
O Real Madrid foi eliminado da Taça do Rei mas a verdade é que José Mourinho conseguiu uma vitória psicológica muito importante e que poderá ter consequências decisivas a curto e a longo prazo: seja no que diz respeito à sua continuidade, como na conquista de um balneário e de uma injecção de moral que permita alcançar mais do que a La Liga esta época. Apesar do resultado, ficou claro que o encontro deu outras perspectivas em relação ao que pode acontecer no futuro entre estes 2 colossos do futebol Mundial, e esta afirmação do Real Madrid não podia ter vindo em melhor altura: durante a semana anterior ao jogo relativo aos quartos-de-final da Taça do Rei, foram muitas as notícias sobre a possível saída do técnico português, muito criticado pela imprensa e pelos adeptos madrilenos. Críticas essas que eram justificadas pelo aparente atraso do Real em relação ao futebol jogado pelos culés, mas que se tornam dúbias quando se olha para a tabela classificativa do campeonato espanhol – o Real liderava no fim da primeira volta com 49 pontos, fruto de 16 vitórias em 19 jogos, um empate e duas derrotas e o melhor ataque com 67 golos marcados. Eram 5 (agora são 7) os pontos de vantagem para a turma de Pep Guardiola, que está em segundo com 44 pontos. Ainda assim, este facto, juntamente com o pleno de vitórias na fase de grupos da Liga dos Campeões, não foi suficiente para convencer a imprensa e os adeptos madrilenos, que condenavam Mourinho pelos resultados e exibições pouco conseguidas contra o seu arqui-rival. Continuamente massacrada, a equipa de Mourinho calou os críticos com uma excelente exibição na quarta-feira. Desde o apito inicial até ao final, o Real Madrid dominou o encontro embora não conseguisse materializar esse domínio como provam as oportunidades desperdiçadas por Higuaín e Ozil. Quem não marca sofre, e o Barcelona, um pouco sem grandes explicações, chega ao intervalo a vencer por 2-0 com a eliminatória aparentemente resolvida. Mas foi aí que Mourinho puxou dos galões e mostrou o melhor Real da época. Benzema, Callejón e Granero estenderam o jogo dos blancos, e com Cristiano Ronaldo a alto nível o Real ficou às portas de uma surpresa impensável se se colocasse este cenário no início da semana. Talvez se não tivesse sido pela fraca prestação do árbitro Fernando Teixeira, Mourinho estaria agora a festejar uma vitória de afirmação. No entanto, a grande ilação a retirar desta eliminação do Real Madrid é que a diferença entre os madrilenos e os catalães é cada vez mais curta e, tendo em conta a situação classificativa actual e o futebol praticado neste último clássico, o favorito à vitória na La Liga é o Real Madrid. O português conseguiu o que quase ninguém consegue – encostar o Barcelona às cordas em Camp Nou – e pode ter sido o dia decisivo para conquistar a imprensa e mais apoio por parte dos adeptos. Afinal de contas, Mourinho não deixou de ser um verdadeiro sábio e parece ter conseguido quebrar finalmente a sua malapata contra Pep Guardiola. Mesmo com a eliminação, os comandados de Mourinho ganham muito mais confiança para abordar a restantes 19 jornadas da Liga Espanhola bem como a Liga dos Campeões, tão desejada pela afición madridista. Inequívoco é que o grande passo para a afirmação de José Mourinho na imprensa e no Real Madrid pode acontecer na 35ª jornada (caso não se enfrentem na LC) quando o Camp Nou voltar a ser palco do clássico dos clássicos. Ainda para aliciar mais, poderá ser o jogo do título.
O que falta ao Real Madrid para ultrapassar este super-Barcelona? O encontro da Taça do Rei é o ponto de viragem? Ficarão os merengues satisfeitos apenas com a La Liga, ou, enquanto durar este domínio catalão Mourinho nunca irá satisfazer em pleno os adeptos do Real?
P. Pinto

