Não deve ser caso único, bem pelo contrário.
Alex Song, que está actualmente sem clube, admitiu, numa conversa com Pascal Siakam, nas redes sociais, que viveu muito tempo acima das suas possibilidades. «Estive oito anos no Arsenal, mas juro que só durante os últimos quatro é que comecei a ganhar bem. Aumentaram-me consideravelmente o salário. Desperdicei muito dinheiro em jantares, viagens, férias… Durante oito anos não consegui juntar 100 mil euros na conta bancária. As pessoas pensavam que era milionário, mas isso era mentira. Ia aos centros comerciais, tinha noites loucas, viagens para aqui e para ali…», começou por dizer o camaronês. «Assinei o meu primeiro contrato profissional e ganhava 15 mil libras por semana. Estava entusiasmado… era jovem e passei de 4 mil euros para 15 mil por semana. Um dia cheguei ao treino e vi o Thierry Henry chegar com o seu carro, que era uma jóia. E disse para mim que também o queria, independentemente do preço. Como era futebolista, bastava ir ao concessionário, assinar uns papéis e receber o carro. Assim tive o mesmo carro que o Henry! Dois meses depois arrependi-me do comprar, o carro levava-me o dinheiro todo… Acabei por ficar com um Toyota», relatou o médio, antes de falar da mudança do Arsenal para Barcelona. «O Barça mostrou interesse em contratar-me e falei com o diretor desportivo do clube. Disse-me que não ia jogar muito e eu respondi que não me importava, sabia que ia ficar realmente milionário».


8 Comentários
Antonio Clismo
O Tarantini desenvolveu um estudo aprofundado nesta área da gestão durante a carreira de jogador e no pós-carreira. Penso que até está a tirar o doutoramento nesta área em particular.
Dizem que é um problema geracional mas garanto que sempre foi assim. Não é de agora, as pessoas são pessoas e vão sempre fazer disparates e arrepender-se. Nos anos 70, 80 e 90 também era assim, embora com menos dinheiro, obviamente.
Hoje existem mais ferramentas para lidar com isto. O acompanhamento é melhor, mesmo por parte dos clubes que cada vez mais investem em departamentos de aconselhamento e psicologia e até gestão de activos.
Hoje em dia é preciso ser particularmente NABO para desperdiçar uma fortuna no futebol. Só mesmo quem não quiser é que não consegue guardar um bom pé de meia para depois.
Os agentes também começam a ter muito cuidado com isso (os mais profissionais pelo menos). O Jorge Mendes tem um departamento só para ex-jogadores e durante a própria carreira aconselha e administra muitos dos activos dos seus jogadores para o bem deles no futuro.
Littbarski
Acho que estas palavras são o espelho desta nova geração de jogadores.
Mesmo ganhando milhares de euros, não conseguem juntar dinheiro para viver desafogadamente após o final da carreira porque são autênticas crianças que acham que só se vive no momento.
O exemplo da compra do automóvel só vem mostrar essa infeliz realidade, os empresários são muito bons a aconselhar os jogadores e fazê-los pedir mais dinheiro aos clubes, ou a exigir uma nova transferência, mas ninguém foi capaz de dizer ao Alex Song que não tinha capacidade financeira para pagar a prestação do carro.
E o que temos
Teve mais cabeça que muitos, ao menos ainda percebeu a tempo
Kacal
Talvez isto explique o porquê de ter ficado aquém na carreira. Teve uma fase com um nível muito alto e mereceu o salto para um clube de 1ª linha (Real, Barça, Bayern e por aí), mas depois escolheu mal porque a concorrência de Busquets era algo quase impossível de contornar. E daí em diante caiu a pique.
Joga_Bonito
Há uns anos atrás vi uma notícia sobre um estudo feito a jogadores da PL. Dizia que 80% acabavam falidos nem 10 anos após a retirada. As razões eram gastos exuberantes, divórcios sistemáticos e vícios como jogo, pornografia, álcool e drogas. Isto apesar de ganharem em média 100 mil euros mês. Dá que pensar…
Chico
O vício do jogo é uma epidemia em ex-atletas. Sentem a necessidade de canalizar a sua personalidade ultra-competitiva e arruinam-se imensas fortunas assim. É uma situação muito bem estudada do ponto de vista psiquiátrico.
Outro fator de risco é a maior impulsividade e agressividade em geral de atletas face à pessoa comum. Dão vantagem competitiva dentro do campo/court/etc, mas não se associam a uma boa gestão de vida.
Há ainda estudos muito curiosos de associação de maior prevalência de toxoplasmose, uma infeção parasitária transmitida pelos gatos que parece aumentar a agressividade e a impulsividade, em atletas de alta competição de certos desportos face à população geral.
Por fim, a manutenção de um estilo de vida de grande ostentação também se torna incomportável para os ganhos de carreira de uma grande parte.
Joga_Bonito
Obrigado pelos acrescentos que são muito interessantes e importantes.
Oldasity
Infelizmente há muitos jogadores assim. Não são 100% profissionais e só se importam com o dinheiro e em gastá-lo.
Antes de ir para o Barcelona, Song, para mim, era um dos melhores médios defensivos do mundo. Tinha uma capacidade física impressionante de encher o campo todo e ainda tinha muita qualidade com bola. Foi contratado para fazer Busquets descansar e fazer os seus joguinhos a central.
Se quisesse e tivesse cabeça, hoje em dia poderia estar ainda no Barcelona ou numa equipa muito boa. É pena perder este tipo de talento.