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A importância dos psicólogos desportivos

Fonte: The Daily Dot

26 de Maio de 2016. A equipa de League of Legends Splyce escapa à despromoção da 1.ª liga europeia depois de começarem a perder e darem a volta à eliminatória para um 3-2 emocionante. Menos de 6 meses depois, os Splyce vencem os Unicorns of Love, equipa que vinha embalada por duas vitórias categóricas por 3-0 e uma sede de vingança motivada por treinos contra outras equipas profissionais cancelados. Com isto, qualificaram-se para o campeonato do mundo como um dos três representantes do nosso continente.

Não se preocupem, este não é um texto sobre os desportos electrónicos ou se se enquadram neste blog, é apenas uma introdução. O que mudou? Como é que esta equipa que estava nas ruas da amargura conseguiu em meio ano passar de 8º para 2º lugar, agora uma das mais fortes na Europa?

A razão principal é o senhor que se vê na imagem, Jakob “YamatoCannon” Mebdi. Houve outras mudanças: a equipa substituiu um dos cinco elementos por outro que, apesar de melhor que o anterior, não é nenhum supra-sumo vindo da Coreia do Sul. Mas Yamato foi sem dúvida a maior mudança, um maestro de 20 anos a comandar cinco meninos um pouco mais novos.

Não é a primeira vez que isto acontece na indústria dos eSports. Já houve equipas a contratar psicólogos desportivos para os acompanhar durante meses com resultados bem positivos nos jogadores e na classificação. O melhor, Weldon Green, já ajudou a revitalizar muitas equipas e trabalha neste momento na equipa americana de topo TSM, que nesta Verão conseguiu um registo de 17-1.

A saúde mental é algo fundamental em qualquer desporto, ainda mais naqueles de equipa. No futebol, desporto em que me sinto mais confortável a divagar, isto não é diferente e tanto treinadores como clubes sabem desta importância. YamatoCanon é como um Jorge Jesus, que chegou e revolucionou a forma de jogar, pensar e actuar de uma equipa.

6 de Setembro de 2016. A selecção portuguesa de futebol acaba de perder com a Suíça por 2-0. O que leva a recém campeã europeia a não se aguentar contra adversários mais modestos (como diz FS, deslumbramento e pouco pragmatismo)? O que leva clubes como Atlético de Madrid e Borussia a agigantarem-se ano após ano e fazerem frente aos gigantes dos seus países? O que leva jogadores como Fernando Torres e Falcao a fazerem movimentar tanto dinheiro para depois se eclipsarem e voltarem a descer uns patamares enquanto que outros sabem lidar com essa pressão? O que leva jogadores como Fábio Paim, Balotelli ou Taraabt a não saberem gerir a sua carreira? Pelo contrário, o que leva trintões como Jonas ou jogadores outrora medíocres a renascerem para o futebol e ganharem uma eficácia poucas vezes vista? Haverá muitos factores é claro, mas a vertente mental importa e muito. Usualmente quem faz esse trabalho de motivação e gestão da saúde mental do atleta é o treinador.

Mas nem todos os treinadores são assim. Gostemos ou não, José Mourinho, YamatoCanon ou Jorge Jesus são treinadores muito bons – tanto a nível técnico, táctico e mental – e que não abundam por aí (com isto não digo que não tenham falhas, como o ego do catedrático ou do Special One).

Posto isso, penso que seria inteligente as organizações apostarem na continuidade, já que treinadores excepcionais não são propensos a ficar quietos (excepção feita ao grande Sir Alex). Para as organizações que não têm treinadores de pessoas excepcionais, poderia ser muito positivo apostar na psicologia para ajudar com a tal “estrutura” e “raça” da qual se ouve falar.

Além disto, sejamos francos, um treinador pode ter muito a fazer e simplesmente não ter tempo para o tal treino mental, delegando a tarefa para outros treinadores que, tal como ele, têm no máximo umas assistências a seminários sobre o assunto. Assim, o clube desperdiça uma vertente onde poderia ganhar vantagem competitiva.

Segundo uma entrevista de 2014 de Pedro Almeida, psicólogo do Benfica, com excepção feita às camadas jovens, o trabalho de um psicólogo desportivo passa mais pelo treinador, devido sobretudo à falta de tempo dos atletas. Ora, não vou inventar, não estou ligado à área nem sou um profissional da Psicologia por isso não vou dizer se está bem ou mal.

A questão que queria aqui trazer à discussão é se ainda existe uma certa mescla com a psicologia habitual? Ou seja, os psicólogos atendem os jogadores que o treinador lhes indica. Assim, o trabalho de um psicólogo desportivo nos escalões seniores é mais passivo que ativo e mais reativo que ativo, enquanto que poderia ser benéfico se o contrário se verificasse.

Volto, e perdoem-me a insistência, a dar o exemplo dos eSports. O trabalho das equipas com os psicólogos foi ativo. Eles acompanharam os treinos e definiram coisas a trabalhar, tanto individualmente como em grupo. Hoje em dia, qualquer equipa com ou sem psicólogo sabe que para ser bem-sucedida têm de existir actividades de grupo fora do jogo/treino. A família não pode ser saudável se apenas jogar, treinar e assistir a gravações/VODs, é preciso viverem juntos e um psicólogo deve gerir isso se o treinador não o souber fazer. Mais perto de nós, temos o exemplo de Éder, o “patinho feio que se transformou no bonito”.

Sobre a questão de não existir tempo para estas coisas, não é totalmente verdade. A performance psicológica também se treina e como tal deve-se incluir no plano de treinos. Não criando novos planos de treino e tirando espaço aos actuais, mas inserindo um ou mais psicólogos no treino para diagnóstico e tratamentos mais rápidos e eficazes, transmitindo segurança aos atletas já que estão protegidos pela confidencialidade doutor-paciente.

Se nas camadas jovens a psicologia desportiva é imperativa, nos seniores também não deve ser ignorada. O mediatismo e pressão são muito maiores e de certa forma também estes atletas estão em formação e devem ser treinados e protegidos.

Somente a título de exemplo: o Benfica tinha em 2014 cinco psicólogos, dois deles a tempo-inteiro. Perdoem-me puxar a brasa à minha sardinha, mas nos últimos anos houve um inegável incremento de qualidade nos jovens saídos da academia e na própria equipa principal.

Será que esta melhoria está relacionada com a presença de psicólogos no clube? Talvez. Se os clubes podiam fazer ainda melhor? Talvez.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Ricardo Chiolas

VM
Author: VM

15 Comentários

  • RuiMagas
    Posted Setembro 25, 2016 at 12:39 pm

    É muito engraçado falar em estar mais tempo juntos como em equipa quando em Portugal mal se vê um foto nas redes sociais dos jogadores a descansar e convive inventa-se logo mil e uma coisas que eles estarão a fazer como beber álcool, fumar, comer que nem um lobo, etc, etc.

    Agora é difícil encontrar um Yamato assim ao virar da esquina, ele é um deus no eSports e comparo este caso da Splyce como o do Leicester só faltou mesmo eles serem campeões europeus (estiveram lá perto).

    • Sun Man
      Posted Setembro 25, 2016 at 1:38 pm

      Não falem do que não sabem sff.

      • RuiMagas
        Posted Setembro 25, 2016 at 2:17 pm

        Não falem nem mandem bitaites sem dar argumentos :)

        • Sun Man
          Posted Setembro 25, 2016 at 2:47 pm

          Normalmente quem escreve as coisas é que as devia justificar não ao contrario.

          • Diogo Moura
            Posted Setembro 25, 2016 at 3:32 pm

            Normalmente, quem critica tem que fundamentar. Pois caso eu seja um leigo na matéria, claramente vou optar por dar mais importância a um artigo com as devidas explicações (por mais errado que esteja), do que a um comentário negativo ao artigo descrito em meia dúzia de palavras. Em suma, quem tem mais credibilidade? Alguém que fundamenta ou alguém que se limita a dizer “Não falem do que não sabem”.

    • Nuno Plácido
      Posted Setembro 25, 2016 at 2:36 pm

      Esta comparação é a mais rídicula que eu vi na minha vida. Os Splyce nem ganharam o split e comparas com o Leicester? Tiveram a um jogo de não ir aos worlds com os Unicorns of love. Deus do Esports? Por amor de deus

    • Tomás Costa
      Posted Setembro 25, 2016 at 3:44 pm

      Não sei se acompanhas os e-sports ou não, pelo menos de LoL, mas colocares o Yamato no patamar de Deus não faz sentido porque o trabalho que ele tem feito não foi nada demais. Sem querer tirar mérito ao split dos Splyce, a verdade que fica foi a dominação e superioridade dos G2 que não deram hipotese às restantes equipas que todas elas estão aquém do que podem realmente jogar, o exemplo aqui seria os Fnatic que com 3 dos 5 jogadores que fizeram um split quase perfeito ficaram em 5º ou assim. Além do mais o Yamoto também era o coach quando ficaram em 8º o split passado e também era o dos Roccat quando estes ficaram nos últimos lugares. A melhor equipa em que ele esteve foram os Lemondogs na altura, que fizeram exactamente o mesmo que os Splyce neste split mas tinham um equipa muito melhor de onde se pode tirar duas conclusões: Ou a qualidade das equipas e individual tem vindo a diminuir ou o Yamato realmente é Deus. Para quem acompanha é fácil dizer que é a 1ª opção, não é aleatório que o EU tenha menos cotação nos Worlds e que o NA tenha cada vez mais protagonismo(MSI), todos os bons jogadores do EU mudaram-se para lá (Bjersen, Jensen, Huni, Froggen,…).

      De qualquer das maneiras, não fiques muito surpreendido quando os Splyce não passarem da fase de grupos dos Worlds.

  • António Pinheiro de Campos
    Posted Setembro 25, 2016 at 12:39 pm

    Bom artigo e, acima de tudo, pertinente. Na minha opinião peca por não ter sido explorado este último tópico (é referenciado o exemplo do Benfica mas essa questão acaba por ficar um pouco no ar).

  • Rúben Gomes
    Posted Setembro 25, 2016 at 12:58 pm

    Nao duvido.

    A mente é algo muito poderoso no ser humano comum, seja ele jogador ou outra coisa qualquer. O sucesso e o insucesso podem, muitas vezes, estarem separados apenas por uma mente saudavel, desimpedida e motivada. Por vezes, uma pessoa tem todas e mais algumas condiçoes para desempenhar certa função com totais condições, poder chegar a este ou aquele objetivo com grande facilidade, mas tudo isto, sem uma saude psicologica adequada de pouco vale.

    Exemplo mais evidente disto… Altetico de Madrid, leia se, Simeone. Quantos jogadores do Atletico de Madrid mostravam esta capacidade de sacrificio e de resiliencia antes de la chegar El Cholo ? Duvidam que foi o Diego a entrarlhes na cabeça e a modificar toda a forma de pensar, viver o dia a dia futebolistico ? Vemos cada vez que esta o Atletico em campo 11 homens a colocar as suas vidas em campo, como touros atras do Capote. Simeone fez lhes acreditar que eram capazes de chegar ao sucesso jogando daquela forma. O mesmo é valido para Guardiola e para a forma como os seus homens absorvem as suas ideias. E como tal nao duvido que para o sucesso destas duas equipas em campo muito trabalho psicologico esta por de tras,

    Em relação aos jovens tambem é verdade. O cerebro do ser humano so por volta dos 18/19/20 anos esta completamente formatado. Portanto até essa altura um jovem ligado ao desporto tem muito que aprender e nem tem noçao do que é a vida, nem da decisão de vida que esta a tomar. E claro esta, um acompanhamento de um profissional e entendedor da materia, afetara, para o bem, geralmente, o desempenho de um atleta em campo e fora dele. Porque, voltando ao que disse no inicio, e pegando naquilo que o Ricardo disse, nomeadamente nos exemplos do Paim… Ou seja, estes tinham as tais condições para desempenhar uma função, neste caso, a pratica do futebol, mas faltou lhes o mais importante, a tal mente sã, desimpedida de valores secundarios e saudavel.

    Para finalizar. Messi e Ronaldo. 10 anos ao mais alto nivel. Sem uma mente, tambem ela, de outro Mundo, nada disso seria possivel.

  • Sun Man
    Posted Setembro 25, 2016 at 1:36 pm

    Se forem à leaguepedia veem que os splyce ja tinham o yamato no spring split.League of legends não é futebol, hoquei ou basquetebol, constantes mudanças de meta causam com que algumas equipas não se conseguiam adaptar, e outras que se adaptam melhor. Os splyce não são uma equipa que cresceu por causa de joginhos psicologicos, trabalharam que nem cavalos e conseguiram perceber a meta melhor que outras, evoluiram o seu macro game e também devido às fracas perfomances de outras equipas estão agora nos worlds. Comparar o weldon com o yamatocannon é mesmo de quem começou a ver league ontem…

  • Goncalo R
    Posted Setembro 25, 2016 at 1:50 pm

    Excelente artigo

  • Miguel Mendes
    Posted Setembro 25, 2016 at 2:18 pm

    Jorge Jesus, o quê? Ri-me. Jonas? Falta de qualidade do tugão.

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