Aconteça o que acontecer até final, esta será uma grande época para o técnico português. O Standard nas duas últimas temporadas nem ao playoff final chegou (ficou em 9.º e em 7.º na fase regular do campeonato), e só por aí vê-se o salto de qualidade que a equipa deu, vencendo a taça e acabando a lutar pelo título. Na partida de hoje, o Anderlecht foi muito superior no 1.º tempo mas não foi eficaz e os homens de Sá Pinto, com excelentes contra-ataques, aproveitaram na 2.ª parte. Ochoa deu muita segurança na baliza e Carcela e o brasileiro Edmilson foram “diabos à solta” nas transições, ao passo que do lado dos campeões Josué mostrou-se muito bem no momento com bola (com precisão no passe e segurança na condução, alinhando como central do lado direito numa linha de 3) mas foi batido no lance do 2.º golo sofrido e Markovic foi um dos melhores em campo, com diversas acções em condução de bola ao seu estilo que criaram desequilíbrios no Standard (o sérvio, apesar de todas as dificuldades que tem tido para justificar o que se esperava dele, continua a ser muito difícil de parar quando arranca).
Sá Pinto soma e segue. O Standard Liège venceu no reduto do Anderlecht por 3-1, subindo assim ao 2.º lugar do playoff final que decide a liga belga. Num dos principais clássicos do país, o central português Josué foi titular na equipa da casa, a qual foi bastante superior na etapa inicial. Os homens de Sá Pinto praticamente não passaram do meio-campo e o Anderlecht foi criando diversas oportunidades, mas a falta de pontaria dos campeões em título e a boa exibição do guardião mexicano Ochoa levou o embate para o descanso com um nulo. No 2.º tempo, o Standard entrou com tudo e aos 48′, após um canto a favor do Anderlecht, Edmilson rouba a bola na zona do círculo central e conduz durante dezenas de metros, finalizando com qualidade para abrir o activo. Apenas dois minutos depois, Emon, no coração da área, superioriza-se a Josué e aumenta a vantagem da turma de Liège. O Anderlecht ainda reduziu, por Teodorczyk, mas o Standard sentenciou o jogo aos 78′, em novo contra-ataque após canto a favor do Anderlecht, com o ex-Benfica Carcela a levar a bola durante muitos metros e servir Edmilson para o 3-1 final. Com este resultado, o Standard Liège, que em 8 encontros neste playoff final tem 6 triunfos, um empate e uma derrota, subiu ao 2.º lugar com mais um ponto que o Anderlecht e a um ponto do líder Club Brugge, que joga mais logo frente ao Charleroi. Na próxima ronda, a penúltima, a equipa de Sá Pinto recebe o Club Brugge.
XI do Anderlecht: Sels; Najar, Josué, Dendoncker, Deschacht, Saief, Kums, Trebel, Markovic, Morioka, Teodorczy.
XI do Standard Liège: Ochoa, Cavanda, Luyindama, Laifis, Fai, Selahi, Cimirot, Carcela, Edmilson, Mpoku, Emon.



5 Comentários
Pedro Barata
Tudo corre bem ao Standard, e a 1.ª parte é fiel exemplo disso. Se o Brugge não vencer hoje, e com a dinâmica que a equipa leva, o título pode mesmo ser uma realidade. Época que (re)valoriza Sá Pinto como técnico.
3 nomes conhecidos pelos portugueses em destaque: Josué no melhor (grande crescimento com bola) e no pior (algo frágil a defender) mas julgo que pode entrar no radar selecção, sinceramente; Markovic muito, muito bem, oxalá tenha, finalmente, continuidade, porque a qualidade está toda lá; e Carcela a confirmar que foi desaproveitado no Benfica, com uma qualidade na definição excelente (o lance em que assiste um colega – que depois acerta na barra e falha o que poderia ter sido o 1-4 – é uma delícia).
TheWatcher
E tudo corre de feição, o Brugge perde ao intervalo.
O Standard pode mesmo sonhar!
Grozny31
“Aperta com eles Sá Pinto!”
Gomez0
Alguém me consegue explicar porque não utilizamos este modelo de campeonato em Portugal?! É que nem se trata de lobbies porque só traria mais dinheiro ao futebol português… é estupidez no seu estado puro!
Gomez0
Fui pesquisar um pouco sobre o modelo e encontrei este link de 2015 que é bastante completo. https://thepathslesstravelled.wordpress.com/2011/04/10/belgian-playoffs-european-footballs-most-complex-system/. O sistema foi iniciado em 2009/2010 (já com alguns ajustes pelo meio) e na altura parece-me que foi bastante questionado pelos adeptos e pelas equipas pequenas. No entanto quase 10 anos depois, muitos já terão mudado de ideias nem que seja pelo sucesso que a equipa da Bélgica almejou nestes últimos anos, que decerto também teve a ver com a maior qualidade de jogadores que saíram do campeonato Belga. Quanto a mim parece-me um modelo bastante interessante, tanto para as equipas grandes como para equipas pequenas, sendo no geral muito mais interessante de acompanhar do que as 18 equipas… Até ao final existe uma razão para as equipas lutarem com o acrescento de encontros de equipas do mesmo nível que permite um aumento de competição. É complexo? Sim. Mas isso também a Internet o era e não faltavam vozes a dizer que era a pior coisa do mundo…
Penso que seria um caso de estudo interessante para uma publicação aqui no VM.