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Lionel, Javier, Gonzalo, Sergio, Ángel e companhia: uma história de êxito sem final feliz (e por isso bem real)

O complexo desportivo de Ezeiza é a casa da AFA, a Asociación del Fútbol Argentino, e local de trabalho para selecções de diversos escalões. Corria o final da primavera de 2005 quando um grupo de jogadores se juntou em Ezeiza para começar a preparar a mais importante competição de selecções jovens do planeta, o Mundial sub-20, o qual decorreria entre 10 de Junho e 2 de Julho na Holanda. Um desses jogadores era Sergio “Kun” Agüero, que apesar de no momento da convocatória ter somente 16 anos (cumpriria os 17 a 2 de Junho) mereceu a confiança de Francisco Ferraro para integrar um plantel cuja maioria dos elementos eram 2 ou 3 anos mais velhos que ele. Agüero era a nova coqueluche do futebol argentino, já que, a 5 de Julho de 2003, se tornara no mais jovem jogador em estrear-se na primeira divisão do país, alinhando pelo Independiente com somente 15 anos, 1 mês e 3 dias de idade, batendo o recorde de Diego Armando Maradona. Nos meses anteriores ao Mundial, Agüero fez alguns golos na primeira divisão, o que lhe valeu a chamada para o Mundial sub-20 quando ainda era sub-17. Ora, na primeira refeição desse estágio, Agüero estava sentado à mesa e ao pé dele estavam Lautaro Formica e Ezequiel Garay a falar com um rapaz que para Kun, que não via futebol de fora da Argentina, era desconhecido. A certa altura, a curiosidade do adolescente Agüero é aguçada por ouvir falar algo sobre uns ténis vindos dos EUA, e, descomplexado, pergunta à tal cara estranha: “como é que te chamas?” “Lionel”, responde o desconhecido, o que leva Sergio Leonel Agüero a pensar nas semelhanças entre os nomes dos dois. “E o teu apelido?”, pergunta Kun. “Messi”, responde o outro. Espantando, Lautaro Formica pergunta a Agüero se não sabe de quem se trata, e aí é quando o adolescente dianteiro do Independiente se recorda de ter lido que havia um jovem argentino no Barcelona. Era este.

Lionel Andrés Messi Cuccittini nasceu em Rosario, terra de futebol, a 24 de Junho de 1987, mas mudou-se para Barcelona aos 13 anos de idade. As notícias sobre a existência de um fenómeno argentino em La Masia chegaram ao país natal do jovem e, perante as tentativas da federação espanhola de “roubar” o prodígio, alguns responsáveis da AFA colocaram mãos à obra e garantiram que Messi jogaria pela bandeira que sempre sentiu como sua. Em 2004 aquele rapaz franzino com problemas de crescimento fez os primeiros amigáveis pela selecção sub-20, e em Janeiro de 2005, com 17 anos e meio, Messi disputou a sua primeira competição pela Argentina:  Sudamericano sub-20. Fez um golo contra a Venezuela, dois contra a Bolívia, um contra o Perú e um contra o Brasil, numa campanha que permitiu à albiceleste garantir presença no Mundial sub-20, a disputar meses depois.

Messi festejando o Mundial-sub-20. O n.º19 é Aguero, sendo que se consegue ver Bilgia (o n.º8) e, ao fundo, a cabeça de Garay

Mundial sub-20 que Formica, Garay, Messi, Agüero e restante equipa começaram a preparar naquele dia de Maio em Ezeiza. Quis o destino que o mais novo e o mais “exótico” (por alinhar numa realidade totalmente diferente dos outros) dos jogadores daquele grupo ficassem juntos no mesmo quarto. Sergio Leonel e Lionel Andrés passaram as semanas seguintes na mesma habitação. E o que sucedeu nas semanas seguintes? Bem, Messi, o desconhecido que falava de ténis dos EUA, foi, de longe, o melhor jogador de um Mundial sub-20 que disputou metade com 17 anos e metade com 18 anos, isto é, mais novo do que a maioria dos companheiros e rivais. Com 6 golos na competição (um ao Egipto na fase de grupos, um à Colômbia nos oitavos, um à Espanha nos quartos, um ao Brasil nas meias e dois à Nigéria na final) Messi juntou à Bola de Ouro a Bota de Ouro do Mundial sub-20.

Dois anos depois de ter sido o mais jovem do grupo que brilhou na Holanda, Agüero voltou a um Mundial sub-20 em condições bem distantes. Se em 2005 era o miúdo do grupo, em 2007, no Mundial do Canadá, era a estrela da equipa. Após o seu primeiro ano na Europa, ao serviço do Atlético de Madrid, Kun queria reeditar o sucesso vivido mas desta vez fazê-lo ocupando um papel principal. E consegui-o, “imitando” a actuação do seu companheiro de quarto na Holanda: foi eleito o Bola de Ouro do certame e ganhou a Bota de Ouro apontando 6 tentos. Ah, entre 2005 e 2018, este foi o único torneio pela selecção no qual Agüero não teve como companheiro de quarto Messi.

Estas vitórias poderiam ter sido só as primeiras grandes aparições de um génio do futebol e de outros muito bons jogadores. Mas não foram. Foram o começo de uma Era, de um grupo de jogadores, de uma geração de ouro para as selecções argentinas. Porque, conjugando jogadores destes dois Mundiais sub-20 com mais um ou outro nome, temos uma espinha-dorsal que serviu a Argentina durante cerca de uma década e que, para além destes dois títulos, conquistou um ouro olímpico, chegou a 3 finais seguidas e esteve 8 anos sem perder qualquer jogo nos 90 minutos em grandes competições internacionais. E tudo isto no meio de um caos organizativo e institucional, de um conjunto de factores que não estão directamente ligados ao que os jogadores podem fazer mas que em momento algum lhes facilitaram a tarefa.

Agüero, Di María, Zabaleta, Lavezzi, Garay, Banega, Gago, Messi, Mascherano ou Romero festejam o Ouro de Pequim.

Os Jogos Olímpicos de 2008 prometiam ser uma demonstração de força da China ao planeta. Para a competição de futebol, a Argentina apostou forte na revalidação do Ouro obtido em Atenas, em 2004. Para isso, levou para o Extremo Oriente uma mescla entre campeões do Mundo sub-20 em 2005 (Ezequiel Garay, Pablo Zabaleta, Fernando Gago, Lionel Messi ou Sergio Agüero) com campeões do Mundo sub-20 em 2007 (Éver Banega, Ángel Di María, Sergio Romero ou Sergio Agüero), juntando-lhes a sabedoria de um mestre como Juan Román Riquelme. A albiceleste  conseguiu vencer o torneio, tornando-se Javier Mascherano, um dos jogadores de mais de 23 anos que foi chamado, no primeiro desportista argentino a ostentar dois ouros olímpicos. Mascherano já havia sido titular no Mundial’2006 e nas Copa América de 2004 e 2007, sendo que, em ambas, foi derrotado na final. Em 2007, numa equipa formidável orientada por Alfio Basile, também Messi era já figura. Mal sabiam Lionel e Javier que perder finais pela Argentina se tornaria um hábito…

Terminavam-se os torneios de selecções jovens. Para Sergio Romero, Ángel Di María e Sergio Agüero, o Mundial’2010, com Maradona como treinador, foi a primeira grande competição pela selecção principal. Messi e Mascherano também fizeram parte de um plantel ao qual se incorporaram outros dois jovens, Nicolás Otamendi e Gonzalo Higuaín. Mas aquela era ainda a Argentina de Heinze, Verón, Samuel ou Palermo. A Argentina “deles” começou depois.

Alfio Basile. Diego Armando Maradona. Sergio Batista. Alejandro Sabella. “Tata” Martino. Edgardo Bauza. Jorge Sampaoli. A Argentina teve sete treinadores nos 12 anos que se seguiram ao Mundial’2006, três deles nos quatro anos que se seguiram ao Mundial’2014. Ideal para criar uma equipa? Não. Ideal para dar corpo a uma ideia de jogo? De todo. Ideal para consolidar um grupo de jogadores? Nã… Mas eles consolidaram-se. À base de talento e de uma enorme competitividade, um grupo de jogadores actuou durante vários anos a um nível que, olhando ao caos directivo e técnico, seria impensável. Os meninos de 2005 e 2007, os medalhados de 2008, esses atletas deram corpo ao que foi uma Argentina de sucesso nos últimos anos.

Pablo Zabaleta (titular na Copa América’2011, no Mundial’2014 e na Copa América’2015); Lucas Biglia (titular no Mundial’2014, na Copa América’2015, na Copa América’2016 e utilizado na Copa América’2011 e Mundial’2018); Ezequiel Garay (titular no Mundial’2014 e na Copa América’2015); Fernando Gago (utilizado na Copa América’2011, no Mundial’2014 e na Copa América’2014); Sergio Agüero (utilizado na maior parte dos jogos da Copa América’2011, do Mundial’2014, da Copa América’2015, da Copa América’2016 e do Mundial’2018); Sergio Romero (titular na Copa América’2011, no Mundial’2014 e na Copa América’2015 e na Copa América’2016); Éver Banega (utilizado na Copa América’2011 e utilizado na maior parte dos jogos da Copa América’2015, Copa América’2016 e do Mundial’2018); Ángel Di María (titular na Copa América’2011, no Mundial’2014, na Copa América’2015, na Copa América’2016 e no Mundial’2018); Gabriel Mercado (Titular na Copa América’2016 e no Mundial’2018); Lionel Messi (Não é preciso, pois não?). O que une estes jogadores? Todos nasceram entre 1985 e 1988 e foram campeões do Mundo sub-20 em 2005 ou 2007. Se lhes somarmos Javier Mascherano (nascido em 1984 e titular em todas as grandes competições referidas), Ezequiel Lavezzi (também de 1985 e Ouro em Pequim, foi utilizado na Copa América’2011, Mundial’2014, Copa América’2015 e Copa América’2016), Gonzalo Higuaín (nascido em 1987 e titular na maioria dos jogos das competições referidas), Nicolás Otamendi (nascido em 1988 e titular na Copa América’2015, Copa América’2016 e Mundial’2018) e Marcos Rojo (nascido em 1990 e titular em todas as grandes competições referidas) temos um núcleo de 15 jogadores (dos quais 10 foram campeões do Mundo sub-20 e 12 – todos tirando Mascherano, Zabaleta e Rojo – nasceram no curto período entre 1986 e 1988) que deu base à Argentina nos últimos 8 anos. Não é normal que, durante tanto tempo, uma selecção se mantenha esmagadoramente formada por jogadores com apenas 2/3 anos de diferença entre si e que venceram nas competições jovens juntos e, juntos, tão bem competiram nos principais torneios do planeta.

A Argentina perdeu contra a França e foi eliminada do Mundial’2018. Em campo estiveram Mercado, Otamendi, Rojo, Mascherano, Banega, Di María, Messi e Agüero, isto é, mais de metade dos jogadores utilizados faziam parte deste grupo. E no banco ainda havia Higuaín e Biglia, com Romero de fora por lesão. Na Rússia acabou um ciclo. Com este desaire, foi colocado um ponto final no percurso conjunto destes jogadores na selecção. À excepção de Rojo, todos já entraram nos 30 anos, pelo que subsistem legítimas dúvidas sobre se voltaremos a ver algum num Mundial. O que é certo é que, todos juntos, já não os veremos nos grandes palcos pela albiceleste. Mas vejamos o que os “meninos” da Holanda e do Canadá fizeram.

A Argentina caiu eliminada no Mundial’2010 por claros 4-0 contra a Alemanha. Uma das derrotas mais pesadas na história da selecção. Se há algo que define o argentino – e que tem no futebolista e no futebol argentino expressão máxima – é o orgulho,  o amor próprio, uma quase arrogância forjada ao longo de gerações. E esse orgulho estava ferido. Desde 1990, isto é, desde o melhor Maradona, que a Argentina não passava os quartos-de-final do Mundial. Desde 1993 que não vencia qualquer Copa América. Não era a falta de qualidade que preocupava. O que fazia soar os alarmes era que a Argentina estava a perder a competitividade. Essa força colectiva que a levava a ser tida em conta estava-se a esfumar. E isso mudou.

Após a eliminação no Mundial’2010, Batista substituiu Maradona e, na Copa América’2011, a selecção já apresentou muitos dos elementos que marcaram os anos seguintes. Já era “deles”. Dos 15 nomes acima apontados como espinha-dorsal do período 2010-2018, 12 (Romero, Zabaleta, Gago, Di María, Messi, Agüero, Garay, Biglia, Banega, Mascherano, Higuaín e Rojo) marcaram presença na competição. A participação não foi satisfatória (a equipa foi eliminada nos quartos-de-final pelo Uruguai) mas o primeiro sinal estava dado: a Argentina só caiu nos penáltis.

O instante em que, 24 anos depois, a Argentina voltou a uma final de um Mundial

Batista foi destituído e chegou Sabella. Vinha aí a fase de qualificação para o Mundial’2014, na qual a Argentina ficou em 1.º na zona sul-americana. Olhando aos 11 jogadores mais utilizados, só um (Federico Fernández) não faz parte do núcleo da Holanda, Canadá e Pequim. No Mundial’2014 veio a melhor prestação, de longe, da albiceleste no pós-Maradona. Depois de, nos cinco Mundiais anteriores, cair quatro vezes nos quartos e uma na fase de grupos, a Argentina atingiu a final. Com 11 jogadores desta espinha-dorsal entre os 12 mais utilizados no certame, a equipa não encantou mas fez uso das armas que tão bem lhe valeram nas grandes competições neste período: competitividade, maturidade, firmeza, resiliência. Era muito difícil derrubar a Argentina. Tanto que só ao minuto 113’ é que a Alemanha marcou, levando um país a chorar. Mas, depois do choro, veio a convicção de que o orgulho argentino tinha sido recuperado. Voltavam a contar com eles.

E contaram, e bem, nos dois anos seguintes. Copa América’2015, Chile. Com uma equipa em tudo semelhante, os homens que agora eram de Tata Martino atingiram a final, na qual perderam com o Chile nos penáltis. Um ano depois, Copa América’2016. Novamente com um elenco similar, a Argentina voltou a chegar à final. E voltou a perder. E de novo nos penáltis. Para Mascherano, era a quinta final perdida pela selecção de forma consecutiva. Para Messi, a quarta. Para todo aquele grupo, para toda aquela equipa, era a terceira final perdida em três competições seguidas. No meio de mudanças técnicas constantes e de um caos federativo (bem ilustrado por, em Dezembro de 2015, terem havido eleições na AFA nas quais havia 75 votantes mas o resultado foi um empate a 38-38), os resultados eram brilhantes. Sim, brilhantes. Chegar de forma consecutiva a uma final de um Mundial e a duas finais de Copa América é brilhante. Estar 23 jogos seguidos sem perder nos 90 minutos de grandes competições (e só perder um no prolongamento) é brilhante. Poucos grupos de jogadores com uma história comum tão vincada (desde os sub-20 até à selecção principal) durante tanto tempo terão atingido tanto.

Messi após a final da Copa América’2016

E terão sido tão pouco reconhecidos. “Pechos frios”, “fracasados”, “perdedores”. Foi esta a reacção que muita gente teve. E as feridas no grupo…Bem, as feridas foram profundas. Quase impossíveis de sarar. Aquele grupo tinha dado a vida pela selecção. Tinha deixado a pele por um título, tinha enchido o peito de ar para travar uma batalha atrás da outra. E isso levou a que aquela derrota em 2016, mais aquela derrota nos penáltis, fosse insuportável. As lágrimas de Messi ilustravam o sentimento de todos: caminhámos tanto tempo juntos, lutámos tanto tempo juntos, competimos tão bem durante tanto tempo, e “nada”. Mais uma vez seremos nós a ver os outros levantar o troféu.  A pressão passou a asfixiar os jogadores, alinhar pela Argentina passou a ser um peso. Veio mais um treinador, Bauza. Veio outro depois, Sampaoli. E a qualificação para o Mundial foi dramática. Quase tão dramática como penosa foi a imagem que se deu em certos momentos do Mundial.

Na Rússia era a última oportunidade para este grupo. A última bala para ser disparada. Mas este grupo não via este Mundial como uma oportunidade, mas sim como um último fardo a carregar. Um último peso a suportar. A 21 de Junho de 2018 a Argentina perdeu um jogo nos 90 minutos numa grande competição. 24 jogos e 8 anos depois. Nove dias depois, a equipa caiu eliminada frente à França, por 4-3. No dia do fim de ciclo, perante a falta de futebol, perante uma preocupante falta de futebol que tem de levar o futebol argentino, de uma vez por todos, a refletir e tomar medidas, os jogadores deram uma última imagem de dignidade. Eram inferiores e a passagem francesa a certa altura pareceu mesmo óbvia. Mas eles competiram. Competiram até ao fim. Sairam do Mundial com essa ponta de orgulho e amor próprio que os caracterizou, mantendo-se vivos até final quando, por futebol, deveriam estar “mortos” muito antes dos 90 minutos.

A 30 de Junho de 2018 acabou uma equipa. Uma equipa que marca a história do futebol de selecções, pela sua longevidade (não muitos elencos se mantêm durante tanto tempo), emoções que gerou, forma como competiu e feitos que alcançou. Um conjunto de jogadores que se viu vazio, sem energia, depois de não conseguir lidar com mais uma derrota numa batalha na qual haviam gasto tantas forças. O ciclo 2011-2016 foi brilhante. Para alguns houve um antes na selecção e para outros, talvez, haja um depois, mas para todos, como conjunto, acabou. O que começou a ser forjado na Holanda, no Canadá e em Pequim acabou na Rússia. Em Maio de 2005, Sergio perguntou a Lionel quem era. 13 anos depois e 7 competições como parceiros de quarto depois, Lionel assistiu Sergio para o último golo desta equipa.

O tempo será justo com eles.

Pedro Barata

VM
Author: VM

21 Comentários

  • Dca
    Posted Julho 3, 2018 at 1:04 pm

    Há que ter treinadores competentes. Um treinador que não consegue conjugar os melhores jogadores não pode ser considerado bom treinador. Era a mesma coisa que o Guardiola no City não consegue conjugar De Bruyne e Silva. Não conseguir conjugar Iniesta e Xavi. Os melhores jogadores têm de jogar, e ponto final. Messi, Dybala e Agüero? Super ataque. Podiam ter um meio campo com Banega, Leandro Paredes e Lo Celso (dava garantias). Uma defesa com Garay, Otamendi, Tagliafico e aqui sim, falta um DD (Mercado). E na baliza Rulli. Mas o que é que Sampaoli faz?
    No último jogo apresenta: Di Maria, Messi e Pavon. Banega, Mascherano e Enzo Pérez. Armani na baliza. A falta de um treinador fez uma geração fantástica, passar por momentos “medíocres”. Mesmo que tenham ido a finais, o futebol jogado raramente foi atraente. Uma pena ver esta geração acabar neste estado.

  • Pulga
    Posted Julho 3, 2018 at 1:11 pm

    Brilhante.

  • Khal Drogo
    Posted Julho 3, 2018 at 1:34 pm

    Que excelente artigo! É por isto que continua a dar gosto seguir o VM.

    Os três pontos mais importantes que retiro daqui são:
    1 – O que esta geração fez não foi, de maneira nenhuma, tão mau como muitos querem dar a entender que foi. Na realidade, no global, nem mau foi. Duas finais de Copa América e uma final de Mundial é bom. Isto é um facto.
    2 – A Argentina não tem sido só Messi. Claro que é, de longe, o melhor jogador. Mas Mascherano, Romero, Rulli, Otamendi, Rojo, Biglia, Banega, Pastore, Di Maria, Aguero, Higuain, Dybala, Icardi, Lo Celso, Garay, Paredes, etc., são bons jogadores, alguns até de topo mundial.
    3 – No seguimento do ponto 2, as prestações menos boas em alguns dos certames deste período de 10 anos não se deveram às prestações dos jogadores. Só há um culpado, que é a Federação Argentina. Ninguém consegue fazer um trabalho como deve ser no meio de tanto caos e de tanta escandaleira. E nem vou falar dos treinadores para não ficar mal disposto…

    Com uma Federação minimamente competente, esta geração de jogadores tinha titulos, não tenho dúvidas nenhumas.

  • PedroAlmeidaSLB
    Posted Julho 3, 2018 at 1:38 pm

    Excelente texto escrito por um dos maiores e melhores contribuidores deste blog.

    Texto esse que a maioria devia ler sem o nacionalismo a toldar-lhes a visão, sabendo apreciar a tristeza e desgraça que se abateu por culpa de uma federação ainda mais amadora que a portuguesa, estragando o sonho a muitos craques que, como é referido, tiveram a sorte (eles e nós, espectadores) de coexistirem em muitos torneios e durante muitos anos. Agora, restarão os que ainda têm mais para dar e novos virão.

    • O Fernandes
      Posted Julho 3, 2018 at 2:38 pm

      Caro Pedro,

      É o senhor que vem falar de nacionalismo, quando nenhum dos comentários até à data refere sequer outra selecção para além da do texto, e que vem criticar a nossa federação, que a meu ver nos dias de hoje não tem muito de amador, especialmente quando comparada com a Federação Argentina que é um caos constante.

      Um abraço

      • PedroAlmeidaSLB
        Posted Julho 3, 2018 at 2:52 pm

        O caro amigo percebeu o meu comentário, mas não percebeu o essencial: é para apreciar a Argentina sem o espírito de “só Portugal é que é bom”. Um abraço e um saludo

        • O Fernandes
          Posted Julho 3, 2018 at 3:56 pm

          Caro Pedro,

          Não disse que não era isso, apenas referi que quem puxa os temas são normalmente as pessoas/comentários que os criticam.

          Até porque não há nada para não apreciar nesta geração Argentina.

          Um abraço

  • TheHunter
    Posted Julho 3, 2018 at 1:52 pm

    Que texto incrível, dos mais bonitos que li não só no VM mas em relação ao futebol no seu geral. Os meus parabéns e um muito obrigado.

    Em relação a argentina o texto demonstra e desmitifica o mito que a selecção é apenas Messi. Ter um dos 2 melhores do mundo nos últimos 10 anos pode ofuscar um pouco os demais companheiros mas como fica comprovado esta selecção era muito forte e completa. Mérito para os jogadores que perante o caos constante da FAF e os treinadores que apanharam conseguiram sempre algo, mesmo que no fim esse algo pareça curto para o nível deles.

  • Tiago Borlido
    Posted Julho 3, 2018 at 1:54 pm

    Mais um texto brutal por parte do Pedro Barata, sem palavras.

  • Santander
    Posted Julho 3, 2018 at 2:15 pm

    O texto está brutal, parabéns! No entanto, discordo apenas numa coisa que está refletida no texto mas que tem sido a opinião geral do público. Aquando da nomeação de Sampaoli para o cargo de selecionador Argentino todo o mundo bateu palmas.. eu incluído, pois pensei que finalmente este grupo de jogadores tinha um selecionador a sério e com uma filosofia que previligiava as suas caracteristicas… Apesar de ter corrido muito mal para Sampaoli a verdade é que ele já mostrou quer no Chile quer no Sevilla que percebe alguma coisa disto, mas como é comum no futebol existe memória curta e rapidamente se passa de bestial a besta… Como diz o povo, onde há fumo há fogo e já por demasiadas vezes se falou em Messi a desautorizar treinadores tanto na seleção como no Barcelona e penso que neste mundial, se dúvidas havia agora ficaram desfeitas… Penso que um dos males da Argentina terá sido mesmo a arrogancia e a soberba de algumas destas vacas sagradas (tal como acontecia no Real até à chegada de Zidane) e isso aliado ao facto de ter uma federação amadora contribuiu para toda esta situação…

  • SenyorPuyol
    Posted Julho 3, 2018 at 2:19 pm

    Que bello pibe!

    Grande texto, brilhante trabalho, muitos parabéns! E acima de tudo, obrigado pelas suas excelentes contribuições.

    Quanto à Argentina, de facto é uma geração incrível, que se sobrepôs à anarquia da AFA e que vai deixar saudades, não só naquele país, que um dia lhes dará mais valor mas também ao mundo do futebol que pôde desfrutar deles. Não só por Messi, esta geração merecia um grande título, podem ainda ter uma última oportunidade (sem Mascherano) no Brasil, em 2019, vejamos o que acontece.

  • RodolfoTrindade
    Posted Julho 3, 2018 at 3:26 pm

    Texto brutal Pedro.

    Obrigado!

  • Bacano Driblador
    Posted Julho 3, 2018 at 3:49 pm

    Grande Texto, seria um sucesso nos Cinemas se o adaptasses ao Grande Ecrã!!!
    Aquele finzinho do Messi e do Aguero 13 anos depois é delicioso!!!

  • Xyeh
    Posted Julho 3, 2018 at 4:19 pm

    Já pensaram se o Messi tem sido naturalizado espanhol? M E D O :/

  • Goncalo Silva
    Posted Julho 3, 2018 at 4:39 pm

    Realmente o fim de uma grande geração argentina, agora é necessário pensar no futuro e daí faço uma análise àquilo que pode ser a seleção no futuro.

    Para a baliza, Rulli deverá ser o claro número 1, havendo também Agustin Rossi do Boca Juniores, Axel Werner do Atlético de Madrid, Augusto Batalla do River Plate e Gastón Gomez do Racing

    No centro da defesa, para além dos já conhecidos Musacchio, Rojo e Pezzella, existe Manuel Mammana do Zenit, para mim o melhor central desta nova geração, German Conti do Benfica, Alan Franco do Independiente e Juan Foyth do Tottenham, sendo que há também um central que se transferiu para o Atlético, cujo nome não me recordo.

    Nas laterais, para o lado direito temos Fabrício Bustos do Independiente, Jose Luis Gomez do Lanus ou Gonzalo Montiel do River Plate, apesar de este último ainda ser cedo para tirar conclusões deste tipo. Para a esquerda não vejo ninguém com potencial para ser um bom titular; há Tagliafico e talvez uma possível adaptação de Franco Cervi por parte do Benfica. Mas claramente as laterais continuarão a ser o ponto mais fraco desta seleção.

    No meio campo defensivo, apenas vejo Ascacibar (Estugarda) e talvez Esteban Rolon (Málaga) ou Lucas Romero (Vélez).

    Mais à frente existem Paredes e lo Celso como fortes hipóteses, com Valentin Vada (Bordéus) num segundo plano e jogadores como Reynoso (Boca Juniores) e Fede Varela (Porto) como hipóteses mais remotas.

    A médio ofensivo, há as opções óbvias como Dybala e Lanzini, mas também Pity Martinez que já foi apontado ao Sporting (River Plate) ou Rodrigo de Paul (Udinese), que está a ser apontado ao Porto.

    Nas alas, há o incontornável Pavon, e ainda outras opções fortes como Lamela, Rigoni (Zenit), Angel e Joaquin Correa (Atlético Madrid e Sevilha) e Ezequiel Barco (Atlanta United). Num outro plano existem, Zaracho e Mansilla (ambos Racing).

    Na frente de ataque, para além do óbvio Icardi, há também num primeiro plano Giovanni Simeone (Fiorentina), Lautaro Martinez (Inter), Maximiliano Romero (PSV) e Sebastian Driussi (Zenit), havendo num segundo plano Luciano Vietto (Atlético Madrid), Jonathan Calleri (las Palmas) e Lucas Alario (Leverkusen).

    Portanto, não uma geração tão forte, mas que bem orientada pode alcançar bons feitos.

    Convocatória do futuro:
    GR: Rulli, Axel Werner, Augusto Batalla
    DF: Bustos, Gomez, Musacchio, Pezzella, Mammana, Conti, Tagliafico, Cervi
    MD: Ascacibar, Paredes, lo Celso, Vada, Lanzini
    AV: Dybala, Pavon, Lamela, Joaquin Correa, Angel Correa, Icardi e Lautaro Martinez

    11 inicial:
    Rulli, Bustos, Musacchio, Mammana, Cervi, Paredes, lo Celso, Dybala, Pavon, Angel Correa, Icardi

  • T. Pinto13
    Posted Julho 3, 2018 at 5:21 pm

    Excelente texto.

  • BFips
    Posted Julho 4, 2018 at 9:52 am

    Nunca gostei da Argentina, mas este texto está simplesmente fantástico. Obrigado por isso.

  • Canutinho
    Posted Julho 4, 2018 at 10:50 am

    Meus parabéns pelo texto Pedro Barata.. excelnte!!! De facto, essa geração marcou o futebol Argentino!! Não conseguiram ganhar Copa América ou Copa do Mundo mas foram exemplo para os que vêm ocupar esses lugares!

    p.s. Para mim, Messi não tem que ganhar Copa do mundo para ser MELHOR DE TODOS OS TEMPOS… ele já o é!!!

    Cpts,

  • Rodrigo Ferreira
    Posted Julho 4, 2018 at 7:08 pm

    Bom texto. Apenas não concordo quando dizes uma Argentina de sucesso. O objectivo da Argentina é sempre vencer e isso não tem acontecido, sendo que, à excepção do Brasil de 82, aquilo que tem marcado as grandes selecções são as vitórias. E diga-se que nem pela qualidade de jogo as últimas Argentinas conquistaram, pelo que não consigo falar em sucesso. Contudo, concordo que os percursos não têm sido tão maus como aquilo que muitas vezes se diz em Portugal.

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