A temporada anterior do Marítimo ficou aquém das expectativas, com os insulares a lutarem até perto do fim pela manutenção e a viverem um período de instabilidade no comando técnico, em face do despedimento de Cláudio Braga numa fase muito precoce e da entrada de Petit, que conseguiu mais uma vitória na fuga à despromoção. No entanto, tal não foi suficiente para convencer Carlos Pereira a manter a aposta no antigo médio defensivo para liderar a equipa em 2019/20, recaindo a escolha em Nuno Manta Santos, técnico que havia saído do Feirense em Fevereiro, deixando os Fogaceiros no último lugar da tabela. O objectivo passará por estabilizar o clube na parte superior da tabela, se possível melhorando a qualidade exibicional e voltando a fazer dos Barreiros uma fortaleza. O plantel acabou por não sofrer grandes alterações, pelo que existe uma base para o técnico natural de Santa Maria da Feira trabalhar.
Analisando o elenco, as maiores novidades são as chegadas de Dejan Kerkez, um central de 23 anos com muita rodagem na Sérvia, de Daizen Maeda, que esteve na Copa América com o Japão e de Erivaldo, extremo luso-angolano que era figura habitual no Leixões. É provável que os três lutem por um lugar no 11, ainda que a manutenção de elementos chave na última época possa permitir a Manta Santos optar pela estabilidade numa fase inicial. Começando pelo sector mais recuado, Charles e Amir deverão voltar a batalhar por um lugar na baliza, com vantagem para o brasileiro, ao passo que Kerkez terá de lutar com Zainadine e Grolli por um lugar no eixo defensivo. Nas faixas, Bebeto deverá permanecer como alternativa a Nanú, que esteve na CAN, e Rúben Ferreira tem a concorrência de China à esquerda. No miolo, Vukovic, uma das sensações da última época, e Fabrício deverão ser peças fundamentais, ainda que Renê, o jovem Pelágio ou o reforço Bambock se possam intrometer. Por outro lado, como responsáveis por criar desequilíbrios estarão nomes como o tecnicista Jorge Correa, o capitão Edgar Costa, o possante Barrera ou os reforços Marcelinho, Jhon Cley e Erivaldo, ao passo que na frente de ataque deverá existir uma luta intensa entre Getterson, uma das figuras da equipa, Rodrigo Pinho ou Maeda, com a escolha a variar também em função dos opositores em cada jogo.
Deste modo, o Marítimo parece ter fechado o plantel bastante cedo, algo que é uma vantagem, sobretudo tendo em conta que muitos jogadores transitam da última época, mas a chegada de alguns reforços cirúrgicos poderá ser determinante para dar uma nova faceta aos Verde Rubros. Nuno Manta Santos terá também aqui um desafio importante, pois após o fracasso da última época terá de dar uma resposta necessariamente positiva, sobretudo por estar num clube com ambições superiores.
Reforços – Dejan Kerkez (Spartak Subotica), Bambock (Maccabi Petah Tikva), Jhon Cley (CSA, empréstimo), Daizen Maeda (Matsumoto Yamaga, empréstimo), Erivaldo (Leixões), Marcelinho (Londrina)
O craque – Jorge Correa
Melhor XI – Charles; Nanú, Zainadine, Grolli, Rúben Ferreira; Vukovic, Bambock; Edgar Costa, Jorge Correa, Jhon Cley; Getterson Alves
Jovem a seguir – Daizen Maeda
Prognóstico VM – 10.º lugar
Rodrigo Ferreira


12 Comentários
Estigarribia
Esta época é a grande prova de fogo de Nuno Manta Santos fora da sua zona de conforto, como era o caso do Feirense, visto que ele é natural de Santa Maria da Feira. Dejan Kerkez, Daizen Maeda, Erivaldo e Marcelinho podem vir a ser alguns jogadores interessantes para acompanhar bem de perto no conjunto insular.
Já agora algumas curiosidades sobre o Marítimo:
Maior goleada na 1ª Divisão: 7-1 ao Gil Vicente (1992/1993)
Maior goleada sofrida na 1ª Divisão: 0-9 do Benfica (1985/1986)
Jogador com mais jogos pelo clube na 1ª Divisão: Carlos Jorge, 294 jogos (1986/1987, 1988/1989 e 1991/1992 e 1994/1995 a 2000/2001)
Jogador com mais golos pelo clube na 1ª Divisão: Alex Bunbury, 59 golos (1993/1994 a 1998/1999)
Treinador com mais jogos pelo clube na 1ª Divisão: Paulo Autuori, 155 jogos (1989/1990 a 1994/1995)
Saudações Leoninas
Pedritxo
Contra o Leixoes , fez na 2ºparte imenso anti jogo, chegando umas 2,3 vezes a nossa baliza, nao acredito muito nesta equipa.
Antonio Clismo
Marítimo e Santa Clara recebem milhões de subsídios estatais (uma vantagem em relação às outras equipas continentais) e no caso do Marítimo nem 25% do plantel é português. Se conseguirem colocar 2 portugueses no 11 titular é muito.
Grandes condições para desenvolverem o seu próprio talento e nada fazem…
pironet
Sobre o Marítimo não comento porque desconheço a realidade.
Sobre o Santa Clara… recebe, sim, 1 milhão de euros por parte do Governo Regional dos Açores (não são milhões).
E se considerarmos tudo percebemos que estas equipas insulares têm 17 deslocações por avião por época (mais alojamento …mais transportes… mais alimentação). Ao passo que as equipas de Portugal continental apenas têm 2 deslocações por avião por época. E na próxima época a maior parte das equipas é do Centro/Norte do território português o que permite, ainda mais, poupar custos.
Assim, não vejo esse “subsídio” como uma vantagem concorrencial.
Tomás Pereira
O marítimo também é cerca de 1 milhão de euros que recebe, sendo que quando o nacional está na primeira liga esse valor até é repartido entre os clubes.
Mas são comentários completamente sem noção. 17 viagens (pelo menos, já que tem as taças) com jogadores, equipa técnica, massagistas, etc., ou seja, cerca de 30 pessoas por deslocação.
Sednem Semog
Este é daqueles comentários mais que batidos, sem noção e, infelizmente, transversais a muita gente no país. Sim, é verdade que as equipas insulares recebem apoios do governo regional, mas pelo menos é transparente, toda a gente sabe. E, tal como já foi referido, a insularidade traz custos enormes, pelo que se compreende este apoio. Muitos outros clubes (grandes inclusive) recebem igualmente apoios, sejam eles financeiros (de câmaras municipais) ou de outra índole. Mas “bater” nas regiões autónomas é mais fácil.
Em relação ao número de portugueses no plantel. Qual o problema? Vejam o FC Porto, por exemplo. Também não tem muitos jogadores portugueses. É um não assunto, este.
Zink Pinto
Para os clubes das ilhas a base de recrutamento é muito pequena comparado com qualquer clube do litoral continental, é complicado aparecerem talentos constantemente na equipa principal do Marítimo. A Madeira produz muitos atletas federados a nível nacional (17.000 em 2016) e há muitos praticantes no geral (o clima ajuda também :)). O Marítimo não é apenas futebol (equipa A, B, Sub-23, futebol feminino e futsal), também tem: andebol, basquetebol, hóquei, voleibol, ténis, ténis de mesa, padel, natação, ciclismo, patinagem, ginástica, karaté, muay thai… etc… e ainda e-sports e bridge!!! Abraço a todos
Analista Especialista
Uma equipa que tinha obrigação de fazer muito mais.
Baia_99
O meu Marítimo (sou madeirense e joguei nas camadas jovens do clube) tem este ano a obrigação de fazer uma campanha melhor e lutar pelos lugares Europeus!
A estabilidade será o factor chave aliado a um treinador que pratica um futebol positivo e que poderá potenciar um plantel que tem mais técnica que a maioria da primeira liga!
A defesa será um ponto chave! Charles foi o melhor GR (ex-grandes) na última época e deverá ter a sua época de explosão!
Grolli é um patrão, melhor DC da liga em termos de jogo aéreo (ex-grandes) e fará uma dupla muito sólida com Zainadine que até a lesão estava a ser dos melhors na época passada!
Manú tem algum potencial, é muito rápido e cruza bem, será a segunda época de primeira liga e tenho algumas expectativas!
Ruben Ferreira/China irão disputar a esquerda e oferecem experiência e raça!
O meio campo é um pouco fraco (para lutar pela Europa) mas penso que Vukovic pode ainda evoluir, especialmente se praticarmos um futebol mais positivo e acredito no potencial de Pelágio que pode ganhar o lugar! Babanco tapará o buraco em jogos mais complicados.
No ataque há muita técnica e qualidade de remate! Correa é um mágico, Edgar é muito rápido e tem uma excelente meia distancia, Gatterson é um tanque e Joel (espero que recupere) é para mim o melhor avançado extra grandes (agora que Caio e Vinicios foram para o Benfica)!
Caso Joel não esteja apto teremos que contratar uma alternativa!
Agora cabe a NMS conciliar este talento, experiência e potencial para formar uma defesa coesa e um ataque de fogo e levar o Maior da Ilhas a Europa!!!
Sednem Semog
Manter a maioria do plantel pode ser o melhor reforço, mesmo tendo em conta a época miserável que foi a 2018/2019, pois a escolha dos reforços parece mais criteriosa e cirúrgica que noutros anos. Penso que falta um número 9 – os do plantel atual não são avançados deste tipo.
Em relação à opinião do visão de mercado, o 11 mais forte deverá incluir o Kerkez e não o Grolli.
Um clube como o Marítimo merece e tem de ficar no primeiro terço da tabela, esperemos que assim o seja.
carolrodriguesss
Uma nota. O Joel Tagueu não está emprestado ao Marítimo por mais uma época. O seu contrato de empréstimo terminou em Junho. Dessa forma, após o CAN, o jogador regressou ao seu clube de origem, o Cruzeiro.
Sobre o seu problema cardíaco, é algo que tem cura, como o próprio afirmou nas redes sociais. Porém, não será fácil um clube apostar num jogador que tem no seu registo médico um problema desse tipo.
Eagle1991
Sinceramente achei algo arriscada a aposta em Nuno Manta. Bem sei que fez um bom trabalho no Feirense e que saiu com a equipa em ultimo lugar mas com novo treinador nao houve melhoria. É um treinador ambicioso e parece-me ser competente. Terá aqui uma prova de fogo. Tem bases para fazer uma época mais tranquila que a anterior. Surpreende-me e ver Nuno Manta no Maritimo e ver o Pepa no desemprego. Um tem experiencia como treinador principal unicamente na Feira e nunca saiu da sua zona de conforto. O outro tem tido uma carreira em crescendo conseguindo manutenções em equipas modestas mas a jogar bom futebol