Conhecido como uma referência histórica no futebol dos arquipélagos, o Clube Desportivo da Nacional, fundado oficialmente em 1910, nasceu com uma influência direta dos obreiros do desporto-rei: os ingleses. Durante a primeira década do século XX, eram muitos os britânicos associados ao comércio de vinho e bordados que frequentavam a ilha, oriundos de terras de sua Majestade onde por esta altura já estava enraizado o futebol.
Incendiado o interesse neste novo desporto por parte dos jovens da comunidade local, constituiu-se o Nacional Sport Grupo (Clube Desportivo Nacional a partir de 1922) que viria a reunir madeirenses (e não só) de volta deste novo fenómeno, não esperando este – na altura modesto – clube o futuro que lhe aguardava.
Entre alguns destaques precoces do futebol regional, o Nacional foi a primeira equipa a desenvolver a formação, principalmente com a criação do escalão de infantis, escalão este onde figurou um jovem Cristiano Ronaldo. Juntamente com o início da construção do Stadium dos Barreiros, estas iniciativas marcaram de forma significativa a primeira metade dos anos 20 da equipa. Este último marco, simbolizou a vontade dos Madeirenses permitirem outras condições à prática do futebol e restantes modalidades nas quais conquistaram diversos títulos. Neste último século, o Nacional atingiu o feito histórico de ser a primeira equipa madeirense a atingir a fase de grupos da Liga Europa, eliminando o Zenit de Danny e Fernando Meira no “play-off”, em dois jogos recheados de golos e emoções. Na época posterior à famosa Champions conquistada pelo Futebol Clube do Porto, a equipa madeirense conseguiu também um enorme triunfo por 4-0 em pleno Dragão, frente aos campeões europeus. Na época de 2007/2008 ganharam por 3-0 também aos Portistas com 2 golos de Fábio Coentrão, extremo da equipa durante esse período.
Recentemente, após uma época mal conseguida com consequente descida de divisão, o expectável aconteceu… A Segunda Divisão revelou-se curta demais para o Nacional e, nem um ano depois, do mítico nevoeiro da Choupana regressa não D. Sebastião mas os soldados alvi-negros para mais uma época no topo. Uma equipa que, independentemente da fase em que se encontra, é sempre reconhecida pela dificuldade da deslocação ao seu estádio e forma de se superar nos jogos em casa. Com esta subida, regressa também mais uma rivalidade histórica com o Marítimo, refletindo também o contraste da génese histórica de ambos os clubes: burgueses (Nacional) e pescadores (Marítimo).
Como em todas as equipas, os adeptos são uma porção constituinte do clube, talvez a mais importante. Mudando um pouco a notação do texto, deixo aqui o meu apreço a uma claque de uma equipa que não apoio, mas que não faz por menos: a Armada Alvinegra. Constituída maioritariamente por jovens, independentemente da morada de cada um (ilha ou continente) é sempre possível ver apoio e barulho nas bancadas dos jogos do Nacional todos os fins-de-semana. Acima de tudo, convívio e compatibilização do fair-play e rivalidades em campo, valores frequentemente ausentes das bancadas do futebol português. A conjugação da dificuldade geográfica, deslocação, estudos e trabalho destes elementos e pilares do clube é notável e, por isso, merecem destaque neste pequeno texto. O futebol começa e acaba nos adeptos.
Em plena pré-época já se assistem a ligeiras mudanças no plantel, assim como a permanência do treinador campeão da Segunda Liga, Costinha. Espera-se um ano confortável de uma equipa que tranquilamente subiu, criou uma base sólida e praticou bom futebol mas, mais do que a calma do Nacional, antecipa-se algum nervosismo dos outros clubes da Primeira Liga, que certamente não desejam visitar tão cedo as portas da Choupana.
Sejam bem-vindos de volta.
Um agradecimento especial ao meu amigo Duarte Gomes por me ajudar com a informação e à Armada Alvinegra.
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Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Francisco Torgal


4 Comentários
Mastodon
Não sabia deste apoio dos adeptos…masé normal, com a falta de condições deste estádio nem a bola se consegue ver.
Paulopes
Um clube especial sem dúvida…força CDNacional
JoaoMiguel96
Muito bom, Francisco! Parabéns!
Só há uma coisa do qual não consigo ter saudades: as senhoras dos tambores.
Tiago Silva
Excelente texto, Francisco Torgal! Obrigado.