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Manquepierda como filosofia de vida

O futebol não tem memória. É um facto. Uma vitória hoje não conta amanhã. Que o diga Quique Setién. A vida pode mudar em apenas 10 dias: desde a derrota no Villamarín que levou à eliminação frente ao Stade de Rennais até ao último desaire no campeonato, de novo em casa frente ao Getafe. O Betis perdeu três dos seus últimos quatro jogos, tendo sido eliminado da Liga Europa e da Taça do Rei. Uma situação que levou a que parte dos adeptos assobiassem a equipa e o treinador na partida contra o Getafe.

Ainda assim, o Betis voltou às meias-finais da Taça do Rei após 14 anos de ausência; passou a fase de grupos da Liga Europa frente a rivais complicados e de prestígio como o Milan ou o Olympiakos; e, na La Liga, continua na luta pelos lugares europeus. Portanto, será tão má a situação bética? Quem é o culpado? Analisemos o momento atual do Real Betis Balompié.

Equipa técnica: Quique Setién e Éder Sarabia

O treinador cântabro que aterrou em Sevilla no verão de 2017 está a viver o momento más difícil no banco do Benito Villamarín, tendo apenas três vitórias no ano de 2019, no qual já disputou 17 encontros entre La Liga, Liga Europa e Taça do Rei. Muito pouco para uma equipa que aspira a conseguir uma vaga para a próxima Champions. Mas mantém-se nessa disputa, não tendo a distração de disputar as taças europeias e nacionais.

O técnico está a ser criticado pela sua rigidez tática. Desde que instituiu o sistema de três centrais -aquando da chegada de Marc Bartra há um ano-, este parece inamovível sem ter em conta a situação da equipa. A falta de rotação em algumas posições levou a que peças-chave como Sergio Canales, Lo Celso ou Aissa Mandi somem já um número muito grande de jogos esta temporada. Por último, o jogo que propõe Setién, com associação e posse permanente desde o guarda-redes, não ‘casa’ muito bem com as ideias de parte dos adeptos, que criticam ao mínimo resultado adverso.

Quique Setién, Eder Sarabia (treinador adjunto) e Sergio Canales

A metamorfose de Quique Setíen para o 1-3-5-2 foi fundamental o ano passado para conseguir o passaporte europeia de maneira tranquila. Esta temporada, o esquema, apesar de ter sofrido ajustes, não mudou muito: dois laterais/alas que, em teoria, oferecem capacidade física durante todo o jogo e chegada com perigo à área rival, três médios com muita capacidade em posse, mas com pouca capacidade defensiva (sem um médio-defensivo ‘puro’) e, no ataque, um avançado e um segundo avançado em permanente movimentação. Uma estrutura que varia pouco e que, de momento, não está a ter o resultado esperado. A equipa gera pouco perigo pelas alas, circula a bola lentamente e a falta de golo do conjunto verdiblanco é evidente. Setién deve dar um passo à frente, realizar variações táticas para recuperar o jogo de passes rápidos e fluidos que apaixonou o futebol a época passada, com profundidade pelas alas e determinação na área rival. Mas não nos podemos esquecer que, em ano e meio, Quique conseguiu vitórias contra o Atlético de Madrid, no Bernabéu, no Camp Nou com uma grande exibição coletiva encabeçada por William Carvalho, em San Siro e -na que mais entusiasmou o beticismo- contra o eterno rival Sevilla no seu estádio, num 3-5 no dia 6 de janeiro de 2018 no dérbi más intenso de Espanha.

No entanto, a missão de Setién não se antevê fácil dado que uma importante parte da massa social bética está à esperando que o técnico falhe para criticá-lo e pedir a demissão de um dos melhores treinadores do clube neste século. A juntar a isto, a imprensa sevilhana não ajuda em nada à estabilidade, com constantes críticas que são reproduzidas por muitos adeptos sem qualquer sentido crítico. Trata-se de um treinador e, quase mais importante, de uma filosofia de jogo que encaixa na perfeição com o espírito alegre do Betis mas que, por parte da imprensa, não há interesse em apoiar devido à personalidade de Setién. Estamos perante aquele que é, sem qualquer dúvida, o melhor treinador do Betis na última década, com vitórias em redutos difíceis e emblemáticos, dando ao clube um idioma futebolístico que há muito não possuía. Poderia mesmo tornar-se num dos melhores técnicos da história do clube e permanecer muitos anos na capital do Sul da Península. No entanto, as suas declarações pouco felizes fazem muito mal à sua imagem, tornando-o num perdedor sem autocrítica aos olhos de adeptos béticos e do futebol espanhol.

A direção desportiva: Lorenzo Serra Ferrer

Uma lenda do beticismo, agora com gravata. Olhando aos resultados é o melhor treinador do Real Betis Balompié neste século, e talvez até seja algo mais. O homem que, a partir do banco do então Manuel Ruiz de Lopera, conseguiu deixar uma Taça do Rei nas vitrinas sevillanas em junho de 2005 e uma histórica classificação para a Champions League na temporada 2005-06. Desde o ano passado é o responsável máximo pela gestão desportivo do clube.

O balear conseguiu algumas contratações de nível elevado nas duas últimas temporadas, com destaque para três -uma por linha e uma por janela de mercado-. Assim, em janeiro de 2018, e perante a falta de contundência na defesa do club heliopolitano, o veterano dirigente ‘sacou da cartola’ a contratação de Marc Bartra, proveniente do Borussia Dortmund, que subiu muito o nível da defesa e conseguiu voltar à seleção espanhola. No derradeiro mercado de verão, Serra Ferrer obteve in extremis o empréstimo com opção de compra de uma pérola argentina que pertencia ao Paris Saint-Germain, Gio Lo Celso. A sua chegada levou a um importante e inesperado salto de qualidade por parte do emblema presidido por Ángel Haro. Estos movimentos levaram a que o universo verdiblanco sonhasse com contratações de peso no futuro. Em janeiro aterrou em Sevilla Jesé Rodríguez, ex-Real Madrid e também jogador do PSG. Um atacante que, depois de uma grave lesão como merengue e de dois anos de ‘travessia no deserto’, deseja relançar a carreira no Benito Villamarín. Para além destes três nomes sonantes, Serra Ferrer conseguiu competir com êxito frente a outros grandes clubes do continente pelo jovem talento mexicano Diego Lainez. William Carvalho, Sergio Canales, Andrés Guardado Pau López, Sidnei ou Javi García são outras grandes incorporações do antigo técnico. Esta capacidade do Betis de lutar por recrutar jugadores muito cotados no mercado era algo de inimaginável há não muito tempo na Avenida de la Palmera.

Serra Ferrer com William Carvalho

Até aqui tudo bem, tudo positivo com Lorenzo Serra Ferrer. Ou isso parecia. Imprensa e grande parte da massa adepta veicularam que este era o melhor plantel da história do Betis. Aquilo em que ninguém pensou foi que este elenco, com cerca de 20 jogadores, era e é curto para uma temporada com três competições. A direção desportiva falhou ao ficar com dois avançados (Loren e Sergio León) sem capacidade goleadora, tendo-se cedido o único dianteiro (Toni Sanabria) que tinha verdadeiro poder de fogo. Também os dois laterais direitos (Barragán e Francis Guerrero) não têm nível suficiente para lutar pela Europa e o meio-campo conta com poucos elementos, não permitindo ao treinador fazer rotações. A Serra Ferrer, pelo seu passado como treinador no Betis, é-lhe dado o benefício da dúvida. Também é inegável que já garantiu incorporações de muita qualidade como director desportiva. No entanto, é preciso salientar que parte da má situação atual do Betis deve-se à curta extensão do plantel, o que é responsabilidade sua.

O plantel: pontos fortes e fracos

Não há dúvidas de que é um dos melhores elencos que o Real Betis Balompié já teve. Também é certo que é um plante curto em efetivos. Duas realidades compatíveis que deixam o clube numa situação complicada para enfrentar uma temporada muito larga. Muitos nas bancadas do Villamarín orgulham-se do seu grande plantel e criticam a mediocridade de um treinador que não é capaz de retirar o melhor de jugadores com qualidade superior à do técnico. Mas, se descermos ao terreno do jogo e analisarmos, o plantel tem os seus prós e contras. O elenco tem um nível estupendo no meio-campo. Com efeito, é uma das melhores zonas intermédias de Espanha, liderada por Sergio Canales, que chegou a custo zero e está a oferecer o melhor nível da sua carreira. Giovani Lo Celso está, também, a realizar uma grande campanha, com golos de grande importância. O beticismo dá por garantido que a opção de compra pelo argentino será exercida. O mexicano Andrés Guardado dá experiência a um meio-campo sem um médio marcadamente defensivo e sem grande capacidade de recuperação ainda que, infelizmente, não esteja a fazer a sua melhor época. Por último, William Carvalho, mais conhecido como ‘o Hipopótamo’, dá doses de qualidade brutais, notabilizando-se pelos recitais de primeiro toque na bola (como no Camp Nou).

Na baliza, o Real Betis conseguiu juntar dois guarda-redes (Pau López e Joel Robles) de nível elevado. Ambos chegaram como jogadores livres, tendo Pau sido já internacional como jogador do Betis. Na defesa, é de destacar a fantástica temporada de Assia Mandi. O argentino é um central inteligente, capaz de sair a jogar com critério e desmarcar-se para oferecer saídas à equipa. Possuiu uma técnica incomum para um central e uma capacidade de chegada à área rival impressionante. São, também, de salientar as boas prestações -apesar do pouco tempo na equipa- de Diego Lainez e Jesé. Dois elementos ofensivos que acrescentaram finta e desequilíbrio. Também Tello, Sidnei e Junior, com altos e baixos, têm sido importantes, podendo melhorar. Pela negativa, destaca-se o nível baixo de Francis Guerrero, Barragán, Feddal ou Javi García. Mas o principal problema deste Betis é a clara falta de golo. Os avançados Loren (6 golos) e Sergio León (3 tentos) marcam muito pouco e são o grande ponto negativa da campanha.

Sergio León

Assim, para a próxima época, o conjunto sevillano deverá reforçar a dianteira com atacantes com mais capacidade goleadora e contratar jogadores que ofereçam penetração e profundidade pelas alas a um conjunto que deixa os flancos praticamente só para um futebolista, o qual deve ter velocidade e facilidade na colocação de assistências de qualidade para os avançados (algo que Francis ou Barragán estão longe de possuir). Para a campanha que se segue o clube deve, também, ter a preocupação de garantir mais opções válidas para permitir rotações.

Os adeptos: virtude e defeito

A ‘afición’ do Betis está a viver momentos difíceis. A grande massa social verdiblanca é do conhecimento geral. Em épocas em que o clube estava na II divisão registaram-se assistências acima das 40 mil pessoas e esta temporada cada encontro no Benito Villamarín tem cerca de 50 mil adeptos. Para o bético, ir ao estádio é um ato especial e emocionante. O problema? Como quase sempre no futebol reside na pressa e na rivalidade. O beticismo pensa -e com razão- que o clube deve dar um salto e lutar por objetivos mais ambiciosos. Até aqui, tudo normal. A questão é que há duas maneiras de olhar para esta realidade: um núcleo pensa que esse salto tem de ser já e que se devem superar dois ou três degraus de cada vez; do outro lado, temos aqueles que são apelidados de “essigentes” pelos anteriores, gente sossegada que entende que este crescimento necessita de um processo e que, para chegar a patamares mais elevados, é preciso uma ideia de jogo clara e a união e apoio ao Real Betis desde todos os âmbitos da instituição.

Por outro lado, a rivalidade com o Sevilla gera muitos problemas nos béticos que olham para o rival e pretendem imitá-lo de um dia para o outro. Uma ideia que levou ao surgimento de cânticos isolados gritando “Quique dimisión” no jogo contra o Alavés ou el Leganés, um cântico que se acentuou na última derrota frente ao Getafe. Um comportamento que o beticismo mais antigo e experimentado em mil batalhas não entende. A massa adepta do Betis sempre foi especial pelo apoio à equipa nos piores momentos e, nos últimos anos, ao mínimo revés vira-se às costas à equipa. Uma atitude que não conjuga com o lema bético mais célebre e identificativo: “Manquepierda”.

Manquepierda (em portugués, “mesmo que perca”) é uma marca de identidade do beticismo. Uma lema que se forjou no pós-guerra civil espanhola, em campos de III divisão aos quais os adeptos viajavam para apoiar a equipa independentemente do que sucedesse. É, como disse o famoso advogado espanhol Antonio Garrigues Walker, “a expressão mais humana, mais enternecedora e mais amorosa que se pode dizer. Amar inclusivamente quando se perde”. Esta é a forma de pensar de muitos béticos ainda que, na atualidade, haja quem queira transformar este lema de amor incondicional num sinal de conformismo e fragilidade.

Concluindo, sou da opinião que o beticismo deve agarrar-se aos símbolos que o tornaram numa equipa especial durante tantos anos e que passa “de pais para filhos e de avós para netos”. Algo muito profundo no coração dos adeptos e que torna um clube quase numa religião partilhada por gente “além da fronteira”, como disse o saudoso Rafa Serna, autor do hino do centenário em 2007 e que explica na perfeição o panorama bético.C

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui): Joaquin Piñero , jornalista sevillano.

VM
Author: VM

18 Comentários

  • RodolfoTrindade
    Posted Março 6, 2019 at 10:11 am

    Primeiro que tudo, é um excelente post.

    Depois para mim o Sétien é mesmo o principal culpado da má campanha do Betis (sim, é uma má campanha, o plantel dá para muito mais), não tem um plano B e quando as coisas não estão a correr bem a equipa não muda o registo e não tenta inverter a situação.

    A falta de um goleador também é realmente bastante relevante, mas a verdade é que o Betis também tem vindo a criar menos ocasiões de golo.

    Na minha opinião o despedimento também não será a solução correcta. Setien poderá ser o homem para o projecto desde que haja uma maior cinergia entra todos e que o próprio Setien comece a ter em atenção em ter um plano B e em moldar-se e adaptar-se a certas situações.

  • JessicaGomes
    Posted Março 5, 2019 at 10:32 pm

    O Bétis era um mija na escada antes de Sétien. Sejam gratos.

  • Kacal
    Posted Março 5, 2019 at 9:10 pm

    A verdade é que quem sofre 6 golos do Rennes fica logo com um cartão de visita apresentado. É inaceitável sofrer assim numa eliminatória europeia. Sobretudo não sendo um adversário claramente superior. O modelo de jogo pode ser agradável e as suas ideias muito interessantes, mas depois peca na parte defensiva.

  • Mike The Kid
    Posted Março 5, 2019 at 8:59 pm

    Continua na quê pelos lugares europeus?

  • Estigarribia
    Posted Março 5, 2019 at 8:11 pm

    Quique Setién continua a ser um dos grandes treinadores da La Liga e conseguiu pegar num Bétis de Sevilla que andava aos papéis e pô-lo a jogar bom futebol e a lutar pelos lugares europeus no principal escalão do futebol espanhol.

    Com um plantel com bons jogadores, como são William Carvalho, Lo Celso, Aissa Mandi, Guardado, Javi García, Canales, Diego Lainez ou o veteraníssimo Joaquín, Setién conseguiu colocar o Bétis num fantástico 8º lugar, com os mesmos pontos do Valência – emblema che encontra-se no 7º lugar – e está a um ponto do Sevilla, que está em zona europeia. Ah, e este Bétis já leva 30 golos marcados e 32 sofridos (se bem que os golos sofridos poderiam ser bem menos)

    Em suma, penso que despedir Quique Setién nesta altura seria uma péssima decisão de Lorenzo Serra Ferrer, um nome incontornável da história do Bétis de Sevilla (como treinador do emblema sevilhano, passaram pelas suas mãos craques, como, por exemplo, Denílson, Marcos Assunção, Ricardo Oliveira, Diego Tardelli ou Joaquín). A melhor opção será manter Setién até ao final da temporada e depois fazer-se-á um balanço daquilo que foi a época do Bétis. Ainda assim gostaria de ver o técnico espanhol no Barcelona, porque penso que seria o treinador certo para trazer de volta o tiki-taka que tanta falta faz ao Barça.

  • SenyorPuyol
    Posted Março 5, 2019 at 7:58 pm

    O Bétis chega a este ponto por acreditar precisamente que Setién seria quem os levaria E MANTERIA num patamar destacado do futebol espanhol.
    Setién quer jogar mais do que a sua capacidade lhe permite. Estou confortável para falar sobre a sobrevalorização de Setién porque já o disse por aqui uma vez. Não o começo a fazer agora pela falta de resultados.
    Já agora, que são culpa dele, não do plantel curto. Se chega ao ponto de jogar com Guardado e Joaquín como laterais, a culpa de certas eliminações não pode ir para o nível de Francis e Barragán.
    Se acha (e bem) que o seu Bétis é melhor que o Leganés e o Getafe, tem de justificar isso em campo, não ir cheio de si para os jogos como o demonstra nas conferências de imprensa.

    Setién é um romântico, mas tem de ter os pés na terra. Jemez e Mendilíbar também são românticos, e isso não faz do primeiro bom nem dá tanta notoriedade ao segundo, mesmo merecendo-a mais que Setién.

    Mesmo com isto tudo, também já o disse por aqui, gosto de Setién. Apenas não acho que seja o treinador que se quer fazer dele, mas só posso agradecer e gostar de quem quer jogar como ele.

    • Marega
      Posted Março 5, 2019 at 8:22 pm

      Desculpe a ignorância, mas quem é o mendilíbar? É um bom treinador?

      • SenyorPuyol
        Posted Março 5, 2019 at 8:59 pm

        Não tem de pedir desculpa, é perfeitamente normal que não o conheça. Tal como eu disse, não tem, nem de perto, os holofotes e a fama de Setién.

        Mendilíbar é o treinador do Eibar. Comecei a acompanhá-lo com atenção na sua passagem pelo Osasuna, mas desde que chegou ao Eibar deu uma estabilidade notável à equipa e tem uma proposta de jogo interessante. Baseada na pressão a campo inteiro e na progressão ofensiva com bola.

        • JessicaGomes
          Posted Março 5, 2019 at 10:31 pm

          E o Bordalás.

          • SenyorPuyol
            Posted Março 5, 2019 at 11:44 pm

            Bordalás é outro que merecia mais atenção!
            Não gosto do estilo, mas que o põe muito bem em prática, disso não haja dúvida! E a excelente época do Getafe corrobora isso.

  • Pulga
    Posted Março 5, 2019 at 7:40 pm

    O Setién é dos melhores do mundo!

    E aqui entra a eterna questão: quem é melhor, o treinador que pega numa equipa que luta para não descer e fica no top10, ou o treinador que pega no Real Madrid e é campeão?

    Se existe conversa que me chateia no mundo do futebol é a “Queria ver o Guardiola fazer isso com uma equipa da 2º divisão…” (como a do Messi). Claro que se o Guardiola pegasse num Getafe não ia vencer a Champions em 2 temporadas. Ele, como melhor treinador de sempre, ia ficar num top10, porque é isso que um bom treinador faz, ele sobe o nivel da equipa. Porém, para lutar por campeonatos é preciso muito mais que um bom treinador (cada vez mais).

    O Setién é dos melhores do mundo porque pegou numa equipa “irrelevante”, e tornou-a interessante. Os adeptos têm mais esperanças que nunca, os adversários temem-nos, os jogadores são felizes (com outro treinador, o Lo Celso certamente não ía parar ao Bétis) e os fãs de futebol têm mais um clube para assistir todas as semanas.

    Setién subiu o nivel do Bétis, e é por isso que ele é dos melhores do mundo.

  • Tiago Silva
    Posted Março 5, 2019 at 7:37 pm

    Despedir o Setien nesta altura seria o ato de gestão danosa. É certo que a equipa não está a viver um bom momento, mas mesmo esta época já jogou imenso esta temporada, um futebol apaixonante e o trabalho que se está a fazer no clube é de louvar e estragar isso com o despedimento do treinador seria ridículo.

    Concordo com praticamente tudo o que foi dito no post, um avançado tem que ser contratado com urgência de forma a converter o domínio em golos. Depois falta um ala direito, eu apostaria em Jason do Levante que penso que está em final de contrato.

  • Dracarys
    Posted Março 5, 2019 at 7:33 pm

    Excelente texto, extremamente completo. Também concordo que não faz sentido despedir Setién. O Bétis andava a competir na metade inferior da tabela antes da sua chegada. O plantel é bom correto, mas de facto nenhum dos avançados oferece a capacidade de finalização necessária para a equipa subir um patamar.
    Já agora, uma questão. A que se refere o autor quando menciona as declarações pouco felizes de Setién?

  • FRedondo
    Posted Março 5, 2019 at 7:29 pm

    Setien é um treinador fantástico. Ponto. Só q é fantástico apenas para quem gosta de ver futebol. Não é fantástico para quem gosta apenas de ganhar nem q seja com um golo aos 95 com a mão. Exibições como a do ano passado no Bernabeu ou este ano em camp nou os adeptos do betis não voltarão a ver nos próximos 50 anos (até podem lá voltar a ganhar mas nunca sendo tão autoritários). O problema do Betis foi o problema do Guardiola por exemplo no primeiro ano em Manchester. Ou funciona o plano A… Ou não há plano b. E o betis tem dois grandes problemas. Os avançados são reles (para não dizer outra coisa) e nao são garantia de golos (sanabria não encaixava, Loren é tem demasiadas lacunas na finalização e Sérgio Leon é muita “garra” e pouca uva. Ou seja, não há ninguém q garanta 20 a 25 golos por época e q desbloqueie jogos em q o Betis tem 70 por cento de posse de bola e não faz um golo. E o segundo ponto é a falta que o Junior tem feito desde a lesão porque não há ninguém q o substitua quer pela posição quer pelas características.

  • Pedro Barata
    Posted Março 5, 2019 at 7:09 pm

    Parece-me uma verdadeira loucura discutir Quique Setién. Mas uma verdadeira loucura. As últimas semanas foram de desilusão, mas despedir o treinador seria deitar por terra o trabalho de crescimento do último ano e meio. Convém não esquecer que, antes de Setién, o Betis também foi à Liga Europa e, logo a seguir, desceu. É importante crescimento consolidado e não exigência irrealista.

    • bojo
      Posted Março 6, 2019 at 11:13 am

      Concordo que seja desonesto questionar a qualidade de Quique Setién, mas não será discutir a performance da equipa. Sou bético há muitos anos e não me recordo de uma equipa tão boa (talvez só mesmo a famosa equipa de Finidi, Denilson, Alfonso, Oli e companhia). No entanto os resultados não acompanham propriamente a qualidade do plantel. É verdade que o talento está concentrado no meio-campo, mas se virmos os dados dos últimos jogos, a conclusão que tiramos é que o Bétis ganha a todos na posse de bola, mas perde com todos no número de remates à baliza. E é isto que me perturba no futebol desta geração…a obsessão pela posse de bola, muitas vezes sem consequências práticas. Bem sei que Guardiola mudou o jogo e devolveu importância à posse, mas as equipas dele rematam, criam situações de golo…e o Bétis não consegue cumprir a segunda parte do plano. Gosto do Quique, mas este futebol dos 30 passes e zero remates em cada jogada já chateia.

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