Não deviam ser os jogadores a ‘pagar a factura’?
A redução do salário dos jogadores está na ordem do dia, mas Toni Kroos defende que os que os futebolistas devem continuar a receber na totalidade. «Um corte no salário é como uma doação em vão ou para o clube. Sou a favor do pagamento integral aos jogadores e que depois [os jogadores] usem o dinheiro de forma sensata. Pede-se a todos que ajudem onde é necessário e há muitos lugares onde é necessário [ajuda]», disse o médio, numa entrevista ao podcast SWR Sport. «Muitos clubes precisam de fundos que já estão planeados. Também depende de quanto tempo vamos estar parados. Por exemplo, se o futebol voltar em maio, seguramente que vão encontrar soluções. Se for preciso parar até ao inverno, há clubes que não conseguirão [encontrar soluções para sobreviver]. Isso mudaria o futebol como o conhecemos», acrescentou o alemão, que também retira aspectos positivos desta crise provocada pela Covid-19. «Agora será questionável pagar certas quantias de dinheiro pelos jogadores. Acho que vão surgir muitos problemas. Talvez isto não seja mau porque chegou a um nível de extremos.»


7 Comentários
Kacal
Totalmente de acordo com isto, cabe aos clubes definir se podem pagar a totalidade do salário ou não, caso possam os jogadores devem receber a totalidade. Depois cada um é livre de usar esse dinheiro de forma sensata e ajudar, mas também concordo que devem fazê-lo e é a atitude mais acertada. O problema nisto é como iremos saber se os jogadores ajudam ou não, se for preciso dizerem ou assinarem um papel estarão a ser forçados na mesma.
Marik
Cada caso é um caso. Se um clube pode continuar a pagar os salários por inteiro e se não for necessário cortar por razões de gestão, então não faz sentido reduzir os salários dos jogadores “só porque sim”. No fundo, é como em qualquer empresa: as que têm condições para isso, continuam a pagar os salários; as que não têm, têm que recorrer a outros mecanismos e negociações com os funcionários.
André Dias
Eu aceito que sejam os clubes a decidir se querem cortar ou não os salários aos seus jogadores. Não concordo é que haja cortes salariais aos funcionários enquanto os jogadores continuam a receber na íntegra.
Kacal
Nisso concordo totalmente, ou cortam a todos ou não cortam a nenhum e cortando a alguém que seja aos jogadores primeiro, a quem ganha mais.
Nazgul
O mal disto é mesmo a vossa ganância e se calhar vão fazer com que no futuro os clubes comecem a pagar salários mais baixos ou um tecto salarial no futebol talvez assim chorassem menos, parece que são Zé povinho a falar …
Joga_Bonito
Já defendo há anos que exista um limite em que um clube não pode ter despesas superiores a 90% das receitas. Assim garantia-se que os clubes paravam de se endividar e punha-se cobro a esta palhaçada de salários obscenos.
DNowitzki
Eu creio que não é muito difícil de perceber a situação.
Os clubes vão buscar o dinheiro à televisão, aos patrocínios, à bilheteira e às quotizações, simplificando a coisa.
Não havendo jogos, as TV também não têm retorno, nomeadamente publicitário, logo suspendem, entre aspas, os contratos.
As empresas param ou funcionam a meio gás, logo cortam nos patrocínios. Veja-se o problema da Adidas com o Flamengo.
Não havendo jogos, as receitas da bilheteira resumem-se ao que já entrou dos cativos, digamos assim.
Quanto às quotizações, quem já pagou já pagou, mas com o desemprego a disparar é inevitável haver gente que deixa de ter condições para ser sócio.
Assim sendo, sem receitas, onde vão os clubes buscar dinheiro para continuar a pagar os salários aos atletas?
Deixei de fora as transferências, outra fonte de receita, por razões óbvias.
Lendo certos comentários, dá a sensação que os clubes são todos detidos por magnatas com bolsos sem fundos.
No caso português, a tragédia pode ser maior, desde logo porque os três estarolas anteciparam receitas das TV, perante a habitual indiferença dos sócios, que não veem, ou não querem ver, um boi à frente do nariz que vá além da vitoriazinha no próximo jogo.
Já agora, estou muito curioso para ver como o Vieira vai gerir o entreposto comercial que criou no Benfica. Se aquela malta que anda por aí regressa de hoje para amanhã, até o Colombo cai na cratera.