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Jogos Olímpicos de Londres 2012 – Balanço final

Chegou o momento para fazer um balanço sobre os vencedores dos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Apesar dos atletas participarem em nome individual, eles representam um país e o medalheiro é a tabela ideal para verificar as nações vencedoras e “vencidas” dos JO (para uma classificação mais justa, atribuímos 3 pontos por cada Ouro, 2 pontos por cada Prata e 1 ponto por cada Bronze).

1 – EUA (46/29/29 – 225 pts) – A “Team USA” retomou a liderança da maior competição desportiva mundial, depois do 2º lugar em Pequim. Os norte-americanos conquistaram menos medalhas que em 2008, contudo, conseguiram mais ganhar mais medalhas de Ouro (36 contra 44). A Natação (especialmente o sector feminino, que passou de 2 Ouros, para 8) e o Atletismo registaram mais conquistas em Londres, do que em Pequim (19/18/17 em 2008 para 25/22/13 em 2012), enquanto o Ténis (3 medalhas de Ouro), o Tiro (3 medalhas de Ouro), a Ginástica Artística, o Mergulho e a Modalidades Colectivas, fizeram dos EUA a maior potência desportiva em Londres.
2 – China (38/27/22 – 190 pts) – O resultado não deve ter agradado aos responsáveis chineses, contudo, as 87 medalhas representam uma grande prova dos atletas chineses em Londres. Todo o frenesim à volta dos JO de Pequim gerou uma onda de medalhas para a China (51 de Ouro), mas seria difícil manter o ritmo em Londres 2012. Mesmo assim, a China registou uma evolução positiva em algumas modalidades, ao contrário das Modalidades Colectivas (Andebol, Basquetebol, Voleibol, Hóquei em Campo, Futebol e Pólo Aquático), onde não conquistou qualquer medalha. Tal como Portugal, o Judo não correu nada bem aos chineses (0 medalhas de Ouro, contra 3 em Pequim), enquanto que no Tiro (5 de Ouro para apenas 2), Halterofilismo (8 de Ouro contra 5 em Londres) e Ginástica (menos 6 medalhas e menos 6 Ouros), a China também caiu a pique. No Mergulho, a China perdeu 1 medalha de Ouro, mas manteve o domínio da modalidade. Destaque positivo para a Natação (aumento de 6 para 10 medalhas e de 1 Ouro para 5), Esgrima (mais 1 Ouro), Atletismo (mais 3 medalhas e mais 1 Ouro), Ténis de Mesa e Badminton (nestas duas modalidades, a China conquistou todos os Ouros possíveis).
3 – Rússia (24/25/33 – 155 pts) – A Rússia foi a potência de sempre, com muitas medalhas e uma réplica aos EUA no Atletismo feminino (no geral do Atletismo, a Rússia conquistou o mesmo número de medalhas, mas este ano, conquistou mais 2 Ouros) e domínio na Natação Sincronizada (2 Ouros e 2 possíveis), Judo (os russos conquistaram 3 Ouro, 1 Prata e 1 Bronze, contra 0 em Pequim) e Luta (embora em 2012, com menos medalhas). Prestações semelhantes na Natação, Canoagem, Mergulho, Halterofilismo, Esgrima e Ténis. Evolução de bom nível na Ginástica (os russos passaram de 4 medalhas para 12).
4 – Grã-Bretanha (29/17/19 – 140 pts) – Se os resultados dos EUA e China não surpreendem, o mesmo não se pode referir das medalhas conquistadas pelos britânicos. O organizador dos JO costuma sair-se sempre bem no medalheiro e a Grã-Bretanha não foi excepção (melhor participação dos últimos 100 anos). Os britânicos dominaram no Ciclismo de Pista (voltaram a conquistar 7 medalhas de Ouro), Remo (mais 3 medalhas e 2 de Ouro) e Hipismo (3 Ouros, contra 0 em 2008), conquistaram medalhas no Judo, no Ténis, no Triatlo e no Tiro (em Pequim tinham 0 medalhas nestas modalidades) e subiram muito no Atletismo (mais 3 Ouros).
5 – Alemanha (11/19/14 – 85 pts) – Os alemães somaram mais medalhas que em Pequim, contudo, desde a unificação que a Alemanha não conquistava tão poucas medalhas de Ouro. O Atletismo até deu nas vistas (mais 7 medalhas em relação a 2008), bem como o Judo e o Remo, mas os alemães falharam no Tiro, Esgrima e Natação.
6 – França (11/11/12 – 67 pts) – Ao contrário da Alemanha, os franceses conquistaram menos medalhas em relação a Pequim, mas saíram mais “dourados” (mais 4). Os nadadores franceses foram os responsáveis pelo aumento de qualidade nas medalhas de França, com provas de grande nível na Natação (4/2/1). A escola de Judo (2/0/5) da França também contribuiu para o excelente desempenho da França, tal como a Canoagem. Os pontos negativos vão para a Esgrima e a Vela.
7 – Coreia do Sul (13/8/7 – 62 pts) – Apesar de terem conquistado menos medalhas que em Pequim, os sul-coreanos têm registado um nível bastante semelhante desde os JO de Seul 1988. Houve uma grande queda no Taekwondo (4 Ouros para apenas 1), mas os sul-coreanos evoluíram na Esgrima (2/1/3 contra uma Prata em Pequim), Tiro (3/2/0 contra 1/1/0 em 2008), Judo e Tiro com Arco.
8 – Japão (7/14/17 – 66 pts) – Os nipónicos conquistaram menos 2 medalhas de Ouro, mas somaram mais 8 medalhas de Prata e 7 medalhas de Bronze. O Japão falhou no Judo (de 4/1/2 passaram para 1/3/3), mas compensou com a Natação (apesar de não ter conquistado qualquer Ouro, os japoneses ganharam 3 Pratas e 8 Bronzes) e a Luta (4/0/2). 
9 – Austrália (7/16/12 – 65 pts) – Se existem derrotados nos JO, a Austrália foi um deles. Os australianos tiveram uma prestação muito abaixo das expectativas e saíram de Londres com menos 7 medalhas de Ouro (mais 1 de Prata) e menos 5 de Bronze (pior prestação desde Barcelona 1992). Os “cangurus” sentem-se como peixes na água, mas foi na Natação que tudo se descontrolou. A Austrália conquistou menos 5 medalhas de Ouro e menos 5 medalhas de Bronze. O Remo, Canoagem e Mergulho também não correram da melhor maneira para os australianos (a Vela foi das poucas modalidades a ganhar mais em relação a Pequim).
10 – Itália (8/9/11 – 53 pts) – Em relação a Pequim, os italianos ganharam mais 1 medalha de Bronze e travaram a queda que tinha começado em Sidney 2000. A Esgrima (3/2/2) e o Tiro (2/3/0) foram os grandes destaques italianos.
Países que mais evoluíram entre 2008 e 2012 (O/P/B)Hungria (3/5/2 para 8/4/5), Cazaquistão (2/4/7 para 7/1/5), Nova Zelândia (3/2/4 para 5/3/5), Irão (1/0/1 para 4/5/3), Rep. Checa (3/3/0 para 4/3/3), Coreia do Norte (2/1/3 para 4/0/2), África do Sul (0/1/0 para 3/2/1), Croácia (0/2/3 para 3/1/2), Azerbaijão (1/2/4 para 2/2/6), Lituânia (0/2/3 para 2/1/2), Colômbia (0/1/1 para 1/3/4) e Trinidad e Tobago (0/2/0 para 1/0/3).
Países que perderam medalhas entre 2008 e 2012Ucrânia (7/5/15 para 6/5/9), Espanha (5/10/3 para 3/10/4), Bielorrússia (4/5/10 para 3/5/5), Indonésia (3/3/5 para 0/1/1), Quénia (6/4/4 para 2/4/5), Canadá (3/9/6 para 1/5/12), Polónia (3/6/1 para 2/2/6), Noruega (3/5/1 para 2/1/1), Geórgia (3/0/3 para 1/3/3), Mongólia (2/2/0 para 0/2/3), Tailândia (2/2/0 para 0/2/1) e Eslováquia (3/2/1 para 0/1/3).
Outros países Holanda (7/5/4 para 6/6/8), Cuba (2/11/11 para 5/3/6), Jamaica (6/3/2 para 4/4/4), Etiópia (4/1/2 para 3/1/3), Brasil (3/4/7 para 3/5/9), Roménia (4/1/3 para 2/5/2) e Dinamarca (2/2/3 para 2/4/3).
Em relação a Pequim, o número de países que ganharam pelo menos uma medalha passou de 86 para 85, com o Bahrein, Botswana, Chipre, Gabão, Grenada, Guatemala e Montenegro a conquistarem as primeiras medalhas da sua história. Dos comités olímpicos europeus, apenas 12 não conquistaram quaisquer medalhas (Israel e Áustria – prefere os JO de Inverno –  foram as grandes desilusões), enquanto Grécia, Estónia, Bulgária, Finlândia, Bélgica, Eslováquia, Letónia, Sérvia, Eslovénia e Irlanda estiveram num nível semelhante a Portugal.
E assim terminaram os trigésimos Jogos Olímpicos de Verão (um sucesso em termos de público, com autênticas multidões a assistir às provas), que foram, sem dúvida alguma, muito competitivos (o judo e a ginástica foram de alto nível, a natação, ciclismo de pista, halterofilismo e o atletismo tiveram vários recordes mundiais), surpreendentes e com momentos que vão ficar para a história. Para uns, é o “adeus” provisório do desporto até daqui a 4 anos, para outros é um “olá” ao futebol, desporto rei em quase todo o mundo. Entre os episódios marcantes, não poderemos esquecer o recorde de medalhas por parte de Phelps, a continuação da lenda Usain Bolt, o percurso de Liu Xiang ao pé coxinho para beijar a última barreira na sua última participação olímpica, o choro compulsivo de Felix Sanchéz, a vitória esmagadora no basquetebol dos americanos sobre nigerianos, a emoção no torneio de andebol, a performance épica de Epke Zonderland na barra fixa ou até a estreia das mulheres árabes neste evento global. Vemo-nos no Rio. Quais foram os momentos e atletas que ficarão para a eternidade? 

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