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Kuss, o super gregário, conquistou a Vuelta

Venceu o melhor? Fica a ideia que Vingegaard se quisesse, ou tivesse liberdade para isso, conquistava esta Vuelta, até com alguma margem, tal foi a superioridade que demonstrou quando atacou, no entanto esta vitória também assenta bem a Kuss, que foi decisivo em várias vitórias da Jumbo nos últimos anos (é de longe o melhor gregário na atualidade) e vê assim recompensado esse esforço. Fica no entanto a dúvida de qual será a política para a próxima época. Roglic claramente não ficou satisfeito com esta decisão da equipa (que até foi mais resposta às criticas dos adeptos, numa fase em que falta um patrocinador, do que vontade real), Jonas apesar do altruísmo também vai ficar a pensar que podia ter engordado o seu palmarés, que, apesar das duas Volta a França, ainda é curto, e o próprio Sepp pode igualmente ficar com ideias (talvez ser líder num Giro). Esta Volta a Espanha ficou ainda marcada pelo 8 ou 80 de Evenepoel, que venceu 3 etapas e a camisola da montanha, mas revelou estar uns furos abaixo dos rivais na alta montanha. Kaden Groves, por sua vez, aproveitou um elenco com sprinters de 3.ª linha para dominar nessa especialidade. Já Almeida, conseguiu um 9.º lugar que sabe a pouco, principalmente por se ter percebido que tinha condições para ficar no Top 5 não fosse ter ficado doente. 

Sepp Kuss conquistou a 78.ª edição da Vuelta, o que permitiu à Jumbo-Visma ser a 1.ª equipa na história a vencer as 3 Grandes Voltas no mesmo ano. O norte-americano, de 29 anos, que esta época participou nas 3 Grandes, ficou à frente dos companheiros de equipa Jonas Vingegaard (que esta temporada arrebatou o Tour) e Roglic (que triunfou no Giro). Já Ayuso foi o melhor espanhol na 4.ª posição, à frente de Landa e Mas. Destaque para ainda para o 9.º lugar de João Almeida, que soma assim mais um Top 10 numa Grande Volta ao palmarés.

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VM-Desporto
Author: VM-Desporto

13 Comentários

  • Jan the Man
    Posted Setembro 17, 2023 at 6:28 pm

    Bastante satisfeito pela vitória de Kuss, o americano vai sempre ser lembrado pelo seu papel nas conquistas dos companheiros mss merecia também levar algum mérito individual. Certamente na terá vencido o melhor ciclista, Vingegaard e Roglic demonstraram que, como total liberdade seriam superiores, mas venceu novamente a melhor equipa, a mesma que permitiu outras conquistas a estes dois.

    Ainda assim, não acho que seja o melhor gregario do mundo lor larga margem, para mim divide esse estatuto com Wout Poels (Vuelta monstruosa), a qualidade dos líderes para quem trabalham atualmente é que é diferente.

    Sobre Remco, desligou completamente da geral num dia mau mas soube capitalizar o tempo que perdeu da melhor forma e leva mais algumas vitórias e uma camisola para casa. O belga é sinónimo de espetáculo garantido numa corrida e com ele é de esperar um ataque a qualquer altura (até mesmo na etapa de consagração!). Acaba a ser o maior adversário de Grooves na luta pela camisola dos pontos, o lote de sprinters já era fraco e tirando o australiano mais ninguém conseguiu ser minimamente consistente (até deu para Ganna discutir etapas ao sprint..!).

    Outros destaques desta Vuelta: Landa (acho que nem o próprio esperava um top10, quanto mais um top5), Rui Costa (boa regresso às vitórias a este nível, sempre muito ativo), Uijdtebroeks (excelente 8o lugar na estreia, por muito pouco não era o melhor da BORA), Kamna e Kron (mais 2 dos principais animadores das fugas).

    Terminada a temporada de grandes voltas, venha de lá o último monumento da temporada, Pogacar parece ser o principal candidato a engordar o seu palmarés um pouco mais.

  • Paulo Roberto Falcao
    Posted Setembro 17, 2023 at 6:38 pm

    Extraordinário Kuss, vence de forma absolutamente brilhante, não há nada a dizer. Aliás se há é para dizer que, como gregário, fez a melhor época de um domestique na história do ciclismo, por ter sido o lugar tenente de Roglic no Giro e de Vingegaard no Tour, e ainda ter energia para vencer a Vuelta, e resistir a ataques dos seus dois líderes. O que ele fez é absolutamente épico.

    Dito isto tudo, ou seja a vitória do Kuss, o resultado final só foi possível graças à Vuelta mais fraca da história. Nenhuma equipa, e nenhum atleta fora da Jumbo, esteve à altura da competição. Remco começa bem, e só depois de apanhar quase meia hora de atraso no Tourmalet, começou a correr bem. Dos outros mais vale nem falarmos, tamanha a mediocridade, João Almeirda incluído. Acho que nunca vi uma equipa dominar uma competição assim, foi de tal maneira que às tantas desataram a competir uns com os outros, e medir pilinhas.

    • Filipe__Santos
      Posted Setembro 17, 2023 at 6:55 pm

      Não sei se concordo muito com o tabelar-se por baixo o desempenho desta Vuelta. Foi uma Vuelta com muita alta montanha (só a etapa do Tourmalet deve ter tido mais distância percorrida acima dos 1600 mts que toda a Vuelta do ano passado) e houve registos que, pondo em perspetiva os registos históricos, foram muito acima da média. O “problema” é que neste momento o topo do mundo do ciclismo é muito, muito heterogéneo no que toca a 3 semanas. Apenas 2 corredores no pelotão mundial podem competir consistentemente com a Jumbo em 3 semanas, e nenhum deles estava presente.

      Até deixo aqui um exercício de suposição: Se em vez de Roglic e Vingegaard, estivessem lá Pogacar e Adam Yates, não seria a Emirates a dominar de forma semelhante – talvez não tão tão acentuada – mas com 3 no Top 5 – ao que a Jumbo fez?

      • Paulo Roberto Falcao
        Posted Setembro 17, 2023 at 7:54 pm

        Claro que foi um desempenho fraquíssimo de todas as equipas, a UEA esteve particularmente ridícula. E não digo em relação ao nível do Vingegaaard e do Roglic, digo em relação ao Kuss, nunca o atacaram, nunca, foi um absoluto absurdo. Consigo lembrar-me de uns sete corredores desta Vuelta que supostamente estariam mais ou menos ao nível do Kuss, assim de cabeça o Ayuso, o Soler, o Mas, o João Almeida, o Landa, o Vlasov, e nenhum deles esteve. Nenhum o atacou!

        Minto o único que atacou no inicio, o Remco, percebeu-se que simplesmente não tinha o power para aguentar as coisas quando empinassem. e creio que a sua perda tremenda naquela etapa foi propositada, de modo a poder vencer quer as etapas que venceu, quer a classificação que venceu, uma vez que teve a total liberdade que em condições normais não teria.

        Porque é que acho uma Vuelta fraquinha? Oh pá quando o gajo que ataca a corrida, fora da Jumbo, está a meia hora e toda a gente o acha inofensivo, ao passo que os outros, os Mas, os Soleres, os Landas, e sim JA incluído, passaram três semanas à espera não se percebe bem do quê, e a serem constantemente comidos de cebolada pela Jumbo, o que mais há a dizer?

        • DNowitzki
          Posted Setembro 17, 2023 at 9:43 pm

          Desta vez, concordo plenamente contigo.

        • Filipe__Santos
          Posted Setembro 18, 2023 at 9:03 am

          Percebo. Em termos de espetáculo foi uma frustração. Não era por aí que queria ir. Era do género: em desempenho puro e científico, as médias das etapas, e os tempos de subida, mesmo fora da Jumbo, não foram fraquinhos, nem nada que se pareça.

          Acho que a questão de “atacar Kuss”, nunca se pôs, pelo menos de maneira isolada. O problema era fazer o que quer que fosse quando sabiam que havia Roglic e Vengegaard ali. E com essa tranca tática (aliada à inoperância das equipas concorrentes, sem dúvida), nem Kuss deu para bater. Não foi propriamente uma Vuelta de montanhas neutralizadas como aconteceu este ano no Giro. Várias vezes os não-Jumbo do Top10 chegaram com diferenças razoáveis entre si, o que demonstra que alguém tentou fazer alguma coisa.
          Percebo o que dizes, e concordo que não foi uma competição espetacular, mas acho que foi tipo a Fórmula 1 desta época. Se esquecermos que existem os melhores, e que nem sequer há luta pelo que realmente interessa, o resto até foi melhor acima da média.

  • Filipe__Santos
    Posted Setembro 17, 2023 at 7:04 pm

    Hot takes:

    -João Almeida é melhor voltista de 3 semanas que Remco Evenepoel. O português provavelmente nunca vai ganhar nenhuma, e o belga só ganhará quando desenharem uma GV à medida para si.

    -Nos próximos 2 anos, salvo “extra estrada” ou acontecer que haja alguma em que nenhum deles esteja presente, só Pogacar, Yates, Roglic e Vingegaard vão conquistar Grandes Voltas.

    • Trumen
      Posted Setembro 17, 2023 at 7:19 pm

      Evenepoel ganhar um GV à sua medida tipo a Vuelta do ano passado?

      • Filipe__Santos
        Posted Setembro 18, 2023 at 8:48 am

        Exatamente. A Vuelta do ano passado, que foi salvo erro a GV com menos kms de alta montanha dos últimos 20 anos (pode variar um bocadinho em função da altitude a partir da qual se considera alta montanha). Atenção que em nenhum momento estou sequer a insinuar que houve favorecimento ou algo do género, e o Remco foi um autêntico patrão nessa corrida. Mas só no que diz respeito à (falta de) alta montanha, a Vuelta do ano passado teve um perfil tão pouco comum, que dezenas de bons voltistas entre os anos 2000 e 2020 nunca chegaram sequer a apanhar uma dessas na carreira. E a Vuelta do ano passado ainda teve o “bónus” de ter várias etapas de dificuldade média/baixa que depois terminavam em picadas de 4-6 kms, que precisamente o terreno onde o Remco é o melhor, ou pelo menos um dos melhores, do mundo.

        Obviamente foi um hot take, foi um exagero propositado, e estamos a falar de um jovem prodígio com tanto potencial que pode evoluir a forma de correr para basicamente tudo aquilo que queira… Mas até ver, tem sido evidente que o desempenho quebra quando a altitude aparece. Se tivesse de arriscar, diria que o Tour da próxima época, contra Pogacar e Vingegaard, vai marcar a escolha definitiva do tipo de ciclista que se tornará o Belga. Se se aguentar com eles, talvez se dedique mais a sério à vertente das GV e podemos ter um tridente de monstros a degladiarem-se durante uns bons anos. Se mais uma vez ficar muito longe do que é preciso, acredito que abandone de vez a ideia, e vá procurar outros objetivos na carreira.

  • ForsenCD
    Posted Setembro 17, 2023 at 7:30 pm

    Acabou por ser uma Vuelta um pouco aborrecida tal o domínio monstruoso da Vuelta.
    Apesar disto, o nível desta Vuelta foi bastante alto, aliás para quem percebe deste desporto basta ver os Vátios debitados nas etapas de alta montanha… e no conjunto total foi das Vueltas com maior velocidade média de sempre.

    O João Almeida esteve num nível muito alto e confirma que realmente este ano meteu uma mudança acima na sua capacidade física.

    Quanto às equipas:
    A UAE apesar de ter um belo conjunto foi taticamente medíocre, não sei de quem é a culpa não sei o que se passa nos bastidores. A Bahrain fez uma última semana brilhante. A Jumbo teve o maior domínio que já alguma vez vi com um alien, outro na órbitra terrestre e outro o melhor dos humanos que por acaso venceu a Vuelta.

  • Paulo Roberto Falcao
    Posted Setembro 18, 2023 at 4:59 am

    Bom dia, ontem houve um off topic, a notícia que a Vuelta de 2024 começa em Lisboa, e tem as primeiras três etapas em Portugal:

    1.ª etapa: Prólogo entre Lisboa e Oeiras, no dia 17 de Agosto.
    2.ª etapa: Cascais- Ourém, por terras do oeste e da zona saloia, dia 18 de Agosto.
    3.ª etapa. Lousã-Castelo Branco, na Beira Interior, dia 19 de Agosto.

    Dizem que Lisboa pagou mais dinheiro que o Porto para isso suceder, assim como as restantes cidades onde chega e parte a prova, o que dá para perceber que o ciclismo continua a ser uma modalidade com grande retorno, graças à sua grande popularidade, e naturalmente Lisboa como grande centro turístico europeu investe forte e feio em continuar a ter grandes eventos, depois das JMJ deste ano. Em todo o caso temo que venha a ser mais um debate político, e de queixa( legítima parece-me) do Porto face à macrocefalia da capital.

  • porra33
    Posted Setembro 18, 2023 at 9:48 am

    Considero que acabou por ser uma Vuelta interessante muito por causa da novela de Kuss porque senão poderíamos ter uma Vuelta à la Sky com os famosos comboios de que ninguém saía.
    Aqui foi parecido mas a Vuelta perdeu sobretudo devido ao desfalecimento de Remco que seria o único com capacidade para atacar a Jumbo. O resto da concorrência da Jumbo demonstrou-se num patamar abaixo. Ayuso, Mas, Landa, J. Almeida, Uijtdebroeks e Vlasov ficaram desde cedo à briga uns com os outros sem representar nenhum perigo para o pódio. Dos três como disse o mais forte era Vingegaard e continua noutra liga mesmo para Roglic.
    A vitória de Kuss é daquelas que representa o que há de bom no desporto, toda a gente gosta de uma vitória do fiel escudeiro depois deste ter levado abnegadamente os seus líderes aos respectivos títulos. Não me parece que se vá repetir no entanto.
    Notas para a confirmação de Uijtdebroeks que alguns users previram como surpresa e que se confirmou. Groves dominou os sprints apesar da concorrência ser fraca. Rui Costa conseguiu uma etapa de forma inteligente e confirma uma época positiva até agora. N. Oliveira mostrou-se um ciclista útil. J. Almeida faz um top 10 seguro muito graças à sua resiliência mental, era fácil ter perdido 10 ou 12 minutos na etapa que passou mal. Estaria ali na luta pelo top 6 se não fosse esse dia mau.
    Para a próxima época o Giro estará tentador, Roglic se lá for (em que equipa for) terá excelentes possibilidades de revalidar o título. Pogaçar quererá clássicas e Tour, Vingegaard quererá Tour e Vuelta parece-me. J. Almeida terá todo o interesse em vir à Vuelta com o recente anúncio, agora resta saber se preferirá apoiar Pogaçar no Tour ou lutar pelo pódio no Giro. Pessoalmente acho que seria mais benéfico ter Ayuso no Tour e Vuelta e Almeida em Giro e Vuelta. Veremos onde estará A. Yates. Uijtdebroeks terá uma bela oportunidade de pódio no Giro. Kuss acho que já não irá contar para o totobola nem terá pretensões disso (continuará o gajo porreiro que trabalha para o outros). Remco terá uma boa possibilidade de ganhar o Giro se lá for, no Tour neste momento acho que só conta como animador. Carlos Rodriguez também me parece uma boa aposta da INEOS para o Giro numa co-liderança com Thomas. Teremos um próximo ano mais animado e não me parece de todo que se repetirá o domínio da Jumbo com três voltas

  • Francisco Ramos
    Posted Setembro 18, 2023 at 12:18 pm

    Tirando a polémica da camisola vermelha dentro da mesma equipa, esperava mais desta Grande Volta tendo em conta a montanha que tinha envolvida.

    Uma nota que a Jumbo venceu as 3 corridas com 3 ciclistas diferentes e a UAE ganhou as 3 camisolas da Juventude também com 3 ciclistas diferentes. A Alpecin ganhou 2 camisolas verdes, deixando a outra para a Bahrein e onde tivemos alguma mudança foi na camisola da montanha com 3 equipas diferentes (Lidl-Trek, Soudal e Groupama).

    Numa análise às principais equipas envolvidas:

    – Jumbo: Muito bom e muito mau. Uma equipa que consegue colocar 3 ciclistas nos 3 primeiros lugares, só pode ter feito uma grande volta (independentemente do demérito de alguns). Consegue ganhar 5 etapas em 21, sendo que foram prejudicados pela chuva e noturno do contra-relógio por equipas. A única nota negativa é que a partir do momento que têm o líder dentro da equipa, o que acontece à 8ª etapa, houve ataques desnecessários. No final do dia, a equipa já tinha o pódio feito, pelo que quando estão apenas os 3 na frente que julgo ser na 17ª etapa, e o líder (justo ou injusto não interessa) ser atacado mostrou que havia uma paz podre até à 18º etapa e bem pode agradecer a Landa acabar por vencer a Vuelta. Para Kuss é um prémio de uma carreira a ajudar todos os outros elementos, só nesta época este nas vitórias de Roglic no Giro, Catalunha e no Tour de Vingegaard e nem estava programado participar no início.

    – UAE: soube a muito pouco. Toda a gestão foi mal feita e no final acabaram por se contentar com o 4º e 9º lugar de Ayuso e Almeida. Mas observando cada etapa de montanha, foi sempre feito com o estratega errado e se não fosse Molano (com um grande lançamento de Oliveira) tinham saído de mãos a abanar.

    – Bahrein: uma última grande semana, em que tentaram de tudo para que Landa (que chegou ao TOP a partir de uma fuga), conseguisse o melhor resultado possível. Assim conseguiram com esta estratégia colocar Buitrago no Top10 e uma vitória com Poels, sacrificando quem tinha que ser sacrificado.

    – Bora: nem foi carne nem foi peixe. Tirando a surpresa do miúdo que irá dar o salto no final de 2024 e a vitória de Kamna logo no início nunca arriscaram para conseguir melhor que 7º e 8º e pedia-se mais principalmente a Vlasov que começou bem a época e o apontava para TOP5

    – Soudal: um dia mau de Renco e deitaram tudo a perder na geral pelo que lhe restava alinhar os objectivos, algo que foi conseguido com vários ataques para a fuga, 3 vitórias e a camisola da montanha. Não o via a lutar pela vitória mas esperava mais de Renco a defender a sua camisola (o dia mau tem a equipa toda com ele e perde 27 minutos!!).

    Uma palavra para Rui Costa que conseguiu mais uma vitória em Grandes Voltas, é um perigo em fugas de média montanha visto que lê a corrida como poucos (já lhe permitiu ser inclusive campeão do mundo).

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