Ronning Jorgensen ou Kaasa. No Molde gosto imenso do Birk Risa também.
João-Pedro Cordeiro
Entre ele e Bjorkan seguramente estará a próxima grande venda do Glimt. O que é impressionante é que Berg em nada acusou o patamar internacional o que abre grandes perspetivas para uma mudança para outro contexto sem sofrer particularmente com isso. Claro que por mim não deixava a Eliteserien, mas tenho a certeza que vai acabar a brilhar por uma boa equipa.
Olho também no Stabaek e no Valerenga, principalmente o Valerenga, na próxima época.
JoaoMiguel96
Thiago Olm, Sahraoui e Klaesson é amor. Valerenga tem aqui uma geração brutal.
O Berg é outro nível na Eliteserien. Acredito que saia para um incrível patamar.
PedroLareira
Ninguém domina o futebol nórdico como tu, caro João.
João-Pedro Cordeiro
Obrigado, Pedro!
Farinheira
Ui! Na Noruega andam muito exigentes. Esse seleção incrível, habituada a um futebol incrível e a títulos em barda, a criticar a galinha dos ovos de ouro.
Ainda se fosse por falta de empenho, mas não, apenas não esteve inspirado.
Pipo
Como qualquer outro jogador de classe mundial, terá que viver com as críticas quando as coisas não correm tão bem.
No próximo jogo lá espeta mais 2 golitos À conta pessoal e já ninguém o chateia :)
Amigos e bola
E dado que jogou contra o Gibraltar não abona muito a seu favor.
Teve o “azar” de nascer na Noruega. Como tal, dificilmente chegará a uma fase final. E as fases finais das seleções representam muito daquilo que é a marca de um jogador de futebol.
Jan the Man
Não acredito que a próxima geração da Noruega não chegue pelo menos a um Europeu.
É necessário desenvolver alguns jogadores de perfil mais defensivo mas uma selecção que conta com Elabdellaoui, Sander Berge, Odegaard, Hauge, Elyounoussi, Sorloth, Joshua King e Haaland tem tudo para conseguir estar presente numa fase final, pelo menos com este número de equipas.
JJoker
Entre 2008 e 2009 Ronaldo marcou dois golos por Portugal…
O problema dos números é este mesmo, quando um tipo se resume a números, é mais fácil dar-se conta de quando as coisas correm mal. Messi podia estar um ano sem marcar golos e ninguém no seu perfeito juizo questionaria a sua habilidade, é a diferença entre ser-se muito bom, e ser-se efectivamente o melhor de todos os tempos.
Marcio Ricardo
Melhor de todos os tempos ? Por isso que ninguém critica Maradona na Argentina, já o Messi..
Vegeta
Se vais por ai, aqui também ninguém critica o Eusébio, já o Cris…
NR7
Até os 2 “ETs” foram criticados inúmeras vezes. É algo que faz parte, infelizmente. A diferença estará em como é que um Haaland ou um Mbappé irão lidar com isso até ao fim das carreiras.
BenDover
Sem dúvida!!
O Félix, sem querer estar a compará-lo a Mbappé e Haaland, é um que não lida bem com as críticas (diga-se antes responder com golos e boas performances) e cujo rendimento já murchou.
NR7
Exato. Apesar de também não achar que esteja no mesmo patamar desses dois e que nunca estará, se tivesse a mentalidade certa poderia ficar no “nível abaixo” de ambos, “empatado” com vários outros jogadores. Mas é uma questão de darmos tempo ao tempo porque ainda são todos jovens.
DM
Alguém que diz que o Haaland são so golos nunca viu o Haaland jogar
PedroLareira
A sociedade, sempre voraz e perfeita, adora criticar tudo e todos, a toda a hora por todos os motivos e mais alguns.
É triste e algo a repensar.
Marik
Como se o Messi nunca tivesse sido (altamente) criticado pelas prestações na sua seleção…