Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

A magia de Jota, o pé esquerdo de Trincão, a profundidade de Vinagre, a técnica de Quina, a qualidade de Florentino… O futuro é risonho, mas precisam de espaço e oportunidades

Após vários anos a “bater na trave”, Portugal conquistou finalmente o título de campeão da Europa no escalão de sub-19. Foi o culminar de um torneio muito bem conseguido, onde desde o início se percebeu que a vitória era um objectivo bastante possível, em face do talento à disposição de Hélio Sousa, ainda que vários elementos potencialmente titulares (Diogo Leite, Diogo Dalot, João Félix, Gedson ou Rafael Leão) tenham ficado de fora. O seleccionador nacional sub-19, que há um ano já havia estado na caminhada da equipa portuguesa até à final, onde a Inglaterra acabaria por levar a melhor, bem como no título europeu de sub-17, em 2016, frente à Espanha, construiu uma equipa forte e capaz de aproveitar todo este talento geracional. Na verdade, estamos perante uma das gerações mais fortes de sempre do futebol português, possivelmente a mais forte nesta década, e que não pretende ficar por aqui, na medida em que no próximo ano há um Mundial sub-20 para disputar e a fasquia está desde já muito elevada.

Contudo, a importância deste título vai muito para além da taça, uma vez que é uma porta aberta para muitos destes jovens, que a partir de agora ganharam outra atenção não só na opinião pública, mas sobretudo no mercado e dentro dos respectivos clubes. Resta saber como será aproveitado este potencial comum a praticamente todos eles, sabendo que nem sempre são lançados da melhor maneira no futebol profissional. No entanto, seria um crime não aproveitar a magia de Jota, o pé esquerdo de Trincão, a profundidade de Vinagre, a técnica de Quina ou a qualidade de Florentino. Será este o quinteto mais talentoso do grupo, mas elementos como Diogo Costa, João Virgínia, Diogo Queirós, David Carmo, Miguel Luís, José Gomes ou o herói Pedro Correia terão igualmente aspirações a singrar neste mundo.

Neste sentido, importa perceber qual poderá ser o futuro a curto-médio prazo de grande parte destes jogadores, sobretudo aqueles que mais se evidenciaram na Finlândia. Unanimemente considerado o melhor jogador do torneio, João Filipe, conhecido por ‘Jota’, deu cartas neste torneio e será certamente uma grande aposta do Benfica. Resta saber se desportivamente haverá espaço, pois, se uma equipa B ou sub-23 já não fará grande sentido, uma aposta na equipa principal também parece complicada, pois extremos é coisa que não falta a Rui Vitória. Assim, poderemos estar perante um novo grande negócio dos Encarnados para o mercado internacional, à semelhança de Bernardo Silva, João Cancelo ou mais recentemente João Carvalho. Ainda nas Águias, formação com maior representação neste plantel de campeões, existem ainda outros casos que poderemos dividir em dois grupos: de um lado os nomes de Florentino, médio defensivo que encheu o campo na maioria dos jogos e que encaixa no perfil habitualmente escolhido pelo Benfica para a posição ‘6’, e José Gomes, ponta de lança que é hoje um jogador com outra noção do colectivo, funcionando muito bem em apoios, que aspiram a algo de relevo nas suas carreiras; e do outro, Mesaque Djú e Nuno Santos, dois suplentes nesta competição (Mesaque foi titular na final em 2017), que dificilmente merecerão uma oportunidade na Luz.

Por outro lado, o FC Porto, que está prestes a dar a titularidade a um elemento de 1999 (Diogo Leite e que transacionou outro no início do defeso (Diogo Dalot), depositará grandes esperanças no guarda-redes Diogo Costa, que falhou a final por lesão, embora não seja crível que venha a ser solução enquanto Casillas for o dono da baliza. Já o capitão Diogo Queirós, que perdeu o lugar após a expulsão na fase de grupos, não tem vivido um mês fácil, mas perante a escassez de centrais de qualidade no Dragão poderá ter uma oportunidade durante a época, nomeadamente na Taça da Liga. Já o Sporting, que até ver perdeu Rafael Leão, atravessa neste momento uma crise na sua formação, embora tenha fornecido três elementos a este grupo (Thierry Correia, Miguel Luís e Elves Baldé). Todavia, muito dificilmente algum terá espaço nas escolhas de José Peseiro, ainda que Miguel Luís, que se lesionou no aquecimento antes da derradeira partida com a Itália, pudesse aproveitar as debilidades do miolo leonino para se mostrar. Caso diferente poderá suceder em Braga, clube que tem crescido imenso nos escalões de formação e que também colocou neste grupo três elementos (David Carmo, Francisco Moura e Francisco Trincão), com particular destaque para Trincão, que foi juntamente com Jota um dos melhores marcadores do torneio (5 golos) e que aproveitou a montra para demonstrar o seu grande pé esquerdo. A dúvida neste caso é se fica no Minho, pois tem já vários tubarões europeus dispostos a pagar milhões pelo seu passe. Por último, em Portugal, registo ainda para Romain Correia, do Vitória SC, que foi totalista nesta caminhada e que, em face da habitual aposta dos vimaranenses nas camadas jovens, poderá ter uma chance, bem como para Diogo Teixeira, do Rio Ave, que esteve apenas presente numa partida, mas que, perante as muitas mexidas no plantel do Rio Ave, até poderá surgir desde já no plantel de José Gomes.

Por fim, urge olhar ainda para um fenómeno cada vez mais habitual no futebol português, que remonta às situações de jogadores desde cedo rumam ao estrangeiro. Neste contexto, particular destaque para Rúben Vinagre, um predestinado na lateral esquerda e que, após ajudar o Wolves a conquistar o Championship, poderá ter os seus primeiros minutos na mediática Premier League. Também Domingos Quina pertente a um clube inglês, mas a elevada concorrência no West Ham e a sua frágil situação contratual (apenas até 2019) até poderão impulsionar a sua saída. Nota ainda para o duo do Deportivo, Ricardo Benjamim e o homem do golo decisivo, Pedro ‘Martelo’ Correia, que podem surgir num contexto de II Liga Espanhola, bem como para Nuno ‘Pina’ Nunes, a aposta surpresa da final e da própria convocatória, e que pertence ao Sion, da Suiça, tendo deixado alguma expectativa no ar pela exibição que rubricou.

Deste modo, depois de uma grande conquista, falta dar o passo seguinte. Talento há muito e o futuro parece ser risonho, mas importa criar condições para uma transição positiva para o futebol profissional, suportada em oportunidades e apostas seguras. Resta saber o que pensam e o que farão os clubes.

Rodrigo Ferreira

41 Comentários

  • Abilio
    Posted Julho 30, 2018 at 9:10 pm

    Infelizmente esta época só o Vinagre deve ter minutos numa I Liga… e nem vai ser titular

  • Abilio
    Posted Julho 30, 2018 at 9:12 pm

    Dava jeito que o Benfica emprestasse o Florentino, João Filipe e José Gomes, mas agora com as novas regras isso complicou-se.

    • Joao D
      Posted Julho 30, 2018 at 9:28 pm

      O João Filipe é o melhor jogador a sair da formação portuguesa desde o Bernardo Silva.

      • stanpanan
        Posted Julho 30, 2018 at 9:46 pm

        Percebo o que dizes, mas mesmo assim acho que o Félix está num patamar acima, nas este torneio deu uma visibilidade enorme ao Jota

  • Joao D
    Posted Julho 30, 2018 at 9:27 pm

    A geração de 99 é claramente uma geração diamante e a mais forte das camadas jovens da Europa. Muitos e muitos jogadores que são autênticos craques nas suas posições.
    Como já disse, creio que muitos deles vão começar a integrar já a seleção sub-21, pois já estão muito desenvolvidos para a idade.

    Os clubes tem de perceber que têm de mudar de política desportiva. Chega de camiões de estrangeiros de qualidade duvidosa. Apostar em jogadores de fora? Sim! Mas com critério, e a dar espaço aos jovens que temos que são do melhor que há na Europa.

    Terão um grande futuro pela frente.

  • Nickles
    Posted Julho 30, 2018 at 9:29 pm

    Adoro o tipico extremo que corta para dentro e remata. Desde o Simão que fiquei fã desse tipo de extremo. Dá-me um prazer enorme ver o Zivkovic jogar à direita (o que até valeu 2 golaços na época passada) e de certeza que daria me também muito prazer ver o Jota na esquerda. Portanto adoraria que o Jota fizesse parte do plantel, até porque a qualidade dos extremos neste momento é pouca.

  • Flavio Trindade
    Posted Julho 30, 2018 at 9:41 pm

    Disseste tudo Rodrigo.
    Não é falta de talento, é mesmo falta de aposta.

    E por muito que os clubes portugueses trabalhem e formem bem (a forma como se trabalha na formação em Portugal está ao nível dos melhores do mundo), continua a existir um complexo enorme em pegar em jovens e em lança-los porque os treinadores não têm paciência para trabalhar os miúdos preferindo lançar os comissionistas…

    Basta ver que o melhor treinador português de sempre e aquele que era unanimemente considerado o melhor em Portugal, têm completa aversão a trabalhar e a lançar talento preferindo os jogadores feitos.

    Sim, há sempre Leonardo Jardim, mas é muito pouco.

    Há novos sinais mesmo nas equipas grandes.
    Rui Vitória, Abel Ferreira e Luís Castro vieram da formação e já conseguem (como todos os outros deveriam conseguir) arranjar esse espaço competitivo para os jovens.

    Mas ainda é muito curto.

    Continua a existir a dificuldade em pegar num miúdo de 18 anos e lança-lo, e os que vão sendo lançados não são por convicção mas quando todos os brasileiros, argentinos e sérvios estão lesionados e não há mais ninguém…

    Esse paradigma tem urgentemente que mudar e caberá à FPF porque a Liga é meramente decorativa…a função de legislar.

    Coisas simples e nada de anti regulamentos de livre trânsito comunitarios.

    Usar as regras da Uefa por exemplo.

    25 jogadores profissionais inscritos no máximo.
    8 desses 25 formados no país e 4 da formação.

    Parece-me um princípio básico e que deveria ser seguido. E se são as mesmas regras da Uefa, não deverão violar nada…

  • ACT7
    Posted Julho 30, 2018 at 9:44 pm

    Bom artigo Rodrigo.
    Mas penso que os jovens do Benfica (os que conheço melhor) ainda precisam da equipa B (não os sub 23 que isso para mim é mais para os Clésios) pois é prefiro que o Jota, Florentino, etc. andem na B e a jogar um futebol que o Benfica quer do que jogar numa equipa que luta para não descer e que só tenha maus vícios.

    • Gil Rodrigues
      Posted Julho 30, 2018 at 10:33 pm

      Concordo bastante… Especialmente agora, que nos livramos do Helder Cristóvão (só atrasava a evolução dos jogadores) a B deveria ser o destino dos nossos jogadores mais promissores (Sub19)…

      • ACT7
        Posted Julho 30, 2018 at 11:46 pm

        Não sei se atrasava, acho que não é bom treinador. Mas a nível de preparação de jogadores eles quando chegavam à equipa A ou mesmo a equipas estrangeiras boas correspondiam com sucesso.

  • Joga_Bonito
    Posted Julho 30, 2018 at 10:10 pm

    Atenção ao equilíbrio emocional. Não podemos passar do 8 ao 80!

    Quando foi a geração de ouro de Figo, Rui Costa, criaram-se grandes expectativas que redundaram em momentos de vedetismo por vezes. Isso levou-nos a falhar o apuramento para o mundial de 94 e 98, por exemplo. Apesar do talento indiscutível daquela geração, que para mim era das 6 ou 7 melhores gerações jovens do mundo, se calhar até era top5.
    Depois dessa geração, houve uma intermédia (a de Simão Sabrosa) que também foi boa, e depois houve uma que prometeu muito (a de Ronaldo, Hugo Leal, Hugo Viana, Quaresma, Nani, etc) mas que ficou aquém nas carreiras. Depois houve um deserto de talento, devido à academização do futebol, que quis extinguir o futebol de rua, aliado à obsessão de um padrão físico do jogador duro e forte fisicamente. Nem resultados, nem jogadores, perderam-se vários anos e para mim, politicamente correcto à parte, é uma geração perdida que pouco ou nenhum talento tem para dar. Apenas o politicamente correcto inibe de dizer isto.

    Nesta geração de 99 parece haver mais talento e uma tentativa de regressar ao jogador português clássico, mas faltará haver melhor trabalho de sapa, maior consciência da importância de manter o futebol de rua, tentando ao mesmo tempo corrigir certos traços negativos nos jogadores lusos (vedetismo, preguiça).

    Vale pelo esforço de regressar a um certo padrão mais técnico, mas não nos podemos deslumbrar.
    Vejo excessivo domínio dos clubes grandes nas convocatórias, e isso deve-se ao apagamento dos clubes pequenos que se deixaram dominar por dois erros de pensamento: obsessão com a treta do futebol-a-dois-três-toques e fim do futebol de rua; política desportiva lesiva para os clubes pequenos, onde se permite a compra precoce de talentos, levando a que os 3 grandes acumulem em si 90% dos melhores quando chegam aos 18, 19 anos, facto que devia ser proibido.
    Os clubes pequenos deveriam ter-se unido para legislar contra isto. Ao invés deixaram-se viver na mama dos grandes, vivendo de empréstimos de jogadores e de dinheiros municipais. E o tempo passa, os estádios dos pequenos estão às moscas, a sua formação perde os melhores antes sequer de chegarem a poder pô-los na equipa A, os resultados são negativos e o tecido social dos clubes pequenos definha. Temo pelo futuro de vários dos clubes pequenos.

    Não sei como podemos achar que basta os 3 grandes formarem que tudo está bem. Será preciso renascer o futebol de bairro, de rua, haverem clubes nos bairros, que são a primeira captação no futebol, para assim se poderem maximizar as captações de talento no futebol. Agora isto de os paizinhos porem os meninos nas academias e pagarem para eles jogarem, isto é a morte do futebol.

    Mais tarde ou mais cedo o futebol definhará. Porque a academização, além da morte do futebol de rua, levará também a uma crescente exclusão dos mais pobres do futebol. Dado que a maioria das pessoas é pobre, o futebol corre o risco de excluir a maioria da sua captação. Veja-se isto a acontecer paulatinamente no Brasil, com um crescente número de atletas brancos das elites, por contraponto a um Brasil mais mulato ou de brancos pobres (como Zico, Sócrates) que predominou até há 10 anos.

    Fico feliz pela selecção. Não me interpretem mal. Fico feliz pelo meu Benfica ter aí vários craques em potência, sobretudo é visível que o trabalho na formação melhorou muito nos últimos anos.
    Mas há erros a corrigir em Portugal, que deverão ser apontados, sob o perigo de não serem considerados. É nas vitórias que também importa falar disto, porque nas derrotas só falam os abutres para se darem ares de entendidos e várias vezes têm um discurso demagogo e vazio.
    Acho que se operaram mudanças positivas na formação em Portugal, mas há ainda vários erros e o sucesso dalguns clubes nessa questão está a ocultar vários problemas.

    Os três grandes não podem ser o sustento da selecção. Os talentos de um país de 10 milhões não podem ser extraídos de uma escassa prospecção de algumas centenas de jovens captados nos grandes. Isto criará a ilusão de sucesso enquanto países com uma demografia muito populosa não fizerem um bom trabalho. Quando tal suceder, Portugal poderá não conseguir competir.
    Temos de reavivar o futebol de bairro, os clubes de bairro e os clubes históricos (ditos pequenos). Uma coisa é um país de 10 milhões ter em cada bairro jovens, rapazes e raparigas, a jogarem e a captar o máximo de talentos. Aí podemos criar Figos, Rui Costas e competir com o Brasil, que será sempre melhor pela maior população, mas teremos sempre classe para dar luta e ousar sonhar.
    Diferente disso é termos um país com 10 milhões de pessoas, onde alguns miúdos jogam na rua, a maioria está em casa a jogar na playstation, e a prospecção é feita com uma base de recrutamento muito diminuta.
    Não quero estragar a festa, apenas quero alertar para euforias. Já vejo alguns nos blogs a falar como se o grande Portugal de Figo, Rui Costa tivesse voltado, actuando como se os erros que fizemos não existam. E achando que porque se ganha já está tudo bem.
    Vejo pouco debate sobre os problemas estruturais no futebol português, ao contrário da Alemanha, Itália, onde se debate claramente os problemas e se tentam soluções.

    Seja como for, espero que esta vitória mantenha o espírito de vitória e a paixão pelo futebol nos adeptos em Portugal. Isso é crucial. Com a paixão mantida, a exigência virá à tona e a verdade acaba sempre por penetrar. Difícil mesmo é quando as pessoas perdem o interesse pelo futebol, aí entra-se no declínio irreversível.

    • Kafka
      Posted Julho 30, 2018 at 11:22 pm

      O fim do futebol de rua é inevitável e é um reflexo da sociedade onde vivemos… Hoje em dia as crianças já não andam na rua, juntam-se todos na casa de um deles e vão jogar playstation… E isso é um problema de toda a Europa ocidental… Quanto maior o nível de vida económico (e podem dizer o que quiserem, mas ao dia de hoje a qualidade de vida em Portugal é muito superior à de 30/40 anos atrás), menos futebol de rua existe

      Brasil e Argentina (e restantes países da América do Sul), têm futebol de rua porque têm muita pobreza

      Os clubes Tugas, não podem chegar ao pé dos pais e dizer “olhe mande o seu filho para a rua para ir jogar com as restantes crianças pobres da Damaia e Merces”

      O futebol de rua não acabou por causa dos clubes, acabou por causa da sociedade em que vivemos em que as crianças são super-protegidas pelos pais e preferem ficar em casa a jogar playstation em vez de irem brincar para a rua (os pais tb não os deixavam ir msm que quisessem ir)

      • Joga_Bonito
        Posted Julho 31, 2018 at 12:00 am

        Não acho que o futebol de rua tenha de acabar devido à riqueza.
        Até poderia suceder o caso em que se brincasse mais na rua nos países mais ricos, porque há mais segurança, do que nos países pobres, onde a criminalidade de rua atinge crescentemente uma dimensão assustadora.
        Concordo contigo na parte que o problema reside na sociedade actual ocidental de paizinhos paranóicos, que acham que as crianças nem podem sujar umas meias, que tadinhas, vão apanhar alguma bactéria.
        Acho que o futebol de rua tem é de ser reformulado, para se adaptar a uma nova sociedade.
        A sociedade ocidental está demasiado sedentarizada, demasiado fechada em casa, com pouca brincadeira, pouca invenção nas crianças. É o resultado de uma sociedade paranóica, que se alimenta de medos diariamente vendidos.
        O declínio do futebol exprime bem parte do declínio ocidental. A falta do bairro (no sentido mais positivo do termo), da brincadeira pura das crianças, exprime uma sociedade demasiado fechada, demasiado voltada para si, alienada das coisas básicas da vida…
        Mas isso é um outro debate.

        • Kafka
          Posted Julho 31, 2018 at 12:44 am

          Nisso concordo inteiramente contigo..

        • Mantorras
          Posted Julho 31, 2018 at 3:22 am

          A sociedade adaptou-se a certos fenómenos e evoluiu. Por um lado há mais gente, por outro há menos espaço, mais perigos e muito mais oferta de divertimento “em casa”. Os transoortes permitem muita coisa, mas tambem promovem o exodo, a desertificacao interior e factusl.

          No meu tempo nunca liguei para um amigo com 13 ou 14 anos para marcar algo. O ponto de encontro em si já era a rua, o ringue, o parque, a praia… nunca andei na pré escola e todos os meus amigos eram simplesmente quem aparecia por perto. Jogavamos aos centros, baliza a baliza, 2 vs 2 com balizas pequenas, ao meiinho, sem deixar cair, aos sofridos, aos chapeus, quando eramos muitos jogavamos 3 equipas de 5 a rodar ate aos 2 golos, faziamos torneios de ruas contra ruas a dinheiro (que dava para comprar uma 7up de litro e meio e dividir por todos)…

          Hoje em dia vivo num condominio fechado e os miudos ate podem brincar na rua, que tem mais lombas que uma avenida na praia e esta fechada a quem nao mora ali, mas entre 8h de aulas mais ATLs, com telemovel, tablet, PC e playstation, com campos de tenis, futebol e de squash disponiveis, golf, amigos que tem barco, surf e vela por perto, com aulas de musica, karate, natacao e curiosidade pelas meninas da equitacao… se alem disso pensarmos que os vizinhos mudam a cada 6 meses ou no maximo 2 ou 3 anos… o bairro e a internet.

          O futebol, salvo raras excepcoes, e para os pobres.

          • Joga_Bonito
            Posted Julho 31, 2018 at 10:51 am

            A questão é que é preciso reinventar o futebol de rua, que passa muito por questionar este actual modelo ocidental, onde até há pais acusados criminalmente se os filhos saírem à rua desacompanhados.
            Em Singapura, que tem das maiores densidades populacionais do mundo, quer-se criar espaços para as crianças brincarem.
            O governo pensou numa ideia engraçada de criar pisos extras nos prédios (porque de facto essa cidade quase não tem espaço) para espaços de lazer, imitando a relva, mas de forma desalinhada, com buracos e obstáculos.´
            É parte da política da cidade para promover o futebol, tentando criar um futebol de rua adaptado à cidade.
            É curioso ver como novos países tentam tanto criar um futebol de rua e países tradicionais do futebol estão a perdê-lo.
            Mas como disse na resposta ao Kafka, acho que isto se prende com um problema maior que é o declínio ocidental…

            • Mantorras
              Posted Julho 31, 2018 at 5:01 pm

              Concordo. A densidade populacional e o principal problema, os grandes centros urbanos nao estao preparados, ainda.

              Se fossemos hoje comecar a construir as grandes cidades que comecamos ha muitos anos atras, elas seriam excelentes e muito mais cuidadas, melhor pensadas, etc. O problema e que como em tudo, a pressa e inimiga da perfeicao e o Homem vive sempre a correr, sempre no aproveitamento, porque o timing e chave e assim cometem-se erros sucessivos que se acumulao e em vez de acelerarem (que o que parece), desaceleram a evolucao.

              A nossa sociedade esta em declinio claro, concordo, temos mais e melhor, mas temos muito menos qualidade de vida, que continua sem ser prioridade.

              Hoje em dia os miudos sao todos hiperactivos, eu vejo pelo meu, nao para quieto, mas quando passamos um dia inteiro fora de casa, e ele pode fazer o que bem entende, quando chega a casa ja perdeu a hiperactividade toda… e quando penso em como eu era em miudo, percebo que no fundo, eles estao “fechados e presos” e nao sao bem livres como antigamente. Talvez possa ser um pouco exagero, mas tem muito a ver com isto.

              Vai demorar um pouco ate ajustarmos como sociedade, este tipo de mudancas nao acontece do dia para a noite.

      • Francisco Torgal
        Posted Julho 31, 2018 at 2:49 am

        Eu não percebo porque dão o futebol de rua quase como extinto. Eu vejo imenso disso de crianças agarradas à playstation mas não vejo isso ser feito em vez do futebol, aliás há tempo para ambas.

        Falo pelas cidades em que vivo e vou durante o ano, mas vejo sempre miúdos no parque a jogar, nos campos de terra ou relvado sintético e nos pavilhões. As crianças andam na rua, não andam é todo santo dia. E falo de zonas menos desenvolvidas e de zonas mais “ricas”.

        • Joga_Bonito
          Posted Julho 31, 2018 at 10:52 am

          O futebol de rua ainda não despareceu, mas lentamente está-se a ir nesse caminho no Ocidente. E a FPF assobia para o lado, enquanto o futebol der dinheiro em Portugal, está-se nem aí para sinais de decadência.

          • Francisco Torgal
            Posted Agosto 1, 2018 at 3:50 pm

            Acredito que a FPF não se importe mas, como disse, não acredito que esteja assim tanto a desaparecer. Mas isso é com base nas cidades que visito e em que vivo.

    • Joao D
      Posted Julho 30, 2018 at 11:36 pm

      Ainda há resquícios desse futebol de rua em muitos dos jovens que aparecem em Portugal, principalmente aqueles que provêm de zonas mais desfavorecidas da Grande Lisboa e do Grande Porto.

      • Joga_Bonito
        Posted Julho 31, 2018 at 12:01 am

        Sem dúvida, mas infelizmente está a diminuir e não vejo quem (na FPF) coloque estas questões.
        Isto quando na Alemanha se tenta reinventar o futebol de rua, adaptando-se à nova sociedade.

  • Humberto Cruz
    Posted Julho 30, 2018 at 10:30 pm

    Contra as equipas com quem jogaram os portugueses pareceram-me claramente melhores e, principalmente na final contra Itália, pareceram-me miúdos bastante maduros que se apanharam empatados e com dois golos de rajada e não perderam a cabeça. Se se aplicarem é unânime que vários terão grande futuro. Dito isto, e não querendo ser o desmancha-prazeres da festa, não sei se não se está a fazer disto tudo algo bastante típico português que é o 8 ou 80, apresentam-se resultados e são todos incríveis. Já uns bons quantos jogadores foram elevados com um hype que depois bem os pode ter prejudicado, e esta festa toda à volta da equipa e dos jogadores, a chamá-los de geração de ouro e de diamante, a miúdos com 19 anos que ainda têm muito para trabalhar pode ser prejudicial. Parecem-me miúdos com os pés bem assentes, é esperar que seja verdade. Ainda agora ouvi o Jota no aeroporto a dizer que não quer ser o Cristiano Ronaldo nem o Neymar mas que quer sim ser o “Jota”. O rapaz, por muita qualidade que tenha, ainda não provou nada.
    De qualquer maneira, é de facto uma geração com grandes promessas. Costumamos ter jogadores que prometem mas esta geração além de qualidade parece ter quantidade.

  • Antonio Clismo
    Posted Julho 30, 2018 at 10:37 pm

    Os miúdos precisam é de jogar regularmente. Eles juntamente com os empresários também têm que ver o que é melhor para a carreira deles, por vezes sair para clubes médios, estabilizar e depois dar o salto é a melhor opção, outras vezes é necessário estabilizar no clube actual para ganhar maior capacidade mental..

    O Bernardo Silva se tivesse ficado no Benfica teria sido testado a defesa esquerdo e provavelmente dispensado, estando a jogar agora num Estoril ou assim. Muitos outros jogadores com a qualidade do Bernardo Silva já sairam da formação do Benfica, Leandro Pimenta, David Simão, etc só que não tiveram um padrinho chamado Jorge Mendes que os colocasse directamente no Mónaco a jogar a Champions enquanto que esses Pimentas e David Simões andaram a perder-se por aí emprestados aos Olivais e Moscavide desta vida até chegarem ao nível de primeira liga, muitos anos depois..

    Em Portugal continua-se a perder muito talento, por falta de aposta e acompanhamento.

    • Einstein de Avanca
      Posted Julho 31, 2018 at 4:37 pm

      Quem é muito bom vinga. Pode demorar mais que o esperado e não chegarem ao nível que se pensava (Quaresma p.e) mas tem-se sucesso.
      Comparar Bernardos com Pimentas ou é brincadeira ou ignorância.

  • Bacano Driblador
    Posted Julho 30, 2018 at 11:06 pm

    Devemos focar a rivalidade em Portugal, na aposta do jogador Português!!!!
    Imaginem Florentino titular no Benfica……grandes manchetes, cobertura mediática, interesse de clubes estrangeiros, inflacionamento do passe…….o que acontece……Porto responde com Diogo Leite, manchetes, comentários do Cannavaro, elogios do Pep, inflacionamento do passe……segue-se o Sporting, aposta no Rafael Leão (ele voltará), hattrick contra o Milan (golo de bicicleta incluido), manchetes, viralização do gol, manchetes……Portugal tem que ter um modelo ou conceito de Liga e a aposta no “Made In Portugal and Ilhas” têm que ser a base de sustento do negócio!!!!

    Já estou a imaginar clubes de topo:

    “Falta-nos um DC e um PL, deixa cá ver quem está a aparecer em Portugal”

    P.s- Escrevi isto enquanto dormia, porque tudo isto não passa de um sonho!!!!

    • Joao D
      Posted Julho 30, 2018 at 11:19 pm

      Infelizmente, essas rivalidades não existem em Portugal. O “povão” gosta é de rivalidades alimentadas por peixeirada nos programas de televisão sobre as arbitragens dos adversários.

    • Le Samourai
      Posted Julho 30, 2018 at 11:21 pm

      Em 2016 isto aconteceu, com o João Mário e Renato Sanches e tornou-se,muito rapidamente, extremamente tóxico, levado claro, a outros níveis, pelo Bruno de Carvalho.

    • ACT7
      Posted Julho 30, 2018 at 11:42 pm

      Até ao dia que há racismo, o jogador X só dá pau, o jogador y é dopado, etc.
      Os nossos miúdos têm um potencial tremendo, as nossas academias trabalham muito bem, o problema é que quando se chega a sénior vale tudo. Quem não gostava do Renato Sanches (por exemplo) nas camadas jovens? chegou a sénior foi um ódio tremendo.

  • Tiago Martins
    Posted Julho 31, 2018 at 1:45 am

    Vinagre, Florentino, Trincão e JP são para mim os mais promissores de todo este grupo, reconhecendo qualidade a elementos como Quina ou Diogo Costa entre outros. Logicamente não será fácil a qualquer um deles ter espaço nas respectivas equipas principais, sendo que o agendamento ridículo da competição não ajuda.
    Florentino por exemplo podia perfeitamente caber no plantel, mas sem pré-época, com a qualidade de Fejsa e a grande (e surpreendente para mim) pré-época de Alfa Semedo será complicado. Jota, face a alguma irregularidade dos extremos quem sabe se não aparece aos poucos esta época.

  • Rui Miguel Ribeiro
    Posted Julho 31, 2018 at 2:13 am

    O João Filipe encheu-me as medidas. Espero que se consiga afirmar nos seniores e que o Benfica o aproveite bem , nomeadamente no aspecto desportivo.

  • Tiago Silva
    Posted Julho 31, 2018 at 7:33 am

    O que já se viu é que estes miúdos têm talento, agora vamos ver se continuam a evoluir e se são apostas dos clubes nacionais, tem que passar por ai!

    Nesta época gostaria de ver:

    – Diogo Costa rodar entre a A e a B.

    – Dalot a ser alternativa regular no United.

    – Thierry Correia a ser emprestado a um clube da Primeira Liga (poderia ser o substituto de Pierre Sagna no Moreirense)

    – Diogo Queirós a ser emprestado ao Nacional.

    – Diogo Leite a ficar no plantel principal do Porto

    – Romain Correia a ser aposta de Luis Castro

    – Rúben Vinagre a titular no Wolverhampton (então neste miúdo acredito imenso!)

    – Florentino a ser titularissimo na equipa B e fazer 1 ou outro jogo na A.

    – Gedson a ser titular no Benfica.

    – Domingos Quina deixar de jogar no sub23 do West Ham. Ou sai ou é aposta do West Ham.

    – Trincão a ficar no plantel principal do Braga e ganhar o seu espaço.

    – Jota a ser titularissimo na equipa B.

    – Zé Gomes a ser emprestado ao Feirense.

    • Einstein de Avanca
      Posted Julho 31, 2018 at 4:31 pm

      O Moreirense era de facto boa opção para o Thierry. Quanto ao Zé, não iria ser titular apesar de poder ter no Edinho um bom mentor.

  • SuperEsteves
    Posted Julho 31, 2018 at 11:17 am

    Miguel Luis a fazer parte do plantel do Sporting para ontem.

    • Einstein de Avanca
      Posted Julho 31, 2018 at 4:29 pm

      Espero que sim. Jogador sem potencial para tal (pode maturar numa fase mais tardia mas duvido). Não havendo grandes opções na vossa formação, há melhores mesmo assim.

  • RodolfoTrindade
    Posted Julho 31, 2018 at 12:48 pm

    Excelente post!

    Por um lado seria interessante ver o João Filipe, o Zé e o Florentino a trabalhar com o Lage, mas por outro lado um empréstimo a um clube da primeira liga seria mais proveitoso em minha opinião. O problema está com a alteração das regras.

  • Red Scorpius
    Posted Julho 31, 2018 at 1:56 pm

    O Jota merece uma oportunidade e penso que irá aproveitá-la.
    Nenhum dos extremos do SLB tem a sua capacidade de ir para cima dos defesas e a capacidade de jigar om os 2 pés.
    Não sendo um gigante, é nais alto do que Salvio, Rafa, Zivkovic e Cervi e irá certamente ganhar massa mmuscular.
    Será uma questão de tempo para se impor na equipa principal, a não ser que seja vendido precocemente…

  • Eagle1991
    Posted Agosto 1, 2018 at 12:35 pm

    O Jota tem enorme potencial mas não pode saltar etapas na carreira portanto na época que está prestes a começar sugiro que jogue pela equipa B embora possa fazer alguns treinos e quiçá jogar pela principal em eliminatórias iniciais da taça de portugal ou mesmo na taça da liga. Depois desta época de transição estará pronto para o ataque à equipa principal.

Deixa um comentário