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Hjulmand, Morita e o vazio no meio: o desafio do Sporting

Durante anos, o meio-campo do Sporting teve donos claros. Na próxima época, isso está em risco.

Morten Hjulmand é mais do que um médio defensivo: é liderança, critério e o ponto de partida de toda a construção. A sua crescente valorização no mercado e qualidade inegável, tornam o dinamarquês num jogador apetecível.

E o problema não fica por aqui.

Hidemasa Morita entra nos últimos meses de contrato e pode representar a perda do “relógio japonês” da equipa, enquanto Giorgi Kochorashvili nunca se conseguiu afirmar. No meio deste cenário, João Simões continua a alternar entre bons momentos e longos períodos de ausência no jogo.

Ou seja, o Sporting arrisca perder, ao mesmo tempo, o líder, o organizador e a consistência do seu meio-campo.

A resposta terá de ser dada no mercado, com critério e intenção.

Para dar impacto físico e presença, Issa Doumbia (Venezia) surge como um perfil interessante. Intenso, forte no duelo e com capacidade de transporte, oferece uma dimensão que hoje falta e aproxima-se daquilo que se esperava ver de João Simões, mas com maior maturidade.

Mas substituir Morten Hjulmand implica outro nível de exigência. Leon Avdullahu (Hoffenheim) apresenta-se como o substituto ideal: critério com bola, agressividade sem bola e uma liderança natural. Não seria uma contratação fácil, exigiria um investimento elevado , mas garantiria continuidade na identidade da equipa.

Numa lógica diferente, mais estratégica, surge Nathan De Cat (Anderlecht). Um dos talentos mais promissores do futebol belga, que em condições normais estaria fora do alcance. No entanto, o fim de contrato abre uma oportunidade rara, num cenário semelhante ao de Zeno Debast, inclusive pelo clube atual do atleta.

Por fim, há a necessidade de garantir equilíbrio.

Lukáš Červ (Viktoria Plzeň) encaixa nesse perfil. Tal como Hidemasa Morita, é um médio fiável em todas as fases do jogo, garantindo critério, consistência e leitura tática, aquilo que muitas vezes não se vê, mas que sustenta tudo o resto.

No fim, o Sporting precisa de clareza: ou reconstrói um meio-campo com liderança e critério, ou arrisca perder a base que sustenta toda a equipa.

Roberto Leal

3 Comentários

  • Pao com Presunto
    Posted Março 29, 2026 at 3:23 pm

    Em relação ao meio campo, Pote e Debast têm uma palavra a dizer. Podem crescer muito no pós-Hjulmand naquela zona do campo.

    Bragança é bom, mas não é fiável que aguente uma época a titular.

    No entanto acredito que apenas irá entrar 1 jogador, pois não acredito que o Kocho seja descartado já. Isto significa que sim, vai haver um decréscimo de qualidade no meio-campo, mas faz parte.

  • Tiago Silva
    Posted Março 29, 2026 at 2:56 pm

    Gosto das opções proporcionadas e concordo que o Sporting precise de ver o meio-campo como prioridade. Gosto do João Simões e acho que poderá corresponder como titular e ir rodando com o Bragança e eventualmente com algum outro reforço. Para o lugar do Hjulmand, gosto bastante do perfil do Avdullahu e gosto do jogador, acho que pode encaixar muito bem na equipa e ter um impacto interessante por cá. No entanto se conseguissem o de Cat era uma bomba! Pela sua situação contratual também penso que o Benfica deveria estar interessado.

  • Christian Benítez
    Posted Março 29, 2026 at 12:55 pm

    Bom artigo.

    Em relação ao Kochorashvili, eu ainda dava uma oportunidade ao internacional georgiano, agora que já sabemos que Hjulmand e Morita sairão no final da época. Acho que ainda é muito cedo para se descartar o Kochorashvili como opção para o meio-campo.

    Sobre as alternativas que são apresentadas no texto, não conheço esse Issa Doumbia, mas os seus homólogos (Seydou e Idrissa) foram autênticos barretes e torço o nariz a algum jogador que venha para o Sporting com esse nome na camisola.

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