Na história do futebol mundial, nunca uma selecção esteve no topo e depois caiu até praticamente ao esquecimento. Aliás, existe, e chama-se Hungria. Para os mais jovens, a selecção da Hungria não diz nada de especial e poucos lhes reconhecem um papel relevante na história do futebol, no entanto, os magiares já foram “reis da bola”. A Hungria soma 9 presenças em Mundiais (a última foi em 1986) e 2 em Europeus (1964 e 1972). O futebol húngaro esteve no topo da Europa desde os primórdios até ao início dos anos 70, onde entrou em declínio e nunca mais se levantou. Para a memória ficam as finais de 1938 (derrota por 4-2 frente à Itália) e de 1954 (derrota por 3-2 frente à RFA). A mais marcante, em 1954, foi dramática e pôs termo a 31 jogos sem derrotas dos magiares (28 vitórias e 3 empates, incluindo o mítico 6-3 em Wembley). A Hungria dos anos 50 entrou para a história do futebol e ficou conhecida como a “Golden Team”. Com uma táctica revolucionária para a época, 3-2-3-2, os magiares mudaram o conceito do jogo e marcaram uma era. Grosics, Lantos, Lorant, Buzanszky, Zakarias, Bozsik, Czibor, Hidegkuti, Budai II, Puskas e Kocsis formaram uma equipa base que dominou o Mundo no início dos anos 50.
Vários recordes permanecem nos livros:
– Maior período de tempo sem qualquer derrota (4 anos e 1 mês – 1950/1954);
– Seis anos (1950-1956) com 91% de vitórias (42 vitórias, 7 empates e 1 derrota);
– Mais jogos consecutivos a marcar 1 golo (73 entre 1949 e 1957);
– Melhor dupla de goleadores da história (Puskas e Kocsis marcaram 159 golos pela selecção);
– Primeira equipa fora das Ilhas Britânicas a derrotar a Inglaterra no país de sua majestade (desde o 1º jogo da Inglaterra – 1872 – até à derrota em 1953, passaram 81 anos). Um ano depois, a Inglaterra perdeu por 7-1 com a Hungria, na maior derrota da sua história;
– Primeira equipa não sul-americana a derrotar o Uruguai e primeira equipa a derrotar os uruguaios em Mundiais;
– Primeira equipa a ganhar na União Soviética;
– Equipa da história com melhores resultados frente a top-10 do Elo Ranking (11 vitórias, 2 empates e 1 derrota);
– Melhor media de golos por jogo em partidas do Mundial – 2.72 golos/por jogo (87 golos em 32 jogos);
– Melhor média de golos por jogo num Mundial – 5.4 golos/por jogo em 1954;
– Mais golos marcados num Mundial – 27 em 1954
– Maior diferença entre golos marcados e sofridos num Mundial –17 (27-10) em 1954
A especialidade da Hungria era mesmo marcar golos. Sandor Kocsis brilhou em 1954, ao marcar 2 hat-tricks de forma consecutiva (Gerd Muller imitou-o em 1970) e ao marcar pelo menos 2 golos em 4 jogos consecutivos. Já em 1982, Laszlo Kiss marcou 3 golos em apenas 8 minutos (10-1 frente a El Salvador), tendo inclusive, saído do banco de suplentes (entrou aos 55 minutos e marcou aos 69, 72 e 76 minutos). A Hungria é dona de duas das maiores goleadas em Mundiais (9-0 à Coreia do Sul, em 1954 e 10-1 a El Salvador, em 1982) e foi mesmo a única selecção a chegar aos 10 golos numa partida. Os nosso leitores já devem estar a pensar que os magiares foram a selecção do “quase”. Nada de mais errado. Numa época em que o futebol era encarado com grande seriedade nos Jogos Olímpicos (podiam participar jogadores de todas as idades), a Hungria conquistou 3 medalhas de Ouro (1952, 1964 e 1968), 1 medalha de Prata (1972) e 1 medalha de Bronze (1960). Foram 5 participações consecutivas no pódio (a Hungria desistiu de competir em 1956), 25 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, 98 golos marcados e 22 golos sofridos…
Actualmente, a Hungria vive à sombra do passado, sem grandes esperanças em repetir os feitos dos seus antecessores. Olhando para a tabela de goleadores da história do futebol magiar, percebe-se o drama dos últimos 30 anos. No top-17 de goleadores, o jogador que terminou a carreira mais perto do dia de hoje foi Jozsef Kiprich (em 1995 – 12º com 28 golos). Dos jogadores em actividade, Zoltan Gera é o que está mais perto do topo, com 21 golos (18º), mas longe das glórias do passado. Ferenc Puskas tem a marca inigualável de 84 golos pela Hungria (85 jogos), Sandor Kocsis não fica atrás da lenda, tendo marcado 75 golos (em 68 jogos). Schlosser, no início do século XX, marcou 59 golos e fecha o pódio. Destaque ainda para Tichy (51), Sarosi (42), Hidegkuti (39), Bene (36), Zsengeller (32), Nyilasi (32), Florian Albert (31), Deak (29), Karoly Sandor (27), Takacs (26), Toldi (25), Avar (24) e Fazekas (24).


15 Comentários
Pedro Chambel
Nao conhecia estes números, mas sábia que em tempos hungria dominava a nível internacional, o Sporting ate chegou a ter um enorme treinador deste pais joseb sbazo, pena terem caído tanto.
Rui Maciel
Pelos documentarios k vi sobre os anos 50 tem de se falar desta selecção e não ganhou um campeonato do mundo porque a Alemanha dopou no jogo da final