Para adversários de segunda linha, jogadores de segunda linha. Provavelmente foi este o pensamento de milhões de brasileiros quando se depararam com os nomes de, a título de exemplo, Kléber, Alex Sandro ou mesmo Bruno César. Em sintonia com a desconfiança que chegava do outro lado do Atlântico estaria, porventura, a de muitos portugueses, pouco crentes na possibilidade destes seleccionados poderem fazer figura numa selecção que atravessa um período de transição. O ano não fecha com chave de ouro para o Brasil, que tarda em convencer os legitimamente exigentes seguidores da doutrina do bom futebol. Mas depois de vistos e revistos os jogos frente ao Gabão e Egipto, algo fica latente: o SuperClássico das Américas, diante da Argentina, foi, esse sim, um jogo em que entrou em campo o Brasil B. Numa cuidada revista à imprensa brasileira da especialidade, o país desportivo parece começar a ficar convencido que muitos dos produtos que por cá se exibem reúnem a qualidade suficiente para lutar por um lugar no Mundial 2014. Ou até mais. Elias sempre em alta rotação, Luisão com o acerto esperado, Bruno César a não abdicar de fazer valer o crédito e alcunha de Chuta-Chuta, Hulk impecável e desiquilibrador na frente, Alex Sandro sem medo e Kléber que esteve perto de se estrear a marcar diante do Egipto. É recompensador e digno de orgulho ver tamanha demonstração de poder da nossa liga. O que agora se passa por terras de Vera Cruz, há já algum tempo que foi entranhado pela Europa: a reputação e dimensão internacional dos “grandes” do futebol português é cada vez maior, e a tendência é para que o nosso país se torne num autêntico self-service de gastronomia futebolística para Mano Menezes. O aroma agradou, a prova correu ainda melhor, falta agora que o treinador faça convenientemente a digestão das saborosas refeições que os “nossos” jogadores serviram. Para nosso deleite, e dos brasileiros.
Até que ponto o facto de Portugal ter colocado 6 jogadores na convocatória do Brasil, a que junta convocados em selecções como a Argentina, Holanda, Uruguai e até seleccionáveis fortes para a selecção espanhola, pode permitir que jogadores com qualidade (jovens promessas ou jogadores que procuram relançar a carreira) dêem prioridade à Liga portuguesa nas transferências? Não que pretendamos incentivar à compra de futebolistas estrangeiros, mas jogadores que acrescentem qualidade à nossa Liga são sempre bem-vindos. Estará o futebol português, mais no que diz respeito aos “grandes” a atravessar o seu melhor período de sempre em termos de reconhecimento internacional? Ou por exemplo abordando especificamente a selecção brasileira, ainda estamos longe de atrair elementos da qualidade de Branco, Mozer e Ricardo Gomes que eram indiscutíveis no Brasil ou até mesmo jogadores como Douglas, Valdo, Luisinho, Silas ou Ricardo Rocha?
Até que ponto o facto de Portugal ter colocado 6 jogadores na convocatória do Brasil, a que junta convocados em selecções como a Argentina, Holanda, Uruguai e até seleccionáveis fortes para a selecção espanhola, pode permitir que jogadores com qualidade (jovens promessas ou jogadores que procuram relançar a carreira) dêem prioridade à Liga portuguesa nas transferências? Não que pretendamos incentivar à compra de futebolistas estrangeiros, mas jogadores que acrescentem qualidade à nossa Liga são sempre bem-vindos. Estará o futebol português, mais no que diz respeito aos “grandes” a atravessar o seu melhor período de sempre em termos de reconhecimento internacional? Ou por exemplo abordando especificamente a selecção brasileira, ainda estamos longe de atrair elementos da qualidade de Branco, Mozer e Ricardo Gomes que eram indiscutíveis no Brasil ou até mesmo jogadores como Douglas, Valdo, Luisinho, Silas ou Ricardo Rocha?
A.Borges


