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MMA: Resumo do mês de Março

Março pode-se dizer que foi um ponto alto na expansão Mundial do UFC. O primeiro show do mês aconteceu na Cotai Arena em Macau para a final do Ultimate Fighter China e exceptuando a luta principal, foi um evento que não figurará nos resumos do ano. No main-event, o coreano Dong Hyun Kim, que vinha de uma espectacular vitória sobre Erick Silva no Brasil, enfrentou o inglês John Hathaway, e após dois rounds de domínio amplo, finalizou a contenta no terceiro round com uma violentíssima cotovelada rotativa que deixou Hathaway sem reacção estendido no octógono. Este nocaute teve direito a prémio da noite e é até ao momento visto como o nocaute do ano. O restante card principal viu a vitória por decisão de Zhang Ping sobre Wang Si, vencendo o reality show, a vitória por nocaute de Matt Mitrione sobre Shawn Jordan e ainda a derrota de Ivan Menjivar para Hatsu Hioki por decisão (luta que traçaria o destino de Menjivar no Ultimate, pois foi despedido no final do mês). O restante evento não será citado pois foram lutas somente entre lutadores locais sem estatuto e somente para apelar ao público local.

O UFC aproveitou a viagem de regresso e a meio caminho parou em Londres para um show na O2 Arena, e perante o exigente público inglês, foi obrigado a apresentar boas lutas. Na luta principal da noite estava como que uma luta de circunstância. O sueco Alexander Gustafsson enfrentava o lutador local e invicto Jimi Manuwa. Digo que a luta era de circunstância pois Gustafsson precisava de uma vitória para ser um credível contender ao título de meio-pesados (se é que o precisava depois da guerra contra Jon Jones). Depois de um primeiro round dominado por Gustafsson que levou a luta para chão, o sueco finalizou a acção na abertura do segundo round ao colocar Manuwa na grade, e no clinch desferiu uma poderosa joelhada que o derrubou, aplicando mais castigo para a vitória por TKO. Após performance dominante, é claro que Gustafsson pediu o rematch pelo título a Jon Jones. A completar o card principal esteve a vitória por decisão de Michael Johnson sobre Melvin Guillard (luta que também traçou o destino do veterano do UFC na promotora), a vitória por decisão de Brad Pickett (que se estreou no peso mosca) contra Neil Seery e ainda a vitória espectacular por finalização de Gunnar Nelson sobre Omaru Akhmedov.
Regressado aos Estados Unidos, o UFC teve como ponto alto do mês o UFC 171, que aconteceu em Dallas e onde foi coroado o novo campeão do peso meio-médio, cujo titulo estava vago após a renúncia da lenda Georges St-Pierre, que está em período sabático na sua carreira. A disputarem o cinturão estavam dois lutadores de mãos de marreta e queixo de aço, Johny Hendricks e Robbie Lawler. A luta ficou marcada pelo tónico que tem marcado este ano de 2014, a polémica nas decisões dos juízes. A guerra entre Hendricks e Lawler foi somente decidida pelos juízes laterais e onde o ultimo round foi decisivo. Se os dois primeiros rounds foram dominados por Hendricks que aplicou maior número de golpes contundentes e com Lawler a mostrar-se competente na defesa de quedas onde Hendricks não devia ter dificuldade em derrubar, os dois rounds seguintes foram totalmente diferentes com Lawler como que a renascer e a descer a lenha em Hendricks, que ao não conseguir aplicar o wrestling e as quedas, tinha de aceitar a troca de golpes. Hendricks chegou a dar indicações de estar rendido. No último round, a luta estava empatada e pelo decorrer desta tudo dava a entender que seria Lawler o novo campeão, mas puro erro, já que o trabalho de clinch de Hendricks fez estragos e o gás de Lawler foi abaixo; Hendricks disparou nos golpes e aplicou uma queda que foi suficiente para vencer o quinto round, a luta, e se tornar o novo campeão. No final, muitos fãs queixaram-se de que a luta tinha sido um espelho da luta entre GSP e Hendricks e onde o lutador mais castigado tinha sido vencedor. Na minha opinião pessoal, a decisão está correcta e o único ponto de discussão poderá ser o primeiro round, mas ai não há dúvida que foi Hendricks quem aplicou os golpes mais contundentes. A completar o card principal esteve a vitória de Tyron Woodley sobre Carlos Condit após lesão deste último num joelho, a vitória do Myles Jury sobre Diego Sanchez por decisão, a vitória de Hector Lombar sobre Jake Shields na decisão e ainda a vitória simples e rápida de Ovince St. Preux sobre Nikita Krylov.
A fechar o mês, o UFC foi até Natal no Brasil para um rematch da luta do ano de 2011 entre o lutador da casa Maurício “Shogun” Rua e Dan Henderson. Se a luta não foi um clássico como a primeira, a forma como terminou foi espectacular. Shogun apresentou-se focado a terminar a luta cedo. Depois de um primeiro round quase todo ele de estudo, este terminou com Shogun a mandar Hendo a knockdown após um tremendo golpe no rosto e a descarregar a lenha, mas Hendo do alto dos seus 43 anos tem uma dureza sobrenatural e aguentou. O segundo round abriu com Hendo a ir de novo a knockdown e desta vez Shogun tentou o ground and pound mas sem sucesso. O terceiro round viu a equipa técnica de Hendo dizer para ele preparar a armadilha e este assim o fez, e não fez por menos, desferindo a patenteada H-Bomb no rosto de Shogun que o fez cair, e dai até o juiz parar a luta foi um instante. Do restante card que como é apanágio nos eventos no Brasil são recheados de lutadores da casa, destaca-se a vitória surpresa de C.B. Dollaway sobre Cezar Mutante por TKO, as vitórias rápidas por TKO de Rony Jason, Godofredo Pepey e ainda de Thiago Marreta e as finalizações de Jussier Formiga e Kenny Robertson.
Num rápido olhar aos concorrentes do UFC, o Bellator começou neste mês a sua temporada de eventos. Para quem desconhece o Bellator, este tem um modo de funcionamento com base em torneios, nos quais o vencedor enfrenta o campeão da categoria. Uma forma global de resumir o Bellator é que este tem campeões amplamente dominantes e de nível do UFC e por sua vez os lutadores dos torneios são lutadores de baixa expressão e em alguns casos “refugo” do UFC. Neste mês destacam-se as vitórias de Rampage Jackson que na final do torneio do meio-pesado vai enfrentar King Mo, Pat Curran que venceu Daniel Straus para ser o novo campeão do peso pena e Emanuel Newton que venceu Attila Vegh para unificar título de meio pesado. O outro concorrente é o World Series of Fighting que teve neste fim-de-semana o seu show de Março e onde viu serem consagrados dois novos campeões brasileiros. Marlon Moraes venceu Josh Rettinghouse para conquistar o titulo dos leves e Rousimar “Toquinho” Palhares que havia sido banido do UFC e de quase todo o MMA, viu as portas do WSOF lhe serem abertas e não fez por menos e venceu Steve Carl pela sua finalização de calcanhar para se sagrar campeão dos meio-médios. Foco ainda no show para a vitória simples do ex-UFC Yushin Okami que se estreou no evento e ainda um poderoso KO de Josh Burkman.
Para finalizar deixo uma nota sobre os próximos eventos do UFC, que no dia 11 vai a Abu Dhabi para um evento que terá Antônio Rodrigo Nogueira vs. Roy Nelson e Clay Guida vs. Tatsuya Kawajiri. No dia 16 mais um UFC Fight Night com Tim Kennedy contra Michael Bisping, no dia 19 com mais um UFC on FOX e onde o card é de alto nível com Fabricio Werdum vs. Travis Browne que definirá o novo adversário do campeão Cain Velásquez nos pesados, Miesha Tate vs. Liz Carmouche, Donald Cerrone vs. Edson Barboza e Rafael dos Anjos vs. Khabib Nurmagomedov. O ponto alto do mês acontecerá no dia 26 com o UFC 172, onde Jon Jones coloca o titulo de meio-pesados em jogo contra o brasileiro Glover Teixeira.
Foi a vitória de Johny Hendricks correcta sobre Robbie Lawler? Quem irá ser o próximo adversário de Cain Velásquez? Irá Glover Teixeira surpreender Jon Jones ou será mais um passeio do campeão?

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Nuno Fernandes

0 Comentários

  • Tiago Alves
    Posted Abril 4, 2014 at 1:10 am

    Hendricks é o justo vencedor, já contra GSP devia ter ficado com o título. Cain Velásquez não tem adversário a altura neste momento, qualquer um irá ser atropleado. Vai ser a luta da vida do Jon, mas com (muita) dificuldade acho que irá ganhar.

  • valderrama
    Posted Abril 4, 2014 at 1:27 am

    Hendricks foi um justo vencedor mas muito a justa.se robbie lawler nao tivesse ficado sem gas no ultimo assalto era ele o vencedor.
    Quantos aos pesados acho que travis 'hapa'browne vai ganhar a werdum,e tem real chances de ganhar o titulo a velasquez.
    Jon jones vai dominar o glover sem dó nem piedade,e depois é esperar pela revanche contra o the mauler.

  • MosqueteiroSLB
    Posted Abril 4, 2014 at 6:31 am

    bem, antes de mais, grande post.
    a unica coisa que me irritou este mes na ufc foi ter descoberto que o weidman vs belfort foi cancelado, e que o weidman vs lyoto foi adiado devido a lesao. infelizmente e a vida, e ao contrario do futebol que se um esta doente entra outro, aqui nao e possivel. estou muito curioso para saber se o weidman, o lutador que destronou anderson silva, se ira manter campeao ou o titulo ira saltar de mao em mao ate a proxima lenda.

    infelizmente este mes nao pude acompanhar a ufc sem ser atraves da comunicaçao social, que tambem essa, em portugal, e quase nula. por isso agradeço este post mais uma vez.

    quantoas aos futuros encontros
    acho que travis browne ganha ao werdum
    no combate feminino, e algo indiferente, acho que neste momento nao ha ninguem com possibilidades de retirar o titulo a ronda rousey.
    quanto a jon jones- glover, acho que ganhara o 1º.

    mais uma vez, parabens por esta ingloria tarefa, pois o ufc (e ve-se pelos comentarios) nao e propriamente uma modalidade muita falada em portugal. como ja disse, as hora tambem sao impeditivas e isso afasta alguns possiveis espetadores. agradeço poderes me manter a par do que se passa nesta modalidade

  • Anónimo
    Posted Abril 4, 2014 at 9:41 am

    Hendricks foi o melhor em 3/5, por isso venceu justamente.
    Eu sou suspeito, porque ele era o meu preferido. Ainda temi no 4º round que fosse perder, tal foi o massacre que levou no 3º e 4º.
    Consegue aguentar-se nesses 2 e depois no decisivo, consegue recuperar bem e com o Lawler totalmente em baixo por ter dado tudo por tudo, consegue levar a luta para o chão e ai garantir o champ.

    Ganhem quem ganhar vai leva para contar do Velásquez…não vejo nesta altura alguém com capacidade de parar o homem.

    Lopes

  • Nuno R
    Posted Abril 4, 2014 at 9:44 am

    Travis Brown (KO) e Wedum (submissões) têm ambos argumentos para derrotar Cain (nos heavies basta um murro bem mandado para atirar o adversário ao chão), mas nenhum parece ser o completo suficiente. Cain neste momento é intocável, e mesmo Dos Santos está muito acima de toda a restante competição. Foi pena que Cormier descesse de peso; e Overeem já não o lutador que foi (falta dos remédios?).

    Jones é favorito, mas Teixeira mostrou ser um lutador inteligente, decerto que não vai lutar à toa; pode ser uma boa oportunidade para o pessoal fazer uns trocos nos sites de apostas…

    O combate do Belfort foi cancelado por causa do TRT (acho que depende do local, pois alguns estados aceitam e outros não, este procedimento médico). Na minha opinião foi injusta a chamada do Machida, pois o Jacaré já fez mais por merecer nesta categoria. A haver combate até ao final do ano, o título falará português, pois Weidman não tem argumentos para qualquer um destes.

    Justine dos Santos, aka Cyborg, deu a entender que pode perder peso de modo a defrontar Rousey. Logo se verá se isso não se reflecte também numa perda de potência, algo que a diferencia do resto do mulherio na MMA.

    • Nuno Fernandes
      Posted Abril 4, 2014 at 12:49 pm

      Acredito que o Overeem tenha um ascendente. A luta com o Mir já mostrou isso.

      O TRT não vai ser aceite por nenhuma comissão atlética, ou seja banido do desporto. O Lyoto deverá dar mais trabalho ao Weidman pois tem uma melhor movimentação que o Jacaré que em pé não tem nível para o Weidman.

      A Cyborg acredito que poderá ir para o UFC quando a Ronda esgotar todas as defesas. Viu a luta de kickboxing da Cyborg neste fim-de-semana passado? Autentica guerra.

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