Uma recuperação de loucos, recordes históricos batidos e muitos (demasiados) passes para o sítio errado. Assim foi a Week 1 da NFL.
O tiro de partida: Não foi fácil para os campeões, Nick Foles esteve muito longe do nível que lhe valeu o Super Bowl MVP, e ao bom estilo de Philly já havia assobios antes do intervalo, mas os Eagles escaparam com a vitória graças à boa defesa (top 5 da liga)… e a muita incompetência do adversário. Continuando uma tendência que já vem da última época, os Falcons mostraram-se desacertados quando mais importava, já que entraram 5 vezes na redzone (últimas 20 jardas) dos Eagles e só amealharam 9 pontos – um touchdown (Matt Bryant falhou o ponto extra) e um field goal. As combinações entre Matt Ryan e Julio Jones, que tanto sucesso têm no resto do campo, encontram uma barreira invisível perto da endzone, mas a boa notícia para a equipa de Dan Quinn é a escassez de jogos contra defesas top-10 no resto da fase regular. Atlanta Falcons 12 @ 18 Philadelphia Eagles.
O jogo da semana: Quem ficou acordado na noite de Domingo para o duelo da NFC North deu por bem gastas as horas. Os Bears estiveram impecáveis na 1.ª parte, com Trubisky, Howard e Robinson causando dores de cabeça no ataque e Khalil Mack, Callahan, Trevathan e Hicks sustentando uma defesa temível. Naquele que parecia o “golpe de misericórdia”, Aaron Rodgers saiu para o balneário depois de levar com os 133kg de Robertson-Harris em cima do joelho, ensombrando com uma possível lesão grave a noite que já era de pesadelo em Lambeau Field. Os Packers não tinham “dentes” no ataque, a defesa mantinha o resultado o menos desnivelado possível, mas DeShone Kizer sofreu com Mack – jogo monstruoso do linebacker, 1 sack, 1 INT, 1 defensive TD e 1 fumble recovery. A meio do 3.º quarto estava 20-0, e é então que Rodgers regressa qual D. Sebastião, arrastando a perna esquerda o melhor que podia, e decide fazer um jogo quase perfeito em menos de 15 minutos, perante uns Bears secos de ideias e com a cabeça em água. Apenas 3 passes falhados, um deles até podia ditar o fim do jogo mas Kyle Fuller deixou cair uma intercepção cantada, e logo a seguir o QB dos Packers encontra Randall Cobb para 75 jardas de autêntica reviravolta e euforia no Wisconsin, na primeira vez que GB venceu um jogo quando perdia por 17+ pontos no último quarto (e 2.ª maior recuperação de sempre). No seu ano de centenário, os “queijeiros” sobreviveram à rivalidade mais antiga do futebol americano, viram a defesa apresentar-se melhor que em anos anteriores (tirando Clay Matthews, que eclipse monumental), mas ficarão à espera que a lesão de Rodgers não seja grave – este jogador é a diferença entre uma candidatura ao Super Bowl ou um lugar no fundo da tabela, e isso diz tanto da sua enorme qualidade como da falta dela no resto da equipa e de quem a orienta. Chicago Bears 23 @ 24 Green Bay Packers.
Os “empatas” da semana: Esteve longe de ser um jogo bonito ou bem jogado, mas os Cleveland Browns colocaram ponto final ao “borrego” de derrotas no jogo de abertura que durava desde 2004. Não perderam… mas também não ganharam. E é preciso recuar até 1971 para encontrar o último empate na Week 1 da NFL (entre Dolphins e Broncos). A esta página da história juntam-se Browns e Steelers, cada um a pensar que podiam ter saído com a vitória. Ben Roethlisberger mostrou o peso da idade (23/41, 335y, 1 TD e 3 INT) e James Conner compensou bem a ausência de Le’Veon Bell (135 jardas e 2 TD em corrida), enquanto Tyrod Taylor esteve melhor a correr (77 jardas) do que no passe (15/40, 197y, 1 TD e 1 INT), isto num jogo que viu 7 turnovers e 11 sacks aos QB. Pittsburgh Steelers 21 @ 21 Cleveland Browns.
A equipa surpresa: Quando a primeira jogada de sempre de um rookie QB na NFL é uma pick-6, cria-se ainda mais expetativa e especulação sobre a capacidade mental de ele reagir positivamente. Mas ninguém estaria à espera que Sam Darnold respondesse com quase 200 jardas, 2 passes para touchdown e o maior número de pontos marcados na história dos Jets fora de casa. Os RB Crowell (2 TD) e Powell, com 162 jardas combinadas, contribuíram para uma estreia de pesadelo de Matt Patricia ao comando dos Lions, que viu Matthew Stafford atirar quatro intercepções e batalhar uma lesão na perna – a falta de running game permite às defesas adversárias apostar as fichas todas no pass rush. Apesar de todas as contrariedades e más decisões na 1.ª parte, os Lions foram para o intervalo a perder apenas por 7 e empataram logo no início do 3.º quarto… só que seguiu-se um parcial de 31-0 em menos de 10 minutos. Adivinha-se uma longa época no Michigan, enquanto os fãs dos verde e brancos em Nova Iorque têm motivos para alguma esperança. NY Jets 48 @ 17 Detroit Lions.
A equipa desilusão: Este prémio pouco desejado merece ser partilhado. Num canto temos os Chargers, eternos favoritos a algo mais por terem o veterano QB Philip Rivers, nomes fortes no receiving corps como Keenan Allen ou Antonio Gates e a cada vez maior dupla ameaça no pass-run Melvin Gordon, mas falha sempre alguma coisa e desta vez foram desmontados por Patrick Mahomes, QB que só tinha um jogo na NFL mas atirou 15/27 passes para 256 jardas e 4 TD, e Tyreek Hill (7 recepções para 169 jardas e 2 TD). Quando o grande favorito à AFC West começa a temporada perdendo em casa contra um rival direto… Kansas City Chiefs 38 @ 28 Los Angeles Chargers. No outro canto estão os Saints, que apareciam com grandes expetativas a ser o representante da NFC no Super Bowl, mas também caíram em casa contra os Tampa Bay Buccaneers, um dos maiores candidatos à “lanterna vermelha”, liderados pelo journeyman Ryan Fitzpatrick (21/28 passes, 417 jardas e 4 TD). Drew Brees respondeu à altura (37/45, 439y, 3 TD), mas esse esforço continuará inglório caso a defesa continue em modo passador. Tampa Bay Buccaneers 48 @ 40 New Orleans Saints.
O dado da semana: Num arranque em que vários quarterbacks se apresentaram com a mira de passe desafinada, houve um total de 38 intercepções sendo que 6 delas acabaram em pick-6.
Outros resultados:
Cincinnati Bengals 34 @ 23 Indianapolis Colts
Tennessee Titans 20 @ 27 Miami Dolphins – o jogo mais longo da história da NFL (7 horas e 8 minutos) por culpa de uma tempestade com trovoada que obrigou a duas interrupções num total de 3h59.
San Francisco 49ers 16 @ 24 Minnesota Vikings
Houston Texans 20 @ 27 New England Patriots
Jacksonville Jaguars 20 @ 15 NY Giants
Buffalo Bills 3 @ 47 Baltimore Ravens
Seattle Seahawks 24 @ 27 Denver Broncos
Washington Redskins 24 @ 6 Arizona Cardinals
Dallas Cowboys 8 @ Carolina Panthers 16
Los Angeles Rams 33 @ 13 Oakland Raiders


6 Comentários
Luke
Alguém mais entendido me sabe dizer se a equipa técnica dos Eagles tem falado sobre a situação Wentz vs. Foles e qual deles será titular durante a época?
Eu no final da época passada achei que o Nick Foles, com a cotação que ganhou na Super Bowl, iria sair para ser titular de outra equipa enquanto que Carson Wentz ficaria para ser a estrela dos Eagles. Afinal Nick Foles não saiu, mas achei que fosse porque aceitou ficar no banco para ir poupando de vez em quando o Wentz que tem um estilo de jogo muito propenso a lesões… O facto de Wentz ter sido escolhido para um dos capitães só veio dar força à minha teoria de que seria ele o titular indiscutível. Mas depois num jogo de extrema importância e dificuldade como foi este jogo inicial, quem jogou foi o Foles e não o Wentz. Alguém me sabe explicar porquê?
Sombras
O Wentz ainda está lesionado no joelho e não quiseram apressar a sua recuperação, daí não terem trocado o Foles. Deve estar fora mais 2 ou 3 semanas segundo se sabe.
RLuz
Depois de uma longa espera finalmente começou mais uma época de NFL!
Começo pelo homem do momento Ryan Fitzpatrick, jogaço mais de 400yrds pelo ar 4td’s e 1 td em corrida.
Mike Evans e Desean Jackson , cada um com mais de 100yrds foram uma grande ajuda para o seu QB.
Agora se acredito que o Ryan irá manter o nível ou perto disso não acredito, mas com o «armamento» pesado que Tampa tem no ataque o espetáculo é garantido.
Quanto à defesa mais do mesmo (apesar de ter Brees, Thomas e Kamara pela frente) pouca pressão na frente e buracos na secondary(o mesmo se aplica a NO), numa divisão como a NFC south é uma falha que pode se revelar fatal.
Outro dos grandes momentos da week 1 foram os Browns que acabaram com a sua losing streak… sem terem vencido!
A defesa de Cleveland não deu descanso a big Ben, e obrigou a turma de Pittsburgh a 8 turnovers!
Não digo isto de agora, mas a defesa tem elementos que se forem bem aproveitados tem tudo para ser um caso sério!
Miles Garrett com um jogo monstruoso a provar que tem tudo para ser um jogador a ter em conta para os próximos anos.
Do outro lado do campo Tyrod Taylor teve bastantes dificuldades em mover a bola(15-40), mas mesmo assim Landry esteve bem e Josh Gordon deu um ar de sua graça.
Nota ainda para os Jets e para o seu rookie QB Sam Darnold apesar do terrível começo( na seu primeiro passe cometeu uma INT que originou uma pick6, juntando se a Jameis Winston e a… Brett Favre, cometendo tal «proeza») acabou em grande e devoraram os Lions.
E ainda nesta week1 vida dura para as equipas que mudaram de treinador 0V-7D!
Sombras
O Myles Garrett é, juntamente com Khalil Mack, a minha aposta para defensive MVP desta época.
RLuz
Por acaso a meses atrás falei com ex-QB dos Browns Kevin Hogan e ele disse que o Miles é um autêntico monstro, que tinha imenso talento!
Também não ficaria muito surpreendido se Miles vencesse o prémio de defensive MVP.
Flavio Trindade
Acho que escolhi mal os jogos para ver.
Vi os meus Patriots contra os Texans, com Brady praticamente sem receivers (fala-se no ingresso de Dez Bryant) a ter que fazer pela vida e a dar mesmo assim um ensino ao sophomore Deshaun Watson numa vitória mais tranquila do que o esperado.
Vi com bastante interesse a confirmação dos Jags (tem que se contar com eles e com a sua super defesa) mesmo com a perda de Fournette bem cedo a dizerem quem manda frente a uns renovados Giants onde Manning jogou bem, Odell jogou bem e Saquon Barkley teve uma estreia auspiciosa (é pena o resto da equipa não corresponder).
Vi os também renovados Seahawks agora sem a Legion of Boom (agora são oficialmente Russell Wilson e os coadjuvantes) quase a pararem os Broncos e vi também uns muito interessantes Panthers com um Cam Newton mais focado (atenção à equipa de Carolina a correr por fora) a deixar quase a seco uns Cowboys que perderam 3 das suas grandes referências e alicerçam o seu jogo no dinamismo dos miudos Zeke e Dak e no sempre efectivo Beasley.
O que eu não vi (nem sempre se acerta nos jogos…) foi o one man show de A-Rod que mesmo coxo conseguiu vencer os Bears (já tinha dito aqui que Rodgers é tão bom e ganha tanto que vai ter que atirar para si próprio muitas vezes) e que aconselho vivamente aos fãs da modalidade a verem os highlights do jogo, para verem Rodgers a fazer passes para TD só na base do braço e com apenas um apoio. Isto ao mesmo tempo que Khalil Mack fazia um jogo monstruoso mas deve ter chegado ao fim com saudade de Oakland.
Não vi também a super estreia de Sam Darnold pelos Jets a revelar não só muita qualidade mas uma força mental assinalável já que ver uma pick no seu primeiro passe e depois destruir os Lions não é fácil.
Não vi também o electrizante high scoring game entre os Bucs e os Saints com Fitzy a abrir o livro.
Notas ainda para as boas estreias de Kirk Cousins em Minesotta e de Alex Smith em Washington e para o regresso em estilo de Andrew Luck (pena a equipa ser péssima)
Para o empate inesperado entre os Browns (que esteve a um kick de ganhar o jogo) e os Steelers e para o massacre dos Ravens aos Bills (oficialmente a retirarem o lugar aos Browns como pior equipa da NFL)
Como nota final, permitam-me apenas discordar da análise efectuada quanto aos Chargers.
Sim têm potencial mas são uma equipa mediana e não podem ser considerados desilusão até porque perderam contra uma equipa melhor.
Ansioso para ver dois grandes jogos para a semana com um escaldante Vikings@Packers e um clássico NY Giants@Cowboys