
Se Londres reluz o icónico London Eye, parece que em Manchester não quiseram ficar atrás da capital. É assim que nasce uma Montanha-russa épica, construída num lugar mítico, onde num passado recente era apelidado de Teatro dos Sonhos. O lado vermelho da cidade conhecida como Diabos, coloca essa tónica infernal numa atração com diversos sobe e desce verdadeiramente alucinantes. Desde a época 2012/2013, o Manchester United vê o seu navio sem rumo. Um dos maiores clubes do mundo, que mais massas atrai parece um daqueles cruzeiros dantescos, sem rumo, no meio de uma tempestade e sem comandante. Já se sabia que não seria uma tarefa nada fácil a substituição de uma figura da envergadura de Sir Alex Ferguson, que centrava em si bastantes mais papéis do que apenas a de um típico treinador. O lendário técnico escocês saiu e parece ter levado consigo toda a mística de um clube que fazia tremer os mais valentes atletas. Em 10 épocas completas desde da sua saída, o clube falhou por 5 vezes o top-4 e por norma em épocas de boas classificações, seguem-se outras bem mais cinzentas. O clube para além de parecer ter desaprendido de ganhar campeonatos, parece hoje menos capaz de gerir a exigência de jogar a Champions e ter de a conciliar com o campeonato.
Já se escolheram muitos caminhos, desde de treinadores de projeto como Moyes a consagrados como Mourinho, ou Van Gaal, passando Solskjaer que passou de passageiro a definitivo. Depois de despedimentos e épocas falhadas, o United foi por um treinador de projeto e concedeu-lhe uma preponderância, que há muito não se via no clube. Ten Hag chega depois do seu Ajax ter encantado o futebol europeu, potenciando jogadores e promovendo um estilo de jogo dominante. Desde de que chegou ao clube, parece ser o treinador dos últimos 10 anos com maior liberdade de movimentos, teve praticamente tudo o que pediu e não lhe foram colocados entraves na hora de decidir desfazer-se de uma série de jogadores importantes para o clube. Bateu de frente com Ronaldo e levou a melhor, bateu de frente com Sancho e levou a melhor. Encostou Maguire e retirou-lhe a braçadeira de capitão, desfez-se de De Gea apesar dos anos de clube e de ter sido eleito o melhor Guarda-Redes do campeonato no ano anterior. Em apenas dois anos, conseguiu uma série de reforços por si pedidos, mesmo que por vezes por preços claramente inflacionados, como caso de Antony, ou Hojlund. E, não obstante os excelentes resultados da época 2022/2023, a verdade é que a qualidade de jogo nunca encantou e em muitos momentos viveu de um Rashford que atravessou a melhor forma da sua carreira.
Esta época os sinais não têm sido animadores e o United encontra-se à 10ª jornada já a 8 pontos dos lugares de Champions. Na prova milionária, as coisas estão também complicadas. E acima de tudo, o que mais preocupa a massa adepta é que o jogo da equipa parece ter regredido ao invés de ter evoluído e isso traduz-se numa incapacidade gritante de competir com os melhores como se viu em casa com o City ou fora com o Bayern (pese embora o resultado enganador). Ainda estamos apenas em outubro e a verdade é que pior do que tem sido feito parece difícil, ou seja, a tendência será para melhorar, muitos lesionados retornarão também, veremos se ainda será a tempo de salvar Ten Hag. Os dados estão lançados e a questão que impera é quando se poderá sonhar novamente no teatro de Old Trafford, o futebol merece que assim seja.
Visão do Leitor: Santander


1 Comentário
Fireball
Só uma pequena nota. O ten Hag não conseguiu todos os jogadores que queria. É público que queria por exemplo Gakpo, Gravenberch, e mais uns quantos que por um motivo ou outro nunca chegaram a Old Trafford. Não me podem dizer que Amrabat e Reguillon eram a prioridade para aquelas posições.