
Estes são os tempos mais estranhos e conturbados para todos aqueles que cresceram a apoiar o Liverpool F.C. Num passado (cada vez mais distante), o clube era um bastião de estabilidade, enormemente reconhecido pelo seu bom senso e perspicácia na hora de fazer a escolha certa, nomeadamente no aspecto financeiro, famoso pela sua habilidade em conduzir os seus negócios dentro de portas. A chegada de Tom Hicks e George Gillett à administração do clube colocou todo esse compromisso com o sigilo financeiro em questão. Nos dias que correm, o alarido à volta de toda a actividade que rodeia o clube contrastou com a discrição que era palavra de ordem nos corredores e gabinetes de Anfield Road.
A afirmação não é passível de contestação: a derrota de que resultou nos penalties aos pés do Northampton foi indubitavelmente uma das piores ao longo dos 128 anos que compõe a história do clube da cidade dos Beattles. A derrota em casa com o recém-promovido Blackpool não ajudou a melhorar a situação, já de si tumultuosa. O resultado levou o clube a uma abrupta queda na classificação da Premier League Inglesa, fazendo todos os adeptos recordar e recear o desastroso começo de temporada da época de 53/54 de que resultou a última descida do Liverpool ao Championship.
Quando se julgava que o cenário não poderia piorar, eis que todos os supporters do clube se deparam com a realidade que, apesar de clara ao longo de meses, resulta e aparece agora com a sua face mais alarmante: os reds correm o risco de perder 9 pontos na secretaria caso não paguem, até à próxima sexta-feira, 320 milhões de euros ao Banco Real da Escócia, entrando em administração judicial e correndo o risco de ver a venda à New England Sports Venture (NESV) abortar.
Uma das saídas para esta triste realidade seria vender o clube de Merseyside a uma empresa norte-americana (New England Sports Venture) que, entre outras, é proprietária do Red Sox, equipa de basebol profissional nos Estados Unidos da América. A proposta é de 345 milhões e, apesar de já ter sido devidamente aprovada pela Premier League, está ainda pendente da aprovação dos gestores do clube (Hicks e Gillett) que, contrariamente à vontade do presidente do clube, se mostram renitentes em aceitar este desfecho, argumentando que o clube vale pelo menos o dobro.
Os adeptos, esses, não têm dúvidas: o que aconteceu, é terrível para a imagem do clube e da cidade. Como tal, quanto mais cedo esta saga tiver a sua conclusão, o melhor daí advirá para o clube, e cidade.
No “The Kop”, faz-se questão que as palavras de Bill Shankly não caiam no esquecimento:
“My idea was to build Liverpool into a bastion of invincibility. Napoleon had that idea. He wanted to conquer the bloody world. I wanted Liverpool to be untouchable. My idea was to build Liverpool up and up until eventually everyone would have to submit and give in. This is Anfield!”
Uma equipa que conta nas suas fileiras com jogadores como Torres, Gerrard, Meireles e Kuyt seria um cenário crível estarem à 7ª jornada com apenas 6 pontos e num 18º e antepenúltimo lugar? A saída de Rafa Benitez e a entrada de Roy Hodgson foi determinante pela negativa? Ou pura e simplesmente a péssima liderança da dupla Hicketts-Gillett é a principal causa de toda esta situação? Que futuro para este Liverpool no que diz respeito a esta temporada? Lutar pela permanência? Europa? Ou vender as principais estrelas? E em Portugal os clubes devedores deveriam ser igualmente penalizados com a perda de pontos?

