Uma nova época se avizinha e na mente dos amantes de futebol, como seria de esperar, tudo cheira a novo. O mercado enche-se de alvos, ambições, promessas e apagam-se da memória as trinta jornadas antecedentes, sem que se faça qualquer tipo de reflexão do que se passa fora das quatro linhas.
O motivo que me leva a escrever sobre o assunto é ser um utilizador diário de redes sociais e internet, espectador esporádico (no estádio) e assíduo em cafés, bares ou no conforto do lar. De todos estes, o único lugar onde posso realmente apreciar a beleza do futebol é recostado na poltrona com o computador ligado à televisão num servidor de fraca qualidade. Poderia assistir num estádio, com toda a emoção do “ao vivo”, se os bilhetes não fossem uma exorbitância, se a maioria dos jogos valessem a pena (tendência que felizmente tem vindo a aumentar), se não me visse escoltado (para minha segurança) pela polícia devido ao comportamento demente de alguns dos adeptos que teimam em tornar uma paixão, num ódio infundado pelos outros clubes. Não satisfeito com o serviço prestado nos estádios opto por algo mais local, como um simples café, afinal que perco eu? Até é mais barato, alguns tem grandes televisores que transmitem os jogos em HD. Contudo sou obrigado a rever minha escolha, isto porque vejo “amigos” a deixarem de se falar, ou outras conhecidas, admitindo que tenham um passado mal resolvido, chegam mesmo a vias de facto, tudo observado com uma qualidade que nenhuma operadora no mercado proporciona (talvez um dia se faça um reality show em relação a isto). No final de tudo resta-me a poltrona, os servidores de má qualidade, meia dúzia de amigos (cada um com o seu credo) e o futebol, motivo pelo qual nos juntamos.
Acabados os jogos assiste-se a um fernesim ainda maior nas redes sociais, incentivados pelo facto de deixarem as suas declarações sem que lhes peçam justificações pessoalmente, um e outro vão deixando os seus insultos e críticas no acto de maior cobardia. Existem grupos “clubístas” que incitam a violência e denigrem o trabalho difícil (ainda que com erros) dos árbitros, e o mérito dos adversários. Para concluir, tenho realmente pena que muitas percam a noção da realidade e tenham atitudes tão verticais por algo que na semana seguinte já não se comenta e na época seguinte ninguém se lembra.
J. Cardoso


