Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

Juventus: Melhor equipa dos anos 90 e actual 7º classificado da Série A

1997. Em Turim, havia um conjunto de jogadores que ultrapassava a designação de ‘mais que uma equipa’. Sim, eles eram realmente muito mais que isso. Se o adepto português, que só agora segue futebol, acha que a definição de rolo compressor assenta exclusivamente neste Barcelona (porque também o faz, sim) ou, até, na qualidade do futebol esmagador praticado pelo Benfica a época passada, é porque não viu a Juventus jogar durante a década de 90. Eram, e não poderei ser mais claro, imparáveis: a mais forte Velha Senhora de que há memória. Del Piero, Inzaghi e Vieri estavam em ponto de rebuçado – Edgar Davids juntava-se-lhes, assombrando qualquer meio-campo com a sua presença. No meio-campo, o maestro marselhês, Zinedine Zidane, como não podia deixar de referir. Era uma época em que o francês nos oferecia sempre algo de especial a cada dia de jogo na Série A. Essa forma soberba perdurou por mais uma década mas, que não hajam reticências por parte do leitor: a Juventus viu o melhor do seu futebol. Se ele parecia um bailarino a jogar, o Delle Alpi foi o palco onde ele se mostrou mais cintilante.

Ironicamente, nesse ano deixaram fugir o troféu máximo do futebol europeu para um Dortmund que, não vestindo o fato de gala, era muito organizado. Temporada seguinte, estavam de novo naquela final tão apetecida. São mesmo a única equipa a ter atingido esse marco por três vezes consecutivas. Porém, o destino acabaria por não ser amigo dos italianos: ao minuto 66, um golo solitário de Mijatovic, do Real Madrid, haveria de ditar um final que se havia antecipado feliz. A Juventus ficou de coração partido. Em 99 esteve a caminho de uma quarta final, mas esbarrou num verdadeiro regressar dos mortos por parte do Manchester United na meia-final. Acho que o ponto de viragem na viagem alucinante da Juventus pelos caminhos do futebol total foi conhecido nessa altura. Jogadores-chave saíram, outros entraram. O mais notável deles todos foi o checo Nedved e o herói francês do Euro 2000, Trezeguet. Apresentaram-se noutra final em 2003, num duelo particular recheado de rivalidade interna, com o Milan.

Mas a engenharia voltaria a engrenar em 2005 e 2006, então sob a batuta de um sempre astuto Fábio Capello. Foi aí que explodiu o escândalo desportivo, num processo apelidado de Calcio Caos. Estavam explicadas algumas vitórias da Juventus; vitórias que não tinham o cunho da equipa de futebol ou staff técnico. O que se seguiu, é do conhecimento geral. Verem-se privados dos títulos amealhados naqueles anos não foi nada comparado com o desolador cenário da descida à Série B. Ibrahimovic não perdeu tempo e mudou-se para o rival Inter. Apesar da descida, o grupo manteve-se unido, e a base permaneceu, numa atitude louvável e que serviu para aproximar os seus tiffosi da equipa, perdoando-a. Subiram nesse ano, acabando num razoável terceiro lugar. A rotina vencedora terminou aí. Apesar de alguns resultados notáveis na Europa, batendo o Real Madrid e dando dores de cabeça a Abramovich e seu dinheiro investido no seu capricho desportivo, o Chelsea. Cannavaro regressou após estadia pouco frutífera em Madrid, e Buffon continuou a guardar as redes da Juve. Até Del Piero, aqui e ali, deu um ar da sua graça.

Olhem agora para a Juventus actual. Onde é que estão as estrelas? O clube por acaso ainda intimida? A outrora temível formação de Turim, local onde toda a gente tinha, genuínamente, medo de jogar, desapareceu do radar. Os actuais donos da Juventus ainda não fazem a mínima ideia de como recolocar estes antigos campeões na rota do sucesso. Não são homens do futebol e não parecem estar ao corrente sobre a gigantesca base de fãs que a Juventus amealhou ao longo de décadas. Principalmente nos 90′. A única centelha de esperança que ruge naquele campo é Chiellini, que, pese a boa vontade, faz da defesa o seu quartel-general. Então, permitam-me que pergunte de novo: onde estão as estrelas? Onde está aquele clube intimidante? Eu digo-vos onde está. Ficou preso naquelas tardes de Maio, de Liga dos Campeões, agarrada a um passado que hoje, por mais que eles queiram, não é quem entra em campo.

Se 2+2 não são 5, como é que explica que o colosso Juventus, esteja neste momento no 7º lugar da liga italiana?

António B.

Deixa um comentário